15 de julho de 2017

Pavio curto (ep. II)

Em vez de raciocinarem, refletirem, ponderarem e se utilizarem das mais plenas capacidades daquele órgão magnífico chamado cérebro, as pessoas agem por emoção e impulso com coisas que nem averiguam direito. Vivemos na era das redes sociais, onde toda mesquinheza humana se exponencializa. Mas viver em sociedade é sinônimo de ter de deparar-se com tais situações o tempo todo, e ter de saber como lidar. Enfim...


2 de junho de 2017

Imaginação



É claro, é óbvio, que eu imagino como é o seu corpo por baixo daquelas roupas largas que você usa.

E não, eu não imagino - e nem quero - um corpo perfeito, tipo aqueles caras horrivelmente bombados que só existem no instagram. Não... Eu imagino - e quero - um corpo que tenha bastante resistência física, entende?

Então eu imagino - sim, eu imagino, porque a imaginação não tem limites, imaginação é liberdade, imaginação é uma especulação de tornar algo em realidade - eu imagino a pele por baixo do tecido. Como serão os seus pelos corporais? São da mesma cor que sua barba e cabelos (que ironicamente não têm a mesma cor?) Será que você tem cicatrizes? Ou tatuagens? Qual será o tamanho... ?

Que você é bem mais alto que eu e que a maioria das pessoas, já sei. Mas seu porte físico é difícil de especular. Quem dirá seus pontos sensíveis.

Eu imagino sem me censurar, mas me contenho. Sei que logo vai chegar a hora em que descobrirei...

31 de maio de 2017

Gelado



Eu não tenho frio, ou será que tenho? Sinceramente não quero saber, o frio é psicológico, ponto! Há muito mais para aproveitar que sentir enregelado no meu próprio corpo, como fazer os vapores pela boca, dar umas voltas ou até mesmo comer um gelado! Porque não?

Eu sou o comandante da minha própria vida e faço o que eu quiser! Sempre com normas para cada altura do ano, até posso num dia de calor tórrido pedir a um quiosque, uma bela chávena de chocolate quente ou andar de chinelos quando anda tudo na rua a querer calor com tanto frio.

Enfim, apeteceu-me comer um gelado. Sim, eu sei que é difícil mas as últimas semanas têm sido completamente deprimentes, quase ninguém na rua, tudo cheio de frio, uma chuva quase neve... vamos fingir que estamos no Verão para parar com este tédio.

Então reparo em duas moças sentadas perto do balcão. São me familiares, mas de onde as conheço? Uma coisa é certa, elas acharam estranho o meu pedido, devem achar que sou um doido varrido! Não, nada disso e mesmo que achassem isso, que me importa a opinião de outros? Ou será que importo? Que se lixe, vou-me sentar com elas!

"Nós já não nos cruzamos em algum lado"?

Elas inicialmente estavam relutantes e queriam o doido fora dali, até que tive uma epifania: elas frequentam a mesma Escola Secundária que eu, só que noutra turma. Tenho-as visto por lá e elas também se lembram por ver por lá e assim uma agradável conversa começou a fluir, conheci melhor as duas melhores amigas que iam muitas vezes àquela padaria, completamente opostas de uma da outra, uma viciada em redes sociais e outra mais tradicional. Mas o tempo passou, a noite veio e tivemos que ir embora, sem antes de pedir o número, claro!

Desde então começamos a sair mais vezes, encontrar pela Escola, mas acima de tudo ir a um sítio qualquer comer um gelado.




A postagem de hoje é mais uma colaboração à la guest post junto com o blogueiro portuga Miguel Oliveira do blog Escritalhada. A primeira parte desse texto, de minha autoria, você confere por lá: https://area-escritalhada.blogspot.com.br/

29 de maio de 2017

Moda




Look at me now!
I feel on top of the world in my fashion!
Looking good and feeling fine

Lady Gaga

Existe um grande dilema por trás dos ditames da moda: vestir-se para se sentir bem ou vestir-se por imposição social - ou, pior ainda, por ambos os motivos?

Me parece que o vestir-se para sentir-se bem está adstrito ao vestir-se para não sair de casa nu. Porque se o intuito é se sentir bem (o que deve pressupor conforto), ninguém vai se dar ao trabalho de colocar sapatos desconfortáveis por serem bonitos, de por uma roupa justa que exige postura, de colocar acessórios, e por aí vai. É o que os mendigos fazem.

Já o vestir-se por imposição social requer mais cuidado. Nós cuidamos ao nos vestir para não causar má impressão nos locais onde frequentamos, talvez porque nossa classe social e/ou profissão exijam, ou talvez porque nosso gênero e idade também exijam (muito embora isso venha sendo contestado), e não raro nos atentemos mais à vestimenta para atrair o sexo oposto.

E nessa perspectiva a vestimenta quer dizer muito. A origem e o custo da sua roupa (se é de marca, se é de alfaiataria, se é de bom tecido), o significado da sua roupa (uniforme, jaleco, terno e gravata, salto alto), o contexto em que você veste esta ou aquela roupa (trabalho ou balada, por exemplo) querem dizer em que local você se insere nas invisíveis mas quase estanques castas da sociedade moderna.

Mas e quando nos vestimos tanto para nos sentirmos bem quanto para sermos aceitos pela sociedade? Aí acho que podemos ser mais tolerantes. Pois veja: Os homens mais sensatos geralmente não se importam com marcas e sim com a qualidade aparente, então um homem não vai reparar se o seu vestido, apesar de bonito e bem feito, não foi comprado em uma loja de grife como aparenta, mas foi feito por você mesma com a velha máquina de costura da nonna e a partir de um tutorial de internet. Você tem que se vestir bem para o trabalho, é certo, mas ninguém precisa saber que o seu elegante tailleur foi adquirido em lojas de segunda mão e customizado.

