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20 de março de 2017

Perder


Ninguém se lembra de você na hora da festa, mas se lembram na hora que as coisas apertam. Sem tanta grana e sem habilidade de mentir tão bem; quem iria se interessar? Não conseguir a vaga pretendida, nem o emprego almejado, nem mesmo ser lembrada pelos seus amigos, a despeito da sua própria insistência, e ter toda a sua reserva financeira pilhada por absurdas tarifas... Essas pequenas perdas são como alfinetes nas veias. Não dá vontade de largar tudo, ir embora e recomeçar tudo, invisível? Queria ao menos ser sociopata; talvez não traria mais sucesso, mas ao menos eu não seria sensível a essas misérias que viram o jogo.

6 de março de 2017

Nobody yes door



Ninguém realmente se importa com a sua opinião. Não querem realmente saber o seu gosto, o que você sente, como você sente, nem se interessam pela sua opinião. 

Não.

Todos chegam aqui por algum robô do google, ou por indicação, ou por algum link perdido, imaginando encontrar aqui, como em qualquer outro blog, coisas coloridas espalhafatosas, postagens da moda cheia de imagens com resenhas acerca de bens ou serviços, livros e filmes e séries e artistas mainstream.

E de qualquer forma, ninguém se interessa pelas suas inúmeras tentativas de popularizar, de repostar coisas da moda, de ser igual a youtube-bloggers.

No, nobody gives a f#ck.

24 de fevereiro de 2017

Ambição


Muito embora eu quisesse usar todos os dias, Channel tem um custo. Pois eu espero que a minha ascensão profissional e financeira seja tão grande quanto a minha ambição. Eu queria ser a mulher maravilha, poderosa, rica, no topo do mundo. Comprar o corpo que eu quero. Negociar com deus os meus anos de vida, e até mesmo umas férias no inferno. Atravessar o mundo em minutos. Não ter que me preocupar com mensagens não respondidas. Ah, como eu quero ir para o outro nível...

22 de fevereiro de 2017

Cinco minutos


Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

20 de fevereiro de 2017

Au revoir


Eu nunca fui fã de cordialidades, quanto pior com despedidas. As pessoas costumam sumir de repente, como que arrebatadas por um raio sem tempo para dizer adeus, e muitas reaparecem tempos depois feito assombrações eletrizadas. Eu não costumo me despedir. Eu costumo é estar subitamente só, com as luzes fracas e artificiais me condenando à solidão. Você teve que desaparecer. Já não é a primeira vez. Não é a primeira vez que alguém some e eu fico a ver navios, a ver aviões, a ver trens e toda sorte de meios de distanciamento. No fundo, bem lá no fundo, eu senti falta das suas ideias ingênuas e radicais e, no começo, eu trocaria qualquer coisa por um dos seus raros momentos de mau humor. Mas tudo bem. Irremediavelmente, eu não devo ser mais parte da sua vida, e nem você da minha. Então, adeus. Amanhã eu também vou ir-me. Vou me mudar para um bairro nobre no inferno, bem longe da Fronteira com o limite humano. Goodbye. Mal posso esperar. Se você voltar, esteja sorrindo, lembre-se de mim e, por favor, não esteja alcoolizado. Perdoa essa minha despedida estranha, mas eu já disse que eu não sou boa nisso. E você vai se confundir, mas saberá que esse texto é para você - ou talvez morra sem perceber. Agora, Deus me perdoe, e você me dê licença, mas eu tenho que ir.

16 de fevereiro de 2017

Coisas que eu jamais diria mas gostaria que tivessem me dito antes


Detesto ter que transmitir ou captar mensagens implicitamente. Fosse por mim eu diria tudo, absolutamente tudo o que gostaria de dizer - e também prefiria que me dissessem o sim ou o não em vez de me deixar sem certezas de como proceder. Mas não dá pra falar tudo. Vivemos em um mundo em que uma palavra é facilmente mal interpretada como expectativa ou ofensa. E por isso eu ajo assim. Por isso eu ignoro as suas mensagens, não olho para você quando você fala, te evito, rejeito os seus mimos, simulo irritação. Odeio ter que agir assim, pois eu sei como é apaixonar-se. Queria eu lhe dizer simplesmente que você não é o tipo de homem que me agrada e pedir para se afastar; mas eu sei que se eu fizer isso você entederá errado e insistirá ainda mais. Tivessem dito algo assim para mim em qualquer das milhões de vezes que eu me iludi eu teria entendido, dado as costas e nunca mais olhado para trás... Mas tudo o que tive foram ditos e não ditos, joguinhos, farsas... Se eu assumo uma atitude ríspida ao menos eu sou sincera. Linguagem corporal e comportamento são coisas difíceis de decifrar... Lamento, mas eu nunca vou poder te dizer.

