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29 de maio de 2017

Moda




Look at me now!
I feel on top of the world in my fashion!
Looking good and feeling fine

Lady Gaga

Existe um grande dilema por trás dos ditames da moda: vestir-se para se sentir bem ou vestir-se por imposição social - ou, pior ainda, por ambos os motivos?

Me parece que o vestir-se para sentir-se bem está adstrito ao vestir-se para não sair de casa nu. Porque se o intuito é se sentir bem (o que deve pressupor conforto), ninguém vai se dar ao trabalho de colocar sapatos desconfortáveis por serem bonitos, de por uma roupa justa que exige postura, de colocar acessórios, e por aí vai. É o que os mendigos fazem.

Já o vestir-se por imposição social requer mais cuidado. Nós cuidamos ao nos vestir para não causar má impressão nos locais onde frequentamos, talvez porque nossa classe social e/ou profissão exijam, ou talvez porque nosso gênero e idade também exijam (muito embora isso venha sendo contestado), e não raro nos atentemos mais à vestimenta para atrair o sexo oposto.

E nessa perspectiva a vestimenta quer dizer muito. A origem e o custo da sua roupa (se é de marca, se é de alfaiataria, se é de bom tecido), o significado da sua roupa (uniforme, jaleco, terno e gravata, salto alto), o contexto em que você veste esta ou aquela roupa (trabalho ou balada, por exemplo) querem dizer em que local você se insere nas invisíveis mas quase estanques castas da sociedade moderna.

Mas e quando nos vestimos tanto para nos sentirmos bem quanto para sermos aceitos pela sociedade? Aí acho que podemos ser mais tolerantes. Pois veja: Os homens mais sensatos geralmente não se importam com marcas e sim com a qualidade aparente, então um homem não vai reparar se o seu vestido, apesar de bonito e bem feito, não foi comprado em uma loja de grife como aparenta, mas foi feito por você mesma com a velha máquina de costura da nonna e a partir de um tutorial de internet. Você tem que se vestir bem para o trabalho, é certo, mas ninguém precisa saber que o seu elegante tailleur foi adquirido em lojas de segunda mão e customizado.

Penso, então, que podemos ser mais tolerantes de um modo geral com o vestir-se - tanto de nós mesmos quanto o alheio, exceto quando as circunstâncias obrigam uma roupa específica (afinal, não é razoável esperar que um médico entre na sala de cirurgia vestido que nem um jogador de futebol em campo). Se a roupa da pessoa parece excêntrica, diferente, inesperada ou retrógrada, o ideal seria olhar para a pessoa em si, e ver se ela se sente bem assim. Pois não é, afinal, a felicidade o que motiva todos os discursos?

E encerro essa postagem com mais uma música da Gaga, só para reforçar:

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby

I was born this way

2 de abril de 2017

Supergirl - 1ª temporada (Resenha)

Essa é a primeira vez que eu faço resenha de uma série de TV ou cinema neste blog - e podem crer que vai ser a única. Eu nunca fui fã de séries; sempre preferi filmes e livros. O que me chamou atenção nessa série em específico, contudo, foram as críticas logo que estreou. Mas antes de adentrar nas críticas, vou apresentar a trama:

A série retrata a vida de Kara, uma jovem de 24 anos que trabalha como assistente da presidente e dona de uma grande empresa de jornalismo - a CatCo - e que, paralelamente, tem uma vida oculta como super heroína, uma vez que ela veio de outro planeta, o que lhe garante superpoderes para salvar as pessoas. Na primeira temporada ela ainda é uma heroína em treinamento, contando com ajuda de seus amigos, sua irmã adotiva e por vezes de terceiros. A série retrata ainda seus casinhos amorosos e conflitos familiares.

O que me pareceu muito empolgante foi a forma com que a série retrata que uma mulher muito empenhada e competente em seu trabalho e ao mesmo tempo uma salvadora da humanidade tem suas inseguranças e medos como qualquer outra pessoa. Como uma mulher (é importante frisar que esse série é gravada sob uma ótica estritamente feminina) ela quer sempre ajudar todo mundo o tempo todo, mas isso nem sempre dá certo.