Penso, então, que podemos ser mais tolerantes de um modo geral com o vestir-se - tanto de nós mesmos quanto o alheio, exceto quando as circunstâncias obrigam uma roupa específica (afinal, não é razoável esperar que um médico entre na sala de cirurgia vestido que nem um jogador de futebol em campo). Se a roupa da pessoa parece excêntrica, diferente, inesperada ou retrógrada, o ideal seria olhar para a pessoa em si, e ver se ela se sente bem assim. Pois não é, afinal, a felicidade o que motiva todos os discursos?

E encerro essa postagem com mais uma música da Gaga, só para reforçar:

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby

I was born this way

28 de abril de 2017

Carta a uma desconhecida

Olá! Tu não me conheces e eu também não.

Estamos envolvidos neste mundo recheado de redes sociais, com amizades virtuais e mensagens instantâneas e pergunto-me se algum dia nos cruzamos na rua com os nossos smartphones em punho alheios a presenças reais e focados em estados merecedores de 'gostos' ou fotos interessantes de conhecidos de conhecidos.

Certamente não, não nos lembramos de tal coisa pois queremos saber o que fulano diz e que parvoíces sicrano fez.

Tanto quanto sei, até podemos ser amigos do Facebook ou seguidores mútuos no Twitter ou no Instagram, aqueles seres que gostam das suas fotografias mas nunca viram mais gordos, magros, feios ou atraentes na vida real. Até pode ser alguém a apropriar-se de imagens de outra pessoa. O melhor é pensar positivo e acreditar que essas pessoas podem ser tuas melhores amigas ou até alguém que te cruzaste numa festa de um amigo de uma amiga, que essa amiga namorou com um rapaz que se dá bem com tal rapariga. Confuso? Sim eu sei mas é assim que possivelmente nos conhecemos por seguirmos um ao outro do nada.

Podemos nunca ter cruzado pessoalmente mas conheço-te, conheço as tuas tendências, conheço  teu círculo de amizades, sei ainda onde vais ocasionalmente, tudo pelas tuas fotografias. És como se fosses alguém do meio raio de amizades.

Ainda vamos a tempo de nos conhecer... posso te dizer um 'oi' ou um 'olá' ? Mas só se responderes. 

Tenho a certeza que nunca o farás, falas com dezenas senão centenas de pessoas por semana mas que importa? Não estaremos na vida de um do outro.

É melhor continuarmos a ser simples desconhecidos.

Quem sou eu? 

Um desconhecido

Beijinhos


Miguel Oliveira - https://area-escritalhada.blogspot.com.br

2 de abril de 2017

Supergirl - 1ª temporada (Resenha)

Essa é a primeira vez que eu faço resenha de uma série de TV ou cinema neste blog - e podem crer que vai ser a única. Eu nunca fui fã de séries; sempre preferi filmes e livros. O que me chamou atenção nessa série em específico, contudo, foram as críticas logo que estreou. Mas antes de adentrar nas críticas, vou apresentar a trama:

A série retrata a vida de Kara, uma jovem de 24 anos que trabalha como assistente da presidente e dona de uma grande empresa de jornalismo - a CatCo - e que, paralelamente, tem uma vida oculta como super heroína, uma vez que ela veio de outro planeta, o que lhe garante superpoderes para salvar as pessoas. Na primeira temporada ela ainda é uma heroína em treinamento, contando com ajuda de seus amigos, sua irmã adotiva e por vezes de terceiros. A série retrata ainda seus casinhos amorosos e conflitos familiares.

O que me pareceu muito empolgante foi a forma com que a série retrata que uma mulher muito empenhada e competente em seu trabalho e ao mesmo tempo uma salvadora da humanidade tem suas inseguranças e medos como qualquer outra pessoa. Como uma mulher (é importante frisar que esse série é gravada sob uma ótica estritamente feminina) ela quer sempre ajudar todo mundo o tempo todo, mas isso nem sempre dá certo.

Mas agora voltando às críticas, é de se notar que a série não está apenas sob uma ótica feminina quanto feminista - mas um feminismo em uma dose nada comedida. Primeiramente, essa série inverte os papéis estereotipados da sociedade: as mulheres que são as líderes, bem sucedidas, milionárias, cegas pelas carreira, e os homens que são sedutores, obedientes, vilões sanguinários e troiçoeiros, etc (estou falando de meros estereótipos, não de que isso seja, ou não, a realidade). Mas se fosse apenas essa inversão, seria algo escusável, já que se trata de uma ficção. Sem embargo, como eu li numa crítica intitulada "How Supergirl’s Feminism Misses the Point", a série, a despeito dessa inversão de papéis, é generosamente recheada de jargões e lugares comuns feministas; em vários episódios aparece alguma mulher falando "ah, você está insinuando que eu não posso fazer isso porque sou mulher" - mas geralmente isso se dá em alguma cena ridícula em que a mulher tem uma situação muito superior à da pessoa que critica, o que não faz sentido nenhum.

No mais, de um modo geral, a série não é bem construída. Os personagens e a ideia central da trama são excelentes, e os atores são bons; mas os episódios não conversam entre si, como se cada episódio fosse uma história isolada. Num episódio a chefe está prestes a demitir Kara, no episódio seguinte é sua melhor amiga, e no seguinte a humilha. Além do mais, justamente por essa visão feminina-feminista a emotividade das personagens é absurda; todo mundo em algum momento abre o coração e conta as mágoas, mesmo os vilões, e todo mundo age impulsivamente "por amor", "pelos amigos", "pela família". Em um episódio, a irmã adotiva de Kara quebra sensíveis protocolos de segurança nacional dos EUA para prender um mero suspeito de por em risco sua família (ou seja, o país pode estar em risco, sua irmã não). Sem contar que tem coisas muito destoantes da realidade, que, mesmo se tratando de ficção (que deve ter um mínimo de coerência com a vida comum) não aconteceria num cotidiano comum (veja que não estou falando da parte estritamente fictícia da trama). Um exemplo é o fato de que a irmã adotiva de Kara literalmente desafora um vilão poderoso e milionário e ele simplesmente abaixa a cabeça, e em outro a própria Kara demonstra vulnerabilidade para um inimigo mortal e ele demonstra complacência. Enfim...

