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30 de janeiro de 2017

Desventuras em Série - Lemony Snicket (Resenha)

Desventuras em série é uma colecção de treze livros que narra a desafortunada jornada de trêz irmãos, que ao perder os pais, passam a viver na beira do perigo. Escrita por Daniel Handler, sob pseudônimo de Lemony Snicket, o primeiro livro foi lançado em 1999.

VioletKlaus e Sunny Baudelaire, os três irmãos recém-órfãos, vivem literalmente uma série de desventuras, vivendo em lugares diferentes, com pessoas diferentes e até mesmo sozinhos. Para fugir do conde Olaf, o terrível vilão que quer por as mãos em sua fortuna, tendo apenas um ao outro, os irmãos descobrem amigos, inimigos, amores, mistérios, segredos e bibliotecas por onde passam, e cada um com sua habilidade e muitas vezes com a ajuda dos livros, conseguem escapar das armadilhas planeadas por conde Olaf.

É indicada para todas as idades, crianças, jovem, adultos. Por ter os três personagens principais crianças, a série é mais procurada por crianças e adolescentes. Sem a magia e ficção encontrada em Harry Potter, a série mostra como o mundo pode ser vil e perigoso (e bom também) sem apelar para a vulgaridade.

A série se tornou um filme, estreado em Dezembro de 2004, com Jim Carrey (como conde Olaf), retratando os eventos dos três primeiros livros.

23 de janeiro de 2017

Eu só queria um café



O mundo está tão cheio de livros mas grande parte deles não te estimula a sair da primeira página. Não nego que há muitos bons livros mas esses devem estar  bem escondidos atrás dos mais caros, com a melhor edição, capa mais pomposa. Os melhores não devem estar em e-book, circulando pela internet, para download em um blog. Não! Não querendo dizer que esses não sejam bons - não sei - mas eu busco algo... Diferente. Algo que não se faça com tanto esmero no século XXI. Um que não tenha vocabulário lugar-comum de best seller. Um que não tenha personagens mesquinhos mas que também não sejam perfeitos. Um que mostre não (só) os altos níveis intelectuais do autor; um que mostrasse uma brechinha da alma do mesmo. É pedir muito? Aquele livro que te prende, te vicia, te faz querer viver para ler as suas páginas antes de mais um gole de café - cadê? Aquele que marca a história, aquele que muda a sua vida. Aquele que te deixe triste quando acaba - não por o final em si ter sido ruim - mas pelo fato de ter chegado a última linha da última página e o encanto acabou. Que droga. E quando esse acaba, será que eu vou encontrar outro? Bem... Não sei se é a minha mente lunática, mas eu vou atrás de outro bom livro para ler como se fosse o último da minha vida. Mais um café, por favor.


Publicado originalmente em 15/08/2011.

11 de outubro de 2016

Noite e Dia - Virginia Woolf (Resenha)


Pois bem, respeitáveis internautas. Sempre que eu trago uma resenha, busco dar uma prévia da história, dar a minha própria crítica e fazer as minhas recomendações acerca de que tipo de leitor talvez apreciasse ou não a obra - tudo isso sem, contudo, dar spoilers. Na obra de hoje, contudo, isso vai ficar um pouquinho mais difícil.

Mas não se preocupe, não terá spoilers.

Primeiramente, uma prévia da autora: Virginia Woolf viveu entre 188 e 1941, nasceu na Inglaterra e tinha um pai que apreciava deveras a literatura - o que influenciou fortemente na sua formação, e isso me parece ser um traço biográfico na obra objeto desta resenha. Sua literatura é classificada como modernista, o que me parece correto, visto que ela faz vasta referência, na obra, a grupos de discussão e reforma política; mas por outro lado, em algumas passagens ela segue um estilo de escrita clássico - seguindo a literatura vitoriana, como ela mesma faz referência.

No que concerne à obra, confesso que não atendeu às minhas expectativas, sem, ainda assim, me decepcionar. A começar pelo fato de ser de uma das escritoras mais aclamadas da literatura inglesa (por escritoras, devo frisar, quero dizer entre as mulheres na literatura inglesa), me fez esperar uma obra fantástica - o que não foi o caso. Pode ser pelo fato de não ser uma das obras primas dela, mas, de todo o caso, não me parece o seu melhor trabalho.

Primeiramente, pela técnica ou estilo. A autora se afunda em descrições meticulosas não dos cenários ou das personagens, mas sim das mentes dos personagens. Quero dizer que, a cada vez que a autora chega em uma personagem, vai até as mais recônditas profundezas da alma dessa pessoa, desvendando seus sentimentos, características e ideais; demonstra uma habilidade espetacular, obviamente, mas isso torna a leitura pesada e cansativa.

Tudo bem até aí. Pode ser apenas uma questão de estilo explicável pelo fato de ser uma escritora com forte influência de autores clássicos, como Shakespeare e Hathaway (por isso eu não recomendo para quem não esteja acostumado a ler clássicos). Mas o enredo também me pareceu denso e confuso.

