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16 de janeiro de 2017

100 tempo




Já não tenho mais a habilidade de fixar fisionomias e nomes... Na verdade eu nunca tive, mas hoje eu chego ao extremo de só lembrar o meu próprio nome; o resto eu confundo tudo... Alguém que eu nunca vi na minha vida me cumprimenta e sabe meu nome, me pergunta como vão as coisas... Quase não sei a diferença entre Um e Todo Mundo... Mas os aniversários eu lembro... Prazos, vencimentos, inícios e encerramentos - datas eu lembro... Enfim... Ops, me atrasei.

5 de janeiro de 2017

Procras...

Procrastinação: ato ou efeito de adiar, de postergar. Preguiça. Moleza de espírito. É aquilo que você sente quando você não tem nada para fazer e ainda assim não quer ter algo para fazer, ou, pior ainda, quando você tem milhares de coisas a fazer e quer se ver livre de tudo, espontaneamente alérgico a rotinas e obrigações. Não que o que você faça e o ritmo que você leve sejam obrigatórios; você faz se você quiser, mas se você não fizer você se ferra. Nessas horas você se arrepende de não cursar mais a sétima série e ter rezado tanto para se formar... É um tédio passivo, um estoicismo vadio. Ojeriza. Indisposição, descrença egoísta, ócio destrutivo. Se você considera a morte não é que você seja depressivo mas sim que você tem preguiça de viver. Ah. E de que me adianta saber tudo isso? Não sei. Eu tenho muitas coisas a fazer, mas até de terminar esse texto eu tenho preguiça. (Que feio).


Publicado originalmente em 26/11/11.

9 de novembro de 2016

Formatura


'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places 
where all the veins meet yeah, 

Não compreendo o real motivo para celebrar. Cinco anos de graduação que não foram lá os melhores da minha vida, a despeito do que reza a lenda sobra a primeira graduação, muito embora tenha sido uma fase de amadurecimento (não obrigatoriamente decorrente da graduação): aprendi a me disciplinar para estudar, aprendi a diferenciar as pessoas que são legais espontaneamente daquelas que são legais por interesse, além de ter quebrado a cara inúmeras vezes. Ademais, não entendo o que comemorar tendo em vista que, como profissional recém ingressante no mercado, não tenho lá grandes perspectivas de lucro e renda - não de início. Mas tudo bem. Estou no caminho certo, dizem. Vou fingir que ignoro o passado recente e o futuro a curto prazo, e vou buscar diversão, como se a minha formatura fosse terminar como em um filme americano, com bebida de qualidade, boa música e ao vivo, bagunça, canapés para equilibrar o alcoolismo, quem sabe até uma orgia ao final com caras gatos. Ah, e a minha música de entrada vai ser a Bittersweet symphony, essa música que parece ter sido escrita numa fase dessas. I'll take you down to the only I've ever been down...

31 de outubro de 2016

Grana$


Ahh, a vida adulta. Nunca quis chegar até aqui. Acordar cedo, trabalhar, perder horas no trânsito, me estressar... Parece um ciclo tão obrigatório quanto o ciclo da vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Parte da vida adulta consiste justamente em cair no mundo e se virar. Somos obrigadas a nos submeter. E eu aqui, como qualquer pessoa, triste por não poder ser exceção a essa sórdida regra, morrendo de vontade de pedir demissão, ansiando por me tornar alguém diferente e fazer fortuna com uma ideia extraordinária. Mas não. Até agora só me provei uma pessoa a mais, sem nada a acrescentar, e, como todo mundo, sonhando lunaticamente com rios de dinheiro.

7 de setembro de 2016

Monografia (Episódio VII)


Prometo que eu já estou quase acabando com essa série. Talvez só mais umas duas ou três doses de desabafos escrevinhados em forma de nota de rodapé e citações (é terrível você ter que fazer traduções e explicações em notas de rodapé, terrível, simplesmente TERRÍVEL), depois que eu terminar de reescrever uma centena de conceitos complexo em um vocabulário impessoal e objetivo, e depois que eu tirar capítulos e acrescentar outros novos, mas antes de eu começar a ensaiar a minha defesa oral e de começar a fazer a errata. Estou quase lá, prometo...

