31 de maio de 2017

Gelado



Eu não tenho frio, ou será que tenho? Sinceramente não quero saber, o frio é psicológico, ponto! Há muito mais para aproveitar que sentir enregelado no meu próprio corpo, como fazer os vapores pela boca, dar umas voltas ou até mesmo comer um gelado! Porque não?

Eu sou o comandante da minha própria vida e faço o que eu quiser! Sempre com normas para cada altura do ano, até posso num dia de calor tórrido pedir a um quiosque, uma bela chávena de chocolate quente ou andar de chinelos quando anda tudo na rua a querer calor com tanto frio.

Enfim, apeteceu-me comer um gelado. Sim, eu sei que é difícil mas as últimas semanas têm sido completamente deprimentes, quase ninguém na rua, tudo cheio de frio, uma chuva quase neve... vamos fingir que estamos no Verão para parar com este tédio.

Então reparo em duas moças sentadas perto do balcão. São me familiares, mas de onde as conheço? Uma coisa é certa, elas acharam estranho o meu pedido, devem achar que sou um doido varrido! Não, nada disso e mesmo que achassem isso, que me importa a opinião de outros? Ou será que importo? Que se lixe, vou-me sentar com elas!

"Nós já não nos cruzamos em algum lado"?

Elas inicialmente estavam relutantes e queriam o doido fora dali, até que tive uma epifania: elas frequentam a mesma Escola Secundária que eu, só que noutra turma. Tenho-as visto por lá e elas também se lembram por ver por lá e assim uma agradável conversa começou a fluir, conheci melhor as duas melhores amigas que iam muitas vezes àquela padaria, completamente opostas de uma da outra, uma viciada em redes sociais e outra mais tradicional. Mas o tempo passou, a noite veio e tivemos que ir embora, sem antes de pedir o número, claro!

Desde então começamos a sair mais vezes, encontrar pela Escola, mas acima de tudo ir a um sítio qualquer comer um gelado.




A postagem de hoje é mais uma colaboração à la guest post junto com o blogueiro portuga Miguel Oliveira do blog Escritalhada. A primeira parte desse texto, de minha autoria, você confere por lá: https://area-escritalhada.blogspot.com.br/

29 de maio de 2017

Moda




Look at me now!
I feel on top of the world in my fashion!
Looking good and feeling fine

Lady Gaga

Existe um grande dilema por trás dos ditames da moda: vestir-se para se sentir bem ou vestir-se por imposição social - ou, pior ainda, por ambos os motivos?

Me parece que o vestir-se para sentir-se bem está adstrito ao vestir-se para não sair de casa nu. Porque se o intuito é se sentir bem (o que deve pressupor conforto), ninguém vai se dar ao trabalho de colocar sapatos desconfortáveis por serem bonitos, de por uma roupa justa que exige postura, de colocar acessórios, e por aí vai. É o que os mendigos fazem.

Já o vestir-se por imposição social requer mais cuidado. Nós cuidamos ao nos vestir para não causar má impressão nos locais onde frequentamos, talvez porque nossa classe social e/ou profissão exijam, ou talvez porque nosso gênero e idade também exijam (muito embora isso venha sendo contestado), e não raro nos atentemos mais à vestimenta para atrair o sexo oposto.

E nessa perspectiva a vestimenta quer dizer muito. A origem e o custo da sua roupa (se é de marca, se é de alfaiataria, se é de bom tecido), o significado da sua roupa (uniforme, jaleco, terno e gravata, salto alto), o contexto em que você veste esta ou aquela roupa (trabalho ou balada, por exemplo) querem dizer em que local você se insere nas invisíveis mas quase estanques castas da sociedade moderna.

Mas e quando nos vestimos tanto para nos sentirmos bem quanto para sermos aceitos pela sociedade? Aí acho que podemos ser mais tolerantes. Pois veja: Os homens mais sensatos geralmente não se importam com marcas e sim com a qualidade aparente, então um homem não vai reparar se o seu vestido, apesar de bonito e bem feito, não foi comprado em uma loja de grife como aparenta, mas foi feito por você mesma com a velha máquina de costura da nonna e a partir de um tutorial de internet. Você tem que se vestir bem para o trabalho, é certo, mas ninguém precisa saber que o seu elegante tailleur foi adquirido em lojas de segunda mão e customizado.

Penso, então, que podemos ser mais tolerantes de um modo geral com o vestir-se - tanto de nós mesmos quanto o alheio, exceto quando as circunstâncias obrigam uma roupa específica (afinal, não é razoável esperar que um médico entre na sala de cirurgia vestido que nem um jogador de futebol em campo). Se a roupa da pessoa parece excêntrica, diferente, inesperada ou retrógrada, o ideal seria olhar para a pessoa em si, e ver se ela se sente bem assim. Pois não é, afinal, a felicidade o que motiva todos os discursos?

E encerro essa postagem com mais uma música da Gaga, só para reforçar:

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby

I was born this way
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