Quanto ao enredo, vamos a ele: A trama se passa em torno da vida de Katharine Hilbery, neta de um famoso poeta inglês e filha de um casal que na nossa cultura seria equivalente à classe alta, mas na cultura inglesa do período essa condição social implicava em rijos padrões de comportamento e costumes, de modo que o romance começa justamente com Katherine recebendo pessoas mais velhas em sua casa para o chá das cinco, típico costume inglês. E logo de cara (depois de uma breve digressão psicológica de Katherine) entra em cena Ralph Denham, jovem advogado que trabalhava com o seu pai e que foi convidado para o chá nesse domingo, a quem Katherine insta mostrar as relíquias de seu avô poeta - e é aí que a trama começa.

Digamos que o cerne do romance é basicamente os encontros e desencontros das personagens - alguns com a literatura, como no caso da mãe da Katherine, outros com amores e pessoas, ou, no caso da própria Katherine, por ela mesma, encontro esse que ela teve justamente ao encontrar o amor.

É uma leitura muito bonita, mas não digo que é um livro apto a satisfazer ânsias românticas de quem aprecia histórias de amor. Tem algumas críticas à sociedade da época, mas eu entendo que é melhor não fazer referência a isso para não incidir em um odioso spoiler (o aspecto social em crítica parece ir de encontro diretamente ao cerne da vida da personagem). Algo que me parece digno de destaque, sem embargo, é o fato de que a autora parece apreciar oscilar entre as visões femininas e masculinas de uma situação, sem confrontá-las ou sequer criticá-las. E claro, é uma leitura riquíssima, que eu recomendo principalmente para quem está farto de ser presenteada com best sellers estúpidos e quer levar a sua mente para um novo grau de crítica (daí a dificuldade da leitura).

18 de agosto de 2016

O Criminalista - Vinicius Bittencourt (Resenha)



Pois bem, pessoas da internet. Trago, novamente, uma resenha para agitar esse blog.

O livro de hoje eu recomendaria para todos os aspirantes a juristas com inclinação para a área criminal - principalmente para os homens, porque, não apenas me parece que o autor transmite uma visão eminentemente masculina do mundo (o que não quer dizer sexista) como também demonstra saber separar crua e racionalmente os aspectos afetivos, profissionais e sociais de cada cena - nada mais másculo, ao meu ver.

Por outro lado, eu não recomendaria esse livro para aqueles que não tem uma noção, ainda que breve, do funcionamento do ordenamento jurídico brasileiro, pois não só você pode ficar perdido com o vocabulário específico e por vezes técnico (eis uma infeliz omissão do autor) como também pode ter uma visão muito errada de um profissional criminalista.

Indo para o cerne dessa postagem, preciso tecer algumas considerações sobre a obra. Primeiramente, o enredo é excelente. Ainda mais porque o autor, notadamente, é jurista, não demonstrando grandes aptidões para a literatura comum. Além disso, segue o estilo daqueles tramas policiais americanos, cheios de enigmas e suspenses - mas garanto que mil vezes melhor.

Narra a história de um advogado, veemente estudioso, que constrói sua carreira na estreia de balizantes lacunas na lei, conseguindo, assim, encobrir os crimes mais horrendos e por vezes torná-los impunes.

Se me permitem a crítica, o autor teve sorte quando teceu esse romance. Primeiramente, porque o contexto da publicação original do livro, 1981, é anterior à obrigatoriedade do Exame de Ordem - o que faz toda a diferença, pois o referido Exame filtra os profissionais bons dos ruins, o que supostamente faria diferença para o destaque a mais dos profissionais - assim, o personagem principal, sendo estudioso, se destacou num mundo de profissionais ordinários, não havendo a filtragem da OAB. Além disso, nessa época nós ainda tínhamos uma legislação realmente falha (oriunda de um século de instabilidades e de uma ditadura militar que restringiu muito as atividades legislativas), o acesso ao ensino superior não era tão popularizado e o acesso à justiça era restrito. Em outras palavras, um advogado fodão em 1981 seria um advogado como qualquer outro hoje em dia, pois naquela época eram poucos e hoje são uma legião.

No mais, devo advertir a quem se arriscar a ler que a obra tem aspectos um tanto quanto sensíveis e até mesmo ofensivos à moral vulgar. Junto com outros clássicos jurídicos do tipo "O caso dos exploradores de cavernas", julgo que "O Criminalista" deveria ser de leitura obrigatória nas graduações em direito. Por fim, não recomendo a obra se você espera algo muito rotineiro do mundo jurídico, pois, como eu explanei anteriormente, o enredo se dá numa época muito específica do ordenamento jurídico pátrio.

Nota: 7/10.

17 de agosto de 2016

O Mapa do Tempo - Felix J. Palma (Resenha)



Olá, pessoas da blogsfera. Depois de séculos postando apenas abobrinhas sentimentais, eu volto a trazer uma postagem supostamente útil: Resenha.

Eu tenho uma convicção, não mais tão segura, de que os autores modernos não são lá os melhores. Nos clássicos nós encontramos enredos coerentes, personagens bem construídos, clímax, alegorias, vocabulários ricos e estilos literários dos mais diversos, enquanto que os autores modernos tendem a escrever qualquer bobagem para vender para leitores com pouco senso crítico - o que torna mais difícil encontrar bons livros.

