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2 de junho de 2017

Imaginação



É claro, é óbvio, que eu imagino como é o seu corpo por baixo daquelas roupas largas que você usa.

E não, eu não imagino - e nem quero - um corpo perfeito, tipo aqueles caras horrivelmente bombados que só existem no instagram. Não... Eu imagino - e quero - um corpo que tenha bastante resistência física, entende?

Então eu imagino - sim, eu imagino, porque a imaginação não tem limites, imaginação é liberdade, imaginação é uma especulação de tornar algo em realidade - eu imagino a pele por baixo do tecido. Como serão os seus pelos corporais? São da mesma cor que sua barba e cabelos (que ironicamente não têm a mesma cor?) Será que você tem cicatrizes? Ou tatuagens? Qual será o tamanho... ?

Que você é bem mais alto que eu e que a maioria das pessoas, já sei. Mas seu porte físico é difícil de especular. Quem dirá seus pontos sensíveis.

Eu imagino sem me censurar, mas me contenho. Sei que logo vai chegar a hora em que descobrirei...

31 de maio de 2017

Gelado



Eu não tenho frio, ou será que tenho? Sinceramente não quero saber, o frio é psicológico, ponto! Há muito mais para aproveitar que sentir enregelado no meu próprio corpo, como fazer os vapores pela boca, dar umas voltas ou até mesmo comer um gelado! Porque não?

Eu sou o comandante da minha própria vida e faço o que eu quiser! Sempre com normas para cada altura do ano, até posso num dia de calor tórrido pedir a um quiosque, uma bela chávena de chocolate quente ou andar de chinelos quando anda tudo na rua a querer calor com tanto frio.

Enfim, apeteceu-me comer um gelado. Sim, eu sei que é difícil mas as últimas semanas têm sido completamente deprimentes, quase ninguém na rua, tudo cheio de frio, uma chuva quase neve... vamos fingir que estamos no Verão para parar com este tédio.

Então reparo em duas moças sentadas perto do balcão. São me familiares, mas de onde as conheço? Uma coisa é certa, elas acharam estranho o meu pedido, devem achar que sou um doido varrido! Não, nada disso e mesmo que achassem isso, que me importa a opinião de outros? Ou será que importo? Que se lixe, vou-me sentar com elas!

"Nós já não nos cruzamos em algum lado"?

Elas inicialmente estavam relutantes e queriam o doido fora dali, até que tive uma epifania: elas frequentam a mesma Escola Secundária que eu, só que noutra turma. Tenho-as visto por lá e elas também se lembram por ver por lá e assim uma agradável conversa começou a fluir, conheci melhor as duas melhores amigas que iam muitas vezes àquela padaria, completamente opostas de uma da outra, uma viciada em redes sociais e outra mais tradicional. Mas o tempo passou, a noite veio e tivemos que ir embora, sem antes de pedir o número, claro!

Desde então começamos a sair mais vezes, encontrar pela Escola, mas acima de tudo ir a um sítio qualquer comer um gelado.




A postagem de hoje é mais uma colaboração à la guest post junto com o blogueiro portuga Miguel Oliveira do blog Escritalhada. A primeira parte desse texto, de minha autoria, você confere por lá: https://area-escritalhada.blogspot.com.br/

30 de março de 2017

Paixão


Da última vez eu jurei abstinência absoluta pro resto da minha vida. Quis não querer mais saber de ninguém exceto família e amigos. Isso de sentimentos nunca retribuídos, de expectativas, decepções, um desejo que raramente, raríssimamente, chegava a se concretizar em um relacionamento, um jogo que eu perco sem nem sair da primeira fase... Eu quis não querer mais mas... Aí ele aparece. Alto, olhos azuis, lindo; parece um príncipe. E eu sei que você vai me advertir que no começo todos parecem príncipes, mas a minha vontade agora, o meu fogo, é descobrir o quanto esse cara é diferente de todos os outros caras do universo, e sinto que não vou me decepcionar. Poupe os seus conselhos: Vou mergulhar de cabeça de novo, e não me importo com as consequências.

