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14 de junho de 2016

Nunca mais


Eu sei que sempre dizem para jamais dizer algo tão extremo quanto "nunca", mas vocês hão de convir comigo que tem atitudes tão prejudiciais à nossa existência, costumes tão conturbados, apegos tão maléficos, hábitos ruins que a gente tem que se dar ao trabalho de jogar no precipício.

E essa é a minha vez.

Nunca mais deixar de fazer coisas importantes para agradar alguém.

Nunca mais fingir que tenho opinião diversa só para agradar alguém. 

Jamais ceder a chantagens emocionais.

Nunca mais postergar.

Nunca mais se deixar ficar na zona de conforto.

Jamais - never-ever - se dedicar a alguém a ponto de sacrificar a sua própria autonomia.

Nunca mais fazer ou deixar de fazer algo em virtude de opiniões alheias (fuck you!).

E, de agora em diante: sempre - always and forever - pensar duas vezes antes de falar, ponderar sobre tudo sem, contudo, perder tempo ruminando demais as possibilidades; sempre questionar se o que tem a ser feito é realmente necessário, se é útil; sempre manter a disciplina e organização, e sobretudo, nunca, jamais, perder o foco.

Stay focused and keep going.

10 de junho de 2016

Dia 10


Da mesma forma que muitas pessoas se desgostam ao saber que a segunda-feira está chegando, assim é o meu receio perante o dia 10. Até porque esse dia é uma grande segunda-feira; é a lembrança de que a fase adulta finalmente chegou, e que a independência não é lá tão maravilhosa quanto você sonhou um dia. O seu dinheiro vai embora no mesmo dia em que ele chega, como uma notícia boa que carrega todas as suas partes negativas. Ah, o dia 10... Juros, prazos, correções, vencimentos... Talvez seja um final de semana no mês que vem, daí eu pelo menos não vou me desesperar tanto - não vou deixar de me organizar com as minhas responsabilidades mas pelo menos não vou sentir o baque. Que desespero é a noite anterior, a noite do dia 9, em que a gente mal consegue dormir, com tantas preocupações na cabeça... E que alívio que é chegar ao fim do dia (10), conseguindo se vangloriar de ter feito tudo o que tinha concentrado para o mês naquele dia; ah!, que sensação de missão cumprida!, por mais que sejam coisas rotineiras e burocráticas que ninguém sequer aprecia; depois de enfrentar um dia desses cheio de protocolos, ah, sim, eu me sinto uma heroína.

4 de junho de 2012

Vende-se este blog


Isso mesmo. Uma vez eu vi um "avaliador de sites pessoais", que com base em sabe-se lá que dados ele te dava um valor analisando o endereço do seu domínio. O meu, na época (uns dois anos atrás), deu cinco mil reais; hoje eu acho que valeria, sei lá, uns dez mil... Se você for meu inimigo eu te dou de graça o blog, mas tem que ser hater declarado, okay?

O fato é que eu já não tenho mais saco pra manter um blog. Não sai mais nada de legal da oficina, e quando eu forço sai aquelas coisas bem sem sal. E também não tenho mais saco para conferir a blogsfera; apesar de ainda ter muita gente dedicada e intelectualmente esclarecida, 99% da literatura que eu encontro na internet é estritamente amadora. O autor golpeia golpeia e golpeia mas nunca sai o corte perfeito.

Aliás, esse negócio de literatura hoje em dia é uma lástima. Você nem precisa ler um livro inteiro para ser escritor, basta ter um papai rico e doses generosas de hipocrisia para distribuir. Eu não sei onde é que ficou a nossa avant-garde e o espírito revolucionário, mas não consigo mais encarar o sentimentalismo exagerado à la Clarice Lispector, e nem discussões políticas e sociais acaloradas e vazias.

Enfim... Saturou. Eu era mais feliz lá em 2008, logo que eu creiei o blog, quando eu me contentava com qualquer aventurinha adolescente. Hoje eu tô chata e impaciente demais com tudo, e justamente por isso tô pulando fora. Vou ficar com Ruy Barbosa, por hora. Se me der na louca e eu quiser voltar com esse negócio de blog (eu não sei o que esperar nem de mim mesma) eu faço outro e anuncio aqui pros que sentirem saudades.

