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31 de janeiro de 2017

Tristesa


Wake up!
Grab a brush and put a little makeup
Hide the scars to fade away the shake up
Why'd you leave the keys up on the table?
Here you go, create another fable

Levantar da cama tem sido o maior desafio todos os dias, por mais que eu saiba que não posso ficar deitada o tempo todo. Não sinto mais ânimo em tocar a vida... Coloco a melhor roupa, o melhor vestido como se eu realmente me sentisse feliz com isso. Preciso, a todo custo, ocultar esse sentimento. Talvez uma maquiagem bem feita esconda o susto e o desamparo que a vida tem me dado nos aspectos que eu menos esperava. Não tenho grana e o começo da carreira é sórdido, e os meus amigos, todos, parecem ter me abandonado. Me pergunto se é que eu algum dia realmente tive amigos, ou se todos esses que eu considerava amigos só mantinham alguma relação estritamente cordial enquanto tinham algum interesse. Terapias não ajudam em nada... Ademais, a friendzone parece ser ainda pior que os círculos do Inferno de Dante. Uma pessoa que você estima e nem sequer lembra seu nome, mas quer te usar como step. Típico conto do vigário, no qual já não é a primeira vez que eu caio. Sonho com o dia em que serei lembrada por algo singelo e não apenas por favores ou dinheiro. Mas espero não ter que acordar tão logo em seguida...

4 de outubro de 2016

Esquecer



Caminhar na rua sentindo apenas o vento, os aromas estranhos do mundo, a irregularidade do chão - e apenas isso - é tudo o que eu queria. Não sentir mais nada a não ser o que os meus sentidos me fornecem imediatamente. E poder desassociar essas sensações de lembranças de momentos e pessoas - esquecendo, inclusive, o meu próprio humanismo. Queria sentir a liberdade da vida, e não a prisão de uma realidade incompreensível. Longe das pessoas, longe de tudo. Esquecendo da própria distância.

5 de setembro de 2016

ESTE BLOG TEM OITO ANOS!




Sim, senhoras e senhores!

Depois de sobreviver às mais insanas transições da internet;

Depois de passar por diversas fases da vida de uma autora anônima na internet;

Depois de sair do ar e voltar mil e uma vezes;

Depois de ter sido colocado a venda (e ter recebido sedutoras propostas de compra);

Depois de tudo isso, Antes-de-mais-nada completa seu oitavo ano de existência cibernética, graças ao auxílio de todos vocês!

Muito obrigada por tudo!

E, antes de mais nada, avante!

11 de agosto de 2016

Fôlego



Me sinto cansada, super atarefada, confusa e só, e parece que o tempo nunca basta. É que nem nadar. Você utiliza todos os seus músculos e toda a sua força em exíguo tempo, e você sente como se seu pulmão chegasse a arder. E se você parar para recuperar o fôlego você é considerada fraca. Mas eu respiro fundo - eu sou humana, e ninguém teria chegado longe se não tivesse começado devagar, com o coração disparado e sentindo como se todo o oxigênio do mundo não bastasse, com os olhos vermelhos e se esforçando apenas para manter o rosto fora d'água. Eu respiro fundo enquanto eu posso, porque logo eu mergulho de novo e lá eu vou empregar todo o meu vigor de novo.

4 de agosto de 2016

Decepção



Que desânimo. Acho que eu me empolgo demais. E espero demais das pessoas. Crio muitas expectativas, sentimentalizo demais. De onde foi que eu tirei a ideia de que meus sentimentos seriam correspondidos na mesma medida, meus esforços seriam todos reconhecidos e retribuídos, que todos seriam sinceros como eu busco ser? Dou o melhor de mim, e nunca é suficiente. Mas não, não vou me submeter a estupidezes e imbecilidades egoísticas de gente que não sabe enxergar sentimentos que não os próprios. Não vou explicar duas vezes, não vou ligar, não vou chamar para sair. A menos que seja alguém que você realmente ame (veja-se que amor não é carência ou necessidade de sexo), ninguém vale a pena o investimento - a não ser você mesma. É. Dê o melhor de si para alcançar os seus sonhos, e não para agradar quem lhe é indiferente. Pois se alguém faz pouco caso de si, também não deve ser incluído no seu universo. Relações humanas, por mais simples que sejam, são sempre uma empreitada arriscada. Reserve-se. Preserve-se. E, sobretudo, ame-se.