Mas agora voltando às críticas, é de se notar que a série não está apenas sob uma ótica feminina quanto feminista - mas um feminismo em uma dose nada comedida. Primeiramente, essa série inverte os papéis estereotipados da sociedade: as mulheres que são as líderes, bem sucedidas, milionárias, cegas pelas carreira, e os homens que são sedutores, obedientes, vilões sanguinários e troiçoeiros, etc (estou falando de meros estereótipos, não de que isso seja, ou não, a realidade). Mas se fosse apenas essa inversão, seria algo escusável, já que se trata de uma ficção. Sem embargo, como eu li numa crítica intitulada "How Supergirl’s Feminism Misses the Point", a série, a despeito dessa inversão de papéis, é generosamente recheada de jargões e lugares comuns feministas; em vários episódios aparece alguma mulher falando "ah, você está insinuando que eu não posso fazer isso porque sou mulher" - mas geralmente isso se dá em alguma cena ridícula em que a mulher tem uma situação muito superior à da pessoa que critica, o que não faz sentido nenhum.

No mais, de um modo geral, a série não é bem construída. Os personagens e a ideia central da trama são excelentes, e os atores são bons; mas os episódios não conversam entre si, como se cada episódio fosse uma história isolada. Num episódio a chefe está prestes a demitir Kara, no episódio seguinte é sua melhor amiga, e no seguinte a humilha. Além do mais, justamente por essa visão feminina-feminista a emotividade das personagens é absurda; todo mundo em algum momento abre o coração e conta as mágoas, mesmo os vilões, e todo mundo age impulsivamente "por amor", "pelos amigos", "pela família". Em um episódio, a irmã adotiva de Kara quebra sensíveis protocolos de segurança nacional dos EUA para prender um mero suspeito de por em risco sua família (ou seja, o país pode estar em risco, sua irmã não). Sem contar que tem coisas muito destoantes da realidade, que, mesmo se tratando de ficção (que deve ter um mínimo de coerência com a vida comum) não aconteceria num cotidiano comum (veja que não estou falando da parte estritamente fictícia da trama). Um exemplo é o fato de que a irmã adotiva de Kara literalmente desafora um vilão poderoso e milionário e ele simplesmente abaixa a cabeça, e em outro a própria Kara demonstra vulnerabilidade para um inimigo mortal e ele demonstra complacência. Enfim...

É como se fosse um jantar que, apesar da grande proposta e dos bons ingredientes, não foi bem montado e nem bem servido. A ideia é excelente mas apresentada de uma forma que não faz nenhum sentido. Mas nem tudo está perdido: Pelo que tenho acompanhado as críticas, na segunda temporada os diretores passam a fazer parcerias televisivas e trabalham melhor a trama. É uma pena que eu não vou ver a próxima temporada...


6 de março de 2017

Nobody yes door



Ninguém realmente se importa com a sua opinião. Não querem realmente saber o seu gosto, o que você sente, como você sente, nem se interessam pela sua opinião. 

Não.

Todos chegam aqui por algum robô do google, ou por indicação, ou por algum link perdido, imaginando encontrar aqui, como em qualquer outro blog, coisas coloridas espalhafatosas, postagens da moda cheia de imagens com resenhas acerca de bens ou serviços, livros e filmes e séries e artistas mainstream.

E de qualquer forma, ninguém se interessa pelas suas inúmeras tentativas de popularizar, de repostar coisas da moda, de ser igual a youtube-bloggers.

No, nobody gives a f#ck.

