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29 de maio de 2017

Moda




Look at me now!
I feel on top of the world in my fashion!
Looking good and feeling fine

Lady Gaga

Existe um grande dilema por trás dos ditames da moda: vestir-se para se sentir bem ou vestir-se por imposição social - ou, pior ainda, por ambos os motivos?

Me parece que o vestir-se para sentir-se bem está adstrito ao vestir-se para não sair de casa nu. Porque se o intuito é se sentir bem (o que deve pressupor conforto), ninguém vai se dar ao trabalho de colocar sapatos desconfortáveis por serem bonitos, de por uma roupa justa que exige postura, de colocar acessórios, e por aí vai. É o que os mendigos fazem.

Já o vestir-se por imposição social requer mais cuidado. Nós cuidamos ao nos vestir para não causar má impressão nos locais onde frequentamos, talvez porque nossa classe social e/ou profissão exijam, ou talvez porque nosso gênero e idade também exijam (muito embora isso venha sendo contestado), e não raro nos atentemos mais à vestimenta para atrair o sexo oposto.

E nessa perspectiva a vestimenta quer dizer muito. A origem e o custo da sua roupa (se é de marca, se é de alfaiataria, se é de bom tecido), o significado da sua roupa (uniforme, jaleco, terno e gravata, salto alto), o contexto em que você veste esta ou aquela roupa (trabalho ou balada, por exemplo) querem dizer em que local você se insere nas invisíveis mas quase estanques castas da sociedade moderna.

Mas e quando nos vestimos tanto para nos sentirmos bem quanto para sermos aceitos pela sociedade? Aí acho que podemos ser mais tolerantes. Pois veja: Os homens mais sensatos geralmente não se importam com marcas e sim com a qualidade aparente, então um homem não vai reparar se o seu vestido, apesar de bonito e bem feito, não foi comprado em uma loja de grife como aparenta, mas foi feito por você mesma com a velha máquina de costura da nonna e a partir de um tutorial de internet. Você tem que se vestir bem para o trabalho, é certo, mas ninguém precisa saber que o seu elegante tailleur foi adquirido em lojas de segunda mão e customizado.

Penso, então, que podemos ser mais tolerantes de um modo geral com o vestir-se - tanto de nós mesmos quanto o alheio, exceto quando as circunstâncias obrigam uma roupa específica (afinal, não é razoável esperar que um médico entre na sala de cirurgia vestido que nem um jogador de futebol em campo). Se a roupa da pessoa parece excêntrica, diferente, inesperada ou retrógrada, o ideal seria olhar para a pessoa em si, e ver se ela se sente bem assim. Pois não é, afinal, a felicidade o que motiva todos os discursos?

E encerro essa postagem com mais uma música da Gaga, só para reforçar:

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby

I was born this way

10 de fevereiro de 2017

Loucura



Eu nem sei ao certo como fazer isso, como escrever esse bilhete, mas todos na minha situação o fazem então eu também o farei, ainda que minhas palavras não fiquem claras e ninguém compreenda - ainda que me julguem, que me amaldiçoem por isso; Deus perdoa os loucos. Começou com lapsos de memória, lembranças que eu não tinha, encontrava pessoas que eu nunca tinha visto mas que pareciam estranhamente familiares com seus sorrisos diabólicos. Aos poucos eu fui esquecendo todo o sentimento que um dia eu tive. Fui ficando vazio no peito mas com um vulcão de neve em erupção na minha cabeça. Ainda que eu gritasse, não falava mais alto que as vozes sobre-humanas que me sussurravam aos ouvidos. Ainda que eu parasse, ainda que eu corresse, meus pés me guiariam por um mesmo caminho para o mal... Você não entende, porque isso não aconteceu com você. Se você soubesse... Um dia eu me deitei na minha cama para dormir, e acordei em pé, na escada. Mas eu vestia algo que não eram as roupas de dormir, e... E eu tinha deixado as portas trancadas. Eu procurava alguma coisa, mas o quê? Na verdade tinha alguma coisa procurando por mim, expulsando a minha sanidade. Eu percebi isso quando eu me olhei no espelho e vi aquele mesmo sorriso diabólico na minha figura mas que não era eu, era algo além de mim, que aos poucos me destruía. Você nunca vai entender, mas naquele momento eu vi: era o meu fim. Por isso eu fiz a última coisa sensata que a minha mente obstruída me permitiu, não por mim, mas pelo bem do todos. Encostei a arma na orelha, puxei o gatilho, e por fim perdi a identidade.