2 de agosto de 2016

Mania de ecologia



Eu fico cada vez mais horrorizada com o desgaste a níveis alarmantes dos recursos naturais. E nessa minha estupefação eu busco, a todo custo, salvar o planeta com minhas pequenas neuras ecológicas - tipo cronometrar o tempo do banho, se possível reutilizando a água; reutilizar e reciclar o mínimo pedaço de papel, evitando o consumo inconsciente. Já inventei métodos de utilização improvisada de energia solar para cozinhar e aquecer ambientes; dou preferência a produtos nacionais (porque eles seguem, geralmente, métodos de fabricação mais ecologicamente correto que a maioria dos outros países), e sou uma declarada amante dos animais. Não sei que diferença faz essa minha obstinação individual, em uma escala global. Mas eu propago as minhas ideias, falo para todo mundo a importância de evitar o desperdício e quiçá o consumo. Quem sabe se mais pessoas começarem a tomar esses pequenas atitudes em prol do meio ambiente teremos um futuro menos cinza. Eu sei, eu sei; o problema não está apenas no desperdício e no lixo produzido pelas pessoas como também, e principalmente, nas posturas das grandes indústrias em países que estão pouco se lixando para isso. E aí, para combatê-los, eu sei, o caminho é mais árduo. São centenas de convenções e tratados internacionais sobre meio ambiente muitas vezes descumpridos, e aqueles que lutam pela causa verde ficam ostentando bandeiras como trouxas. Mas se não fizermos nada, se não começarmos das nossas pequenas economias de recursos diárias, nada jamais será feito. Vamos lá, basta acreditar. Pode parecer ingenuidade, mas no fundo eu acredito (e me esforço nesse sentido, até porque não é só eu) que nós podemos evitar catástrofes futuras. Come on.

18 de julho de 2016

Outra postagem sem título



Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
(Edgar Allan Poe)

Já fazem cinco dias que eu não carrego meu celular e a bateria ainda está em 60%. Já quase esqueci como se fazem ligações; também não me lembro muito bem das senhas dos meus e-mails e de todas as parafernálias que o mundo digital exige. Tenho me dedicado muito. Tenho medo, e isso tira meu sono. E quando eu durmo eu sonho com as histórias dos livros que leio para me distrair, para esquecer a irrealidade da vida; sonho com pessoas que não existem, quiçá para esquecer a mediocridade das pessoas que existem. Sonho com sonhos que não são meus, mas que são mais realistas e tangíveis do que esse medo que me amortece. Pretendo, sim, voltar a atuar dentro dos parâmetros humanos de sociabilidade, mas por hora preciso, primeiramente, parar de divagar por sonhos lúcidos, onde não há nada a constar.

6 de julho de 2016

Paixão





Em vez de ameaçar e amaldiçoar o Cúpido, a gente deveria desejar que ele atirasse em nós com mais frequência, escolhendo melhor os alvos do nosso afeto. Deveríamos desejar, na verdade, que esse filho do Amor e da Guerra, amante notável da Alma, esperasse momento oportuno para interferir nas nossas vidas com as suas setas letais, em vez de nos desamparar com a sua inércia, deixando a nós, mortais, sozinhos com a frieza das almas. Sem o calor que nos move ao afeto e à procriação, deveríamos nós mostrar os punhos para a nuvem onde se esconde esse maldito e etéreo semideus, demandando que ele atire, para trazer a loucura da paixão ou para tirar a vida. Mas ele continua sobrevoando nossas fragilidades alheio aos nossos mais tenros desejos, nos importunando, risonhamente, no máximo com um afeto que nos é impossível de corresponder. E o que resta é, não irresignar-se, revoltar-se, e sim desejar que você seja o alvo da próxima flecha incendiária, mergulhando num fogo delirante para perder completamente a razão.

20 de junho de 2016

Sonhos



I want to say I'll live each day
Until I die.
And know that I had something
In somebody's life.

The hearts that I have touched
Will be the proof that I leave
That I made a difference
And this world will see:
I was here
(Beyonce - I was here)

