30 de julho de 2016

Wall Street Boy



Eu não gosto de admitir fraquezas. Gosto de fingir indiferença, e simular sentimentalmente o frio do inverno gaúcho. Mas devo admitir que eu senti a sua falta. E muito. Você se despediu de mim e eu também; não disse uma palavra mais. Mas no fundo, lamentei. Com você foi poesia desde o primeiro instante; foi metafísica, dialética, religião e política internacional. Você sempre com mil e um negócios para resolver; sempre tão prático, tão disposto a aproveitar qualquer minuto pra ganhar dinheiro. E eu, tão perdida. Eu admirei a sua visão de mundo, independente, audaz, no ritmo acelerado de capital, ao mesmo tempo que conseguia ser complacente com os meus medos. E tudo isso associado àquela primeira visão que eu tive de você, de terno e gravata, fez minha mente divagar, imaginando você como um daqueles homens tão ocupados e tão apressados que figuram nos filmes americanos de Wall Street - nunca estive nos Estados Unidos mas você fez minha mente ir até lá, como eu já lhe contei certa vez. Até porque realmente me pareceu cinematográfico de tão irreal, em certos momentos. Tão inteligente, atraente - até o fato de você fumar me parecia intrigante, mas... Mas entre nós existe uma distância grande, e você, como sempre prático, entendeu por bem se despedir. E foi o fim. Incrível enquanto durou, mas acabou; sem dores, sem pranto, mas com o baque seco de uma história que acaba, como quando a gente acorda de um sonho bonito e não consegue se dar conta de que não era realidade. Segui minha vida, tentando ser tão prática, mas não consigo evitar momentos de digressão. Você está longe mas às vezes minha mente está com você. Ever since I was kissed by the sun.

26 de julho de 2016

Força




Eu gosto desse esforço enervante. Principalmente quando eu observo que todos os demais se conformam com o fracasso ou esperam receber tudo mastigado, tudo pronto, tudo entregue dentro de um envelope com instruções. Além de ver como tem muita gente que estagna, que para no tempo - e que perde tempo. Ah, mas não eu. Vida, prepare seu peso que eu vou lhe empurrar com todos os meus músculos.

23 de julho de 2016

Véspera



Eu sei que eu não estaria aqui se eu não estivesse preparada; não teria chegado até aqui. Mas é inevitável o frio na barriga. Medo, ansiedade, expectativa, esperança: eu já sopesei todos os sentimentos. E, da mesma forma que eu já passei por situações semelhantes, eu já ensaiei todos os passos, decorando tudo o que tenho que fazer, como num ritual. Amanhã é o meu dia.

22 de julho de 2016

TPM



Data marcada pra ter uma vontade quase incontrolável de esfaquear os inimigos.

Além de pensar NELE:




21 de julho de 2016

Orgulho


Não vou olhar para trás, mesmo que eu morra de vontade.

Não vou ligar, mesmo que eu morra de saudade. Não vou, jamais, dar o braço a torcer, mesmo que eu admita a fraqueza.

Não vou me permitir nem sequer pensar, por mais que...

... por mais que eu tome todas as medidas admissíveis para afastar você da minha mente sejam, por fim, ineficazes.

Apaguei tudo que me ligava a você como se isso pudesse apagar o tempo.

E vou me dedicar a mim, como se eu não fosse fazer tudo de novo. Como se eu tivesse aprendido com minhas falhas.

E vou sair e procurar outro (fácil de encontrar, por sinal), sabendo, inconscientemente, que no fundo eu estou procurando você de novo.

Por mais que eu jamais admita.

19 de julho de 2016

Sorte



Go hard or go home.

Meu medo não é de fracassar, pois eu confio que meus esforços foram e têm sido progressivos; o medo é perder para esse fator adverso incontrolável. Não quero contar com a sorte, nem positivamente, a não ser que ela venha apenas incrementar o que eu já construí. Só quero ir para a etapa a seguir se for por mérito, pela minha longa e obstinada dedicação.

Não quero nada de graça.