Mas a obra que é objeto desta resenha é uma das raras exceções - acho que uma das três dentre, sei lá, uns duzentos.

O Mapa do Tempo foi um desses livros que eu, como muita gente, comprei em alguma promoção ou feira literária junto com uns outros dez e deixei ali na minha estante, esquecido por anos, até que, aproximando-se o ilustre ano de 2016, eu me propus como meta ler preferencialmente os meus próprios livros em vez de pegar emprestados de amigos e bibliotecas ou baixar da internet (legalmente ou não, f0d4-s3) - e sim, tenho cumprido muito bem essa missão.

Até que eu, realmente descrente da vida e da literatura, depois de terminar um livro péssimo e decepcionante, peguei aleatoriamente um livro na minha estante. E creiam-me, pessoas, que na minha vida os melhores livros são aqueles que nós pegamos aleatoriamente.

Com O Mapa do Tempo, foi emoção da primeira página até a última. Me fez voltar à adolescência, quando eu virava as madrugadas lendo - coisa que hoje não posso fazer por não dispor de tanto tempo assim. É uma trama que captura você, que lhe hipnotiza e seduz. Teve momentos que eu quis gritar, que meu coração ficava disparado como se eu estivesse vendo pessoalmente as tretas que se passavam no livro. O autor faz milhares de reviravoltas, oscila de um cenário para outro e com muita maestria, engana o leitor, ludibria a gente com cenários que outrora pareciam verídicos como também chega a um ponto em que você simplesmente não pode acreditar que algo vai acontecer - e por fim acontece.

Feito o meu apaixonado testemunho, vamos à trama (sem spoilers):

O livro é dividido em duas partes: a primeira, que gira em torno da vida de Andrew Harrington, um jovem rico e de boa família, e sua amada, Marie Kelly, uma prostituta do subúrbio; e a segunda, que se passa em torno da vida de Claire Haggerty, uma jovem muito a frente do seu tempo que também vive uma história de amor, mas narrar essa história, ainda que superficialmente, seria dar um spoiler maldoso. Ambos vivem na cidade de Londres, no ano de 1888; as tramas não se comunicam diretamente entre si, mas o autor, com uma hábil alfaiataria literária, costura ambas as tramas indiretamente com a presença do escritor H. G. Wells - que, ora é personagem secundário, ora é personagem principal; ora só está ali para dar uma ajudinha, ora se compromete por inteiro.

No quesito qualidade literária, acho que o único ponto fraco foi o começo, bem nas primeiras páginas, ser de uma escrita tão comum que dificilmente iria prender um leitor mais crítico que não estivesse bem determinado (como não era o meu caso). Fora isso, me parece que tem um enredo excelente, ainda que muito pitoresco e incomum (no sentido de fantasioso e até mesmo fantástico), tem excelente construção dos personagens e é bem fiel ao cenário londrino do final do século XVIII, mesmo com um toque de ficção. A criatividade do autor suplanta um 90% de todos os outros autores que eu já tenha lido, mesmo aqueles que eu considere os melhores.

Outro aspecto que me cativou foi que o autor se preocupou em humanizar os personagens, não se adstringindo a um odiável moralismo vazio - falha essa que muitos, mas muitos autores e gente que se diz entender de literatura comete. As personagens, das principais até as figurantes, tem evidenciado os seus aspectos bons ou ruins, e todo o sofrimento e trajeto de vida que fizeram-nas se tornar o que são, aceitos ou rejeitados pela sociedade.

Mas como nem tudo que é bom dura para sempre, o livro tem apenas 470 páginas e eu cheguei à última, feliz porque o livro não apenas supriu mas foi além dos meus anseios, como também deprimida, porque acabou. Dada a alta qualidade literária, eu estou muito propensa a buscar outros livros do autor, ou até mesmo reler esse mesmo livro, coisa que eu nunca fiz. É um livro que eu recomendo para absolutamente todas as pessoas que vierem me pedir sugestão de livros, alertando, contudo, que tem cenas um tanto quanto fortes. Sem dúvida, um dos melhores que eu já li em toda a minha vida.

13 de julho de 2016

Monografia (Episódio V)

E eu não acredito que a essa altura do campeonato os professores inventam centenas de tarefas ridículas - trabalhos manuscritos, seminários, milhares de capítulos esparsos de livros para ler, pesquisas bibliográficas sem sentido, resolução de questões sem pé nem cabeça, looongas questões discursivas, petições e peças manuscritas, et cetera et cetera et cetera. E eu, por outro lado, tenho lido tanto, mas tanto sobre um único assunto - tudo o que concerne à minha tese - que fica difícil falar sobre outra coisa. Acho que na minha família e no meu círculo de amigos não tem uma pessoa que não saiba de cor e salteado os meus argumentos, e cada bofe que eu conheço só me conquista se conseguir ouvir pacientemente a minha ideia central (eu devo estar ficando uma pessoa muito chata). É difícil convencer a professora revisora de que nem tudo o que está na minha tese precisa ter uma referência, porque, PASME, alguns conceitos eu mesma me atrevi a criar, por mais que eu ainda não esteja no doutorado, eu já me atrevo a inovar. A minha vida tem se passado na universidade nos últimos dias; se eu não estou numa sala de estudos estudando eu estou na biblioteca analisando todos os livros possíveis, ou então atrás de algum professor para elucidar supervenientes dúvidas. E, a despeito da minha revolta com a normatização e metodologia, eu gosto de escrever, gosto de ler, gosto de discutir - ainda que por hora seja apenas comigo mesma. Meus amigos não veem a hora de se despedir dos bancos universitários, mas eu sei que eu tenho ainda um longo caminho pela frente. Ás vezes eu me canso, desanimo, mas aí eu recobro a consciência e retomo o trabalho. Tenho que terminar minha tese.