É como se fosse um jantar que, apesar da grande proposta e dos bons ingredientes, não foi bem montado e nem bem servido. A ideia é excelente mas apresentada de uma forma que não faz nenhum sentido. Mas nem tudo está perdido: Pelo que tenho acompanhado as críticas, na segunda temporada os diretores passam a fazer parcerias televisivas e trabalham melhor a trama. É uma pena que eu não vou ver a próxima temporada...


30 de março de 2017

Paixão


Da última vez eu jurei abstinência absoluta pro resto da minha vida. Quis não querer mais saber de ninguém exceto família e amigos. Isso de sentimentos nunca retribuídos, de expectativas, decepções, um desejo que raramente, raríssimamente, chegava a se concretizar em um relacionamento, um jogo que eu perco sem nem sair da primeira fase... Eu quis não querer mais mas... Aí ele aparece. Alto, olhos azuis, lindo; parece um príncipe. E eu sei que você vai me advertir que no começo todos parecem príncipes, mas a minha vontade agora, o meu fogo, é descobrir o quanto esse cara é diferente de todos os outros caras do universo, e sinto que não vou me decepcionar. Poupe os seus conselhos: Vou mergulhar de cabeça de novo, e não me importo com as consequências.

20 de março de 2017

Perder


Ninguém se lembra de você na hora da festa, mas se lembram na hora que as coisas apertam. Sem tanta grana e sem habilidade de mentir tão bem; quem iria se interessar? Não conseguir a vaga pretendida, nem o emprego almejado, nem mesmo ser lembrada pelos seus amigos, a despeito da sua própria insistência, e ter toda a sua reserva financeira pilhada por absurdas tarifas... Essas pequenas perdas são como alfinetes nas veias. Não dá vontade de largar tudo, ir embora e recomeçar tudo, invisível? Queria ao menos ser sociopata; talvez não traria mais sucesso, mas ao menos eu não seria sensível a essas misérias que viram o jogo.

6 de março de 2017

Nobody yes door



Ninguém realmente se importa com a sua opinião. Não querem realmente saber o seu gosto, o que você sente, como você sente, nem se interessam pela sua opinião. 

Não.

Todos chegam aqui por algum robô do google, ou por indicação, ou por algum link perdido, imaginando encontrar aqui, como em qualquer outro blog, coisas coloridas espalhafatosas, postagens da moda cheia de imagens com resenhas acerca de bens ou serviços, livros e filmes e séries e artistas mainstream.

E de qualquer forma, ninguém se interessa pelas suas inúmeras tentativas de popularizar, de repostar coisas da moda, de ser igual a youtube-bloggers.

No, nobody gives a f#ck.

1 de março de 2017

Coisas portuguesas



Aqui estamos de volta para mais um guest post do autor do Escritalhada...

Portugal, o país onde se vive de tradições e fixações que se entranham até ao tutano. É aquele pais onde os seus habitantes (maior parte) só quer ouvir música popular ideal para torturas. A sério, os Americanos podiam aproveitá-las para pôr durante horas nas celas dos inimigos da Segurança Nacional, teriam revelações garantidas. Podem ir ao Youtube.

E o futebol, esse rei das discussões de café às picardias entre colegas de trabalho, aquele desporto que tira umas horas de vida de insanidade e tempo de antena, qual fosse o único desporto à face da Terra. Só se quer saber dos protagonistas, das intrigas pela primeira liga. Cada um quer ter razão em relação à arbitragem, da qual prejudica o seu clube e beneficia os rivais mas o que interessa é que tudo corra de feição. Estamos a falar do país que parou uns dias por ter ganho o Europeu.

Não vamos esquecer da religião, da Católica é melhor, porque parece que não há outra num país completamente tolerante religioso. O que mais interessa é Fátima e as Aparições e claro, lucrar com isso, até porque o mais importante é o lucro do que a fé. É aquele país onde os bispos são tão importantes que podem opinar o que quiserem na TV.

Herdámos dos brasileiros o hábito das novelas, a companhia perfeita para senhoras reformadas à noite para viverem “histórias” enfadonhas de centenas de episódios inusitados.

Há tanto para absorver deste país, mas só viver uns meses e vocês brasileiros não queriam outra coisa além do ar tuga. Somos um povo estranho é certo mas não há nada como este paraíso à beira mar plantado.

Como adoro este país... The Best!!


PS: Não se esqueçam de ver o novo guest post da Ana aqui


24 de fevereiro de 2017

Ambição


Muito embora eu quisesse usar todos os dias, Channel tem um custo. Pois eu espero que a minha ascensão profissional e financeira seja tão grande quanto a minha ambição. Eu queria ser a mulher maravilha, poderosa, rica, no topo do mundo. Comprar o corpo que eu quero. Negociar com deus os meus anos de vida, e até mesmo umas férias no inferno. Atravessar o mundo em minutos. Não ter que me preocupar com mensagens não respondidas. Ah, como eu quero ir para o outro nível...

22 de fevereiro de 2017

Cinco minutos


Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

20 de fevereiro de 2017

Au revoir


Eu nunca fui fã de cordialidades, quanto pior com despedidas. As pessoas costumam sumir de repente, como que arrebatadas por um raio sem tempo para dizer adeus, e muitas reaparecem tempos depois feito assombrações eletrizadas. Eu não costumo me despedir. Eu costumo é estar subitamente só, com as luzes fracas e artificiais me condenando à solidão. Você teve que desaparecer. Já não é a primeira vez. Não é a primeira vez que alguém some e eu fico a ver navios, a ver aviões, a ver trens e toda sorte de meios de distanciamento. No fundo, bem lá no fundo, eu senti falta das suas ideias ingênuas e radicais e, no começo, eu trocaria qualquer coisa por um dos seus raros momentos de mau humor. Mas tudo bem. Irremediavelmente, eu não devo ser mais parte da sua vida, e nem você da minha. Então, adeus. Amanhã eu também vou ir-me. Vou me mudar para um bairro nobre no inferno, bem longe da Fronteira com o limite humano. Goodbye. Mal posso esperar. Se você voltar, esteja sorrindo, lembre-se de mim e, por favor, não esteja alcoolizado. Perdoa essa minha despedida estranha, mas eu já disse que eu não sou boa nisso. E você vai se confundir, mas saberá que esse texto é para você - ou talvez morra sem perceber. Agora, Deus me perdoe, e você me dê licença, mas eu tenho que ir.