Indagando-me mentalmente sobre o porquê de as nossas maiores vontades, as nossas metas de vida serem denominadas "sonhos" eu chego à conclusão de que, quando nós realmente queremos algo, com todas as nossas forças e afincos, nosso cérebro produz uma atividade mental semelhante àquela da atividade onírica, não raro ambas se confundindo. Pois veja que nesse mundo, todo mundo é obrigado a sonhar, a propor à si e à sociedade uma ambição. Causa horror e indignação se, quando lhe perguntam suas metas, se responde que não existem, que se está bem na situação atual e que não há perspectiva de mudança. Vivemos, então, nessa perspectiva - e obrigação - de mudança. E não há que se censurar: nada mais humano do que se deslocar para se encontrar. Mas existe um ponto em que nós, num futuro longínquo ou em breve, buscaremos descanso. Então, porque devemos "sonhar" para nós mesmos? Porque não sonhar para os outros - com os outros? É legal almejar uma carreira, um cargo bem remunerado, mas porque não sonhar com um mundo que respeite mais o meio ambiente, com uma sociedade mais justa, menos corrupta? Já que somos obrigados a buscar o progresso (que é um conceito extremamente relativo), porque não almejar chegar aos 90, 100 anos podendo olhar para a sua vida e dizer: eu dei o melhor de mim para esse mundo que em breve eu deixo? Pode parecer uma posição ingênua, a minha; pode parecer que eu incorporei o Cândido de Voltaire, mas eu me proponho a fazer isso, daqui pra frente, e a convencer outros a assim ser também, e combater veementemente qualquer colocação contrária. Quem vem comigo?

17 de junho de 2016

Monografia (Episódio IV)


Depois de superado aquela frustração inicial com metodologia e prazos, eu vejo que não tenho nada de que me queixar. Afinal, estou fazendo uma das coisas que mais aprecio na vida e que fiz durante toda a graduação - escrever - e, muito além disso, estou a escrever sobre um tema que eu escolhi e que eu amo - defendendo a minha ideia como se eu estivesse prestes a entrar num ringue e cair na porrada por ela. Sem querer eu acredito que esteja inovando demais para uma simples monografia; mas se no meu primeiro trabalho monográfico eu estou assim ah então eu me sinto encendiar só com a ideia de escrever novamente com tanta paixão ou até mais na segunda graduação, no mestrado e no doutorado, e além. Eu me queixei muito a respeito da forma e da submissão à toda a academicidade, sim; mas agora vou me redimir. Tudo na vida tem as suas formalidades e burocracias; se não fosse uma mínima regulamentação jamais existiria ordem. Eu estou feliz com isso; cumpro a minha missão sem maiores estresses agora. Afinal, eu estou apenas encerrando o primeiro passo de uma longa caminhada...

6 de junho de 2016

Ideias revolucionárias


Quando você tem treze anos você acha que vai mudar o mundo. 

Você acha que é diferente, que ninguém te entende - típico sentimento adolescente. Mas não tarda pra você descobrir que o que é mais comum no mundo é ser diferente e incompreendido - ser diferente é justamente a normalidade, ao ponto de que você precisa compreender, primeiro, como é ser comum para depois querer ser diferente. 

Você queria ser um gênio, mas seu cérebro não é super dotado.

Queria ser artista, mas seus desenhos não tem boa estética nem sequer um padrão inovador.

Quer ser mais inteligente, e se mata de estudar, justamente para chegar no mesmo lugar em que todos chegam.

Talvez com disciplina, assiduidade e esmero você chegue mais longe do que a maioria das pessoas da sua idade e posição social - o que, aliás, é bem provável; você é capaz e sabe disso. Mas riqueza e status social não é tudo o que eu quero...

O ingênuo anseio de mudar o mundo aos poucos se revela um esforço descomunal, maior do que você.

3 de abril de 2016

Kissed By The Sun



Se existem sete bilhões de pessoas no mundo você nunca imaginaria que uma delas seria a pessoa ao seu lado que deixa de ir dançar numa festa pra te ouvir falar de Schopenhauer - e ainda retribuir. Eu fiquei confusa; será que isso é uma alucinação? Será que estou falando alguma besteira?  E fiquei impressionada - é dizer, estonteada - com a sua inteligência, seus modos; seus olhos fazem uma análise tão minuciosa de mim que mal me passa um pensamento e você já sabe que gênero de pensamento era. Mais tarde você vem me dizer que não sabia se era um sonho ou se eu esqueci; well, se foi um sonho, deve ter sido aqueles sonhos cheios de metáforas e coisas mirabolantes que mais parecem filmes; e se foi um filme ou apenas mais um episódio lá no mundo onírico, acho que sei qual seria seu título - isso com base na cor avermelhada do meu cabelo e da origem do seu nome. You said I'm glad you came as well. O dia chegava e você parecia tão bem, e ainda assim eu me sentia confusa. Eu caí no sono como que para acordar desse sonho e você partiu dizendo que volta - I'll be glad if you do. E não, eu não esqueci (como se isso fosse possível) e eu mal posso esperar pela próxima vez (que você disse que vai ser melhor). 