14 de fevereiro de 2017

Besteiras


Não sei porque vocês levam tão a sério o que eu escrevo. São apenas pensamentos aleatórios escrevinhados rapidamente, sem revisão, sem pensar duas vezes, sem um critério mais lógico (como este próprio texto). É sério: Não se preocupe e não fique querendo refletir demais sobre "o que eu posso estar querendo dizer", porque tem vezes que nem eu sei. Minha mente é sã e íntegra para todos os efeitos civis (e assim vai continuar por um longo tempo, assim espero), mas nunca espere encontrar no que eu escrevo aqui muita lógica ou coerência. Yes: Don't mind me.

13 de fevereiro de 2017

Exílio

Olá?

Tem alguém aí?

Há muito tempo eu estou tentando obter algum sinal. E vou continuar tentando. Eu só queria que alguém me tirasse daqui...

Há anos eu não ouço uma voz humana. Todos eles se foram. Meu único companheiro é o mar. O mar e o sol. O sol e a areia. Por quanto tempo mais esse cenário vai ameaçar me engolir?

Cartas nas garrafas, sinais no ar, uma tênue conexão quase perdida eu tento estabelecer. Fico horas mirando o horizonte, todos os dias, penando para que cada dia seja o último dia aqui. Será que ainda há esperança?

Mas será que alguém vai me descobrir, em vida?

Será que no mundo além do que eu enxergo alguém sabe que eu existo?

Eu não sei se eu me perdi ou se me abandonaram. Mas eu fico calculando o tempo com risquinhos nas rochas tentando especular quanto tempo mais eu irei sobreviver...

Tem alguém ouvindo?

Por favor, me salve dessa ilha amaldiçoada, eu estou aos poucos esquecendo as palavras. Eu não consigo sair daqui por conta própria...

Mas será que eu ainda vou sair daqui?

Por favor alguém me responda - é tudo o que eu peço - fale comigo, diga que esse sol e esse sal são somente um pesadelo, fala que tudo acabou e eu estou a salvo...

Fala comigo, alguém, pelo amor de Deus?!

Deus, Você está aí? Fala comigo?

Deus?

Todas as tentativas de comunicação retornam a mim. É como um ciclo inquebrável, uma maldição para quem desafiou a morte depois de um naufrágio...

Tem alguém aí, além de mim?


10 de fevereiro de 2017

Loucura



Eu nem sei ao certo como fazer isso, como escrever esse bilhete, mas todos na minha situação o fazem então eu também o farei, ainda que minhas palavras não fiquem claras e ninguém compreenda - ainda que me julguem, que me amaldiçoem por isso; Deus perdoa os loucos. Começou com lapsos de memória, lembranças que eu não tinha, encontrava pessoas que eu nunca tinha visto mas que pareciam estranhamente familiares com seus sorrisos diabólicos. Aos poucos eu fui esquecendo todo o sentimento que um dia eu tive. Fui ficando vazio no peito mas com um vulcão de neve em erupção na minha cabeça. Ainda que eu gritasse, não falava mais alto que as vozes sobre-humanas que me sussurravam aos ouvidos. Ainda que eu parasse, ainda que eu corresse, meus pés me guiariam por um mesmo caminho para o mal... Você não entende, porque isso não aconteceu com você. Se você soubesse... Um dia eu me deitei na minha cama para dormir, e acordei em pé, na escada. Mas eu vestia algo que não eram as roupas de dormir, e... E eu tinha deixado as portas trancadas. Eu procurava alguma coisa, mas o quê? Na verdade tinha alguma coisa procurando por mim, expulsando a minha sanidade. Eu percebi isso quando eu me olhei no espelho e vi aquele mesmo sorriso diabólico na minha figura mas que não era eu, era algo além de mim, que aos poucos me destruía. Você nunca vai entender, mas naquele momento eu vi: era o meu fim. Por isso eu fiz a última coisa sensata que a minha mente obstruída me permitiu, não por mim, mas pelo bem do todos. Encostei a arma na orelha, puxei o gatilho, e por fim perdi a identidade.