6 de agosto de 2016

Monografia (Episódio VI)



Não sei se eu estou sempre cansada por hábito ou se eu simplesmente tenho dormido pouco. Minhas mãos - ambas - doem de tanto escrever, de tanto grifar, sublinhar, digitar quase ininterruptamente por horas a fio, desenhar esquematicamente ideias, folhear freneticamente páginas de uma penca de dúzias de textos que eu, agora, já quase decorei as páginas e citações. Minha mesa virou uma profusão de livros completos ou cópias de capítulos, impressões de artigos, leis e julgados avulsos decorados com minúsculas observações, caderninhos e agendas de anotações, dezenas de conjuntos de post-its com formatos e tamanhos diversificados, kits de marcadores florescentes e canetas hidrográficas coloridas, clipes, grampeador, tesoura, cola, borracha, lápis, fita adesiva, canetas-gel metálicas, meu próprio laptop amiúde auxiliado por um tablet (por mais que eu resista muito em me deixar auxiliar por dispositivos eletrônicos que só fazem me distrair) - enfim... Uma verdadeira visão de uma oficina no ápice de sua produtividade. O resultado ainda vai demorar. Ainda vai levar tempo e demandar muito empenho. Mas tudo bem: toda boa obra se faz em etapas; todo bom resultado observa um processo sadio. Por hora, mãos à obra.

26 de julho de 2016

Força




Eu gosto desse esforço enervante. Principalmente quando eu observo que todos os demais se conformam com o fracasso ou esperam receber tudo mastigado, tudo pronto, tudo entregue dentro de um envelope com instruções. Além de ver como tem muita gente que estagna, que para no tempo - e que perde tempo. Ah, mas não eu. Vida, prepare seu peso que eu vou lhe empurrar com todos os meus músculos.

18 de julho de 2016

Outra postagem sem título



Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
(Edgar Allan Poe)

Já fazem cinco dias que eu não carrego meu celular e a bateria ainda está em 60%. Já quase esqueci como se fazem ligações; também não me lembro muito bem das senhas dos meus e-mails e de todas as parafernálias que o mundo digital exige. Tenho me dedicado muito. Tenho medo, e isso tira meu sono. E quando eu durmo eu sonho com as histórias dos livros que leio para me distrair, para esquecer a irrealidade da vida; sonho com pessoas que não existem, quiçá para esquecer a mediocridade das pessoas que existem. Sonho com sonhos que não são meus, mas que são mais realistas e tangíveis do que esse medo que me amortece. Pretendo, sim, voltar a atuar dentro dos parâmetros humanos de sociabilidade, mas por hora preciso, primeiramente, parar de divagar por sonhos lúcidos, onde não há nada a constar.

15 de julho de 2016

Cansada




Queria poder me deitar um pouco, encostar a cabeça no travesseiro e relaxar. Ler ou assistir qualquer coisa boa o suficiente para me tirar virtualmente daqui. Queria ao menos poder aliviar dos meus músculos essa sensação de fraqueza, de que me faltam as forças... Mas eu tenho tanto a fazer, tanto, mas tanto, que a mera perspectiva de parar por um instante parece um crime. E eu só queria um café.

11 de julho de 2016

Concentração



Tem sido difícil manter a mente em um lugar só. Parece que meus pensamentos estão sempre dispostos a viajar, e se dispersam para muito longe de onde eles deveriam estar. Talvez seja justamente um subterfúgio mental para o excesso de enfoque em uma ou algumas atividades só. Talvez seja a necessidade - infelizmente inviável, nesta altura - de descansar, relaxar. É nesses momentos em que surgem boas ideias, reconheço, mas esse desvio constante é estarrecedor. Reconheço que eu estou cansada, mas a última coisa que me é permitida é parar agora.

4 de julho de 2016

Pressão



Numa disciplina quase militar eu tenho mantido tudo no mais adstrito controle. Ainda que se trate de uma disciplina espartana, agressiva e rude. Veja que eu estou sempre calma, sorrindo, brincando e com uma expressão serena - e eu acredito que isso resulte também da minha absurda disciplina, de não permitir que as coisas explodam, somente implodam. Por fora eu sou amigável e confiante, e por dentro eu luto a cada segundo do dia. E esta tudo bem, eu lido com isso com parcimônia. Pretendo manter essa pressão interna, ainda que por vezes ela chegue a níveis quase intoleráveis; a pressão me equilibra. Pois a pior pressão não é aquela que vem de fora, do mundo, da sociedade; não, é a pressão interna que, por uma soma de fatores variáveis - dentre as quais, obviamente, a pressão externa é a mais influente - que é capaz de fazer você explodir se não souber lidar. E agora eu sei.