31 de março de 2016

Monografia



Então sobrevém todas aquelas questões para você mesma, do gênero:

Porque raios eu fui escolher esse maldito curso?

Porque foi que eu não abandonei enquanto era tempo - porque é que eu, sabendo que o mundo é vasto, que eu sou capaz e as possibilidades são infinitas, cheguei até aqui?

Porque é que eu não me atrevi, não mudei de rumo?

Mas, e agora?

Porque, então, criatura, eu fui escolher um tema tão recente, mas tão recente que só se atreveram a abordá-lo pessoas que, como eu, não sabem bem que rumo tomar?

Porque é que eu fui chamar esse professor, que se acha o PH-deus?

Porque é que eu leio livros e livros, invisto milhões do meu restrito orçamento em cópias, decoro normas técnicas ridículas e métodos e padrões toscos que em realidade não refletem conhecimento nenhum, me submeto a avaliações e revisões que só deturpam as minhas ideias originais, formato um amontoado de informações e chamo aquilo de citação, e ainda digo "amém" pra tudo - porque eu faço isso?

Monografia, como bem sugere o termo, implica numa redação sobre um único assunto - então convenhamos que uma pichação em um muro ou uma receita de bolo podem ser consideradas, da mesma forma, monógrafas. Oh, sociedade, porque não um pouco mais de liberdade no pensamento, nas formas, nas ideias, nas expressões?

Estou aqui a redigir a minha indignação porque eu, justamente, venho perdendo alguns prazos, e o meu orientador me tem martirizado; o coordenador do curso talvez não bote fé em mim (ele pode pensar assim se desconhecer o meu potencial) e a universidade está pouco se lixando para quem vai cumprir no prazo um dos inúmeros protocolos mesquinhos do sistema educacional universiotário.

Ainda vou mudar o mundo com as minhas ideias revolucionárias, mas primeiro eu preciso cumprir algumas obrigações. Por hora, sociedade, deixa eu voltar para a minha tese...

24 de dezembro de 2015

Sapatos



“ L’acte le plus courageux est toujours de penser par soi-même. A haute voix.”
Coco Chanel
Eu quero ter aqueles sapatos que me deem poder. Aqueles que transformem todo chão sob os meus pés em mármore branco coberto por um tapete vermelho. Não um sapato de cristal, porque eu não quero ser mais um troféu em um baile, não; eu quero sapatos de puro ouro e diamantes, de rubi, pérolas, de preciosidades que combinem com a minha glória. Quero sapatos que me deem poder.

23 de dezembro de 2015

Vício



É algo totalmente inusitado na minha parca vida.
E é um desafio: eu jamais imaginei que eu fosse provar, e agora que eu provei eu jamais vou querer parar.
Porque jamais aqui e agora tem um significado intenso.
Eis uma substância nova que corre nas minhas veias, que eu inalo, bebo, aspiro e expiro em meus pulmões.
Que me trás euforia e regozijo, me leva às nuvens, me faz delirar, me faz dar a volta ao mundo em um segundo.
Me dá coragem, me domina, me controla, me move a enfrentar tudo e todos – inclusive a mim mesma.
Meu nirvana, meu êxtase supremo.
Mas que também – com a sua falta – me faz mal, extremamente mal.
Me causa espasmos deprimidos, me enfurece, me angustia, me desconcerta e me agita;
Me faz ter crises convulsivas e violentas;
Me motiva a destruir tudo que vejo pela frente.
E quando eu me injeto novamente a euforia é eterna.
Eu não como, não bebo, não respiro mais; só preciso de uma substância – uma única e nada mais;
É o meu narcótico maravilhoso
Meu psicotrópico divino
Meu tóxico sublime
Meu vinho maldito
Meu ópio irreal
E o meu bálsamo diabólico.
Você pode implodir o meu coração, diluir meu cérebro, estourar as minhas veias e esfarelar os meus pulmões
Eu não me importo
Pois é exatamente isso que eu quero!
De você eu quero a overdose mais medonha
Eu quero morrer mil vezes com a convulsão mais frenética
- eu vou para o inferno e volto quantas vezes for necessário para me intoxicar de novo
Me embriagar de novo
Me drogar de novo
Me envenenar de novo
Mergulhar num caminho sombrio e sem volta
Me entregar totalmente a esse breu, a esse abismo que é você.
Minha obstinação, meu único pensamento
O que me mantém viva e vai me matando aos poucos.
Já disse que eu não quero parar.
E eu não vou parar.
Ninguém vai me parar,
Nada vai me parar.
Não tenho discernimento mais,
Não tenho bom senso
- só é bom o meu tóxico –
Não existe mais o mundo, não existe mais nada
- só existe você –
Não me peça para moderar pois quanto mais você recua mais eu quero, mais eu insisto, mais eu exijo e me enfureço
Quanto mais o mundo me crucifixa com seus dogmas mas eu me destruo e destruo esse mundo que não existe
Eu não quero cessar do seu efeito por nenhum segundo!
Irritada, errada, irada, arrasada, pirada sobretudo viciada!
Eu perdi tudo
E estou disposta a perder ainda mais
- só não posso perder a você!
Pois compreenda:
Você é meu único pensamento
Minha única necessidade
Meu paraíso e minha perdição
Nessa altura eu já não consigo mais ouvir mais nenhum conselho sensato
Tal é o meu estado
Mas eu reitero que com todas as minhas forças vou lhe buscar cegamente e tomar doses ininterruptas de você que me faz tão bem.