9 de fevereiro de 2017

Eu só queria uma música (Episódio II)


Não é que eu realmente tenha algo concreto a vos contar ou que realmente isso se trata de uma postagem em série como nos blogs convencionais. É que eu gosto muito de música. Demais. Quando trabalho, quando estudo, quando dirijo, tomo banho, como, durmo, quando faço tudo eu ouço música, ou quando não é possível eu sempre tenho uma música na cabeça, como se fosse a música de fundo da cena cotidiana em questão. E dependendo da música eu fico refletindo sobre qual seria a mensagem que o compositor queria passar, o que ele estaria vivenciando no momento em que compôs, e não raro me pego tentando encaixar a música em algum momento da vida, prévio ou futuro. Mesmo que seja um trash metal com vocal gutural pesadíssimo e ininteligível; mesmo que seja música pop comercial ordinária; mesmo que seja uma composição clássica pouco conhecida e integralmente instrumental. Mesmo que seja em inglês, espanhol, francês, italiano, húngaro, lituano, russo, guarani ou mesmo português (contanto que a música me prenda, esteja eu compreendendo o que é cantado ou não). Às vezes eu me pego imaginando ou tentando encontrar uma música que se encaixasse no momento presente, nem que esse momento presente tão trivial quanto encontrar alguém conhecido na rua...
Não tinha nada a acrescentar de qualquer forma, mas fica aqui a minha sugestão de música - que por acaso eu já consegui "encaixar" em diversas situações da vida. Oh, Darling - The Beatles. Me sugira uma música também =)

6 de fevereiro de 2017

Paranoia

Você já se sentiu exposto? Já sentiu que alguém pode estar investigando a sua vida nas mínimas palavras que você declara na Internet? Estamos te observando. Não, isso é bobagem. Seria o mesmo que dizem que o seu vizinho está querendo saber da sua vida, anotando seus horários e mexendo no seu lixo. Isso seria absurdo. Ou não? Porque alguém iria querer saber da vida do outro? Pois é. Porque as pessoas fofocam, fazem intriguinhas e todas essas maldades? Cuidado. Alguém pode estar te assistindo de camarote e você nem perceber. Pode estar calculando todos os seus passos. Mas se você não quer ser visto, se interne numa caixinha de metal. Ninguém é onisciente, nesse mundo cada um cuida da sua vida. Talvez. Ou então existe algo maior do que Deus, rindo do nosso miserável destino? Os seres humanos são bons, são justos. Na verdade eles são trogloditas egoístas. Não! Não são. Já cansei de me mandarem procurar um psicólogo. Mas porque eu devo pagar alguém para ouvir minhas maluquices? Daqui a pouco eu esqueço tudo. Mas outra hora tudo vem a tona de nova. Não, não, não. Sim... Tudo vai ficar bem, o mundo é lindo. Pensando bem, não é não.

23 de janeiro de 2017

Eu só queria um café



O mundo está tão cheio de livros mas grande parte deles não te estimula a sair da primeira página. Não nego que há muitos bons livros mas esses devem estar  bem escondidos atrás dos mais caros, com a melhor edição, capa mais pomposa. Os melhores não devem estar em e-book, circulando pela internet, para download em um blog. Não! Não querendo dizer que esses não sejam bons - não sei - mas eu busco algo... Diferente. Algo que não se faça com tanto esmero no século XXI. Um que não tenha vocabulário lugar-comum de best seller. Um que não tenha personagens mesquinhos mas que também não sejam perfeitos. Um que mostre não (só) os altos níveis intelectuais do autor; um que mostrasse uma brechinha da alma do mesmo. É pedir muito? Aquele livro que te prende, te vicia, te faz querer viver para ler as suas páginas antes de mais um gole de café - cadê? Aquele que marca a história, aquele que muda a sua vida. Aquele que te deixe triste quando acaba - não por o final em si ter sido ruim - mas pelo fato de ter chegado a última linha da última página e o encanto acabou. Que droga. E quando esse acaba, será que eu vou encontrar outro? Bem... Não sei se é a minha mente lunática, mas eu vou atrás de outro bom livro para ler como se fosse o último da minha vida. Mais um café, por favor.


Publicado originalmente em 15/08/2011.