17 de maio de 2016

O Olho da Rua - Eliane Brum (Resenha e Crítica)


Quando me pedem alguma recomendação de livro, ou quando eu mesma saio em busca de uma nova leitura, eu sempre fico com um pé atrás quando eu vejo que o autor é jornalista. Geralmente jornalistas tem uma escrita cretina, tendenciosa, cheias de verdades vendidas - isso eu falo com base no que eu acompanho na mídia. Mas também conseguem ser justamente o oposto. Quando um jornalista dotado de sensibilidade escreve um romance com base no que vivenciou e observou - até porque jornalistas são seres que viajam muito - a obra é sensacional.

Esse livro que trago aos internautas hoje é uma das exceções a que me refiro (esse e mais um, também de autor jornalista, que será objeto de uma próxima resenha assim que eu terminar de ler). O Olho da Rua retrata de maneira figurativa, quase metafísica, os extremos da realidade da nossa vasta nação - os muitos Brasis de um só país.

Para mim em particular foi fenomenal por causa do momento em específico em que eu o peguei pra ler: simplesmente peguei um volume aleatoriamente na biblioteca, o juntei na pilha de livros para a monografia e saí da biblioteca esperando que eu conseguisse ao menos ler um capítulo (já que eu erroneamente julguei que, pela capa um tanto quanto feia o livro fosse ruim), para me descansar a cabeça de tantas teses e teorias.

E o que a autora me permitiu foi justamente uma viagem. Um passeio a rincões mais inóspitos do Brasil, onde você menos espera que tenha gente, e onde você menos imagina que haja esperança. Um contraste com as nossas mais diversas realidades, ou, como no meu caso, um encontro com elas.

A autora não tem grande estilo na sua escrita, mas tem paixão, tem sensibilidade, tem envolvimento com o retrato. Eu particularmente amo os clássicos literários, amo vocabulários eruditos, alegorias, lirismo, estilização - e toda aquela parafernália que um volume de um livro pode conter. Mas esse livro foi justamente um retorno ao plano dos fatos; a obra me arrancou de toda a idealização a que eu me acostumei e me trouxe para a vida cotidiana de Roraima, do subúrbio do Rio de Janeiro e de São Paulo, lugares onde eu nunca estive física ou psicologicamente até então.

O livro retrata toda a beleza do ser humano mesmo em seus quadros mais trágicos. É um livro inteligente, envolvido, um autobiográfico até (pois veja que a autora põe muito de si em sua arte). Concluindo essa resenha eu nem sei mesmo como classificá-lo (se é que um sentimento de estupefação, como o sentimento que esse livro me trouxe, pode ser classificado em palavras), e nem sei mesmo para que gênero de leitor recomendar. Então, internautas e bloggers que estiverem a ler essa resenha, eu recomendo esse livro fortemente a todos aqueles que estiverem querendo se descontrair sem fugir da vida real, justamente através de uma viagem rumo à realidade social brasileira.

Nota: 8/10

Escrever, para mim, é um ato físico, carnal. Quem me conhece sabe a literalidade com que vivo. E, principalmente, a literalidade com que escrevo. Eu sou o que escrevo. E não é uma imagem retórica. Eu sinto como se cada palavra, escrita dentro do meu corpo com sangue, fluidos, nervos, fosse de sangue, fluidos, nervos. Quando o texto vira palavra escrita, código na tela de um computador, continua sendo carne minha. 

14 de maio de 2016

Crítica da Razão Criminosa - Michael Gregorio (Resenha e crítica)


 A obra é de 2006 escrita por Michael Gregório - pseudônimo dos autores Daniela de Gregorio e Michael Jacob. Conforme a orelha do livro, 

Na fria Königsberg, na Prússia da virada do século 18 para o 19, a pena do grande filósofo Immanuel Kant escrevia páginas obscuras. Depois de ter tratado da mente comum em A crítica da razão pura, seu mais famoso livro, agora enveredava pela mente doentia de um serial killer. Mas o que aquelas idéias secretas poderiam ter com os assassinatos que apavoravam a cidade em 1804? Acompanhe neste 'Crítica da Razão Criminosa' as investigações do jovem magistrado Hanno Stiffeniis, um dos poucos que conversou com Kant sobre as páginas secretas.

E de fato, é uma obra que tem como personagem central - ou um de seus personagens centrais - o famoso filósofo Imanuel Kant (sim, aquele que fez densos tratados sobre filosofia e epistemologia, mais constantemente associado ao racionalismo). 