10 de setembro de 2011

Sonhos #2

Eis que explodiu a guerra, e eu era peça fundamental para o rumo das batalhas. Estando no meio da espionagem, eu conseguia identificar sotaques estrangeiros até mesmo daqueles que passavam anos e anos aprimorando. Ninguém me superava nesse aspecto; eu poderia dizer até mesmo a região de onde você veio só em ouvir o seu sotaque, e o meu sotaque ninguém, absolutamente ninguém percebia. Muitos espiões pagaram caríssimo por ter cruzado o meu caminho, e os serviços de espionagem do mundo inteiro tinham ódio mortal de mim. Claro que o Estado me protegia, mas houve um período de grande instabilidade em que o país teve que investir todos os seus recursos em ataque nas fronteiras; os prisioneiros de guerra fugiram - muitos deles espiões inimigos - e eu fiquei vulnerável; tive que fugir sem olhar para trás. Eles me queriam viva e eu sei que eu ia me safar, mas bem na hora que todos os espiões do mundo estavam no meu encalço eu acordei. Acredite você ou não, mas isso foi um sonho meu, e o mais louco nisso tudo é que o sonho foi todo em inglês. Já me disseram para filmar os meus sonhos; bem, isso não é impossível - no Japão alguns cientistas afirmam já terem podido filmar sonhos e pensamentos, e prometem desvendar os maiores segredos dos sonhos. É muito interessante, e, sem dúvida um grande progresso, mas parece sinistra a maneira com que eles prometem estudar o sonho com a mesma exatidão com que se estudam os números. Os sonhos muitas vezes foram motivos de inspirações artísticas - grande parte do legado de muitos artistas é inspirado somente em matéria onírica, e até hoje há quem afirme que os sonhos são revelações divinas ou podem prever o futuro. Seja como for, eu acredito que se os japoneses conseguirem sistematizar essa fonte de inspiração com uma dúzia de fórmulas o mundo vai ficar muito sem graça. Eu ainda sou do tipo que vou dormir não para descansar, mas para ver se o sonho mirabolante que eu terei vai superar os meus anteriores, sem me importar mais com os significados dos mesmos. Tenham bons sonhos.


(Imagem: Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar - Salvador Dali)

4 de fevereiro de 2011

O sonho

  (rise up
          rise up
                rise up

                                                       Don't falling down, again)


"Penso, logo existo". A única certeza que se pode ter, me disseram. Mas chega um momento em que  se questiona a veridicidade do ser pensante, e então nada é o que parece. 

(Nevermind)

Pessoas de todos os idiomas e etnias, com parentes, amigos e eletronicos.  Minha cidade, diga-se de passagem, é uma amostra de todas as culturas de todos os lugares do Mundo e do País.

E eu, é claro. Sozinha. Na janela. Ninguém tem medo. Só eu. É constrangedor.

Mais rápido. Fazemos uma curva, aceleramos mais (meu coração para) e deixamos o chão. Eu vejo o mundo lá fora nos abandonar, cada vez mais distante.  O verde, ainda bastante comum, aos poucos fazia o continente parecer um vasto tapete.

(Mais alto)

Vagueamos entre uma nuvem e outra. Essas nuvens do branco mais puro parece que ostentam o busto dos Grandes. Filósofos, escritores, líderes políticos, heróis de épocas remotas. E eu me pergunto se eu estarei ali entre eles, um dia, quando minha vida acabar. É o que eu sempre quis. 