22 de fevereiro de 2017

Cinco minutos


Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

20 de fevereiro de 2017

Au revoir


Eu nunca fui fã de cordialidades, quanto pior com despedidas. As pessoas costumam sumir de repente, como que arrebatadas por um raio sem tempo para dizer adeus, e muitas reaparecem tempos depois feito assombrações eletrizadas. Eu não costumo me despedir. Eu costumo é estar subitamente só, com as luzes fracas e artificiais me condenando à solidão. Você teve que desaparecer. Já não é a primeira vez. Não é a primeira vez que alguém some e eu fico a ver navios, a ver aviões, a ver trens e toda sorte de meios de distanciamento. No fundo, bem lá no fundo, eu senti falta das suas ideias ingênuas e radicais e, no começo, eu trocaria qualquer coisa por um dos seus raros momentos de mau humor. Mas tudo bem. Irremediavelmente, eu não devo ser mais parte da sua vida, e nem você da minha. Então, adeus. Amanhã eu também vou ir-me. Vou me mudar para um bairro nobre no inferno, bem longe da Fronteira com o limite humano. Goodbye. Mal posso esperar. Se você voltar, esteja sorrindo, lembre-se de mim e, por favor, não esteja alcoolizado. Perdoa essa minha despedida estranha, mas eu já disse que eu não sou boa nisso. E você vai se confundir, mas saberá que esse texto é para você - ou talvez morra sem perceber. Agora, Deus me perdoe, e você me dê licença, mas eu tenho que ir.

6 de fevereiro de 2017

Paranoia

Você já se sentiu exposto? Já sentiu que alguém pode estar investigando a sua vida nas mínimas palavras que você declara na Internet? Estamos te observando. Não, isso é bobagem. Seria o mesmo que dizem que o seu vizinho está querendo saber da sua vida, anotando seus horários e mexendo no seu lixo. Isso seria absurdo. Ou não? Porque alguém iria querer saber da vida do outro? Pois é. Porque as pessoas fofocam, fazem intriguinhas e todas essas maldades? Cuidado. Alguém pode estar te assistindo de camarote e você nem perceber. Pode estar calculando todos os seus passos. Mas se você não quer ser visto, se interne numa caixinha de metal. Ninguém é onisciente, nesse mundo cada um cuida da sua vida. Talvez. Ou então existe algo maior do que Deus, rindo do nosso miserável destino? Os seres humanos são bons, são justos. Na verdade eles são trogloditas egoístas. Não! Não são. Já cansei de me mandarem procurar um psicólogo. Mas porque eu devo pagar alguém para ouvir minhas maluquices? Daqui a pouco eu esqueço tudo. Mas outra hora tudo vem a tona de nova. Não, não, não. Sim... Tudo vai ficar bem, o mundo é lindo. Pensando bem, não é não.

31 de janeiro de 2017

Tristesa


Wake up!
Grab a brush and put a little makeup
Hide the scars to fade away the shake up
Why'd you leave the keys up on the table?
Here you go, create another fable

Levantar da cama tem sido o maior desafio todos os dias, por mais que eu saiba que não posso ficar deitada o tempo todo. Não sinto mais ânimo em tocar a vida... Coloco a melhor roupa, o melhor vestido como se eu realmente me sentisse feliz com isso. Preciso, a todo custo, ocultar esse sentimento. Talvez uma maquiagem bem feita esconda o susto e o desamparo que a vida tem me dado nos aspectos que eu menos esperava. Não tenho grana e o começo da carreira é sórdido, e os meus amigos, todos, parecem ter me abandonado. Me pergunto se é que eu algum dia realmente tive amigos, ou se todos esses que eu considerava amigos só mantinham alguma relação estritamente cordial enquanto tinham algum interesse. Terapias não ajudam em nada... Ademais, a friendzone parece ser ainda pior que os círculos do Inferno de Dante. Uma pessoa que você estima e nem sequer lembra seu nome, mas quer te usar como step. Típico conto do vigário, no qual já não é a primeira vez que eu caio. Sonho com o dia em que serei lembrada por algo singelo e não apenas por favores ou dinheiro. Mas espero não ter que acordar tão logo em seguida...

