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31 de outubro de 2016

Grana$


Ahh, a vida adulta. Nunca quis chegar até aqui. Acordar cedo, trabalhar, perder horas no trânsito, me estressar... Parece um ciclo tão obrigatório quanto o ciclo da vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Parte da vida adulta consiste justamente em cair no mundo e se virar. Somos obrigadas a nos submeter. E eu aqui, como qualquer pessoa, triste por não poder ser exceção a essa sórdida regra, morrendo de vontade de pedir demissão, ansiando por me tornar alguém diferente e fazer fortuna com uma ideia extraordinária. Mas não. Até agora só me provei uma pessoa a mais, sem nada a acrescentar, e, como todo mundo, sonhando lunaticamente com rios de dinheiro.

28 de abril de 2016

Inverno



É a estação em que você tem a chance de esfriar seus neurônios 
e esfriar seus hormônios 
e congelar seus anseios 
e refrescar seus instintos. 

É a sua grande chance de se afastar, 
de recobrar o juízo 
e sopesar o prejuízo.

Hora de aproveitar o momento
- e apenas o momento - 
e só com as ferramentas que você tem
e apenas com as pessoas que estão ao seu lado,
Já que o súbito nevoeiro impede de enxergar mais adiante.

Não mais sofrimento
Sem mais sentimento.

Chegou a hora de vestir o que há de melhor
O traje ao rigor da estação
Com somente cores sóbrias
Frias
Sem hospitalidade
Sem humanismo
Com muita lã e muita distância
Muito lenço e pouca pele
Luvas, botas, chapéus e nada de cafuné
Nada de chamego
Nada de vacilo, de choro, 
Nada de ressentimento
Nem de remorso.

Afaste-se e sinta o vento cortar a sua pele.

3 de abril de 2016

Kissed By The Sun



Se existem sete bilhões de pessoas no mundo você nunca imaginaria que uma delas seria a pessoa ao seu lado que deixa de ir dançar numa festa pra te ouvir falar de Schopenhauer - e ainda retribuir. Eu fiquei confusa; será que isso é uma alucinação? Será que estou falando alguma besteira?  E fiquei impressionada - é dizer, estonteada - com a sua inteligência, seus modos; seus olhos fazem uma análise tão minuciosa de mim que mal me passa um pensamento e você já sabe que gênero de pensamento era. Mais tarde você vem me dizer que não sabia se era um sonho ou se eu esqueci; well, se foi um sonho, deve ter sido aqueles sonhos cheios de metáforas e coisas mirabolantes que mais parecem filmes; e se foi um filme ou apenas mais um episódio lá no mundo onírico, acho que sei qual seria seu título - isso com base na cor avermelhada do meu cabelo e da origem do seu nome. You said I'm glad you came as well. O dia chegava e você parecia tão bem, e ainda assim eu me sentia confusa. Eu caí no sono como que para acordar desse sonho e você partiu dizendo que volta - I'll be glad if you do. E não, eu não esqueci (como se isso fosse possível) e eu mal posso esperar pela próxima vez (que você disse que vai ser melhor). 

23 de dezembro de 2015

Vício



É algo totalmente inusitado na minha parca vida.
E é um desafio: eu jamais imaginei que eu fosse provar, e agora que eu provei eu jamais vou querer parar.
Porque jamais aqui e agora tem um significado intenso.
Eis uma substância nova que corre nas minhas veias, que eu inalo, bebo, aspiro e expiro em meus pulmões.
Que me trás euforia e regozijo, me leva às nuvens, me faz delirar, me faz dar a volta ao mundo em um segundo.
Me dá coragem, me domina, me controla, me move a enfrentar tudo e todos – inclusive a mim mesma.
Meu nirvana, meu êxtase supremo.
Mas que também – com a sua falta – me faz mal, extremamente mal.
Me causa espasmos deprimidos, me enfurece, me angustia, me desconcerta e me agita;
Me faz ter crises convulsivas e violentas;
Me motiva a destruir tudo que vejo pela frente.
E quando eu me injeto novamente a euforia é eterna.
Eu não como, não bebo, não respiro mais; só preciso de uma substância – uma única e nada mais;
É o meu narcótico maravilhoso
Meu psicotrópico divino
Meu tóxico sublime
Meu vinho maldito
Meu ópio irreal
E o meu bálsamo diabólico.
Você pode implodir o meu coração, diluir meu cérebro, estourar as minhas veias e esfarelar os meus pulmões
Eu não me importo
Pois é exatamente isso que eu quero!
De você eu quero a overdose mais medonha
Eu quero morrer mil vezes com a convulsão mais frenética
- eu vou para o inferno e volto quantas vezes for necessário para me intoxicar de novo
Me embriagar de novo
Me drogar de novo
Me envenenar de novo
Mergulhar num caminho sombrio e sem volta
Me entregar totalmente a esse breu, a esse abismo que é você.
Minha obstinação, meu único pensamento
O que me mantém viva e vai me matando aos poucos.
Já disse que eu não quero parar.
E eu não vou parar.
Ninguém vai me parar,
Nada vai me parar.
Não tenho discernimento mais,
Não tenho bom senso
- só é bom o meu tóxico –
Não existe mais o mundo, não existe mais nada
- só existe você –
Não me peça para moderar pois quanto mais você recua mais eu quero, mais eu insisto, mais eu exijo e me enfureço
Quanto mais o mundo me crucifixa com seus dogmas mas eu me destruo e destruo esse mundo que não existe
Eu não quero cessar do seu efeito por nenhum segundo!
Irritada, errada, irada, arrasada, pirada sobretudo viciada!
Eu perdi tudo
E estou disposta a perder ainda mais
- só não posso perder a você!
Pois compreenda:
Você é meu único pensamento
Minha única necessidade
Meu paraíso e minha perdição
Nessa altura eu já não consigo mais ouvir mais nenhum conselho sensato
Tal é o meu estado
Mas eu reitero que com todas as minhas forças vou lhe buscar cegamente e tomar doses ininterruptas de você que me faz tão bem.