16 de fevereiro de 2017

Coisas que eu jamais diria mas gostaria que tivessem me dito antes


Detesto ter que transmitir ou captar mensagens implicitamente. Fosse por mim eu diria tudo, absolutamente tudo o que gostaria de dizer - e também prefiria que me dissessem o sim ou o não em vez de me deixar sem certezas de como proceder. Mas não dá pra falar tudo. Vivemos em um mundo em que uma palavra é facilmente mal interpretada como expectativa ou ofensa. E por isso eu ajo assim. Por isso eu ignoro as suas mensagens, não olho para você quando você fala, te evito, rejeito os seus mimos, simulo irritação. Odeio ter que agir assim, pois eu sei como é apaixonar-se. Queria eu lhe dizer simplesmente que você não é o tipo de homem que me agrada e pedir para se afastar; mas eu sei que se eu fizer isso você entederá errado e insistirá ainda mais. Tivessem dito algo assim para mim em qualquer das milhões de vezes que eu me iludi eu teria entendido, dado as costas e nunca mais olhado para trás... Mas tudo o que tive foram ditos e não ditos, joguinhos, farsas... Se eu assumo uma atitude ríspida ao menos eu sou sincera. Linguagem corporal e comportamento são coisas difíceis de decifrar... Lamento, mas eu nunca vou poder te dizer.

15 de fevereiro de 2017

Descrença



Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins
So you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life
(Hozier)

Sendo uma convicta ateia há anos, uma coisa na qual eu sempre vi motivos para escárnio foram os tão aclamados "milagres". Eu acabo de me formar e vejo gente falando que a graduação foi uma "benção" divina - mas me parece que quem trouxe a benção foram as nossas famílias que pagaram fortunas em mensalidades e livros e legislações, bem como a benção foi de nossa própria autoria, porque se não fosse nós mesmos estudar por dias a fio, fazer trabalhos, apresentações, pesquisas, por vezes viagens, não teríamos nos formado. Pois veja que tudo o que eu tenho foi eu mesma que consegui, ou alguém por mim, ou mesmo algo que, por vantagem social, me foi mais fácil ou acessível. Sei de gente que passa por necessidades básicas clamando por milagres; mas eu nunca vi uma panela de comida feita descer voando do céu e parar na mesa dessas pessoas; não, no máximo eu vi associações e pessoas generosas (todas ateias, por certo) fazendo caridade ou acionando o Estado para intervir. Reconheço que nem tudo é plenamente palpável pelo mero esforço; mas eu nunca vi ou tive notícias, como nos contos bíblicos, de coisas impossíveis acontecendo simplesmente com base em poderes mágicos, como o caso dos peixes caírem na rede às centenas para que o povo que ouve "a palavra" não passe fome. Não estou desprezando o valor da fé, contudo; a fé é a força que nos motiva. Mas é a fé humana, palpável, tangível, que tem valor - e não a crença absurda, cega e desarrazoada em mentiras míticas que vai te salvar.

14 de fevereiro de 2017

Besteiras


Não sei porque vocês levam tão a sério o que eu escrevo. São apenas pensamentos aleatórios escrevinhados rapidamente, sem revisão, sem pensar duas vezes, sem um critério mais lógico (como este próprio texto). É sério: Não se preocupe e não fique querendo refletir demais sobre "o que eu posso estar querendo dizer", porque tem vezes que nem eu sei. Minha mente é sã e íntegra para todos os efeitos civis (e assim vai continuar por um longo tempo, assim espero), mas nunca espere encontrar no que eu escrevo aqui muita lógica ou coerência. Yes: Don't mind me.

13 de fevereiro de 2017

Exílio

Olá?

Tem alguém aí?

Há muito tempo eu estou tentando obter algum sinal. E vou continuar tentando. Eu só queria que alguém me tirasse daqui...

Há anos eu não ouço uma voz humana. Todos eles se foram. Meu único companheiro é o mar. O mar e o sol. O sol e a areia. Por quanto tempo mais esse cenário vai ameaçar me engolir?

Cartas nas garrafas, sinais no ar, uma tênue conexão quase perdida eu tento estabelecer. Fico horas mirando o horizonte, todos os dias, penando para que cada dia seja o último dia aqui. Será que ainda há esperança?

Mas será que alguém vai me descobrir, em vida?

Será que no mundo além do que eu enxergo alguém sabe que eu existo?

Eu não sei se eu me perdi ou se me abandonaram. Mas eu fico calculando o tempo com risquinhos nas rochas tentando especular quanto tempo mais eu irei sobreviver...

Tem alguém ouvindo?

Por favor, me salve dessa ilha amaldiçoada, eu estou aos poucos esquecendo as palavras. Eu não consigo sair daqui por conta própria...

Mas será que eu ainda vou sair daqui?

Por favor alguém me responda - é tudo o que eu peço - fale comigo, diga que esse sol e esse sal são somente um pesadelo, fala que tudo acabou e eu estou a salvo...

Fala comigo, alguém, pelo amor de Deus?!

Deus, Você está aí? Fala comigo?

Deus?

Todas as tentativas de comunicação retornam a mim. É como um ciclo inquebrável, uma maldição para quem desafiou a morte depois de um naufrágio...

Tem alguém aí, além de mim?