18 de julho de 2016

Outra postagem sem título



Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
(Edgar Allan Poe)

Já fazem cinco dias que eu não carrego meu celular e a bateria ainda está em 60%. Já quase esqueci como se fazem ligações; também não me lembro muito bem das senhas dos meus e-mails e de todas as parafernálias que o mundo digital exige. Tenho me dedicado muito. Tenho medo, e isso tira meu sono. E quando eu durmo eu sonho com as histórias dos livros que leio para me distrair, para esquecer a irrealidade da vida; sonho com pessoas que não existem, quiçá para esquecer a mediocridade das pessoas que existem. Sonho com sonhos que não são meus, mas que são mais realistas e tangíveis do que esse medo que me amortece. Pretendo, sim, voltar a atuar dentro dos parâmetros humanos de sociabilidade, mas por hora preciso, primeiramente, parar de divagar por sonhos lúcidos, onde não há nada a constar.

16 de julho de 2016

POSTAGEM NÚMERO 200!

KEEP CALM ESSE É O POST N. 200!

Muito obrigada a todos e a todas que acompanham meu blog!

Depois de oito anos de blog (sim, esse blog é dos tempos medievais da internet), 33.555 visitas, 500 comentários, ter 313 seguidores, depois de abandonar e voltar várias vezes para esse espaço virtual, depois de apagar centenas de milhares de postagens antigas por impulso, por me arrepender e achar que a internet não merecia aquilo (que poderia ter sido bom), finalmente eu me disciplinei e cheguei à minha ducentésima postagem - com muito fôlego!

E para comemorar, seguindo o estilo da minha centésima postagem, eu vou revelar 20 fatos sobre mim (porque 200 é muito), em postagem futura.

Novamente agradeço a todos os meus amigos da blogsfera que têm me acompanhado e lá vamos nós rumo a 1.000!

15 de julho de 2016

Cansada




Queria poder me deitar um pouco, encostar a cabeça no travesseiro e relaxar. Ler ou assistir qualquer coisa boa o suficiente para me tirar virtualmente daqui. Queria ao menos poder aliviar dos meus músculos essa sensação de fraqueza, de que me faltam as forças... Mas eu tenho tanto a fazer, tanto, mas tanto, que a mera perspectiva de parar por um instante parece um crime. E eu só queria um café.

14 de julho de 2016

Tempo


Eu contabilizo o tempo pelos meus devaneios. Uma lufada de ar me trás tantas lembranças... Como há uma ano atrás, quando o clima estava exatamente como hoje: esse clima, esse tempo idêntico me faz lembrar do ano passado, de como eu me sentia, mas também do ano anterior, e de outras épocas, sendo um vendaval de sensações e lembranças na mesma brisa. Queria conseguir ser mais sincera com o que eu sinto, em vez de atropelar tudo, fingir que sentimentos tão tenros não estão ali. Queria poder apreciar cada exígua sensação com o maior deleite. Queria pode dissolver essa divisão do tempo que separa as minhas lembranças e sensações. Mas eu não posso. Não posso apagar todos os ponteiros de relógios, todos os calendários, todos os cronômetros e demais parafernálias que aprisionam a vida no desconhecimento da liberdade. Da mesma maneira que não posso sair e apreciar o tímido calor do sol no meio do inverno, tendo que me limitar a olhar de dentro de uma clausura fria e úmida. Tão sinestésico que não faz sentido, e você sente isso tudo numa fração de segundos. Bem. Acabou. Até amanhã.

13 de julho de 2016

Monografia (Episódio V)

E eu não acredito que a essa altura do campeonato os professores inventam centenas de tarefas ridículas - trabalhos manuscritos, seminários, milhares de capítulos esparsos de livros para ler, pesquisas bibliográficas sem sentido, resolução de questões sem pé nem cabeça, looongas questões discursivas, petições e peças manuscritas, et cetera et cetera et cetera. E eu, por outro lado, tenho lido tanto, mas tanto sobre um único assunto - tudo o que concerne à minha tese - que fica difícil falar sobre outra coisa. Acho que na minha família e no meu círculo de amigos não tem uma pessoa que não saiba de cor e salteado os meus argumentos, e cada bofe que eu conheço só me conquista se conseguir ouvir pacientemente a minha ideia central (eu devo estar ficando uma pessoa muito chata). É difícil convencer a professora revisora de que nem tudo o que está na minha tese precisa ter uma referência, porque, PASME, alguns conceitos eu mesma me atrevi a criar, por mais que eu ainda não esteja no doutorado, eu já me atrevo a inovar. A minha vida tem se passado na universidade nos últimos dias; se eu não estou numa sala de estudos estudando eu estou na biblioteca analisando todos os livros possíveis, ou então atrás de algum professor para elucidar supervenientes dúvidas. E, a despeito da minha revolta com a normatização e metodologia, eu gosto de escrever, gosto de ler, gosto de discutir - ainda que por hora seja apenas comigo mesma. Meus amigos não veem a hora de se despedir dos bancos universitários, mas eu sei que eu tenho ainda um longo caminho pela frente. Ás vezes eu me canso, desanimo, mas aí eu recobro a consciência e retomo o trabalho. Tenho que terminar minha tese.