28 de dezembro de 2016

Bom humor


Sabe, essas festas de fim de ano não interessam para mim. São apenas datas que os religiosos comemoram e eu vou no embalo para me juntar à minha família. Ademais, a passagem do ano para mim só conta quando eu efetivamente conto mais um ano de vida - e não pelo calendário tradicional. Mas tudo bem. Em vez de criticar, melhor encarar a vida com mais serenidade. Trocar o rígido senso crítico por uma rara brandura. Austeridade por doçura - parecendo até o título de algum daqueles trágicos romances da Jane Austen. Pois se não podemos mudar o mundo, o que nos resta é tirar sarro dele, divertir-se com a nossa inteligência, não sem um toque de humanismo e sensibilidade. Pois o que eu desejo a todos a quem realmente essas datas de fim de ano importa é isso: o melhor humor do mundo.
E que venha 2017. =D

21 de dezembro de 2016

Ateísmo ortodoxo


O ateísmo é tão normal quanto a religião, apontam estudos; desde que nos conhecemos como humanos, para cada pessoa que formulava uma divindade, havia uma pessoa que contestava explicações sem evidências. Por muitos séculos a religião predominou, e predomina ainda, muito embora hoje sejamos livres para sermos ateus - e há quem diga que no futuro não mais existirão religiões. Seja como for, o fato é que o ateísmo cresce a cada dia, propagado principalmente pelas nossas mídias sociais - divulgado como se fosse uma filosofia de vida, uma ideologia política ou até mesmo uma religião - e não uma mera ausência de crença, como pressupõe bem o termo nas suas origens. Ou seja, as pessoas não se contentam em não acreditar, elas precisam ridicularizar as crendices alheias, expondo todos os podres da religião, como se a religião fosse, isoladamente, a resposta de todos os males da humanidade. Eu sou ateia fazem anos, e nunca sofri preconceito como tal - isso porque, não crendo, não existe necessidade de exteriorizar a ausência de crença: não há necessidade de rezar, de ir a templos, de cantar hinos, de fazer penitências. Mas a maioria dos ateus que eu conheço se sentem muito satisfeitos e engajados em expor a ausência de crença e tentar impor-lhe - como os religiosos extremistas fazem com as suas crenças. A adoção do ateísmo se dá sempre através de um processo racional - ou deveria ser; mas ao meu ver nos meios ateus, predominantemente em universidades, são os lugares onde há mais arrogância e intolerância, e menos compaixão. Parece difícil admitir que a religião é história, é cultura, é em si mesma uma filosofia de vida. Que existem crentelhos estúpidos eu admito (e inclusive estes são muitos), mas que existem muitos religiosos que fazem atos de caridade sincera que praticamente nenhum ateu faria, isso existe. Ateus costumam se esconder atrás da ciência que eles mesmos não dominam e ainda não explica tudo. Em questões políticas e principalmente no embate contra a religião, são muito mais conservadores e ortodoxos, e muito mais difíceis de lidar. Triste notar que um processo (que deveria ser natural) de não-crença é relacionado frequentemente com ataques públicos a imagens religiosas e a religiosos em si, e não a pessoas que simplesmente são indiferentes a crendices. Enquanto fazem propagandas públicas estimulando a tolerância religiosa, creio eu que deveria haver campanhas estimulando os ateus mais ortodoxos a serem menos prepotentes, porque a ausência de crença, no final das contas, não os torna melhores do que ninguém. 

Recomendo a leitura do livro "A irreligião do futuro", de Jean-Marie Guyau.

"Ateísmo engraçadinho existe desde a Antiguidade, diz historiador britânico". Folha de São Paulo, 05 de março de 2016. Link aqui

"Redes sociais alavancam movimento ateísta no Brasil". Paloupes, 23 de outubro de 2016. Link aqui

"Ateísmo é tão natural quanto religião". Hypescience, 17 de fevereiro de 2016. Link aqui.