6 de fevereiro de 2017

Paranoia

Você já se sentiu exposto? Já sentiu que alguém pode estar investigando a sua vida nas mínimas palavras que você declara na Internet? Estamos te observando. Não, isso é bobagem. Seria o mesmo que dizem que o seu vizinho está querendo saber da sua vida, anotando seus horários e mexendo no seu lixo. Isso seria absurdo. Ou não? Porque alguém iria querer saber da vida do outro? Pois é. Porque as pessoas fofocam, fazem intriguinhas e todas essas maldades? Cuidado. Alguém pode estar te assistindo de camarote e você nem perceber. Pode estar calculando todos os seus passos. Mas se você não quer ser visto, se interne numa caixinha de metal. Ninguém é onisciente, nesse mundo cada um cuida da sua vida. Talvez. Ou então existe algo maior do que Deus, rindo do nosso miserável destino? Os seres humanos são bons, são justos. Na verdade eles são trogloditas egoístas. Não! Não são. Já cansei de me mandarem procurar um psicólogo. Mas porque eu devo pagar alguém para ouvir minhas maluquices? Daqui a pouco eu esqueço tudo. Mas outra hora tudo vem a tona de nova. Não, não, não. Sim... Tudo vai ficar bem, o mundo é lindo. Pensando bem, não é não.

31 de janeiro de 2017

Tristesa


Wake up!
Grab a brush and put a little makeup
Hide the scars to fade away the shake up
Why'd you leave the keys up on the table?
Here you go, create another fable

Levantar da cama tem sido o maior desafio todos os dias, por mais que eu saiba que não posso ficar deitada o tempo todo. Não sinto mais ânimo em tocar a vida... Coloco a melhor roupa, o melhor vestido como se eu realmente me sentisse feliz com isso. Preciso, a todo custo, ocultar esse sentimento. Talvez uma maquiagem bem feita esconda o susto e o desamparo que a vida tem me dado nos aspectos que eu menos esperava. Não tenho grana e o começo da carreira é sórdido, e os meus amigos, todos, parecem ter me abandonado. Me pergunto se é que eu algum dia realmente tive amigos, ou se todos esses que eu considerava amigos só mantinham alguma relação estritamente cordial enquanto tinham algum interesse. Terapias não ajudam em nada... Ademais, a friendzone parece ser ainda pior que os círculos do Inferno de Dante. Uma pessoa que você estima e nem sequer lembra seu nome, mas quer te usar como step. Típico conto do vigário, no qual já não é a primeira vez que eu caio. Sonho com o dia em que serei lembrada por algo singelo e não apenas por favores ou dinheiro. Mas espero não ter que acordar tão logo em seguida...