E é justamente sobre esse ponto, em cima desse aspecto estritamente racional do filósofo que os autores desenvolvem a trama: Na narrativa, Kant teria escrito uma obra não sobre a mente humana racional que podem ser exploradas por habilidades cognitivas comuns, mas que seriam exploradas precipuamente por mentes de pessoas pré-destinadas ao crime.

Ao meu ver, os autores foram muito fieis ao contexto social e histórico, e mesmo pessoal, que envolveu o filósofo em vida - afinal, como retratado na obra, Kant passou toda a sua vida na cidade hoje extinta de Königsberg, na Prússia, levando uma vida reclusa como todo bom filósofo, mantendo relações com um círculo muito estrito de pessoas (como no livro, em que Kant tinha amizade com o magistrado Hanno, outro personagem principal).

Mas no que concerne à fidelidade com o aspecto intelectual do filósofo, eu acredito que os autores não seguiram tão estritamente - até porque o legado de Imanuel Kant é tão complexo (a razão pura nada mais é do que a abstração irrestrita do pensamento, num nível complicado de entender), que me pareceu muito inteligente essa jogada dos autores com as ideias do filósofo, ainda que em termos de acurácia deixe a desejar.

O enredo é muito bem construído, bem como o seu desenvolvimento no lapso temporal, associada à também muito boa e pertinente construção dos personagens secundários. Obra de leitura fácil e um dos poucos romances contemporâneos que consegue ser ao mesmo tempo intrigante e estupefaciente, dada à sua inteligência.

Gênero: Suspense ou terror.

Nota: 9/10.

12 de maio de 2016

Thais - Anatole France (Resenha)


Thais

Obra de 1890, de um autor pouco ou nada conhecido no Brasil (tanto que eu desconfio que seja difícil de encontrar um exemplar do livro hoje em dia), é um romance deveras deleitante, com um tom satírico e bem humorado (e no qual eu percebi uma certa dose de ironia e crítica à religião).

Trata-se da história de um monge e de uma moça, personagem principal que dá o nome à obra, no período da Alta Idade Média, no norte da África. Thais, jovem e bonita, desfruta de tudo o quanto a vida e a sua beleza podem oferecer; riqueza, fama, homens, arte. O monge, por sua vez, vive uma vida de castidade e preces no deserto até o momento em que, perturbado por pequenos demônios, decide deixar o monastério e ir para a cidade, em busca de Thais.

Esse é o transcurso central da obra; a partir desse momento, o autor desenha um percusso literário tão genial que eu não acho digno de antecipar aqui na resenha. Mas eu reforço: O enredo é muito bem construído, com certa dose de crítica e sátira (que ao meu ver é incomum para a época - 1890), e é de uma leitura gostosa, muito embora tenha um vocabulário um tanto quanto rústico.

De um modo geral eu posso dizer que o autor redige a trama com doses de entranhamento filosófico e um toque de sátira sem perder um estilo artístico e literário mais refinado. De maneira objetiva, também retrata muito bem o cristianismo imaturo, ainda nos seus primeiros séculos de existência (aproximadamente em 300 d. C.), na África medieval. Altamente recomendado se você aprecia romances históricos.

7 de maio de 2016

Eu, Claudius, Imperador - Robert Graves (Resenha)




Algo um tanto quanto difícil, hoje em dia, encontrar um livro "moderno" de tamanha qualidade - ainda mais seguindo bem o estilo que eu gosto: Romance histórico que não se restringe a ser "épico" e sim é fiel à História; e eu gosto mais ainda quando a fração de História retratada é História antiga, daqueles povos cheios de charme recém saídos do berço da civilização.

Eu, Claudius, Imperador (no original I, Claudius), é o romance, publicado em 1934, de Robert Graves, que retrata, em forma de autobiografia e com uma impressionante fidelidade à história, a vida do imperador romano Cláudio (ou, para quem preferir, Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus).

Na verdade, o romance retrata a vida toda de Cláudio até o momento em que ele se torna imperador (com o perdão do spoiler). Narra a sua infância, as famílias e dinastias romanas obcecadas pelo poder, os costumes típicos da época e até mesmo a estrutura urbana de Roma em sua época de Império. Também mostra o perfil de perto o perfil, vida e comportamento de outros imperadores que foram contemporâneos a Cláudio.

Segue uma escrita apaixonada e detalhista, que pode parecer massante para quem não é acostumado a leituras rebuscadas. Contem algumas "cenas fortes" das cóleras romanas, mas num geral creio que é recomendável a todos.

30 de abril de 2016

A Dança da Morte/The Stand - Stephen King (Resenha)


Não que eu seja grande fã de Stephen King, mas eu poderia classificar este extenso livro (ou série, se você preferir), entre os melhores do autor. A obra de 1978 tem a sua versão em um volume único de 1439 páginas, que foi a que eu adquiri (e sinceramente não recomendo, porque "engolir" um livro dessa dimensão de uma vez só pode desencorajar) e também tem a sua versão fragmentada nos três livros, que são: Captain trips, In the border e The Stand.