10 de fevereiro de 2017

Loucura



Eu nem sei ao certo como fazer isso, como escrever esse bilhete, mas todos na minha situação o fazem então eu também o farei, ainda que minhas palavras não fiquem claras e ninguém compreenda - ainda que me julguem, que me amaldiçoem por isso; Deus perdoa os loucos. Começou com lapsos de memória, lembranças que eu não tinha, encontrava pessoas que eu nunca tinha visto mas que pareciam estranhamente familiares com seus sorrisos diabólicos. Aos poucos eu fui esquecendo todo o sentimento que um dia eu tive. Fui ficando vazio no peito mas com um vulcão de neve em erupção na minha cabeça. Ainda que eu gritasse, não falava mais alto que as vozes sobre-humanas que me sussurravam aos ouvidos. Ainda que eu parasse, ainda que eu corresse, meus pés me guiariam por um mesmo caminho para o mal... Você não entende, porque isso não aconteceu com você. Se você soubesse... Um dia eu me deitei na minha cama para dormir, e acordei em pé, na escada. Mas eu vestia algo que não eram as roupas de dormir, e... E eu tinha deixado as portas trancadas. Eu procurava alguma coisa, mas o quê? Na verdade tinha alguma coisa procurando por mim, expulsando a minha sanidade. Eu percebi isso quando eu me olhei no espelho e vi aquele mesmo sorriso diabólico na minha figura mas que não era eu, era algo além de mim, que aos poucos me destruía. Você nunca vai entender, mas naquele momento eu vi: era o meu fim. Por isso eu fiz a última coisa sensata que a minha mente obstruída me permitiu, não por mim, mas pelo bem do todos. Encostei a arma na orelha, puxei o gatilho, e por fim perdi a identidade.

9 de fevereiro de 2017

Eu só queria uma música (Episódio II)


Não é que eu realmente tenha algo concreto a vos contar ou que realmente isso se trata de uma postagem em série como nos blogs convencionais. É que eu gosto muito de música. Demais. Quando trabalho, quando estudo, quando dirijo, tomo banho, como, durmo, quando faço tudo eu ouço música, ou quando não é possível eu sempre tenho uma música na cabeça, como se fosse a música de fundo da cena cotidiana em questão. E dependendo da música eu fico refletindo sobre qual seria a mensagem que o compositor queria passar, o que ele estaria vivenciando no momento em que compôs, e não raro me pego tentando encaixar a música em algum momento da vida, prévio ou futuro. Mesmo que seja um trash metal com vocal gutural pesadíssimo e ininteligível; mesmo que seja música pop comercial ordinária; mesmo que seja uma composição clássica pouco conhecida e integralmente instrumental. Mesmo que seja em inglês, espanhol, francês, italiano, húngaro, lituano, russo, guarani ou mesmo português (contanto que a música me prenda, esteja eu compreendendo o que é cantado ou não). Às vezes eu me pego imaginando ou tentando encontrar uma música que se encaixasse no momento presente, nem que esse momento presente tão trivial quanto encontrar alguém conhecido na rua...
Não tinha nada a acrescentar de qualquer forma, mas fica aqui a minha sugestão de música - que por acaso eu já consegui "encaixar" em diversas situações da vida. Oh, Darling - The Beatles. Me sugira uma música também =)

8 de fevereiro de 2017

O preço do Ouro

Esses dias me peguei refletindo: O que faria eu se, como que numa ficção, pudesse optar por ter toda a riqueza e sucesso que eu quisesse sendo que, para isso, eu teria que renunciar ao amor?

O que me trouxe a essa reflexão foi, obviamente, a ficção. Um episódio de uma série intitulada Once upon a time, em que a princesa Cinderela tem de dar seu único filho como pagamento da magia que permitiu que ela conhecesse o príncipe. Ademais, um outro conto, dessa vez mais estritamente mitológico, intitulado O anel dos nibelungos, onde um anão ambicioso também renuncia a todo o amor do mundo para poder roubar um precioso ouro mágico do fundo de um rio. Transcrevendo:

- E se eu lhe disser, anão idiota, que aquele que forjar um anel com o Ouro do Reno poderá vir a ser senhor do universo? - diz Wellgunde, puxando o nariz protuberante de Alberich.
No mesmo instante, as amigas arregalam os olhos para a ninfa indiscreta; em seguida,
arrastam-na para as profundezas do rio, para admoestá-la.
- Vocês está louca, Wellgunde? - diz a loira Flosshilde. - Como pôde revelar o segredo do ouro do Reno a este miserável nibelungo?
- Ora, acalme-se, Flosshilde! - retruca a morena. - Você se esqueceu de que há uma condição para que alguém possa forjar o anel?
No mesmo instante, todas se acalmaram. Sim, há uma condição, que Alberich jamais poderá cumprir - pelo menos elas assim imaginam.
Mas o que elas não sabem é que o anão havia escutado toda a conversa, escondido atrás de um rochedo submerso.
"Condição?! Que condição?...", pensou o anão, intrigado.
De volta à superfície, ele decide voltar à carga.
- E se eu decidir forjar o anel, quem me impedirá? As ninfas riem. Não, ele jamais poderia!
- E por que não? Se jamais poderei, por que não me revelam a razão?
- Porque, para forjar o anel, é preciso antes renunciar ao amor, Alberich! E você não passa de um tolo apaixonado! - diz Wellgunde, passando os braços ao redor do pescoço do anão. - Você estaria disposto a renunciar para sempre ao nosso amor?
Alberich arregala os olhos. No mesmo instante, seu desejo pelas ninfas desaparece.
Desvencilhando-se da ingênua ninfa, ele mergulha até o ouro, esquecido delas e de seu desejo.
Alberich, como todo bom anão, só tem olhos, agora, para o ouro, que faísca diante de seus ávidos olhos. Sim, elas deveriam conhecer melhor a natureza de um verdadeiro nibelungo!
- Ora, a coisa é tão simples assim? - diz Alberich, esfregando as pequeninas mãos. - Pois, sim ou não, que assim seja: a partir deste momento, renuncio para sempre ao Amor e o amaldiçôo eternamente!