14 de novembro de 2016

Conversa


Parece uma tortura. Você conhece aquela pessoa, de longe ou com quem você tem um convívio estritamente formal, que você admira ou lhe intriga em algum ponto, e fica se perguntando: "Como ele chegou até ali?", ou "Porque é que ele faz isso?", mas não pode, não tem a oportunidade de perguntar. Não é intromissão. É só vontade de saber mais, de conhecê-lo mais de perto, quem sabe ter uma perspectiva diferente. Essa pessoa parece tão interessante... Mas não dá. A não ser que surja uma oportunidade, em uma roda de conversa, num ambiente fora dali, de (numa chance de 1/1000) alguém tocar nesse assunto, você não vai conseguir descobrir diretamente. E investigar via stalking não é a mesma coisa. Só queria que ele me desse a oportunidade de, olhando-me diretamente, me contar tudo, tudo o que quisesse, e se quiser me ouvir também. Mas isso são coisas que eu especulo enquanto ligo para os meus amigos e eles desligam rapidamente porque tem coisas melhores para fazer. Conversas se limitam a uma troca breve de trivialidades orais. Se encontro uma amiga de longa data não dá para conversar muito, porque ela já tem que ir. E eu me pergunto, então, se essas conversas longas e sinceras não são coisas que a gente perdeu, esquecemos lá na infância. Talvez seja eu a única a querer conversar. Talvez seja ingenuidade minha esperar que alguém sinta o mesmo. Ninguém liga se não estiver precisando de alguma coisa; ninguém se aproxima se não for por interesse - e é por isso que eu não posso me aproximar: porque não tenho um interesse tão direto para mostrar, só tenho a minha curiosidade, a minha admiração ou intriga, e não parece ser suficiente. Da mesma forma, já não espero mais ligações, mensagens ou que me chamem no corredor sem esperar, complacentemente, que a pessoa vá direto ao ponto e diga o que precisa. Melhor ficar na sua e não ser inconveniente, e se desacostumar de esperar das pessoas o que seria perfeitamente humano.

9 de outubro de 2016

Friendzone



Aquele falso discurso todo moralista, todo religioso de respeito e de ética e todos os nomes que você puder dar para sua hipocrisia - que veio agregado num completo descaso, em desculpas constantes, deixando você pra hora que for conveniente apenas para ele, dizendo que não pode assumir compromisso agora, dizendo-se muito ocupado, preferindo fazer tudo às escondidas. E se você criar expectativas, tudo bem, não é problema dele; pelo menos com sentimentalismo fica mais fácil de ele ter sexo. Beleza, status, grau de formação ou aspecto financeiro não vão importar nada quando ele decidir que você não é mais conveniente e te dispensar como um simples objeto. Precisando ou não, ele vai sempre te empurrar para uma conveniente friendzone.

2 de agosto de 2016

Mania de ecologia



Eu fico cada vez mais horrorizada com o desgaste a níveis alarmantes dos recursos naturais. E nessa minha estupefação eu busco, a todo custo, salvar o planeta com minhas pequenas neuras ecológicas - tipo cronometrar o tempo do banho, se possível reutilizando a água; reutilizar e reciclar o mínimo pedaço de papel, evitando o consumo inconsciente. Já inventei métodos de utilização improvisada de energia solar para cozinhar e aquecer ambientes; dou preferência a produtos nacionais (porque eles seguem, geralmente, métodos de fabricação mais ecologicamente correto que a maioria dos outros países), e sou uma declarada amante dos animais. Não sei que diferença faz essa minha obstinação individual, em uma escala global. Mas eu propago as minhas ideias, falo para todo mundo a importância de evitar o desperdício e quiçá o consumo. Quem sabe se mais pessoas começarem a tomar esses pequenas atitudes em prol do meio ambiente teremos um futuro menos cinza. Eu sei, eu sei; o problema não está apenas no desperdício e no lixo produzido pelas pessoas como também, e principalmente, nas posturas das grandes indústrias em países que estão pouco se lixando para isso. E aí, para combatê-los, eu sei, o caminho é mais árduo. São centenas de convenções e tratados internacionais sobre meio ambiente muitas vezes descumpridos, e aqueles que lutam pela causa verde ficam ostentando bandeiras como trouxas. Mas se não fizermos nada, se não começarmos das nossas pequenas economias de recursos diárias, nada jamais será feito. Vamos lá, basta acreditar. Pode parecer ingenuidade, mas no fundo eu acredito (e me esforço nesse sentido, até porque não é só eu) que nós podemos evitar catástrofes futuras. Come on.