O romance narra como a sociedade norte-americana rui e depois se restabelece e se reorganiza depois que uma misteriosa doença dizima cerca de dois terços de sua população. As pessoas que sobrevivem percebem que são imunes a essa doença, e, depois de vaguear pelas cidades sem saber o que fazer, desnorteados pelas dimensões da catástrofe, muitos deles caem em si e buscar outros sobreviventes. Nessa busca, as pessoas começam a se reunir e se dirigir a uma direção, alguns seguem para o norte, outros seguem para o sul, instintivamente seguindo a orientação que lhes foi passada por entidades sobrenaturais - do bem ou do mal - através de sonhos, sinistros sonhos que todos tem mas ninguém admite ou se atreve a contar.

Na minha opinião, o autor faz uma excelente construção dos personagens, excelente desenvolvimento temporal (desde a superveniência da doença até a parte em que os personagens se encontram e por fim se confrontam, sem deixar de fazer a devida individualização de qualquer um deles), esboça com maestria sociológica como seria uma sociedade efetivamente pós-apocalíptica e não faz nenhuma digressão (ou fuga do cenário principal) que não seja intrigante. Minha única crítica é justamente essa lutinha de bem contra o mal que no fim se mostra completamente ridícula.

Eu li o livro no idioma original, portanto nada posso opinar sobre a tradução, muito embora o título em português - A Dança da Morte - me pareça descabido.

Nota: 9 / 10.

19 de abril de 2016

Valor Feminino: desperte a riqueza que há em você - Andréa Villas Boas (Resenha)

Inicialmente, parece se tratar de um livro sobre finanças, mas creio que não seja bem sobre isso - ou não apenas. Com um vocabulário acessível sem deixar de ser uma leitura rica, Valor Feminino aborda todos os aspectos psicológicos que normalmente envolvem a vida de uma mulher - trabalho, carreira, relacionamentos - e mostra como as exigências sociais e mesmo as predisposições do gênero feminino tendem a lidar com as adversidades. Aborda a questão do investimento, do dinheiro: Porque ter medo de lidar com grana? A autora ressalta que as mulheres não são melhores nem piores que os homens no aspecto financeiro; são simplesmente diferentes. As mulheres tem características evolutivas que podem lhes auxiliar nas relações interpessoais, e, se bem aplicadas e desenvolvidas, nas relações de trabalho e investimento também. É uma obra embasada em pesquisas que traçam o perfil econômico de mulheres de todo o Brasil - mulheres de diferentes classes sociais, etnias, opções sexuais, faixas etárias, de diferentes regiões -, avaliando quais seriam as atitudes ideais a se tomar para uma maior participação feminina no mercado financeiro. Considero uma leitura muito útil não somente às mulheres mas também a todos aqueles que queiram sentir-se mais seguros no quesito finanças. Minha única crítica é: Apesar do currículo fenomenal da autora, o livro deixa escapulir algumas referências vagas, o que pode ser corrigido em próximas edições.

Nota de 0 a 10: 9.

4 de abril de 2016

Ariel - José Enrique Rodó (Resenha)

Carregada de brilhantes metáforas, a obra - que oscila entre o gênero puramente literário e a escrita científica - conta a história de um professor (Próspero, como era chamado pelos seus alunos, em homenagem a um mago) que, sentado à sua sala, fala aos seus alunos. 
Ele discorre sobre como esses alunos, jovens e cheios de vigor como são, são o futuro da América Latina; são a força propulsora capaz de mudar o presente e o futuro. 
Assim como a personagem Ariel na obra de Shakespeare, "A Tempestade", representa uma criatura alada, superior às brutalidades terrenas, assim acredita o professor que a juventude, com o vigor do início da vida e com a ânsia pelo conhecimento, com o potencial de se renovar a cada geração, é "o processo evolutivo das sociedades". 
Importante ressaltar que fica subentendido que por juventude, entende-se juventude latinoamericana. 
O autor faz parte do movimento literário conhecido no Brasil como modernismo, mas em sua vertente urugaia, que visa valorizar mais o aspecto regional em despeito das ideias estrangeiras, seguindo, ainda, o antigo ideal bolivariano de uma América Latina unificada. Críticos dizem que essa obra é um reflexo de um "pensamento histórico" em transformação, consideradas as circunstâncias.
Com a espessa alusão à juventude, o autor faz um apelo para que os jovens exerçam mais seu lado humano em detrimento do utilitarismo excessivamente racionalista dos norte-americanos.

—Mientras la muchedumbre pasa, yo observo que, aunque ella no mira el cielo, el cielo la mira. Sobre su masa indiferente y oscura, como tierra del surco, algo desciende de lo alto. La vibración de las estrellas se parece al movimiento de unas manos de sembrador.

31 de março de 2016

Monografia



Então sobrevém todas aquelas questões para você mesma, do gênero:

Porque raios eu fui escolher esse maldito curso?

Porque foi que eu não abandonei enquanto era tempo - porque é que eu, sabendo que o mundo é vasto, que eu sou capaz e as possibilidades são infinitas, cheguei até aqui?

Porque é que eu não me atrevi, não mudei de rumo?

Mas, e agora?