Depois de renunciar ao amor, Alberich se torna um cruel tirano. 

Mas retornando ao mundo real, onde escolhas tais não são tão factíveis, eu fico imaginando como seria se a um de nós - seja eu ou você que está lendo - fosse dado essa escolha, qual seria a opção tomada. De fato, a riqueza é um dos maiores valores da nossa sociedade, junto, supostamente, com o amor, mas vamos colocar nessa balança também as desilusões, as mentiras e injustiças que os humanos sofrem e causam. Fosse alguém cansado de sofrer (como a própria Cinderela, metaforicamente), me pergunto se não haveriam muitos que mergulhariam no fundo do rio, sem pensar duas vezes, e renunciariam a todo o amor possível, renunciando, com ele, ao sofrimento e ao descaso humano, atendendo somente ao sucesso, que é tudo o que os humanos (que tanto falam de amor) nos exigem. Eu mesma me pergunto se, caso uma oportunidade dessas me fosse dada, será que eu não me converteria em uma sociopata milionária, ligando o foda-se para todo mundo?

Não, pois eu tenho algumas pessoas com quem me importar, pessoas que precisam de mim e do resto do meu humanismo. A tentação seria grande, mas a ambição desmedida só poderia me conduzir à loucura, enquanto que o amor manteria a sanidade intacta e os últimos vínculos com tudo o que há de mais humano. Tal foi a minha reflexão, pois. E você, o que faria?



7 de fevereiro de 2017

Espera


Esses segundos que se arrastam lentamente parece que vão me matando. É difícil suportar. O aguardo parece eterno. Eu quero o fim. Quero o resultado, a resposta, o sim ou o não. Não sirvo para ficar no stand-by... Não é que eu tenha pressa. É simplesmente que essa espera indiscriminada é desumana, irracional. Eu só queria fazer as coisas andarem. O sistema solar não para para que as burocracias humanas descongelem, desestagnem. Respiro fundo, estico os braços, vou fazer outra coisa. Mas nem tudo pode ser feito. Só me resta esperar...

6 de fevereiro de 2017

Paranoia

Você já se sentiu exposto? Já sentiu que alguém pode estar investigando a sua vida nas mínimas palavras que você declara na Internet? Estamos te observando. Não, isso é bobagem. Seria o mesmo que dizem que o seu vizinho está querendo saber da sua vida, anotando seus horários e mexendo no seu lixo. Isso seria absurdo. Ou não? Porque alguém iria querer saber da vida do outro? Pois é. Porque as pessoas fofocam, fazem intriguinhas e todas essas maldades? Cuidado. Alguém pode estar te assistindo de camarote e você nem perceber. Pode estar calculando todos os seus passos. Mas se você não quer ser visto, se interne numa caixinha de metal. Ninguém é onisciente, nesse mundo cada um cuida da sua vida. Talvez. Ou então existe algo maior do que Deus, rindo do nosso miserável destino? Os seres humanos são bons, são justos. Na verdade eles são trogloditas egoístas. Não! Não são. Já cansei de me mandarem procurar um psicólogo. Mas porque eu devo pagar alguém para ouvir minhas maluquices? Daqui a pouco eu esqueço tudo. Mas outra hora tudo vem a tona de nova. Não, não, não. Sim... Tudo vai ficar bem, o mundo é lindo. Pensando bem, não é não.

3 de fevereiro de 2017

Obsessão

Começou como uma simples ideia, aparentemente brilhante, um projeto, uma plano para o futuro. E lá fui eu. Todos admiraram a minha determinação. Alguns investiram nisso comigo, trocávamos estímulos e comparávamos resultados. Tudo no começo é empolgação, mas nem todos mergulham de cabeça... Muitos desistiram, e ao longo do caminho outros foram desistindo. Isso não é para mim, diziam. Mas eu persisti. Fracos, pensei. Fechei o círculo para me dedicar mais. Comecei a acordar mais cedo e a ir dormir mais tarde. Passava menos tempo em casa ou me trancava no meu quarto. Ás vezes minha irmã me ligava, perguntava se eu não precisava conversar um pouco, talvez isso me fizesse bem. Eu disse que não, que me deixasse em paz, por favor, eu tinha mais o que fazer. E o tempo começou a correr mais rápido. Não tinha mais outra coisa na cabeça. Mal dormia, as vezes nem comia. Não importa, tudo por uma causa justa... Chegaram a me perguntar que tipo de Frankenstein estaria eu criando. Cafeína, calmantes, e nada de luz solar ou ar puro. Quando eu conseguir, sim, quando tudo acabar, eu pensava, eu me preocupo em recuperar a minha saúde - e vai ser em breve. Não me permitia qualquer descanso; todo tempo livre deveria ser aplicado. Não conseguia falar mais sem demonstrar um mínimo de irritação. Minha irmã apareceu na porta do meu quarto, de madrugada, me perguntou se eu não iria dormir. Eu disse a ela para me deixar em paz e fechar a porta, e que não voltasse mais. Mas ela insistiu: Porque você não procura um psiquiatra? Eu me irritei: E porque você não procura um veterinário?! Fechei a porta sem pedir licença e me tranquei. As coisas começavam a dar errado e eu não desistia. Insistia em acreditar naquela doce ilusão a qual eu me entreguei. Vai tudo dar certo, murmurava comigo. Eu negava a verdade que cutucava o meu ombro. Eu já não falava mais com ninguém. Vivia como um fantasma num mundo isolado que eu criara. Lembro de ter visto no espelho uma face pálida de olhos bem abertos. Então, foi esse poltergeist que eu me tornei? Haveria alguém a culpar, a não ser a mim? Eu me deixei enganar por uma utopia e perdi tudo, completamente...