14 de dezembro de 2016

Não uso papel


]Depois de uma graduação inteira a gente vê quanto papel foi utilizado à toa. Milhares de cópias que nos mandaram imprimir e no fim não foram utilizadas, seja para simples leitura obrigatória, seja para trabalhos, para folhas pautadas, para atividades, transcrição de conteúdo parcial, et cetera. Ademais, durante a vida inteira vi gente jogando fora várias folhas de caderno por um simples erro ao escrever. Isso sem contar as dezenas de agendas que foram compradas mas nunca usadas (ou utilizadas apenas nos dois primeiros meses do ano), as dezenas de post-its que foram utilizadas mais para enfeitar e brincar do que para realmente atingir a sua finalidade, as várias folhas de papel almaço que as pessoas pegam direto da impressora sob o pretexto de ser usada para rasuras e no final não são utilizadas nem 1/3. Para mim chega. Sempre detestei imprimir de qualquer forma, e nos últimos tempos venho transitando de anotações em pequenos papeis para anotações em meio digital, e o mesmo tenho feito para estudar e escrever. Sem tanto papel a gente evita muita bagunça e muita poluição visual. Sem contar que isso é mil vezes mais ecologicamente correto. Menos poluição, menos bagunça, mais espaço. O mesmo eu tento fazer, ao máximo possível, com o plástico - outro ítem altamente descartável que só polui e causa entulho. Pois se dependesse de mim, nunca mais se utilizaria papel.

27 de outubro de 2016

Reforma



Pois bem, admiráveis internautas. Infelizmente eu não tenho o feedback todo expresso em comentários que eu gostaria, mas eu vou propor algumas mudanças aqui nesse espaço virtual, que algumas pessoas já vinham sugerindo ou eu já tinha visto como recomendável em algum lugar ou outro. Já passou da hora, aliás, de repaginar as ideias. Vamos lá:

- Sim, eu vou mudar de layout - assim que eu tiver tempo para isso (o que está difícil ultimamente); mas aceito sugestões nesse ínterim;

- E sim, vou "responder" a todos os comentários e vou visitar os seus vossos respectivos blgs, só não prometo que farei isso imediatamente e nem me comprometo a seguir (e claro, a minha resposta/visita vai ser do mesmo nível que o seu comentário/visita; então se você comentar algo na linha de "oi, legal seu blog, passa lá no meu", a minha resposta será algo como "oi, legal seu blog tb, bjs");

- Não, não pretendo ter um domínio particular do tipo ".com", por mais que eu tenha condições para isso. Sinto que o domínio ".blogspot" é mais amador e é justamente o amadorismo que eu aprecio na blogsfera;

- Quanto a "parcerias", não faço mais isso. Os blogs que eu recomendo aqui na barra da direita são aqueles que eu realmente aprecio e acompanho, sem compromisso com os seus respectivos autores. Posso mudar de ideia futuramente com relação a isso, mas por hora eu não preciso tão urgentemente aumentar o fluxo de visitas.

- Tenho redes sociais e as acesso esporadicamente, mas como eu já disse em alguma postagem anterior, eu evito investir muito tempo nelas. De vez em quando posso até fazer alguma publicidade via instagram/facebook, mas não espere muito fluxo não;

- Faço sim postagens sobre o que me sugerirem, contanto que tenha sugestões; enquanto não tiver vou escrever sobre o que me der na telha e seguirei acreditando que está bom. Tinha até pensado em mudar o estilo de postagem mas por agora não tenho nem ideia de como "mudar" (se é que eu ou qualquer pessoa realmente consegue mudar o seu estilo de escrita).

- Se você tem um blog/site do estilo literário (de resenhas de livros/filmes, de publicações pessoais amadoras ou não, de eventos literários et cetera), deixe um comentário que eu darei especial atenção, pois esse é o tipo de blog que eu mais gosto ♥

Era o que eu tinha para hoje.
Bjs flw vlw tchau.

16 de outubro de 2016

Cansei de ser sociável

Redes sociais definitivamente não são minha praia. Não me faz bem perder tempo com bobagens sensacionalistas amplamente compartilhadas e nem com misérias das vidas alheias. Tenho muito trabalho a fazer, livros a ler, lugares para ir, muita necessidade de malhar, organizar meus armários, planejar aspectos de um futuro imediato, et cetera. Paulatinamente vou excluindo ou abandonando um a um dos aplicativos, cortando a linha de internet da operadora e me abstendo de usar a internet sem fio. Eu quero viver. Sem mais milhares de fotos do "look" do dia, sem mais fotos dos livros (levava mais tempo tirando fotos do que lendo), sem mais fotos de comidas e bebidas, sem mais propagandas me induzindo a consumir. Sem mais nada disso, obrigada. Mudei a senha do facebook para alguma senha gerada automaticamente, imprimi essa senha em um papel, coloquei numa garrafa e atirei para longe: bye bye baby. E de qualquer forma, eu sempre serei a melhor pessoa que você vai encontrar para conversar: sempre bem disposta, mais intelectualizada do que a média (eu realmente leio e não simplesmente compartilho), sou capaz de olhar nos seus olhos durante a conversa como que o tempo todo e lhe ouvir - se é que isso realmente vai lhe importar.