14 de janeiro de 2017

Tempestade e Ímpeto


Para uma grande amante de literatura como eu, esse movimento literário alemão do século XVIII - sturm und drang - é um delírio, em vários sentidos. Pois veja que a sua proposta é justamente algo impraticável: a abdicação da razão em prol dos sentimentos, ora sentimentos puros e ingênuos, ora sentimentos maiores e nobres, e não raro sentimentos mesquinhos e torpes. Tudo depende da ótica. Mas o que eu mais gosto é do romance - e por romance eu quero dizer história de amor - da época: caracterizado por um sofrimento e angústia extremos, geralmente fadadas à morte. O amor parece um erro, um pecado, um crime capital. Mas, de qualquer forma, essas visões romantizadas, puritanas e fantasistas são interessantes justamente quando entrechocadas com a realidade - a nossa realidade do século XXI e a realidade dos próprios autores, de quatro séculos atrás, posto que o mundo nunca foi tão assim bonitinho. Amor, ah, o amor. É interessante como fenômeno social, mas como questão rotineira e pessoal você se pergunta se realmente existe. Repare que nunca dá pra falar em sentimentos no aspecto social sem se relacionar com milhares de estigmas e dogmas e comportamentos socialmente esperados. Não seria, então, apenas um instinto humano de afeto, que pode se relacionar de milhares de formas - muito além do amor romântico? Eu não sei mais. Uma hora a gente fica descrente e até indiferente, apática. Não querendo mais saber dessas mentiras moralizantes que nos contaram por séculos. Dizem que amor é expressado nas famílias, mas o que eu mais vejo é famílias inteiras brigando selvagemente. E, por outro lado, o amor ao trabalho, ao conhecimento, à natureza e a qualquer outra coisa que não seres humanos me parece muito mais puro e tenro. Na verdade, eu não sei o que é o amor. Ninguém sabe. É interessante vê-lo trabalhado na concepção artística de movimentos literários, mas na essência ninguém capta, ninguém explica. Pois veja: afora as tempestades e os ímpetos, a nobreza de espírito, o egoísmo e os instintos humanos, o que é o amor?

14 de novembro de 2016

Conversa


Parece uma tortura. Você conhece aquela pessoa, de longe ou com quem você tem um convívio estritamente formal, que você admira ou lhe intriga em algum ponto, e fica se perguntando: "Como ele chegou até ali?", ou "Porque é que ele faz isso?", mas não pode, não tem a oportunidade de perguntar. Não é intromissão. É só vontade de saber mais, de conhecê-lo mais de perto, quem sabe ter uma perspectiva diferente. Essa pessoa parece tão interessante... Mas não dá. A não ser que surja uma oportunidade, em uma roda de conversa, num ambiente fora dali, de (numa chance de 1/1000) alguém tocar nesse assunto, você não vai conseguir descobrir diretamente. E investigar via stalking não é a mesma coisa. Só queria que ele me desse a oportunidade de, olhando-me diretamente, me contar tudo, tudo o que quisesse, e se quiser me ouvir também. Mas isso são coisas que eu especulo enquanto ligo para os meus amigos e eles desligam rapidamente porque tem coisas melhores para fazer. Conversas se limitam a uma troca breve de trivialidades orais. Se encontro uma amiga de longa data não dá para conversar muito, porque ela já tem que ir. E eu me pergunto, então, se essas conversas longas e sinceras não são coisas que a gente perdeu, esquecemos lá na infância. Talvez seja eu a única a querer conversar. Talvez seja ingenuidade minha esperar que alguém sinta o mesmo. Ninguém liga se não estiver precisando de alguma coisa; ninguém se aproxima se não for por interesse - e é por isso que eu não posso me aproximar: porque não tenho um interesse tão direto para mostrar, só tenho a minha curiosidade, a minha admiração ou intriga, e não parece ser suficiente. Da mesma forma, já não espero mais ligações, mensagens ou que me chamem no corredor sem esperar, complacentemente, que a pessoa vá direto ao ponto e diga o que precisa. Melhor ficar na sua e não ser inconveniente, e se desacostumar de esperar das pessoas o que seria perfeitamente humano.

9 de outubro de 2016

Friendzone



Aquele falso discurso todo moralista, todo religioso de respeito e de ética e todos os nomes que você puder dar para sua hipocrisia - que veio agregado num completo descaso, em desculpas constantes, deixando você pra hora que for conveniente apenas para ele, dizendo que não pode assumir compromisso agora, dizendo-se muito ocupado, preferindo fazer tudo às escondidas. E se você criar expectativas, tudo bem, não é problema dele; pelo menos com sentimentalismo fica mais fácil de ele ter sexo. Beleza, status, grau de formação ou aspecto financeiro não vão importar nada quando ele decidir que você não é mais conveniente e te dispensar como um simples objeto. Precisando ou não, ele vai sempre te empurrar para uma conveniente friendzone.

