30 de julho de 2016

Wall Street Boy



Eu não gosto de admitir fraquezas. Gosto de fingir indiferença, e simular sentimentalmente o frio do inverno gaúcho. Mas devo admitir que eu senti a sua falta. E muito. Você se despediu de mim e eu também; não disse uma palavra mais. Mas no fundo, lamentei. Com você foi poesia desde o primeiro instante; foi metafísica, dialética, religião e política internacional. Você sempre com mil e um negócios para resolver; sempre tão prático, tão disposto a aproveitar qualquer minuto pra ganhar dinheiro. E eu, tão perdida. Eu admirei a sua visão de mundo, independente, audaz, no ritmo acelerado de capital, ao mesmo tempo que conseguia ser complacente com os meus medos. E tudo isso associado àquela primeira visão que eu tive de você, de terno e gravata, fez minha mente divagar, imaginando você como um daqueles homens tão ocupados e tão apressados que figuram nos filmes americanos de Wall Street - nunca estive nos Estados Unidos mas você fez minha mente ir até lá, como eu já lhe contei certa vez. Até porque realmente me pareceu cinematográfico de tão irreal, em certos momentos. Tão inteligente, atraente - até o fato de você fumar me parecia intrigante, mas... Mas entre nós existe uma distância grande, e você, como sempre prático, entendeu por bem se despedir. E foi o fim. Incrível enquanto durou, mas acabou; sem dores, sem pranto, mas com o baque seco de uma história que acaba, como quando a gente acorda de um sonho bonito e não consegue se dar conta de que não era realidade. Segui minha vida, tentando ser tão prática, mas não consigo evitar momentos de digressão. Você está longe mas às vezes minha mente está com você. Ever since I was kissed by the sun.

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