5 de setembro de 2016

ESTE BLOG TEM OITO ANOS!




Sim, senhoras e senhores!

Depois de sobreviver às mais insanas transições da internet;

Depois de passar por diversas fases da vida de uma autora anônima na internet;

Depois de sair do ar e voltar mil e uma vezes;

Depois de ter sido colocado a venda (e ter recebido sedutoras propostas de compra);

Depois de tudo isso, Antes-de-mais-nada completa seu oitavo ano de existência cibernética, graças ao auxílio de todos vocês!

Muito obrigada por tudo!

E, antes de mais nada, avante!

12 de agosto de 2016

Vaidade



Homens podem ser escolhidos como cartas em um leque de baralho quando você sabe usar a estética em seu favor (e talvez a recíproca seja verdadeira). Mas eu ainda não cheguei a esse ponto - não por aparência mas por um resquício de senso moral que me compele a respeitar as pessoas em sua essência. E quanto à minha própria essência, eu tento exteriorizá-la da melhor forma possível, tanto é que às vezes eu me sinto obcecada por manter, sempre, a melhor aparência possível e impecável, ainda que de maneira simples. A natureza me foi muito favorável, o que me permite dispensar, ao menos por hora, toda a química e tratamento estético que outros se utilizam com frequência, mas de qualquer forma eu não dispenso meus cuidados, dos mais fundamentais à saúde, como alimentação balanceada e exercícios físicos, aos mais triviais, como roupas, unhas, maquiagem, acessórios. Beleza não é uma imposição, não é uma opressão. Beleza é status, é saúde, é poder. Mesmo se você já tiver mais idade: beleza é vaidade, e vaidade é amor-próprio, e amor-próprio é equilíbrio, é segurança. Acho que até os homens deveriam apostar mais na aparência, até porque para eles é tão mais simples. Vaidade é o conhecimento da medida de si, exteriormente e interiormente, e a valorização de si mesma é tudo.

6 de agosto de 2016

Monografia (Episódio VI)



Não sei se eu estou sempre cansada por hábito ou se eu simplesmente tenho dormido pouco. Minhas mãos - ambas - doem de tanto escrever, de tanto grifar, sublinhar, digitar quase ininterruptamente por horas a fio, desenhar esquematicamente ideias, folhear freneticamente páginas de uma penca de dúzias de textos que eu, agora, já quase decorei as páginas e citações. Minha mesa virou uma profusão de livros completos ou cópias de capítulos, impressões de artigos, leis e julgados avulsos decorados com minúsculas observações, caderninhos e agendas de anotações, dezenas de conjuntos de post-its com formatos e tamanhos diversificados, kits de marcadores florescentes e canetas hidrográficas coloridas, clipes, grampeador, tesoura, cola, borracha, lápis, fita adesiva, canetas-gel metálicas, meu próprio laptop amiúde auxiliado por um tablet (por mais que eu resista muito em me deixar auxiliar por dispositivos eletrônicos que só fazem me distrair) - enfim... Uma verdadeira visão de uma oficina no ápice de sua produtividade. O resultado ainda vai demorar. Ainda vai levar tempo e demandar muito empenho. Mas tudo bem: toda boa obra se faz em etapas; todo bom resultado observa um processo sadio. Por hora, mãos à obra.