Porque, então, criatura, eu fui escolher um tema tão recente, mas tão recente que só se atreveram a abordá-lo pessoas que, como eu, não sabem bem que rumo tomar?

Porque é que eu fui chamar esse professor, que se acha o PH-deus?

Porque é que eu leio livros e livros, invisto milhões do meu restrito orçamento em cópias, decoro normas técnicas ridículas e métodos e padrões toscos que em realidade não refletem conhecimento nenhum, me submeto a avaliações e revisões que só deturpam as minhas ideias originais, formato um amontoado de informações e chamo aquilo de citação, e ainda digo "amém" pra tudo - porque eu faço isso?

Monografia, como bem sugere o termo, implica numa redação sobre um único assunto - então convenhamos que uma pichação em um muro ou uma receita de bolo podem ser consideradas, da mesma forma, monógrafas. Oh, sociedade, porque não um pouco mais de liberdade no pensamento, nas formas, nas ideias, nas expressões?

Estou aqui a redigir a minha indignação porque eu, justamente, venho perdendo alguns prazos, e o meu orientador me tem martirizado; o coordenador do curso talvez não bote fé em mim (ele pode pensar assim se desconhecer o meu potencial) e a universidade está pouco se lixando para quem vai cumprir no prazo um dos inúmeros protocolos mesquinhos do sistema educacional universiotário.

Ainda vou mudar o mundo com as minhas ideias revolucionárias, mas primeiro eu preciso cumprir algumas obrigações. Por hora, sociedade, deixa eu voltar para a minha tese...

8 de janeiro de 2016

Eu Odeio Gente (Resenha)

Odeio Gente ! - Livre-se Dos Idiotas do Local de Trabalho e Faça de Seu Emprego...Algo inédito na história desse blog: trago duas resenhas de livros seguidas para vocês, estimadas e estimados blogueiros.



A resenha anterior se tratava de um livro que ensinava um caminho para que a pessoa se livre das próprias barreiras cognitivas e intelectuais e mesmo das barreiras que a sociedade nos impõe rumo à superação e ao sucesso.

A resenha de hoje também vai por esse caminho, mas com um toque a mais de malícia.

Eu odeio gente! (originalmente I hate people!) dos autores norte-americanos Jonathan Littman e Marc Hershon não é necessariamente - apesar do que o título pode sugerir - um guia da misantropia desenfreada ou do ódio cego à humanidade. Na verdade, a obra tem o intuito de ensinar o leitor a lidar com os empecilhos que normalmente surgem no convívio do ambiente de trabalho; mais especificamente, pode-se dizer que é um manual de sobrevivência em ambiente corporativo.

Para tanto, os autores esclarecem que os desgastes do convívio cotidiano com colegas de trabalho podem trazer à carreira de alguém que tenha o mínimo de vontade de ascender profissionalmente podem ser muito, mas muito prejudiciais à carreira - desde ganhar má-fama decorrente de fofocas até o isolamento completo, ou mesmo uma demissão injusta ou não reconhecimento profissional.

Assim, os autores ilustram alegoricamente os típicos perfis de pessoas com quem lidamos cotidianamente no trabalho - o puxa-saco, o negativo, o invejoso, entre outros - ensinando como identificá-los, como evitar atrito e, por vezes, como confrontá-los - isso tudo sem comprometer o convívio e a própria carreira.

É uma obra muito perspicaz que, ao meu ver, é indicado não apenas para quem quer evitar atrito no ambiente de trabalho (embora seja esse o enfoque) como também em qualquer coisa que envolva amplo relacionamento humano. Como a própria contracapa diz, ao ler esse livro "esqueça tudo o que você ouviu falar sobre convivência no mundo corporativo".

5 de janeiro de 2016

Como Vencer Quando Você Não É o Favorito (Resenha)

A obra "Como vencer quando você não é o favorito" é um livro do gênero autoajuda da autoria de Rubens Teixeira. Com um vocabulário simples e acessível, o autor nos convida a rever os nossos pontos fortes e fracos e a superar barreiras que, geralmente, nós mesmos nos colocamos. Justamente como sugere o título, a ideia do livro é estimular as pessoas que não são tão favorecidas em aspectos financeiros e/ou sociais a superar as barreiras que a sociedade lhes impõe rumo ao sucesso, ao demonstrar que as dificuldades não são tão invencíveis quanto nos parecem e sim são contornáveis mediante o esforço individual. Assim, o autor indica sete "passos" pelos quais a pessoa deve percorrer para dar o melhor de si e alcançar seus objetivos: dedicação, bons relacionamentos, otimismo, perfeição, credibilidade, estratégia e administração dos resultados. Por vezes o autor é enfático nas suas recomendações - o que o faz parecer repetitivo, e um ponto negativo são os diversos apelos emocionais e religiosos que por vezes são totalmente desconexos com o contexto. De um modo geral, pode-se dizer que é uma obra de leitura rápida e fácil e indicavel para quem busca um estímulo a mais na sua carreira.