31 de janeiro de 2017

Tristesa


Wake up!
Grab a brush and put a little makeup
Hide the scars to fade away the shake up
Why'd you leave the keys up on the table?
Here you go, create another fable

Levantar da cama tem sido o maior desafio todos os dias, por mais que eu saiba que não posso ficar deitada o tempo todo. Não sinto mais ânimo em tocar a vida... Coloco a melhor roupa, o melhor vestido como se eu realmente me sentisse feliz com isso. Preciso, a todo custo, ocultar esse sentimento. Talvez uma maquiagem bem feita esconda o susto e o desamparo que a vida tem me dado nos aspectos que eu menos esperava. Não tenho grana e o começo da carreira é sórdido, e os meus amigos, todos, parecem ter me abandonado. Me pergunto se é que eu algum dia realmente tive amigos, ou se todos esses que eu considerava amigos só mantinham alguma relação estritamente cordial enquanto tinham algum interesse. Terapias não ajudam em nada... Ademais, a friendzone parece ser ainda pior que os círculos do Inferno de Dante. Uma pessoa que você estima e nem sequer lembra seu nome, mas quer te usar como step. Típico conto do vigário, no qual já não é a primeira vez que eu caio. Sonho com o dia em que serei lembrada por algo singelo e não apenas por favores ou dinheiro. Mas espero não ter que acordar tão logo em seguida...

30 de janeiro de 2017

Desventuras em Série - Lemony Snicket (Resenha)

Desventuras em série é uma colecção de treze livros que narra a desafortunada jornada de trêz irmãos, que ao perder os pais, passam a viver na beira do perigo. Escrita por Daniel Handler, sob pseudônimo de Lemony Snicket, o primeiro livro foi lançado em 1999.

VioletKlaus e Sunny Baudelaire, os três irmãos recém-órfãos, vivem literalmente uma série de desventuras, vivendo em lugares diferentes, com pessoas diferentes e até mesmo sozinhos. Para fugir do conde Olaf, o terrível vilão que quer por as mãos em sua fortuna, tendo apenas um ao outro, os irmãos descobrem amigos, inimigos, amores, mistérios, segredos e bibliotecas por onde passam, e cada um com sua habilidade e muitas vezes com a ajuda dos livros, conseguem escapar das armadilhas planeadas por conde Olaf.

É indicada para todas as idades, crianças, jovem, adultos. Por ter os três personagens principais crianças, a série é mais procurada por crianças e adolescentes. Sem a magia e ficção encontrada em Harry Potter, a série mostra como o mundo pode ser vil e perigoso (e bom também) sem apelar para a vulgaridade.

A série se tornou um filme, estreado em Dezembro de 2004, com Jim Carrey (como conde Olaf), retratando os eventos dos três primeiros livros.

28 de janeiro de 2017

Escritalhada

Antes de mais nada, as introduções: Miguel Oliveira. Prazer meus caros leitores e Escritalhada (https://area-escritalhada.blogspot.com.br/) é o meu blog.

É muito difícil começar. Todos nós viemos de algum lado. Nascemos, crescemos, começamos de novo a viver em algumas etapas durante a vida.

Construir relações, terminá-las e começar novas.

Escolarmente falando, todos os anos iniciamos um novo ano cheio de desafios até vir a Universidade que complica tudo a cada semestre.

A própria vida não passa senão de um tiro no escuro, pois para ter sucesso em seja o que for, temos de começar em sair da zona de conforto e trabalhar os dias que forem precisos para que funcione. Podemos estar a falar na criação de uma empresa com as nossas próprias mãos.

Há sempre uma primeira vez para tudo. Falando nas relações afetivas, o primeiro beijo, o primeiro inocente e inexperiente namoro, lá para a frente a incerteza do casamento e o desafio do primeiro filho.

Quem fala em ter filhos, fala em escrever e publicar o primeiro livro, pois é um produto vindo de dentro da nossa pessoa.

A vida é feita de começos e todos os dias há algo diferente, esperando que algo se crie.
E assim acabei a primeira leva de “guests posts” neste blog! Foi um começo difícil…

Miguel Oliveira

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Essa postagem, como já mencionado no início, resulta da parceria à la Guest post com o digníssimo blogueiro portuga Miguel Oliveira do blog Escritalhada (daí a temática e nome do post), ao qual eu vos convoco a visitar por ter postagem de minha autoria com o nome deste finíssimo e ilustríssimo blog. Vai lá: https://area-escritalhada.blogspot.com.br/

23 de janeiro de 2017

Eu só queria um café



O mundo está tão cheio de livros mas grande parte deles não te estimula a sair da primeira página. Não nego que há muitos bons livros mas esses devem estar  bem escondidos atrás dos mais caros, com a melhor edição, capa mais pomposa. Os melhores não devem estar em e-book, circulando pela internet, para download em um blog. Não! Não querendo dizer que esses não sejam bons - não sei - mas eu busco algo... Diferente. Algo que não se faça com tanto esmero no século XXI. Um que não tenha vocabulário lugar-comum de best seller. Um que não tenha personagens mesquinhos mas que também não sejam perfeitos. Um que mostre não (só) os altos níveis intelectuais do autor; um que mostrasse uma brechinha da alma do mesmo. É pedir muito? Aquele livro que te prende, te vicia, te faz querer viver para ler as suas páginas antes de mais um gole de café - cadê? Aquele que marca a história, aquele que muda a sua vida. Aquele que te deixe triste quando acaba - não por o final em si ter sido ruim - mas pelo fato de ter chegado a última linha da última página e o encanto acabou. Que droga. E quando esse acaba, será que eu vou encontrar outro? Bem... Não sei se é a minha mente lunática, mas eu vou atrás de outro bom livro para ler como se fosse o último da minha vida. Mais um café, por favor.


Publicado originalmente em 15/08/2011.