2 de agosto de 2016

Mania de ecologia



Eu fico cada vez mais horrorizada com o desgaste a níveis alarmantes dos recursos naturais. E nessa minha estupefação eu busco, a todo custo, salvar o planeta com minhas pequenas neuras ecológicas - tipo cronometrar o tempo do banho, se possível reutilizando a água; reutilizar e reciclar o mínimo pedaço de papel, evitando o consumo inconsciente. Já inventei métodos de utilização improvisada de energia solar para cozinhar e aquecer ambientes; dou preferência a produtos nacionais (porque eles seguem, geralmente, métodos de fabricação mais ecologicamente correto que a maioria dos outros países), e sou uma declarada amante dos animais. Não sei que diferença faz essa minha obstinação individual, em uma escala global. Mas eu propago as minhas ideias, falo para todo mundo a importância de evitar o desperdício e quiçá o consumo. Quem sabe se mais pessoas começarem a tomar esses pequenas atitudes em prol do meio ambiente teremos um futuro menos cinza. Eu sei, eu sei; o problema não está apenas no desperdício e no lixo produzido pelas pessoas como também, e principalmente, nas posturas das grandes indústrias em países que estão pouco se lixando para isso. E aí, para combatê-los, eu sei, o caminho é mais árduo. São centenas de convenções e tratados internacionais sobre meio ambiente muitas vezes descumpridos, e aqueles que lutam pela causa verde ficam ostentando bandeiras como trouxas. Mas se não fizermos nada, se não começarmos das nossas pequenas economias de recursos diárias, nada jamais será feito. Vamos lá, basta acreditar. Pode parecer ingenuidade, mas no fundo eu acredito (e me esforço nesse sentido, até porque não é só eu) que nós podemos evitar catástrofes futuras. Come on.

22 de julho de 2016

TPM



Data marcada pra ter uma vontade quase incontrolável de esfaquear os inimigos.

Além de pensar NELE:




14 de julho de 2016

Tempo


Eu contabilizo o tempo pelos meus devaneios. Uma lufada de ar me trás tantas lembranças... Como há uma ano atrás, quando o clima estava exatamente como hoje: esse clima, esse tempo idêntico me faz lembrar do ano passado, de como eu me sentia, mas também do ano anterior, e de outras épocas, sendo um vendaval de sensações e lembranças na mesma brisa. Queria conseguir ser mais sincera com o que eu sinto, em vez de atropelar tudo, fingir que sentimentos tão tenros não estão ali. Queria poder apreciar cada exígua sensação com o maior deleite. Queria pode dissolver essa divisão do tempo que separa as minhas lembranças e sensações. Mas eu não posso. Não posso apagar todos os ponteiros de relógios, todos os calendários, todos os cronômetros e demais parafernálias que aprisionam a vida no desconhecimento da liberdade. Da mesma maneira que não posso sair e apreciar o tímido calor do sol no meio do inverno, tendo que me limitar a olhar de dentro de uma clausura fria e úmida. Tão sinestésico que não faz sentido, e você sente isso tudo numa fração de segundos. Bem. Acabou. Até amanhã.

22 de junho de 2016

Desistir





Precisamos entender que desistir nem sempre é um ato de fraqueza ou covardia. Pode ser apenas mais uma escolha, uma hipótese a se considerar. Admitir que o caminho que se toma talvez não seja o mais apropriado para as suas habilidades; talvez não seja aquilo que realmente lhe faça feliz. Considerar que insistir em algo que não lhe completa pode ser algo ainda pior...
As pessoas podem se horrorizar, podem criticar, mas existem coisas que você tem que fazer para você mesma, por si mesma. Fazer ou deixar de fazer, conquanto não permita que outrem faça as escolhas por você. Permaneça ou saia; mude ou seja o mesmo; desafie-se ou permita-se tolerar; só não permita que alguém tome as rédeas de sua vida. Pois desistir do que lhe foi imposto pode ser a melhor escolha que você já fez.

20 de junho de 2016

Sonhos



I want to say I'll live each day
Until I die.
And know that I had something
In somebody's life.