Um sonho tem o tamanho de quem o sonha, me disseram. É o que vamos ver.

O Céu azul, mais azul que o Mar, mais azul que o olho daquele cujo olho é azul - mais azul do que nunca, me fez ver que ele possivelmente era a inspiração terrestre para tudo o que quer que fosse azul. (Estaríamos passando por Céu Azul?)

Mas apesar do belíssimo cenário em verde, branco e azul, um presságio me consome. Fecho os olhos, fico a ouvir. É como ser carregado por um pássaro, mas sem sentir o vento nem o sol direto na pele, e com o detalhe de que parece que os tímpanos querem voltar para o solo sem o resto do corpo.

Manobras, oscilações (medo) e barulho. Mantenho os olhos cerrados numa tentativa inconsciente de divergir o pensamento a respeito daquilo que eu tenho certeza que vai acontecer.

Senhores passageiros, informamos que haverá um atraso dado um período de instabilidade imprevisto.

Imprevisto?

As oscilações ficam cada vez piores, eu me sinto enjoada. Mas não abro os olhos de modo algum.

E pioram.

Parece que o pássaro se transformou num carro de corrida passando numa estrada extremamente esburacada.

Não resisto mais, e abro os olhos. OMFG! Tudo escuro e mais barulhento. Ninguém consegue conservar qualquer espécie de objeto consigo, bagagens de mão caem dos compartimentos superiores.

Máscaras de ar caem dos compartimentos superiores.

Todo mundo, posso dizer, tem medo. Inclusive eu. É apavorante.

Mas afinal minha vida acaba e eu estou ali entre eles.

Senhores passageiros, confessem seus pecados...
...porque nós vamos para o Inferno.

A luz interna acaba, gritos, oscilações violentas, e... O pássaro está caindo, não tem mais controle sobre si.

Caímos mais, e mais e mais...

E eu caio. Em mim. Abro os olhos - para a vigília. Não se preocupe, foi só um sonho. Apenas um simples sonho.

Desde aqueles tempos em que a civilização ainda não era civilização, meu caro leitor, a humanidade especulava como seria sentir a liberdade de cruzar os céus. Voar sempre fora o sonho da humanidade.

Mas não o meu.

28 de novembro de 2010

Cinco minutos

Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

13 de janeiro de 2009

Sonhos

Eu estava lá no fundo da minha antiga casa, na área de serviço. Pelo telhado do vizinho e pelos muros passavam vários gatos. Bem, na verdade o lugar estava infestado de gatos. Eu tinha que matar todos os gatos que tivessem olhos azuis para levar para um vampiro instalado na rodoviária, caso contrário ele ameaçava congelar toda a cidade... Calma, eu não estou "viajando", isso foi só um sonho. O vampiro era personagem de um livro que eu estava lendo na época do sonho, chamado "Os Sete". Parecia até sacanagem; nos agradecimentos do autor no segundo volume, ele dizia algo como: Agradeço a todos os leitores e fãs que telefonaram, mandaram e-mails, tiveram pesadelos...
Bem, o meu sonho não foi exatamente um pesadelo. É o que nos acontece quando nós ocupamos a cabeça demasiadamente com algo; a gente acaba sonhando com esse algo. Você já deve ter reparado, os nossos sonhos geralmente não tem uma visão nítida, sempre tem algo que nos envolve, algo que está na nossa mente. Dizem que os sonhos são apenas uma maneira que o nosso organismo tem de organizar os nossos pensamentos (predominantes ou não) para nos manter saudáveis. Será mesmo?
Um grande estudioso, Carl Jung, discordava. Ele acreditava que os sonhos são uma maneira que o organismo tem de buscar equilíbrio, que o subconsciente tem de expressar a realidade. Segundo ele, tudo nos nossos sonhos tem um significado, como uma linguagem própria dos sonhos, basta saber interpreta-la.
Isso quer dizer que no meu sonho tudo teria um significado, e não apenas o vampiro; a minha antiga casa, os gatos, a rodoviária... Provavelmente os sonhos são uma mensagem do subconsciente para o consciente, em busca de equilíbrio mental, na linguagem simbólica. O que me chama a atenção é que até mesmo os bebes durante a gestação têm sonhos. Mas o que será que ocupa a mente ainda não formada dos que ainda não viram a luz do mundo? É uma boa pergunta. Se eles ainda não têm consciência...
Se alguém lembrar, por favor, me conte. Enquanto isso o ideal é ficar com os nossos sonhos atuais... O que significavam os gatos? Bem, bem, sonhem com os anjinhos.


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