30 de maio de 2011

Conta a lenda que dormia

 Um poema de Fernando Pessoa


Conta a Lenda que Dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem. 
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

 

Mas cada um cumpre o Destino —
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

21 de outubro de 2010

E agora?

O vestibular chegou,
A tensão acirrou
O mundo pressionou
O dia interveio.
E agora, José?
E agora, você?
Que concorre comigo
que olha ao redor
que toma notas
estuda, contesta

Está sem dormir
está sem comer
está sem rascunho
O tempo acabou
O texto acabou
A resposta não veio
o gabarito não veio
e o mundo parou.

E agora, meu Deus?
se você calculasse
se você respirasse
se você lembrasse
a rima do macete
mas você não consegue
Você é burro, José!

Com a cabeça nas mãos
quer encontrar a resposta
não há resposta
pensa em colar...
Colar não consegue
Quer se jogar da ponte
a ponte está longe
quer mais uma chance
outro tem a sua chance
E agora?

A sua antologia
a sua calculadora
a sua biblioteca
a sua tabela periódica
a sua Internet
a sua ignorância
os seus nervos - e agora?

o ENEM melhorou
sem aliviar o peso...
sem estrangular o medo.
morrendo por dentro
como que envenenado
com a própria agonia
Tenta se acalmar
Como, José - COMO?


Nota: Enem é uma b*sta, mas na época eu não sabia.

14 de setembro de 2008

O Romance esta morrendo

Eu não me refiro ao romantismo (que talvez também esteja morrendo) mas eu me refiro ao romance literário. Esses dias eu li um artigo a esse respeito, que dizia que hoje em dia ninguém mais para para ler um livro de 500 paginas tendo Internet, televisão e afins. Eu não concordo, porque, embora muita gente troque a leitura pela mídia, ainda existem aqueles que apreciam bons livros.
O problema é que não se fazem mais livros como se deveria; muitos dos autores (homens) pregam o heroísmo através do machismo - mas é claro que só alguns são assim. E as autoras, bem, as mais modernas querem expressar a liberdade através da hipocrisia, vulgaridade e promiscuidade. E isso faz com que a literatura decaia. Pouco se interessa por romances épicos, aqueles que falam sobre guerras, elfos, dragões, animais falantes, e etc. porque isso é ficção, e ninguém quer "sair da realidade". E quase ninguém se interessa por livros de terror - a maioria dos leitores dessa categoria são do sexo masculino, e eles preferem muitas vezes assistir um filme de terror do que ler um livro. E isso fica assim. A maioria dos leitores - se é que todos podem ser chamados de leitores - lêem só quando necessário; quando precisam para fazer algum trabalho escolar, ou só quando os olhos passam por algumas letras. A maioria é assim. Alguns até vão dizer que gostam de ler, aí você pergunta o que eles lêem (porque nem só de livros vivem os leitores), alguns até que têm uma resposta descente, outros dizem que começaram a ler tal livro de 80 paginas, ou que a atrevida, e assim por diante.
E o romance? Bem, esse fica para os diretores de cinema fazerem um filme, ou fica nas bibliotecas, esperando os ratos de biblioteca, que estão em extinção.
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