The hearts that I have touched
Will be the proof that I leave
That I made a difference
And this world will see:
I was here
(Beyonce - I was here)

Indagando-me mentalmente sobre o porquê de as nossas maiores vontades, as nossas metas de vida serem denominadas "sonhos" eu chego à conclusão de que, quando nós realmente queremos algo, com todas as nossas forças e afincos, nosso cérebro produz uma atividade mental semelhante àquela da atividade onírica, não raro ambas se confundindo. Pois veja que nesse mundo, todo mundo é obrigado a sonhar, a propor à si e à sociedade uma ambição. Causa horror e indignação se, quando lhe perguntam suas metas, se responde que não existem, que se está bem na situação atual e que não há perspectiva de mudança. Vivemos, então, nessa perspectiva - e obrigação - de mudança. E não há que se censurar: nada mais humano do que se deslocar para se encontrar. Mas existe um ponto em que nós, num futuro longínquo ou em breve, buscaremos descanso. Então, porque devemos "sonhar" para nós mesmos? Porque não sonhar para os outros - com os outros? É legal almejar uma carreira, um cargo bem remunerado, mas porque não sonhar com um mundo que respeite mais o meio ambiente, com uma sociedade mais justa, menos corrupta? Já que somos obrigados a buscar o progresso (que é um conceito extremamente relativo), porque não almejar chegar aos 90, 100 anos podendo olhar para a sua vida e dizer: eu dei o melhor de mim para esse mundo que em breve eu deixo? Pode parecer uma posição ingênua, a minha; pode parecer que eu incorporei o Cândido de Voltaire, mas eu me proponho a fazer isso, daqui pra frente, e a convencer outros a assim ser também, e combater veementemente qualquer colocação contrária. Quem vem comigo?

18 de junho de 2016

Brainstorm



Sinceramente, tudo o que é excêntrico, diferente, divergente, ou até mesmo incorreto, de certa forma, me atrai. Nem que sejam coisas pequenas, como pequenas coisas no cotidiano. Pois eu acredito que o nosso cérebro, órgão central tão incrivelmente hábil, precisa, justamente, não do que é igual e em todos efeitos corretos, mas sim do estímulos do que diverge da regra. Nossa maior característica como humanos é a nossa habilidade de contestar. Arguir, acusar, replicar, defender - todo esse jurismo cotidiano pode ser aplicado ali dentro, se nos depararmos com alguma pequena diferença, um detalhe até então despercebido mas que pode agregar muita informação se esmiuçado. Nossa mente é naturalmente estimulada, pelas informações que recebem, assim como nossa pele é naturalmente tratada pelo espontâneo acesso à luz; mas eu acredito que temos que ir além do que vem prontamente. Sem a busca de estímulos o cérebro definha, a mente atrofia. Nossa cabeça tem que ser dinâmica e incandescente, como bem sugere o título dessa postagem: uma tempestade mental.

15 de junho de 2016

Tédio




Não consigo encontrar nada que me agrade. Tudo o que eu faço, por mais que já tenha encontrado, algum dia, alguma satisfação nessa atividade, me frustra; parece que agora eu não encontro satisfação em nada, e quanto mais eu procuro, mais eu me aborreço. A rotina, por mais diversificada que seja, tem se tornado insuportável. As coisas não exigem raciocínio mais; tudo são atividades repetitivas, mecânicas, que não nos trazem estímulos. Meus amigos também andam com aquela cara de comida que passou do tempo de cozimento: dissolvidos pelo excesso, crus pela falta. Meus livros não me convidam mais a lê-los, as músicas não me convencem de que merecem ser ouvidas: é tudo igual. E mesmo se eu apelar a qualquer extremo - sair badalar a noite toda, beber, ou mesmo simplesmente ir viajar - ainda assim vou sentir o quão ridícula é a sensação e quão vazio é o objetivo de eu estar ali. Ah, mundo. Me convença de que você merece a minha existência.