15 de julho de 2016

Cansada




Queria poder me deitar um pouco, encostar a cabeça no travesseiro e relaxar. Ler ou assistir qualquer coisa boa o suficiente para me tirar virtualmente daqui. Queria ao menos poder aliviar dos meus músculos essa sensação de fraqueza, de que me faltam as forças... Mas eu tenho tanto a fazer, tanto, mas tanto, que a mera perspectiva de parar por um instante parece um crime. E eu só queria um café.

11 de julho de 2016

Concentração



Tem sido difícil manter a mente em um lugar só. Parece que meus pensamentos estão sempre dispostos a viajar, e se dispersam para muito longe de onde eles deveriam estar. Talvez seja justamente um subterfúgio mental para o excesso de enfoque em uma ou algumas atividades só. Talvez seja a necessidade - infelizmente inviável, nesta altura - de descansar, relaxar. É nesses momentos em que surgem boas ideias, reconheço, mas esse desvio constante é estarrecedor. Reconheço que eu estou cansada, mas a última coisa que me é permitida é parar agora.

22 de junho de 2016

Desistir





Precisamos entender que desistir nem sempre é um ato de fraqueza ou covardia. Pode ser apenas mais uma escolha, uma hipótese a se considerar. Admitir que o caminho que se toma talvez não seja o mais apropriado para as suas habilidades; talvez não seja aquilo que realmente lhe faça feliz. Considerar que insistir em algo que não lhe completa pode ser algo ainda pior...
As pessoas podem se horrorizar, podem criticar, mas existem coisas que você tem que fazer para você mesma, por si mesma. Fazer ou deixar de fazer, conquanto não permita que outrem faça as escolhas por você. Permaneça ou saia; mude ou seja o mesmo; desafie-se ou permita-se tolerar; só não permita que alguém tome as rédeas de sua vida. Pois desistir do que lhe foi imposto pode ser a melhor escolha que você já fez.

17 de junho de 2016

Monografia (Episódio IV)


Depois de superado aquela frustração inicial com metodologia e prazos, eu vejo que não tenho nada de que me queixar. Afinal, estou fazendo uma das coisas que mais aprecio na vida e que fiz durante toda a graduação - escrever - e, muito além disso, estou a escrever sobre um tema que eu escolhi e que eu amo - defendendo a minha ideia como se eu estivesse prestes a entrar num ringue e cair na porrada por ela. Sem querer eu acredito que esteja inovando demais para uma simples monografia; mas se no meu primeiro trabalho monográfico eu estou assim ah então eu me sinto encendiar só com a ideia de escrever novamente com tanta paixão ou até mais na segunda graduação, no mestrado e no doutorado, e além. Eu me queixei muito a respeito da forma e da submissão à toda a academicidade, sim; mas agora vou me redimir. Tudo na vida tem as suas formalidades e burocracias; se não fosse uma mínima regulamentação jamais existiria ordem. Eu estou feliz com isso; cumpro a minha missão sem maiores estresses agora. Afinal, eu estou apenas encerrando o primeiro passo de uma longa caminhada...

16 de junho de 2016

Medo


Por mais que eu siga em frente, dê o melhor de mim, eu tenho que admitir esse sentimento. Devo admitir que o temor de falhar, de perder tudo, de não conseguir, é grande. E isso me bloqueia, às vezes. Tira meu sono. Tudo é possível e eu não posso combater as possibilidades adversas. Vou fazer tudo o que me couber, sim, e com esmero, na tênue esperança de que seja o suficiente. Eu me empenho cada segundo do dia, e tento não pensar nisso. Eu já falhei algumas vezes, e eu prefiro pensar que ao menos eu tentei, que é válida a tentativa, o mero dissabor da luta, que a experiência em si também engrandece. É difícil lidar com isso... Ao menos eu sei que não sou a única, por mais que eu esteja sozinha nessa empreitada - somos um exercito, uma legião onde é cada um por si. Até porque, se nós pararmos para pensar, o nosso pior inimigo não é aquele que está ao seu lado pelo simples fato de ser adversário na mesma conquista; ele se torna inimigo quando ele tenta implantar em você o medo, tenta te fazer crer que você é incapaz e ele não. É por isso que por vezes é bom tornar-se momentaneamente surda aos urros do mundo. Medo é bom para frear a adrenalina. Como uma pequena dose de whisky é suficiente para incitar nossa coragem, uma pequena dose de medo é suficiente para contar nossa adrenalina. Mas uma dose pequena, ressalto; não se deixe embriagar pelo medo, não deixe-o dominar; apenas lide com ele.