28 de junho de 2016

OCUPADA



Lamento muito, não posso agora. Com licença, preciso ir, tenho compromisso - compromissos demais, compromissos sobre compromissos, de modo que eu tenho que filtrar uns em prol dos outros, como se fosse possível priorizar qualquer coisa nesse mundo em que tudo ferve. Mas, bem, agora é sério: Preciso ir. Me liga mais tarde... 

8 de junho de 2016

RAIVA



Vontade de gritar, de esmurrar e dar um chute.

Percebi que deu drasticamente errado o meu plano; eu percebi que eu fui usada e desmoralizada.

Percebi que todo o meu trabalho foi por água a baixo sem culpa minha e isso é irreversível agora.

Eu tive que aguentar de cabeça baixa - para quê? Para terminar sem nada?

Respiro fundo como manda a boa conduta, mas parece que a cada suspiro a raiva infla cada vez mais.

Queria abrir aquela porta, levantá-los pelo colarinho e por pra fora todos os podres do falso moralismo, da hipocrisia, da bajulação - mas não farei isso, obviamente. Ao menos a errada da história não foi eu.

Engulo seco e sigo meu caminho, sem olhar na cara de ninguém. Eu tentei e dessa vez, tragicamente, eu falhei. Mas tudo bem; ao menos eu aprendi em quem não confiar.

2 de junho de 2016

Ambidestria



Preciso ressaltar, antes de começar, antes-de-mais-nada, que eu não sou ambidestra por predisposição natural. Não sei nem se o fato de eu ser destra tem algo a ver com genética; acho que simplesmente quando eu estava sendo alfabetizada, lá num passado remoto da minha vida em que eu me lembro poucas coisas, alguma tia da creche ou a mama fazia com que eu pegasse nos lápis com a mão direita - e aí eu me tornei destra. 

Com pessoas canhotas que eu conheço a história é diferente; em algum momento o canhoto sente que tem melhor precisão com a mão esquerda, e aí, enfrentando a sociedade destra opressora, o canhoto se assume como tal e passa a escrever com a mão esquerda, muitas vezes escrevendo escondido. Pode parecer um exagero, mas tem um fundo de verdade: A maioria das coisas estão predispostas de forma que privilegie o uso da mão direita (o papel higiênico fica do lado direito da privada; o freio de mão e a marcha ficam ao lado direito do volante; a maioria das carteiras na universidade são de destro, e por aí vai), tanto é que em concursos públicos algumas instituições tem a opção "faço uso de assento para canhotos" - como se os canhotos fossem minorias. 

O fato é que realmente os canhotos são menos favorecidos, e eu percebi isso do momento em que eu passei a escrever - ou tentar escrever - com a mão esquerda. No começo não saía nenhuma letra; depois de um tempo eu já conseguia escrever com mais precisão, mais muito devagar e com uma caligrafia horrorosa; e por fim, hoje, a letra já não é tão feia assim - mas a da mão direita é melhor. Mas depois de eu pegar o hábito, percebi que eu comecei a fazer mais coisas com a mão direita: Abrir as portas, comer, escovar os dentes, usar primeiro o pé esquerdo, entre outros. O senso de orientação e equilíbrio também melhorou, até porque eu passei a exercitar os dois lados do cérebro.

Mas outra coisa que eu percebi foi que as pessoas se espantam quando veem alguém escrevendo ou fazendo algo preferencialmente com a mão esquerda. É tipo um resquício de preconceito implícito; as pessoas notam o uso da mão esquerda como se fosse algo errado, como se fosse um problema que a pessoa tem. 

De qualquer forma, é um desafio e tanto mudar a perspectiva, mesmo que seja em pequenos afazeres cotidianos - no meu caso, como eu escrevo muito manualmente o uso da mão esquerda deu um alívio para a mão direita. Se você é destro, eu fortemente recomendo a tentativa; se você é canhoto, eu também recomendo, mas acho que no fundo você já é induzido a usar a mão direita diariamente. E se você já é, naturalmente, ambidestro - o que é raro - então parabéns, você faz parte de um 5% da população mundial que se utiliza, com a mesma precisão, de ambos os lados.