20 de janeiro de 2017

Platônico



Platão morreu sem ter noção do significado que nas gerações posteriores seria atribuído ao seu nome. Eu acho que tal conceito alcançou uma dimensão mais avassaladora do que o filósofo poderia imaginar. O ideal, o perfeito, o belo... Você sabe como é isso na prática? Saiba que não é algo que com facilidade você ilustra com palavras. Pensa: você passou a infância sonhando com super-poderes e de repente você descobre que tem a habilidade de ser invisível e isso não é tão maravilhoso como parecia. De repente você descobre o ideal, o perfeito, o belo, mas não pode atingi-lo. Na sua condição de invisível, você pode somente observar com os olhos de um faminto que observa o banquete dos deuses... Você nunca vai alcançá-lo. Nunca. Jamais. Eis o fardo que você terá de carregar. E se você alcançá-lo - não, não tente alcança-lo, desista. Se você alcançá-lo ele não será mais ideal, perfeito, belo, e você descobrirá que o príncipe não é tão encantado como prometia. Ah, que droga.

Publicado originalmente em 2011.

16 de janeiro de 2017

100 tempo




Já não tenho mais a habilidade de fixar fisionomias e nomes... Na verdade eu nunca tive, mas hoje eu chego ao extremo de só lembrar o meu próprio nome; o resto eu confundo tudo... Alguém que eu nunca vi na minha vida me cumprimenta e sabe meu nome, me pergunta como vão as coisas... Quase não sei a diferença entre Um e Todo Mundo... Mas os aniversários eu lembro... Prazos, vencimentos, inícios e encerramentos - datas eu lembro... Enfim... Ops, me atrasei.

14 de janeiro de 2017

Tempestade e Ímpeto


Para uma grande amante de literatura como eu, esse movimento literário alemão do século XVIII - sturm und drang - é um delírio, em vários sentidos. Pois veja que a sua proposta é justamente algo impraticável: a abdicação da razão em prol dos sentimentos, ora sentimentos puros e ingênuos, ora sentimentos maiores e nobres, e não raro sentimentos mesquinhos e torpes. Tudo depende da ótica. Mas o que eu mais gosto é do romance - e por romance eu quero dizer história de amor - da época: caracterizado por um sofrimento e angústia extremos, geralmente fadadas à morte. O amor parece um erro, um pecado, um crime capital. Mas, de qualquer forma, essas visões romantizadas, puritanas e fantasistas são interessantes justamente quando entrechocadas com a realidade - a nossa realidade do século XXI e a realidade dos próprios autores, de quatro séculos atrás, posto que o mundo nunca foi tão assim bonitinho. Amor, ah, o amor. É interessante como fenômeno social, mas como questão rotineira e pessoal você se pergunta se realmente existe. Repare que nunca dá pra falar em sentimentos no aspecto social sem se relacionar com milhares de estigmas e dogmas e comportamentos socialmente esperados. Não seria, então, apenas um instinto humano de afeto, que pode se relacionar de milhares de formas - muito além do amor romântico? Eu não sei mais. Uma hora a gente fica descrente e até indiferente, apática. Não querendo mais saber dessas mentiras moralizantes que nos contaram por séculos. Dizem que amor é expressado nas famílias, mas o que eu mais vejo é famílias inteiras brigando selvagemente. E, por outro lado, o amor ao trabalho, ao conhecimento, à natureza e a qualquer outra coisa que não seres humanos me parece muito mais puro e tenro. Na verdade, eu não sei o que é o amor. Ninguém sabe. É interessante vê-lo trabalhado na concepção artística de movimentos literários, mas na essência ninguém capta, ninguém explica. Pois veja: afora as tempestades e os ímpetos, a nobreza de espírito, o egoísmo e os instintos humanos, o que é o amor?

11 de janeiro de 2017

Sobre o que atualizar?



Sem discurso de começo de ano, não vejo utilidade nisso. A questão é que me pediram para atualizar com mais frequência e eu disse que faria o possível, me disseram que qualquer coisa que eu escrevesse, qualquer coisa mesmo, ficaria bom, e eu acreditei, mas... Escrever qualquer coisa ao meu ver é o mesmo que colocar uma roda em cima de uma banqueta e afirmar que aquilo é arte e querer ser bem aceito.  Férias, férias, férias. São cáusticas, e eu não sei quando elas vão acabar. É horrível ter que ficar o dia inteiro tentando arranjar algo para fazer. Parece que nenhum livro é bom, as músicas enjoam, as pessoas enjoam. Quando a oficina fica estática por muito tempo ela começa ficar propensa ao mal... Dessa vez eu não arranjei nenhuma figura para encher linguiça em postagens breves como eu já fiz outras vezes, nem uma frase clichê, nada. Ausência completa de alternativas descartáveis. Só eu e a minha mente, num monólogo intermitente. Eu queria saber fazer poemas, mas eu sou muito desorganizada para construir versinhos. Eu queria ser ourives e fazer peixinhos de ouro. Eu queria é voar!... Voltando: Terminando, na verdade: Daqui uns dias eu vou achar essa publicação um estrume e vou apagar, como eu faço na maioria das vezes. Pronto, pronto; já escrevi qualquer coisa que você queria, agora tchau.
Sobreviva mais um ano  Tenha um bom ano.

Publicado originalmente em 2010.

5 de janeiro de 2017

Procras...

Procrastinação: ato ou efeito de adiar, de postergar. Preguiça. Moleza de espírito. É aquilo que você sente quando você não tem nada para fazer e ainda assim não quer ter algo para fazer, ou, pior ainda, quando você tem milhares de coisas a fazer e quer se ver livre de tudo, espontaneamente alérgico a rotinas e obrigações. Não que o que você faça e o ritmo que você leve sejam obrigatórios; você faz se você quiser, mas se você não fizer você se ferra. Nessas horas você se arrepende de não cursar mais a sétima série e ter rezado tanto para se formar... É um tédio passivo, um estoicismo vadio. Ojeriza. Indisposição, descrença egoísta, ócio destrutivo. Se você considera a morte não é que você seja depressivo mas sim que você tem preguiça de viver. Ah. E de que me adianta saber tudo isso? Não sei. Eu tenho muitas coisas a fazer, mas até de terminar esse texto eu tenho preguiça. (Que feio).


Publicado originalmente em 26/11/11.
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