12 de julho de 2016

Amnesia


O álcool em sua fórmula amplamente consumido deveria ser considerado uma substância mágica, dada os seus efeitos imediatos.

Ele nos dá coragem para começar ou terminar o que, de maneira sóbria, o nosso acanhamento, o nosso imprudente bom senso nos impediria sequer de começar.

E da mesma forma com que ele trás essa coragem toda, ele trás o esquecimento das situações infelizes.

O álcool trás o esquecimento automático do vexame que ele mesmo trás, ao mesmo tempo em que trás o esquecimento da lucidez que tortura.

O Esquecimento é o rio de passagem obrigatória para o Paraíso; o esquecimento dos supostos pecados é o requisito para a redenção. Mas como isso é mitologia cristã ordinária, aquele que esquece é condenado por ser alienado, ao mesmo tempo em que é gratificado com a ausência de tormentas mentais.

Mas como eu dizia antes, o álcool, sendo substância que eu colocaria no patamar de mágico, aqui dentro da nossa miséria humana, talvez seja o único subterfúgio lícito para manter a mente íntegra, ainda que por vezes rendida.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...