20 de janeiro de 2017

Platônico



Platão morreu sem ter noção do significado que nas gerações posteriores seria atribuído ao seu nome. Eu acho que tal conceito alcançou uma dimensão mais avassaladora do que o filósofo poderia imaginar. O ideal, o perfeito, o belo... Você sabe como é isso na prática? Saiba que não é algo que com facilidade você ilustra com palavras. Pensa: você passou a infância sonhando com super-poderes e de repente você descobre que tem a habilidade de ser invisível e isso não é tão maravilhoso como parecia. De repente você descobre o ideal, o perfeito, o belo, mas não pode atingi-lo. Na sua condição de invisível, você pode somente observar com os olhos de um faminto que observa o banquete dos deuses... Você nunca vai alcançá-lo. Nunca. Jamais. Eis o fardo que você terá de carregar. E se você alcançá-lo - não, não tente alcança-lo, desista. Se você alcançá-lo ele não será mais ideal, perfeito, belo, e você descobrirá que o príncipe não é tão encantado como prometia. Ah, que droga.

Publicado originalmente em 2011.

16 de janeiro de 2017

100 tempo




Já não tenho mais a habilidade de fixar fisionomias e nomes... Na verdade eu nunca tive, mas hoje eu chego ao extremo de só lembrar o meu próprio nome; o resto eu confundo tudo... Alguém que eu nunca vi na minha vida me cumprimenta e sabe meu nome, me pergunta como vão as coisas... Quase não sei a diferença entre Um e Todo Mundo... Mas os aniversários eu lembro... Prazos, vencimentos, inícios e encerramentos - datas eu lembro... Enfim... Ops, me atrasei.

5 de janeiro de 2017

Procras...

Procrastinação: ato ou efeito de adiar, de postergar. Preguiça. Moleza de espírito. É aquilo que você sente quando você não tem nada para fazer e ainda assim não quer ter algo para fazer, ou, pior ainda, quando você tem milhares de coisas a fazer e quer se ver livre de tudo, espontaneamente alérgico a rotinas e obrigações. Não que o que você faça e o ritmo que você leve sejam obrigatórios; você faz se você quiser, mas se você não fizer você se ferra. Nessas horas você se arrepende de não cursar mais a sétima série e ter rezado tanto para se formar... É um tédio passivo, um estoicismo vadio. Ojeriza. Indisposição, descrença egoísta, ócio destrutivo. Se você considera a morte não é que você seja depressivo mas sim que você tem preguiça de viver. Ah. E de que me adianta saber tudo isso? Não sei. Eu tenho muitas coisas a fazer, mas até de terminar esse texto eu tenho preguiça. (Que feio).


Publicado originalmente em 26/11/11.

28 de dezembro de 2016

Bom humor


Sabe, essas festas de fim de ano não interessam para mim. São apenas datas que os religiosos comemoram e eu vou no embalo para me juntar à minha família. Ademais, a passagem do ano para mim só conta quando eu efetivamente conto mais um ano de vida - e não pelo calendário tradicional. Mas tudo bem. Em vez de criticar, melhor encarar a vida com mais serenidade. Trocar o rígido senso crítico por uma rara brandura. Austeridade por doçura - parecendo até o título de algum daqueles trágicos romances da Jane Austen. Pois se não podemos mudar o mundo, o que nos resta é tirar sarro dele, divertir-se com a nossa inteligência, não sem um toque de humanismo e sensibilidade. Pois o que eu desejo a todos a quem realmente essas datas de fim de ano importa é isso: o melhor humor do mundo.
E que venha 2017. =D

24 de dezembro de 2016

Até faz sentido


Ah, o Português... O problema é que a gente fala a mesma língua e mesmo assim as vezes a gente se desentende. O meu problema é que eu leio mais do que respiro e ainda assim consigo errar muito. Tem um Português que mexe comigo e acho que nesse ponto você sem dúvida me entendeu (não acredito que eu falei isso). Se o Português tivesse tomado outro rumo no passado eu hoje seria outra pessoa. Mas eu fui condenada a esse idioma estranho num país estranho de pessoas estranhas. O Português não é estranho... Mas não o Português que você está pensando, o Português que só eu sei. Tem algum Português que abala as suas estruturas? (Não responda). O meu Português é diferente do seu mas no fundo é igual. Afinal dizem que eles são todos iguais... Eu sei que eu só me perdi no meio de um monte de palavras sem sentido, mas se o canibal tivesse devorado o Português no passado o Português hoje não devoraria nossas carreiras. Termos, aglutinações, expressões, regras, chantagens emocionais... Ãhn? Muita gente frustrada que nem eu odeia dicionários de Português mas lidando com a arte da palavra escrita não pode dispensar. Que tragédia, não? Precisar de um Português... Digo, precisar *do* Português, você entende né? Eu já sonhei em atravessar o oceano e esquecer dele (o Português), mas eu sei que eu atravesso o oceano e é o Português que eu vou encontrar, e aí a tortura começa de novo.