16 de agosto de 2016

Socializar


Às vezes eu me canso e acabo me rendendo àquele típico descaso do último ano da graduação, de que os professores tanto se queixam. As reclamações e sermões se perdem nos ecos, e eu não capto mais... Sempre me dediquei mas agora é uma questão mais de desgaste psicológico do que de descaso. Porque depois de cinco anos você se cansa e não vê a hora de que chegue aquele rito solene de saída da universidade chamado colação de grau... E, por outro lado, eu sinto falta dos amigos que perderam o interesse em mim. Sinto falta de virar a noite dançando e bebendo e tendo doses de coragem que de outra forma não viriam. Sinto falta dessa sociabilidade tênue mas divertida que, talvez por culpa minha, eu perdi. Nunca fui a pessoa mais carismática e sociável mas ao menos com a graduação eu consegui convencer muito bem, convenci quase a mim mesma, e... E agora parece que eu perdi a prática. Tudo bem. De qualquer forma eu não estou em um bom momento para desviar o foco desse batalhão de requisitos finais (que barra!). Não tenho certeza sobre o que acontece depois de formada. As certezas vão até a colação, como a visão limitada à uma luz artificial numa estrada à noite. Mas tudo bem; é o que me cabe por hora. Em breve eu quero voltar a sair todas as noites, enquanto a companhia e o dinheiro durarem, e enquanto as perspectivas de futuro e de obrigações não forem mais pesadas. Em breve.

4 de agosto de 2016

Decepção



Que desânimo. Acho que eu me empolgo demais. E espero demais das pessoas. Crio muitas expectativas, sentimentalizo demais. De onde foi que eu tirei a ideia de que meus sentimentos seriam correspondidos na mesma medida, meus esforços seriam todos reconhecidos e retribuídos, que todos seriam sinceros como eu busco ser? Dou o melhor de mim, e nunca é suficiente. Mas não, não vou me submeter a estupidezes e imbecilidades egoísticas de gente que não sabe enxergar sentimentos que não os próprios. Não vou explicar duas vezes, não vou ligar, não vou chamar para sair. A menos que seja alguém que você realmente ame (veja-se que amor não é carência ou necessidade de sexo), ninguém vale a pena o investimento - a não ser você mesma. É. Dê o melhor de si para alcançar os seus sonhos, e não para agradar quem lhe é indiferente. Pois se alguém faz pouco caso de si, também não deve ser incluído no seu universo. Relações humanas, por mais simples que sejam, são sempre uma empreitada arriscada. Reserve-se. Preserve-se. E, sobretudo, ame-se.

30 de julho de 2016

Wall Street Boy



Eu não gosto de admitir fraquezas. Gosto de fingir indiferença, e simular sentimentalmente o frio do inverno gaúcho. Mas devo admitir que eu senti a sua falta. E muito. Você se despediu de mim e eu também; não disse uma palavra mais. Mas no fundo, lamentei. Com você foi poesia desde o primeiro instante; foi metafísica, dialética, religião e política internacional. Você sempre com mil e um negócios para resolver; sempre tão prático, tão disposto a aproveitar qualquer minuto pra ganhar dinheiro. E eu, tão perdida. Eu admirei a sua visão de mundo, independente, audaz, no ritmo acelerado de capital, ao mesmo tempo que conseguia ser complacente com os meus medos. E tudo isso associado àquela primeira visão que eu tive de você, de terno e gravata, fez minha mente divagar, imaginando você como um daqueles homens tão ocupados e tão apressados que figuram nos filmes americanos de Wall Street - nunca estive nos Estados Unidos mas você fez minha mente ir até lá, como eu já lhe contei certa vez. Até porque realmente me pareceu cinematográfico de tão irreal, em certos momentos. Tão inteligente, atraente - até o fato de você fumar me parecia intrigante, mas... Mas entre nós existe uma distância grande, e você, como sempre prático, entendeu por bem se despedir. E foi o fim. Incrível enquanto durou, mas acabou; sem dores, sem pranto, mas com o baque seco de uma história que acaba, como quando a gente acorda de um sonho bonito e não consegue se dar conta de que não era realidade. Segui minha vida, tentando ser tão prática, mas não consigo evitar momentos de digressão. Você está longe mas às vezes minha mente está com você. Ever since I was kissed by the sun.