30 de maio de 2016

Remorso



E o pior é ter que lidar com esse sentimento quando justamente o que você quer é dizer a si mesma que você não fez nada de errado, que o melhor é seguir em frente, pensar somente em si. 

Obrigar-se a esfriar, a ignorar o choro, a engolir a dor - ainda que a dor alheia. 

E o seu orgulho te coage violentamente a degolar a mínima possibilidade de pedido de desculpas, e você aceita, se submete a esse orgulho cedo sabendo que no fundo você está sendo cruel consigo mesma também. Pois veja que a pior violência é a violência que cometemos contra nós mesmos, e essa violência pode se manifestar de diversas formas - inclusive na forma em que você suprime toda a sua sensibilidade e humanismo, atropela a sua imatura empatia e permite dominar apenas (isso se é que permite) sentimentos ilusórios como a vaidade e a arrogância, a preponderância falsa de si. 

Todos os filósofos que eu li e dos quais eu me gabo de fazer eruditas referências nos meus trabalhos não me ensinaram isso - definitivamente não -, seja por qualquer das vias da razão ou da emoção. E também a minha mãe, a mais sábia de todos, sempre me ensinou a esclarecer tudo, a ser humilde, a me dobrar quando necessário, a tentar por todos os meios reparar o prejuízo, a me redimir pelo meu erro. 

Mas eu prefiro ignorar. Sim, eu prefiro não querer saber como é que eu cheguei a esse ponto, prefiro deixar tudo para trás. Fingir que eu não me acuso, fingir que não me defendo e não confesso. Me guiar por uma luz artificial e falha fingindo que ela é o sol, e ao menos, no fundo, bem lá no fundo, saber que o pior erro foi cometido contra mim mesma, a quem eu não perdoo e a quem eu não peço perdão.

26 de maio de 2016

Frio


Perdi as contas de quantas vezes eu vi meus dedos roxos e eu perdi a sensibilidade nessa região. Lábios rachados, o vento tão gelado que parece que vai cortar a pele... A grama amanhece dura, as árvores que não perderam sua folhagem no outono agora tem suas folhas duramente agredidas, o clima obstinado a não deixar nenhuma. É a época que as estatísticas apontam como maior período de incidência de crimes famélicos aqui no sul e demais regiões frias; talvez seja porque o espírito humano se encruece e as necessidades sejam maiores e supervenientes. Talvez seja, também, uma decorrência de uma tendência primitiva de acreditar, ainda que instintivamente, de que não há muita perspectiva de sobrevivência toda vez que a natureza nos agride. De fato, é uma estação apocalíptica - mas é um apocalipse frio, desumano, insensível, com cada um se preocupando - apenas - com o próprio fim e não o da espécie.

21 de maio de 2016

Procura-se um melhor amigo


E o que eu procuro hoje é um amigo ou amiga. 

Alguém que prometa que não vai me abandonar quando estiver namorando, ou quando encontrar um outro amigo mais rico ou popular.

Alguém que prometa, também, que não vai só lembrar de mim quando precisa de um favor, de dinheiro ou quando não tem outra pessoa para ir junto na balada.

Queria uma amizade que não fosse apenas escutar os problemas e ceder favores acadêmicos/profissionais.

Tô cansada de receber milhões de mensagens de gente me pedindo coisa sob o pretexto de me ter como "amiga" e nunca ceder, nunca estar disponível quando eu peço apenas uma boa conversa. 

Talvez amizade seja mais uma das ilusões que a sociedade nos ensina. Um treino a poses prontas e sorrisos armados para fotos em facebooks. E só.