Publicado originalmente em 04/10/2011.

27 de novembro de 2016

Estrelas


Distante. Como quando eu ouvia de você, observava-te ao longe, e você nem fazia ideia da minha existência. Estamos tão próximos quanto estrelas de galáxias de universos diversos. Eu, humana, trouxa e sentimental, vulnerável e mortal; você, viajando a mil anos-luz, entre a poeira estrelar que segue o impulso das últimas explosões siderais, indiferente e frio. Mas eu vou parar de olhar para o céu. Estou encerrando a sua participação na minha vida, da mesma forma que a Terra já não é um planeta próximo das suas órbitas. Outro planeta, algum satélite, estrela ou universo - já não sei mais onde eu vi de relance o seu último flash, mais rápido que a luz. Acho que está ainda mais distante, mas não quero saber. O céu fechou, a chuva caiu e o meu horizonte se reduziu a um estreito círculo, onde não existe nada que eu não possa ver. E com efeito, você não existe mais.

14 de novembro de 2016

Conversa


Parece uma tortura. Você conhece aquela pessoa, de longe ou com quem você tem um convívio estritamente formal, que você admira ou lhe intriga em algum ponto, e fica se perguntando: "Como ele chegou até ali?", ou "Porque é que ele faz isso?", mas não pode, não tem a oportunidade de perguntar. Não é intromissão. É só vontade de saber mais, de conhecê-lo mais de perto, quem sabe ter uma perspectiva diferente. Essa pessoa parece tão interessante... Mas não dá. A não ser que surja uma oportunidade, em uma roda de conversa, num ambiente fora dali, de (numa chance de 1/1000) alguém tocar nesse assunto, você não vai conseguir descobrir diretamente. E investigar via stalking não é a mesma coisa. Só queria que ele me desse a oportunidade de, olhando-me diretamente, me contar tudo, tudo o que quisesse, e se quiser me ouvir também. Mas isso são coisas que eu especulo enquanto ligo para os meus amigos e eles desligam rapidamente porque tem coisas melhores para fazer. Conversas se limitam a uma troca breve de trivialidades orais. Se encontro uma amiga de longa data não dá para conversar muito, porque ela já tem que ir. E eu me pergunto, então, se essas conversas longas e sinceras não são coisas que a gente perdeu, esquecemos lá na infância. Talvez seja eu a única a querer conversar. Talvez seja ingenuidade minha esperar que alguém sinta o mesmo. Ninguém liga se não estiver precisando de alguma coisa; ninguém se aproxima se não for por interesse - e é por isso que eu não posso me aproximar: porque não tenho um interesse tão direto para mostrar, só tenho a minha curiosidade, a minha admiração ou intriga, e não parece ser suficiente. Da mesma forma, já não espero mais ligações, mensagens ou que me chamem no corredor sem esperar, complacentemente, que a pessoa vá direto ao ponto e diga o que precisa. Melhor ficar na sua e não ser inconveniente, e se desacostumar de esperar das pessoas o que seria perfeitamente humano.

9 de novembro de 2016

Formatura


'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places 
where all the veins meet yeah, 

Não compreendo o real motivo para celebrar. Cinco anos de graduação que não foram lá os melhores da minha vida, a despeito do que reza a lenda sobra a primeira graduação, muito embora tenha sido uma fase de amadurecimento (não obrigatoriamente decorrente da graduação): aprendi a me disciplinar para estudar, aprendi a diferenciar as pessoas que são legais espontaneamente daquelas que são legais por interesse, além de ter quebrado a cara inúmeras vezes. Ademais, não entendo o que comemorar tendo em vista que, como profissional recém ingressante no mercado, não tenho lá grandes perspectivas de lucro e renda - não de início. Mas tudo bem. Estou no caminho certo, dizem. Vou fingir que ignoro o passado recente e o futuro a curto prazo, e vou buscar diversão, como se a minha formatura fosse terminar como em um filme americano, com bebida de qualidade, boa música e ao vivo, bagunça, canapés para equilibrar o alcoolismo, quem sabe até uma orgia ao final com caras gatos. Ah, e a minha música de entrada vai ser a Bittersweet symphony, essa música que parece ter sido escrita numa fase dessas. I'll take you down to the only I've ever been down...
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