12 de julho de 2016

Amnesia


O álcool em sua fórmula amplamente consumido deveria ser considerado uma substância mágica, dada os seus efeitos imediatos.

Ele nos dá coragem para começar ou terminar o que, de maneira sóbria, o nosso acanhamento, o nosso imprudente bom senso nos impediria sequer de começar.

E da mesma forma com que ele trás essa coragem toda, ele trás o esquecimento das situações infelizes.

O álcool trás o esquecimento automático do vexame que ele mesmo trás, ao mesmo tempo em que trás o esquecimento da lucidez que tortura.

O Esquecimento é o rio de passagem obrigatória para o Paraíso; o esquecimento dos supostos pecados é o requisito para a redenção. Mas como isso é mitologia cristã ordinária, aquele que esquece é condenado por ser alienado, ao mesmo tempo em que é gratificado com a ausência de tormentas mentais.

Mas como eu dizia antes, o álcool, sendo substância que eu colocaria no patamar de mágico, aqui dentro da nossa miséria humana, talvez seja o único subterfúgio lícito para manter a mente íntegra, ainda que por vezes rendida.

11 de julho de 2016

Concentração



Tem sido difícil manter a mente em um lugar só. Parece que meus pensamentos estão sempre dispostos a viajar, e se dispersam para muito longe de onde eles deveriam estar. Talvez seja justamente um subterfúgio mental para o excesso de enfoque em uma ou algumas atividades só. Talvez seja a necessidade - infelizmente inviável, nesta altura - de descansar, relaxar. É nesses momentos em que surgem boas ideias, reconheço, mas esse desvio constante é estarrecedor. Reconheço que eu estou cansada, mas a última coisa que me é permitida é parar agora.

8 de julho de 2016

Good-bye



A gente sempre escreve longas lamúrias sobre como tudo terminou. Longos dramas tendentes (e tendenciosos) a marcar nossas vidas para a sua breve eternidade. Mas não nos dispomos a relembrar como tudo começou. A ansiedade, o interesse oculto, o arrepio, o frio na barriga, os calafrios, os sonhos com aquele cara incrível que parece que não repara em mim. Não relatamos, pois, como foi descobrir a maneira que ele era diferente do que eu imaginava (para bem ou para mal), e como foi o deleite do nosso breve, ou longo, affair. Difícil admitir que, encarando o passado, e aceitando que ele está bem sepultado e impossível o seu retorno, no fundo, nós queremos viver tudo de novo - ainda que a experiência nos tenha desgastado. Não... Mais fácil se lamuriar, se entregar à decrepitude da tristeza, do que se levantar e viver. E é interessante que o que se lamenta é justamente o fato de ter acabado, em vez de nos utilizarmos da experiência para insuflar coragem nos nossos pulmões. Bem. Diga adeus às lamúrias, enterre-as com o que acabou, e dê as costas para o passado, engrenando uma busca para nunca mais regressar.