24 de maio de 2016

Monografia (Episódio III)




Graças aos seres mitológicos não me acusaram de plágio por causa dos meus erros ao fazer citações. Estou tão cheia de atribuições que eu mal e mal me lembro do meu próprio nome. Na segunda eu tenho três provas, na terça um teste seletivo, na quarta uma revisão geral, na quinta uma inspeção laboral e na sexta não há qualquer chance de "rolê". No sábado, estágio obrigatório e aulas extras e no domingo eu terei que me enfornar dentro de casa, vegetando de tanto estudar, enquanto provavelmente teremos um lindo dia de sol, meus amigos bebem cerveja na beira da piscina e a família se reúne em volta de um divino tortei. Tenho até medo de ver os comentários do orientador à minha tese; tenho ainda que formatar as minhas ideias de acordo com o que é requerido, e não de acordo com as minhas convicções. Tenho que pensar, desde já, em aprontar meu currículo pro processo seletivo do mestrado, em estudar para o Enade, para o Exame de Ordem, em cumprir, por fim, todas as horas extra-curriculares acadêmicas, ver se eu fiz todos os cursos... E eu volto para aquela parte em que eu não sei ainda porque é que eu estou me submetendo a isso tudo. Pois bem... Graças aos seres mitológicos ainda é terça-feira e eu ainda tenho tempo, tenho que me apressar se eu não quiser perder mais uns prazos. Refletir mais sobre a real necessidade da formatação vai ter que ficar para outra hora.

1 de maio de 2016

Tripalium


Tripálio (em latim: Tripalium) era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, para rasgá-los, esfiapá-los. A maioria dos dicionários, contudo, registra tripálio apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originalmente, ou se tornado depois.
Tripálio (do latim tardio "tri" (três) e "palus" (pau) - literalmente, "três paus") é um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram supliciados os escravos. Daí derivou-se o verbo do latim vulgar tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripálio. (Wikipédia)
Mesmo antes de ser associada aos elementos de tortura medieval, trabalhar significava a perda da liberdade. Quem trabalhava em Roma era o escravo; o patrício estava incumbido das atividades políticas. Era também essa a divisão que chegou ao medievo. A sociedade estava dividida entre os bellatores, os oratores e os laboratores. Os primeiros eram os cavaleiros, responsáveis pela guerra (a palavra tem mesma raiz do nosso bélico); os seguintes, oravam; e os últimos trabalhavam. Na prática, esta divisão era social: a nobreza (que depois viria a perder essa característica da guerra), a igreja e os camponeses. (UFRGS)
Muito além de sinônimo de escravidão e tortura, e mais tarde de dignidade, de obrigação moral, o trabalho tem se tornado sinônimo de independência, autonomia, de crescimento. Um trabalhador é tido como aquele que exerce suas atividades laborais de maneira obrigada, pelo simples e mero impulso de sobrevivência, para ter uns trocados no fim do mês e pagar as contas. Já o profissional é aquele que é qualificado, que tem um bom currículo, aquele que tem perspectiva de carreira, de evolução profissional, de ganhar cada vez mais. E, seja qual for o sentido moderno do termo (por mais que ainda tenha grande relação com os sentidos de sua origem etimológica), o trabalho é uma obrigação, não apenas moral, como também legal: 

Art. 59. Entregar-se alguem habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses. Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena. (Decreto-Lei 3.688 de 1941)

A sociedade gira em torno do trabalho. Trabalho, no aspecto coletivo, é sinônimo de desenvolvimento nacional ou regional, de geração de riquezas, de progresso. A preocupação maior dos governos sempre são as taxas de desemprego, seja em épocas de recessão ou, pelo contrário, quando os índices de pessoas desocupadas porque alguém as sustenta é preocupante. Os bons governos criam e extinguem impostos para estimular a implantação de indústrias, de comércios.

E, observando todos esses múltiplos aspectos do trabalho, é curioso notar como em determinadas épocas surgem novas profissões e como elas desaparecem. Veja-se que no Brasil não se houve mais falar da profissão de lavadeira, o que era muito comum na época do fim do Império. Também não se houve falar em parteiras, em digitadores, em telefonistas.

Outras profissões, por outro lado, parecem ser eternas, como a de médica, professora, enfermeira, construtor civil.

Pois bem, pessoas da blogsfera, essa longa reflexão é apenas para desejar a todos um feliz dia do trabalhador - inclusive para aqueles que fazem da sua profissão a internet. Ao meu ver esse é um dos poucos feriados nacionais que é provido de um mínimo de sentido e realmente homenageia alguém. O trabalho é força, é crescimento, é riqueza, é dignidade, é vida. Então pessoas, espero que você estejam felizes com o vosso trabalho, e, se não, que encontrem um trabalho que lhes apraza. Vida longa e mãos a obra.