27 de abril de 2012

Como ser um bom leitor

Eu acho que deveria existir algum projeto, ou talvez já exista, estimulando não só a leitura como também a circulação de bons livros por preço acessível ou de graça. O Brasil precisa disso. Eventos literários só fazem atrair pessoas que lêem pouco para comprar livros e esquecê-los nas estantes, acumulando pó. Enquanto isso muita gente sem boas condições financeiras fica sem ler... Isso é fato. Eu passei minha vida toda lendo livros emprestados, e quando eu comecei a ter condições financeiras para adquirir eu não achei legal a ideia de ter que pagar antes de saber se o conteúdo vale a pena. Então... Eu anuncio que eu vou doar, não sei quando, provavelmente nas férias, grande parte dos meus livros. Você não precisa ter aquela pilha de livros consigo. Vai na biblioteca que, além de não precisar gastar horas tirando pó, e mais horas ainda procurando, você socializa. Quer ser um bom leitor? Se livre dessa ilusão burguesa de "cheiro de livro novo". Compre novo, compre usado, pegue emprestado, roube, faz download, ganhe, doe... Ler o livro é o que importa, não é? A literatura não a relíquias ou peças únicas, como as outras formas de arte... Eu só recomendaria a aquisição de livros para estudo, mas ainda assim eu acredito que eles desempenham melhor sua função social na fundação cultural. 
Uma pena que ninguém (se é que vai ter alguém) vai dar muita atenção para essa postagem, mas fica aqui a dica de três sites que disponibilizam centenas de obras na íntegra:

Vision Vox - 22.000+ obras

Projeto Gutenberg - 38.000+ obras

Domínio público - projeto governamental

30 de março de 2012

O milionário da caverna (re-escrito)

Eu li esse livro quando eu tinha 12 anos, e fiz a primeira resenha aos 15; eu ainda não tinha o hábito da escrita e nota-se que a resenha não era lá das melhores.

A Casa Publicadora Brasileira, que é a editora que trouxe o livro ao Brasil, tem vários biografias de várias pessoas não famosas em diferentes lugares do mundo e em diferentes épocas. Muitas vezes a vida real é muito mais interessante do que qualquer conto de ficção. A editora é voltada para a literatura religiosa, e justamente isso que torna as vidas narradas das pessoas interessantes: o fato de elas defenderem uma fé que muitas vezes contrariava como um todo o meio cultural em que elas viviam.

O caso de Doug B (alguma coisa) era um pouco diferente. Ele vivia num país democrático e "livre" e nada lhe faltava. Inicia a narrativa na mesma idade que eu tinha ao ler, quando ele toma uma decisão: ou ele acabava com a vida dele naquele instante, que por alguma razão não tinha sentido, ou ele vivia a vida intensamente - entenda-se intensamente o modo mais pleno possível, sem responsabilidade, de certa forma seguindo o movimento hippie que teve popularidade na época em que ele foi adolescente (anos 70).

Dos 12 aos 17 anos ele fez as coisas mais irresponsáveis e absurdas que alguém pode imaginar. Esteve entre a vida e a morte, entre a disciplina e o total descaso, entre o luxo e o lixo. O auge foi quando ele e mais uns amigos experimentaram uma droga que surtiu efeitos alucinantes por quatro dias seguidos, e aí a polícia o encontrou e mandou ele ir para a casa de um tio se reabilitar. Os outros que estavam com eles tiveram sequelas graves e um nunca mais foi visto.

Um certo tempo em que ele passou morando numa caverna (por isso o nome do livro), ele se pôs a ler uma bíblia abandonada que ele ali encontrou, e isso foi o que mudou o rumo da vida dele. Nos anos seguintes ele se converteu, saiu da caverna, e basicamente a partir daí acaba a parte irresponsável da vida dele e entre a parte mais difícil, em que ele tem que enfrentar todas as consequências que o estilo de vida anterior lhe trouxe, como a dificuldade em abandonar o vício e lidar com o prejuízo que ele trouxe para a vida de outros.

E por fim, quando tinha seus trinta anos, ele... Não vou contar o final, mas na época em que eu li eu não gostei. Eu queria que ele tivesse morrido - o que seria tecnicamente impossível, porque foi ele mesmo que contou a sua história.

Fizeram já um documentário sobre a vida dessa célebre figura, e o livro em si é meio difícil de encontrar (a menos que você esteja em São Paulo). Literariamente falando, o livro não é muito superior ao comum best seller, mas já basta porque Doug não exerce a profissão de escritor. Se gostou de "A cabana" vai gostar desse livro também.

2 de janeiro de 2012

O perfume (a história de um assassino)

 





Every wet nurse refused to feed him...
Electrolytes smell like semen...
I promise not to sell your perfumed secrets...
There are countless formulas for pressing flowers...

"No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis. A sua história é contada aqui. Ele se chamava Jean-Baptist Grenouille e se, ao contrário de outros geniais monstros seu nome caiu hoje no esquecimento, isto certamente não ocorreu porque Grenouille tenha ficado atrás desses homens das trevas mais famosos em termos de arrogância, desprezo à raça humana, imoralidade, ou seja, em impiedade, mas porque o seu gênio e a sua única ambição se concentravam numa área que não deixa rastros na história: o fugaz reino dos perfumes".

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