6 de julho de 2016

Paixão





Em vez de ameaçar e amaldiçoar o Cúpido, a gente deveria desejar que ele atirasse em nós com mais frequência, escolhendo melhor os alvos do nosso afeto. Deveríamos desejar, na verdade, que esse filho do Amor e da Guerra, amante notável da Alma, esperasse momento oportuno para interferir nas nossas vidas com as suas setas letais, em vez de nos desamparar com a sua inércia, deixando a nós, mortais, sozinhos com a frieza das almas. Sem o calor que nos move ao afeto e à procriação, deveríamos nós mostrar os punhos para a nuvem onde se esconde esse maldito e etéreo semideus, demandando que ele atire, para trazer a loucura da paixão ou para tirar a vida. Mas ele continua sobrevoando nossas fragilidades alheio aos nossos mais tenros desejos, nos importunando, risonhamente, no máximo com um afeto que nos é impossível de corresponder. E o que resta é, não irresignar-se, revoltar-se, e sim desejar que você seja o alvo da próxima flecha incendiária, mergulhando num fogo delirante para perder completamente a razão.

5 de julho de 2016

Contagem regressiva



Não tenho muito a dizer dessa vez. Está quase chegando a minha vez na batalha, e eu creio que eu deva me abster desse recanto virtual, ao menos temporariamente. Mas não se preocupe: vou me retirar apenas para aquecer, porque eu me creio plenamente apta. Estamos quase lá, todos nós. É apenas uma questão de dias...

4 de julho de 2016

Pressão



Numa disciplina quase militar eu tenho mantido tudo no mais adstrito controle. Ainda que se trate de uma disciplina espartana, agressiva e rude. Veja que eu estou sempre calma, sorrindo, brincando e com uma expressão serena - e eu acredito que isso resulte também da minha absurda disciplina, de não permitir que as coisas explodam, somente implodam. Por fora eu sou amigável e confiante, e por dentro eu luto a cada segundo do dia. E esta tudo bem, eu lido com isso com parcimônia. Pretendo manter essa pressão interna, ainda que por vezes ela chegue a níveis quase intoleráveis; a pressão me equilibra. Pois a pior pressão não é aquela que vem de fora, do mundo, da sociedade; não, é a pressão interna que, por uma soma de fatores variáveis - dentre as quais, obviamente, a pressão externa é a mais influente - que é capaz de fazer você explodir se não souber lidar. E agora eu sei.

2 de julho de 2016

Misantropia





























Sonho que eu tenho 
por noites seguidas
do mundo acabando 
num belo dia.

Sem choro nem despedida,
mesmo porque ninguém se conhecia.

Chame de misantropia 
ou como quiser
mas você não me engana.

Não perde quem desconfia.


Culpa da nossa 
- tão odiosa -
 natureza humana
(Matanza - Odiosa Natureza Humana)

Estou cada vez mais cansada de tudo isso, sociedade.

Sempre tem alguém pronto pra me desferir centenas de acusações impensadas. É, veja que as pessoas se atém a ideologias que nem elas mesmas tentam compreender. Qualquer coisa que pareça complicado demais já soa como diferente e tem que ser imediatamente retaliado, na cabeça da maioria.

Sinto como se vivêssemos em um mundo onde ninguém pondera, ninguém explora a própria capacidade cerebral de raciocinar (e sobretudo de racionalizar); um mundo onde todo mundo é um impulsivo juiz inquisidor.

E não bastasse isso, também sempre tem alguém precisando de um favor seu. Precisando que você faça o serviço mais pesado, que você solucione questões complexas e entregue a resolução de mão beijada. Gente que vem te encher o saco mas que não se dispõe a retribuir ou sequer a agradecer.

Não entendo como se considera que a humanidade está no topo da cadeia evolutiva se, depois de 4,5 bilhões de anos de evolução, as pessoas ainda tem um comportamento tão primitivo.

Chego à conclusão de que a evolução é só mais uma mentira que os próprios humanos inventaram para reconfortar a si mesmos, para acreditar que está tudo bem e que detém o controle. Quando clamar aos céus finalmente se mostrou inútil, esse foi o subterfúgio, o drible maquiado de conhecimento para despistar a nossa própria miséria humana.

Mas é o que tem pra hoje. Desde que me conheço por humana eu prefiro mais a solidão do que a decepção da companhia de alguém. Eu tenho cansado de procurar, cansado de buscar me surpreender, cansada de tudo. Eu gosto de viver porque eu gosto de acreditar, de buscar desafios, conhecimentos; gosto de sentir o vento e a natureza nas batidas do meu próprio coração. Mas essa de ter esperança na humanidade, ah, essa eu já venho descartando faz um tempo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...