9 de setembro de 2016

Escrevinhar



Tá muito frio aqui. Faz anos, aliás, que não vemos um inverno tão rigoroso - e deprimente, posto que além do frio chove constantemente. Minhas mãos doem. Não sei se é o movimento repetitivo cada vez mais constante ou se é o frio que deixa minhas mãos sensíveis. Realmente não sei. Não as descanso, porém; preciso de trabalho árduo, pois sinto como se a minha redação nunca fosse boa o suficiente. Nunca consigo me expressar com toda a clareza e precisão que gostaria; não encontro os termos que procuro intuitivamente, faço delongas desnecessárias, me perco nas minhas próprias palavras. Parece que eu não chego no ponto. Às vezes eu queria ser outra pessoa, ter um alter ego, só para poder fazer uma revisão crítica de mim mesma; poder enxergar as falhas e omissões que eu não vejo, e ver aquilo que poderia ser melhorado. Minha técnica é imperfeita. Faz frio, as pontas e as juntas dos meus dedos indicadores e médios doem, e eu por vezes me levanto e dou voltas pra ver se consigo encontrar a precisão terminológica, o ponto exato. Faz frio, e eu não me canso de escrevinhar.

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