19 de abril de 2016

Valor Feminino: desperte a riqueza que há em você - Andréa Villas Boas (Resenha)

Inicialmente, parece se tratar de um livro sobre finanças, mas creio que não seja bem sobre isso - ou não apenas. Com um vocabulário acessível sem deixar de ser uma leitura rica, Valor Feminino aborda todos os aspectos psicológicos que normalmente envolvem a vida de uma mulher - trabalho, carreira, relacionamentos - e mostra como as exigências sociais e mesmo as predisposições do gênero feminino tendem a lidar com as adversidades. Aborda a questão do investimento, do dinheiro: Porque ter medo de lidar com grana? A autora ressalta que as mulheres não são melhores nem piores que os homens no aspecto financeiro; são simplesmente diferentes. As mulheres tem características evolutivas que podem lhes auxiliar nas relações interpessoais, e, se bem aplicadas e desenvolvidas, nas relações de trabalho e investimento também. É uma obra embasada em pesquisas que traçam o perfil econômico de mulheres de todo o Brasil - mulheres de diferentes classes sociais, etnias, opções sexuais, faixas etárias, de diferentes regiões -, avaliando quais seriam as atitudes ideais a se tomar para uma maior participação feminina no mercado financeiro. Considero uma leitura muito útil não somente às mulheres mas também a todos aqueles que queiram sentir-se mais seguros no quesito finanças. Minha única crítica é: Apesar do currículo fenomenal da autora, o livro deixa escapulir algumas referências vagas, o que pode ser corrigido em próximas edições.

Nota de 0 a 10: 9.

15 de abril de 2016

Monografia (Episódio II)


Eu não pedi para que fosse fácil, eu só pedi para que fosse um pouquinho mais humano, um pouco mais próxima da nossa realidade. Meu orientador quer que eu sature a minha tese com citações em cinquenta idiomas de caras cheios de títulos que disseram isso ou aquilo mas que não corroboram e nem mesmo incrementam em nada; o professor revisor em vez de verificar a forma fica opinando, dizendo que discorda - I'm so sorry mas sua opinião não é relevante. E eu, apesar de todas essas fórmulas estáticas de referência, justificativa, objetivos, et cetera, que deixam o texto sem vida, mantenho a escrita com o meu estilo, junto cada informação com esmero, me esforço acreditando (e insistindo em acreditar) que o resultado será uma pesquisa relevante à sociedade.

6 de abril de 2016

Estresse


É como uma adrenalina envenenada correndo no seu sangue, e você tem que segurar o máximo possível, manter as aparências enquanto sua cabeça está fervendo. É engolir o grito de raiva, ruminar a insatisfação sem poder se manifestar. É um aumento de pressão interna, e sentir que qualquer hora seus órgãos vão implodir e a raiva vai sair em forma de gás letal pelas suas cavidades auriculares, expelindo todo o estresse do mundo.

31 de março de 2016

Monografia



Então sobrevém todas aquelas questões para você mesma, do gênero:

Porque raios eu fui escolher esse maldito curso?

Porque foi que eu não abandonei enquanto era tempo - porque é que eu, sabendo que o mundo é vasto, que eu sou capaz e as possibilidades são infinitas, cheguei até aqui?

Porque é que eu não me atrevi, não mudei de rumo?

Mas, e agora?

Porque, então, criatura, eu fui escolher um tema tão recente, mas tão recente que só se atreveram a abordá-lo pessoas que, como eu, não sabem bem que rumo tomar?

Porque é que eu fui chamar esse professor, que se acha o PH-deus?

Porque é que eu leio livros e livros, invisto milhões do meu restrito orçamento em cópias, decoro normas técnicas ridículas e métodos e padrões toscos que em realidade não refletem conhecimento nenhum, me submeto a avaliações e revisões que só deturpam as minhas ideias originais, formato um amontoado de informações e chamo aquilo de citação, e ainda digo "amém" pra tudo - porque eu faço isso?

Monografia, como bem sugere o termo, implica numa redação sobre um único assunto - então convenhamos que uma pichação em um muro ou uma receita de bolo podem ser consideradas, da mesma forma, monógrafas. Oh, sociedade, porque não um pouco mais de liberdade no pensamento, nas formas, nas ideias, nas expressões?

Estou aqui a redigir a minha indignação porque eu, justamente, venho perdendo alguns prazos, e o meu orientador me tem martirizado; o coordenador do curso talvez não bote fé em mim (ele pode pensar assim se desconhecer o meu potencial) e a universidade está pouco se lixando para quem vai cumprir no prazo um dos inúmeros protocolos mesquinhos do sistema educacional universiotário.

Ainda vou mudar o mundo com as minhas ideias revolucionárias, mas primeiro eu preciso cumprir algumas obrigações. Por hora, sociedade, deixa eu voltar para a minha tese...
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