E talvez a gente só encontre a amizade, ou ao menos um pingo de humanidade nessas relações tão formais, tão convenientes, quando a gente desliga o celular e diz a todo mundo que ele está quebrado, que eu não tenho mais notebook e roubaram meu tablet - eu estou desconectada e não vou me vender novamente para parecer sociável. 

Me parece que a solidão absoluta é mil vezes melhor do que se enganar a esse ponto.

3 de maio de 2016

Focus




Virou as costas para mim e disse-me que não saberia lidar com a minha falta de tempo; que não suportaria a distância; que eram intoleráveis as mentiras e traições; que as nossas opiniões conflitavam demais. Me desejou a melhor sorte do mundo e foi embora, ressentido. Um a um eu confessei todos os meus crimes; realmente eu fiz coisas terríveis, mas nada que não seja aceitável por um ser humano mediano que segue seus instintos mais primitivos. E ele também não foi um santo o tempo todo. Que seja: ele me dirigiu uma despedida amargurada e se foi sem olhar pra trás, me deixando no chão, de punhos cerrados e chutando o ar, remoendo todas as minhas atitudes e a sua súbita falta. 

Mas antes que a depressão viesse, antes que as lágrimas fizessem menção de chegar, eu me recompus. Refiz a maquiagem, da mesma maneira que refiz centenas de vezes enquanto ele estava ali deitado, liguei para uma amiga e saí curtir a noite que chegava. Eu havia pedido perdão, mas no fundo não lamentava. Agora eu poderia trabalhar até mais tarde sem remorso, poderia ler todos os livros que estavam acumulados, poderia voltar a fazer as comidas que eu gosto e ao meu gosto, poderia correr na rua sem ter que esperar a companhia, poderia me vestir e me arrumar como eu quisesse, sem ter meu look censurado pelo ciúmes. E o melhor de tudo é que eu finalmente poderia jogar fora a minha lista de desculpas esdrúxulas: estou livre. Minha amiga chamou outras amigas, e a primeira rodada do chop foi por minha conta. Em menos de cinco horas eu arranjaria outro cara, e cedo no dia seguinte esse outro cara me deixaria também, mas me deixaria remoendo a minha imagem enquanto eu escolho os acessórios para estrear meu vestido novo. Não foi em vão que ele me jogou na cara todo o meu egoísmo. 

Admito que eu senti sua falta, e muito: uma saudade extremamente dolorida que eu não fiz questão de anestesiar. Mas eu segui em frente, não cedendo à forte tentação de ligar. Os dias foram passando - alguns dias excelentes, outros com más notícias - e eu fui me esquecendo como era estar junto, me acostumando cada vez mais à vida de leoa solitária. Restabeleci por completo meu foco e vi que as minhas prioridades são tão complexas que não há espaço para relacionamento, por hora. Ele se foi, eu errei, e só me restou o meu foco, a minha disciplina e o meu esforço, e a lição de nunca mais atirar para errar.

2 de maio de 2016

Pavio curto


Ranjo os dentes enquanto mentalmente eu seguro um ataque de fúria. Não, eu não tenho paciência. Odeio gente que fica insistindo em pedir o que fazer, ou que faz errado, ou que entende errado e eu tenho que explicar de maneira rudimentar algo complexo. Odeio charmes, chantagens, dramas, joguinhos, surpresas. Odeio indiretas, odeio ter que captar o dito no não dito. Queria que as pessoas falassem abertamente, expressamente, sem ter que ficar observando protocolos implícitos de convivência - a pessoa me pergunta se eu gosto dela e se ofende, se sente mal se eu digo a mais pura verdade - não, eu não gosto de você. Eu não sou obrigada a fingir que sou legal com gente inconveniente e mala. Eu não respiro fundo, não penso duas vezes, e também não me arrependo. Sou aquela que sempre tem iniciativa, que sempre executa os planos e os encerra, e odeio pessoas que ficam o tempo todo com cara de cu perguntando o que fazer. Posso até me dispor a ceder, por uma pessoa ou outra que demonstra boa cooperação, mas não vou bancar a boa moça quando o mundo justamente precisa de gente igual eu.