21 de julho de 2016

Orgulho


Não vou olhar para trás, mesmo que eu morra de vontade.

Não vou ligar, mesmo que eu morra de saudade. Não vou, jamais, dar o braço a torcer, mesmo que eu admita a fraqueza.

Não vou me permitir nem sequer pensar, por mais que...

... por mais que eu tome todas as medidas admissíveis para afastar você da minha mente sejam, por fim, ineficazes.

Apaguei tudo que me ligava a você como se isso pudesse apagar o tempo.

E vou me dedicar a mim, como se eu não fosse fazer tudo de novo. Como se eu tivesse aprendido com minhas falhas.

E vou sair e procurar outro (fácil de encontrar, por sinal), sabendo, inconscientemente, que no fundo eu estou procurando você de novo.

Por mais que eu jamais admita.

6 de julho de 2016

Paixão





Em vez de ameaçar e amaldiçoar o Cúpido, a gente deveria desejar que ele atirasse em nós com mais frequência, escolhendo melhor os alvos do nosso afeto. Deveríamos desejar, na verdade, que esse filho do Amor e da Guerra, amante notável da Alma, esperasse momento oportuno para interferir nas nossas vidas com as suas setas letais, em vez de nos desamparar com a sua inércia, deixando a nós, mortais, sozinhos com a frieza das almas. Sem o calor que nos move ao afeto e à procriação, deveríamos nós mostrar os punhos para a nuvem onde se esconde esse maldito e etéreo semideus, demandando que ele atire, para trazer a loucura da paixão ou para tirar a vida. Mas ele continua sobrevoando nossas fragilidades alheio aos nossos mais tenros desejos, nos importunando, risonhamente, no máximo com um afeto que nos é impossível de corresponder. E o que resta é, não irresignar-se, revoltar-se, e sim desejar que você seja o alvo da próxima flecha incendiária, mergulhando num fogo delirante para perder completamente a razão.

12 de junho de 2016

A droga do amor



Existem coisas, na sociedade, que eu não sei se são mentiras reiteradamente contadas para fazer com que um instinto de sobrevivência pareça bonitinho ou então são verdades tão maquiadas que mal e mal conseguimos ver a sua verdadeira essência.

E ao meu ver a maior incógnita da sociedade é esse tão aclamado amor.


Pois eu nunca encontrei quem se dispusesse a amar, amar no sentido cristão-romantista que eu lia em Goethe e Castelo Branco. Ninguém se dispõe a dar um pouco de si (mas exige que o outro se entregue completamente); o amor se resume a sexo e contas a pagar.

Pois tente suprimir, mesmo que apenas inicialmente, o sexo para ver quanto tempo o amor dura.

Eu queria descobrir o que é o amor, juro que queria. Queria chegar ao êxtase afetivo e vir aqui um dia escrever ao mundo virtual o quanto essa postagem está equivocada.

Eu sou humana e me permito essa esperança.

Mas eu devo admitir que, no fundo, eu não me importe tanto. Ao menos não por hora.

Paixão é um sentimento infrutífero (que, ao menos na minha experiência, nunca passou de paixão meramente) e que só trás aborrecimentos. Talvez a única e conclamada exceção à regra do desamor seja o sentimento impretérito que os nossos pais (ou muito dos nossos genitores) cultivam por nós. Afora isso, meus caros conterrâneos humanos, só existem ilusões à la Romeu e Julieta que só fazem nos entediar.

E honestamente, como eu disse anteriormente, eu sonho com o dia em que eu vou lembrar desse dia tão frio, vou reler essa postagem e me aperceber enganada, quiçá por ter conhecido o outro lado. Me permito essa esperança porque agora eu não vejo nenhuma perspectiva.

3 de junho de 2016

Fim


Já passou da hora de aceitar que acabou e não tem volta, e provavelmente não há esperança de volta.

Chega de fingir que eu me importo, remoer sentimentos que eu não tenho, ostentar uma delicadeza que não é realmente minha.

Chega de lamentar superficialmente o que não era para ser.

Talvez tenha sido incrível mas você não existe mais.

Move on.

30 de maio de 2016

Remorso



E o pior é ter que lidar com esse sentimento quando justamente o que você quer é dizer a si mesma que você não fez nada de errado, que o melhor é seguir em frente, pensar somente em si. 