10 de junho de 2016

Dia 10


Da mesma forma que muitas pessoas se desgostam ao saber que a segunda-feira está chegando, assim é o meu receio perante o dia 10. Até porque esse dia é uma grande segunda-feira; é a lembrança de que a fase adulta finalmente chegou, e que a independência não é lá tão maravilhosa quanto você sonhou um dia. O seu dinheiro vai embora no mesmo dia em que ele chega, como uma notícia boa que carrega todas as suas partes negativas. Ah, o dia 10... Juros, prazos, correções, vencimentos... Talvez seja um final de semana no mês que vem, daí eu pelo menos não vou me desesperar tanto - não vou deixar de me organizar com as minhas responsabilidades mas pelo menos não vou sentir o baque. Que desespero é a noite anterior, a noite do dia 9, em que a gente mal consegue dormir, com tantas preocupações na cabeça... E que alívio que é chegar ao fim do dia (10), conseguindo se vangloriar de ter feito tudo o que tinha concentrado para o mês naquele dia; ah!, que sensação de missão cumprida!, por mais que sejam coisas rotineiras e burocráticas que ninguém sequer aprecia; depois de enfrentar um dia desses cheio de protocolos, ah, sim, eu me sinto uma heroína.

1 de maio de 2016

Tripalium


Tripálio (em latim: Tripalium) era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, para rasgá-los, esfiapá-los. A maioria dos dicionários, contudo, registra tripálio apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originalmente, ou se tornado depois.
Tripálio (do latim tardio "tri" (três) e "palus" (pau) - literalmente, "três paus") é um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram supliciados os escravos. Daí derivou-se o verbo do latim vulgar tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripálio. (Wikipédia)
Mesmo antes de ser associada aos elementos de tortura medieval, trabalhar significava a perda da liberdade. Quem trabalhava em Roma era o escravo; o patrício estava incumbido das atividades políticas. Era também essa a divisão que chegou ao medievo. A sociedade estava dividida entre os bellatores, os oratores e os laboratores. Os primeiros eram os cavaleiros, responsáveis pela guerra (a palavra tem mesma raiz do nosso bélico); os seguintes, oravam; e os últimos trabalhavam. Na prática, esta divisão era social: a nobreza (que depois viria a perder essa característica da guerra), a igreja e os camponeses. (UFRGS)
Muito além de sinônimo de escravidão e tortura, e mais tarde de dignidade, de obrigação moral, o trabalho tem se tornado sinônimo de independência, autonomia, de crescimento. Um trabalhador é tido como aquele que exerce suas atividades laborais de maneira obrigada, pelo simples e mero impulso de sobrevivência, para ter uns trocados no fim do mês e pagar as contas. Já o profissional é aquele que é qualificado, que tem um bom currículo, aquele que tem perspectiva de carreira, de evolução profissional, de ganhar cada vez mais. E, seja qual for o sentido moderno do termo (por mais que ainda tenha grande relação com os sentidos de sua origem etimológica), o trabalho é uma obrigação, não apenas moral, como também legal: 

Art. 59. Entregar-se alguem habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses. Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena. (Decreto-Lei 3.688 de 1941)

A sociedade gira em torno do trabalho. Trabalho, no aspecto coletivo, é sinônimo de desenvolvimento nacional ou regional, de geração de riquezas, de progresso. A preocupação maior dos governos sempre são as taxas de desemprego, seja em épocas de recessão ou, pelo contrário, quando os índices de pessoas desocupadas porque alguém as sustenta é preocupante. Os bons governos criam e extinguem impostos para estimular a implantação de indústrias, de comércios.

E, observando todos esses múltiplos aspectos do trabalho, é curioso notar como em determinadas épocas surgem novas profissões e como elas desaparecem. Veja-se que no Brasil não se houve mais falar da profissão de lavadeira, o que era muito comum na época do fim do Império. Também não se houve falar em parteiras, em digitadores, em telefonistas.

Outras profissões, por outro lado, parecem ser eternas, como a de médica, professora, enfermeira, construtor civil.

Pois bem, pessoas da blogsfera, essa longa reflexão é apenas para desejar a todos um feliz dia do trabalhador - inclusive para aqueles que fazem da sua profissão a internet. Ao meu ver esse é um dos poucos feriados nacionais que é provido de um mínimo de sentido e realmente homenageia alguém. O trabalho é força, é crescimento, é riqueza, é dignidade, é vida. Então pessoas, espero que você estejam felizes com o vosso trabalho, e, se não, que encontrem um trabalho que lhes apraza. Vida longa e mãos a obra.
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