28 de abril de 2016

Inverno



É a estação em que você tem a chance de esfriar seus neurônios 
e esfriar seus hormônios 
e congelar seus anseios 
e refrescar seus instintos. 

É a sua grande chance de se afastar, 
de recobrar o juízo 
e sopesar o prejuízo.

Hora de aproveitar o momento
- e apenas o momento - 
e só com as ferramentas que você tem
e apenas com as pessoas que estão ao seu lado,
Já que o súbito nevoeiro impede de enxergar mais adiante.

Não mais sofrimento
Sem mais sentimento.

Chegou a hora de vestir o que há de melhor
O traje ao rigor da estação
Com somente cores sóbrias
Frias
Sem hospitalidade
Sem humanismo
Com muita lã e muita distância
Muito lenço e pouca pele
Luvas, botas, chapéus e nada de cafuné
Nada de chamego
Nada de vacilo, de choro, 
Nada de ressentimento
Nem de remorso.

Afaste-se e sinta o vento cortar a sua pele.

18 de abril de 2016

O que você precisa saber sobre o impeachment

Pois bem, pessoas da blogsfera e internautas afora. Essa postagem promete ser breve.

Não quero me manifestar politicamente - até porque eu faço da política meu objeto de estudo, e não meu estilo de vida - mas acho digno que se esclareçam alguns termos chave sobre a situação política da nossa pátria, que muitos parecem confundir.

Dessa vez não vou explicar tudo com as minhas palavras, por mais que eu mesma não goste de simplesmente "delegar" a explicação; ocorre que existem conteúdos mais completos internet afora e eu pretendo simplesmente repassá-los aqui.

Então dessa vez repasso uma vídeo-aula que explica, de maneira didática, o passo a passo de um processo de impeachment. Creio que lhes será útil.

E por hoje é só. Em breve teremos mais da série "O que você precisa saber sobre...", só que de maneira menos precária.


12 de abril de 2016

Vade retro



Eu acho que as relações humanas seriam mil vezes mais seguras se houvesse um Código de Ética e de Conduta que as orientasse. Esse Código estabeleceria como proceder. Ele ensinaria como demonstrar o afeto, e como percebê-lo - bem como demonstraria quando ele é claramente inexistente. Nesse caso, deveria existir um crime com severa punição que proibisse que uma pessoa corra atrás de outra que não se importa com ela. E essa pena seria aumentada, talvez de um terço a três quintos, se a pessoa tiver deixado claro o seu menosprezo, o seu não interesse. A pena seria a reeducação emocional. A redescoberta de si e do amor próprio. A obrigação de uma prisão solitária para perceber que nascemos sozinhos e ser sozinha é a unica certeza no mundo, muito antes da morte...
Mas não existe esse Código. Estamos fadados - e condenados - à eterna incerteza do que o outro sente e pensa. E você pode até tentar deixar tudo claro, sempre - não, eu não te quero, segue a sua vida, me deixa em paz, stay the fuck away, mantengate lejos, vade retro - mas quanto mais você se irrita, mais aquela pessoa palerma parece grudar no seu pé, enquanto o alvo do seu desejo, ele sim reluzente como um deus, ele se afasta, não deixando claro que te quer ou se não quer, apenas deixando umas insinuações suspensas no ar...
E a vida, então, apresenta um cenário miserável: Uma pessoa detestável obstruindo o seu caminho e uma pessoa incrível, que parece cada vez mais inatingível - e você mesma, se perguntando se também não faz o mesmo papel de pessoa inatingível pra um e detestável pro outro.
Mas bem... Se houvesse um Código afetivo, talvez ele simplesmente definisse que o amor é um jogo em que as chances de perda são sempre maiores. E você, cansada, recupera-se. Até quando perder?
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