Um beijo aos que ficam,

Ana Ruppenthal.

30 de março de 2012

O milionário da caverna (re-escrito)

Eu li esse livro quando eu tinha 12 anos, e fiz a primeira resenha aos 15; eu ainda não tinha o hábito da escrita e nota-se que a resenha não era lá das melhores.

A Casa Publicadora Brasileira, que é a editora que trouxe o livro ao Brasil, tem vários biografias de várias pessoas não famosas em diferentes lugares do mundo e em diferentes épocas. Muitas vezes a vida real é muito mais interessante do que qualquer conto de ficção. A editora é voltada para a literatura religiosa, e justamente isso que torna as vidas narradas das pessoas interessantes: o fato de elas defenderem uma fé que muitas vezes contrariava como um todo o meio cultural em que elas viviam.

O caso de Doug B (alguma coisa) era um pouco diferente. Ele vivia num país democrático e "livre" e nada lhe faltava. Inicia a narrativa na mesma idade que eu tinha ao ler, quando ele toma uma decisão: ou ele acabava com a vida dele naquele instante, que por alguma razão não tinha sentido, ou ele vivia a vida intensamente - entenda-se intensamente o modo mais pleno possível, sem responsabilidade, de certa forma seguindo o movimento hippie que teve popularidade na época em que ele foi adolescente (anos 70).

Dos 12 aos 17 anos ele fez as coisas mais irresponsáveis e absurdas que alguém pode imaginar. Esteve entre a vida e a morte, entre a disciplina e o total descaso, entre o luxo e o lixo. O auge foi quando ele e mais uns amigos experimentaram uma droga que surtiu efeitos alucinantes por quatro dias seguidos, e aí a polícia o encontrou e mandou ele ir para a casa de um tio se reabilitar. Os outros que estavam com eles tiveram sequelas graves e um nunca mais foi visto.

Um certo tempo em que ele passou morando numa caverna (por isso o nome do livro), ele se pôs a ler uma bíblia abandonada que ele ali encontrou, e isso foi o que mudou o rumo da vida dele. Nos anos seguintes ele se converteu, saiu da caverna, e basicamente a partir daí acaba a parte irresponsável da vida dele e entre a parte mais difícil, em que ele tem que enfrentar todas as consequências que o estilo de vida anterior lhe trouxe, como a dificuldade em abandonar o vício e lidar com o prejuízo que ele trouxe para a vida de outros.

E por fim, quando tinha seus trinta anos, ele... Não vou contar o final, mas na época em que eu li eu não gostei. Eu queria que ele tivesse morrido - o que seria tecnicamente impossível, porque foi ele mesmo que contou a sua história.

Fizeram já um documentário sobre a vida dessa célebre figura, e o livro em si é meio difícil de encontrar (a menos que você esteja em São Paulo). Literariamente falando, o livro não é muito superior ao comum best seller, mas já basta porque Doug não exerce a profissão de escritor. Se gostou de "A cabana" vai gostar desse livro também.

21 de agosto de 2011

O diário de Nina Lugovskaia

"... De fato eu estaria bem, se não fosse por essa gente fastidiosa e insuportável. Eles zumbem ao meu redor como moscas, importunam, irritam, golpeiam-me no ponto em que busco me proteger de qualquer contato indelicado".

Há quem diga que Nina Logovskaia foi uma jovem revolucionária; outros diriam que foi só mais uma menina vivendo num período histórico complicado. Eu penso que ela foi os dois ao mesmo tempo: Nascida numa família de intelectuais, tinha uma visão da vida que não se esperaria para uma adolescente, e, ao mesmo tempo, as páginas do diário que ela nos deixou não deixam de conter as angústias e anseios da menina que, apesar da maturidade exemplar, não deixava de fazer coisas que os adolescentes de treze a dezoito anos fariam. Eu recomendo o livro para aquelas que se interessarem em uma realidade completamente diferente da sua, aqueles que se instigam a seguir o exemplo de vida de boas pessoas como a autora desse diário. Não recomendo se você não teve um diário nos seus treze anos e/ou simplesmente não aprecia esse gênero de monólogo. Boa leitura.
Nota: O Google Books  disponibiliza o livro online, dê uma olhada aqui.
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