Obrigar-se a esfriar, a ignorar o choro, a engolir a dor - ainda que a dor alheia. 

E o seu orgulho te coage violentamente a degolar a mínima possibilidade de pedido de desculpas, e você aceita, se submete a esse orgulho cedo sabendo que no fundo você está sendo cruel consigo mesma também. Pois veja que a pior violência é a violência que cometemos contra nós mesmos, e essa violência pode se manifestar de diversas formas - inclusive na forma em que você suprime toda a sua sensibilidade e humanismo, atropela a sua imatura empatia e permite dominar apenas (isso se é que permite) sentimentos ilusórios como a vaidade e a arrogância, a preponderância falsa de si. 

Todos os filósofos que eu li e dos quais eu me gabo de fazer eruditas referências nos meus trabalhos não me ensinaram isso - definitivamente não -, seja por qualquer das vias da razão ou da emoção. E também a minha mãe, a mais sábia de todos, sempre me ensinou a esclarecer tudo, a ser humilde, a me dobrar quando necessário, a tentar por todos os meios reparar o prejuízo, a me redimir pelo meu erro. 

Mas eu prefiro ignorar. Sim, eu prefiro não querer saber como é que eu cheguei a esse ponto, prefiro deixar tudo para trás. Fingir que eu não me acuso, fingir que não me defendo e não confesso. Me guiar por uma luz artificial e falha fingindo que ela é o sol, e ao menos, no fundo, bem lá no fundo, saber que o pior erro foi cometido contra mim mesma, a quem eu não perdoo e a quem eu não peço perdão.

21 de maio de 2016

Procura-se um melhor amigo


E o que eu procuro hoje é um amigo ou amiga. 

Alguém que prometa que não vai me abandonar quando estiver namorando, ou quando encontrar um outro amigo mais rico ou popular.

Alguém que prometa, também, que não vai só lembrar de mim quando precisa de um favor, de dinheiro ou quando não tem outra pessoa para ir junto na balada.

Queria uma amizade que não fosse apenas escutar os problemas e ceder favores acadêmicos/profissionais.

Tô cansada de receber milhões de mensagens de gente me pedindo coisa sob o pretexto de me ter como "amiga" e nunca ceder, nunca estar disponível quando eu peço apenas uma boa conversa. 

Talvez amizade seja mais uma das ilusões que a sociedade nos ensina. Um treino a poses prontas e sorrisos armados para fotos em facebooks. E só.

E talvez a gente só encontre a amizade, ou ao menos um pingo de humanidade nessas relações tão formais, tão convenientes, quando a gente desliga o celular e diz a todo mundo que ele está quebrado, que eu não tenho mais notebook e roubaram meu tablet - eu estou desconectada e não vou me vender novamente para parecer sociável. 

Me parece que a solidão absoluta é mil vezes melhor do que se enganar a esse ponto.

10 de maio de 2016

10 Pequenos Prazeres Universitários

1 - Descobrir que o professor não fez chamada bem no dia que você resolveu faltar




Aquele dia em que você estava de saco cheio de aula... E talvez o professor também.

2 - Ir bem em uma prova para a qual você não estudou



É conseguir conciliar assuntos complexos que você não aprofundou com outros assuntos que você leu paralelamente.

3 - Quando o professor diz que a prova é com consulta



Claro, depende ainda do tipo de consulta em questão...

4 - Quando chegam na biblioteca livros novinhos e atualizados



Melhor que isso só quando você compra livros novos pra você mesma.

5 - Quando a prova é toda em questões de múltipla escolha



Se bem que depende do nível de complexidade das questões de múltipla escolha...

6 - Quando a professora resolve aplicar qualquer outro método avaliativo que não seja prova




Pelo menos eu prefiro um semestre cheio de seminários e artigos científicos do que ter que ficar decorando centenas de conceitos pra fazer uma prova tradicional.

7 - Revisar a matéria e ver que você entendeu tudo



Aí como eu sou inteligente! ♥

8 - Tirar notas boas




Nada como ver que o seu esforço valeu a pena. 

 9 - Conciliar bem a teoria com a prática




Existe vida além da universidade!

10 - Fazer amigos 


Afinal, são com eles que fazemos essa longa caminhada!
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