29 de setembro de 2016

Monografia (Episódio VIII)



Queria descobrir como é cursar engenharia, arquitetura, ciências da computação, física ou matemática, ou qualquer dessas graduações em ciências exatas onde a incidência de homens é gigante. Porque sempre que eu vou à biblioteca da faculdade estudar - e nessa fase tem sido mais frequente - me deparo com dezenas desses graduandos aparentemente fazendo trabalhos em grupos, ou estudando, ou discutindo fórmulas estranhas em voz alta e frequentemente brigando feito piazinhos ranhentos. Justamente pela presença em peso do pessoal de exatas eu tenho que dividir uma mesa ou uma sala de estudos com mais um ou dois, e não raro três outros estudantes com os seus respectivos laptops, e os corredores das prateleiras de livros ficam tão circulados quanto pubs, mesmo no acervo de direito. Agora tem um garoto que pelo que eu noto estuda administração aqui na minha frente, provavelmente tão empenhado no trabalho de conclusão quanto eu. Semana passada tive ao meu lado uma estudante de arquitetura, e eu ri-me de como ela tinha pequenos desenhos de plantas de imóveis no seu trabalho, e ela estranhou-se de ver no meu tantos "julgados". Mas bem. Não poderia ser outro o tema dessa postagem; eu não consigo pensar em outra coisa, a não ser, com intervalos, no resultado do Exame de Ordem. Estou cansada, e acho que não conseguiria redigir sobre outra coisa que não a tese que pretendo defender e todo esse cansaço. E se agora me dão licença, meu orientador chegou.

9 de setembro de 2016

Escrevinhar



Tá muito frio aqui. Faz anos, aliás, que não vemos um inverno tão rigoroso - e deprimente, posto que além do frio chove constantemente. Minhas mãos doem. Não sei se é o movimento repetitivo cada vez mais constante ou se é o frio que deixa minhas mãos sensíveis. Realmente não sei. Não as descanso, porém; preciso de trabalho árduo, pois sinto como se a minha redação nunca fosse boa o suficiente. Nunca consigo me expressar com toda a clareza e precisão que gostaria; não encontro os termos que procuro intuitivamente, faço delongas desnecessárias, me perco nas minhas próprias palavras. Parece que eu não chego no ponto. Às vezes eu queria ser outra pessoa, ter um alter ego, só para poder fazer uma revisão crítica de mim mesma; poder enxergar as falhas e omissões que eu não vejo, e ver aquilo que poderia ser melhorado. Minha técnica é imperfeita. Faz frio, as pontas e as juntas dos meus dedos indicadores e médios doem, e eu por vezes me levanto e dou voltas pra ver se consigo encontrar a precisão terminológica, o ponto exato. Faz frio, e eu não me canso de escrevinhar.

7 de setembro de 2016

Monografia (Episódio VII)


Prometo que eu já estou quase acabando com essa série. Talvez só mais umas duas ou três doses de desabafos escrevinhados em forma de nota de rodapé e citações (é terrível você ter que fazer traduções e explicações em notas de rodapé, terrível, simplesmente TERRÍVEL), depois que eu terminar de reescrever uma centena de conceitos complexo em um vocabulário impessoal e objetivo, e depois que eu tirar capítulos e acrescentar outros novos, mas antes de eu começar a ensaiar a minha defesa oral e de começar a fazer a errata. Estou quase lá, prometo...

5 de setembro de 2016

ESTE BLOG TEM OITO ANOS!




Sim, senhoras e senhores!

Depois de sobreviver às mais insanas transições da internet;

Depois de passar por diversas fases da vida de uma autora anônima na internet;

Depois de sair do ar e voltar mil e uma vezes;

Depois de ter sido colocado a venda (e ter recebido sedutoras propostas de compra);

Depois de tudo isso, Antes-de-mais-nada completa seu oitavo ano de existência cibernética, graças ao auxílio de todos vocês!

Muito obrigada por tudo!

E, antes de mais nada, avante!

2 de setembro de 2016

Esperança



Só agora eu consegui visualizar a dimensão da dificuldade, e isso me fez estremecer. Eu admito que sou muito orgulhosa, e muito teimosa, e pode ser que eu não tenha feito uma boa escolha; pode ser que eu tenha assumido algo que exige demais de mim e de qualquer outra pessoa comum. Mas nunca é demais acreditar que eu consigo. Ainda que remotamente. Eu sacrifico muita coisa, abro mão de outras, me esforço, me disciplino, faço tudo o que estiver ao meu alcance e vou além. Desistir não é errado, mas assumir precipitadamente uma derrota é tolice. Sinceramente, eu não sei se eu consigo. Mas vou continuar dando o melhor de mim. É acertar ou errar: são essas as possibilidades. Teimosia, coragem, sorte, força, medo, tudo isso é necessário, mas o resultado eu só vejo depois. E que seja o melhor possível, independente do êxito.
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