16 de junho de 2016

Medo


Por mais que eu siga em frente, dê o melhor de mim, eu tenho que admitir esse sentimento. Devo admitir que o temor de falhar, de perder tudo, de não conseguir, é grande. E isso me bloqueia, às vezes. Tira meu sono. Tudo é possível e eu não posso combater as possibilidades adversas. Vou fazer tudo o que me couber, sim, e com esmero, na tênue esperança de que seja o suficiente. Eu me empenho cada segundo do dia, e tento não pensar nisso. Eu já falhei algumas vezes, e eu prefiro pensar que ao menos eu tentei, que é válida a tentativa, o mero dissabor da luta, que a experiência em si também engrandece. É difícil lidar com isso... Ao menos eu sei que não sou a única, por mais que eu esteja sozinha nessa empreitada - somos um exercito, uma legião onde é cada um por si. Até porque, se nós pararmos para pensar, o nosso pior inimigo não é aquele que está ao seu lado pelo simples fato de ser adversário na mesma conquista; ele se torna inimigo quando ele tenta implantar em você o medo, tenta te fazer crer que você é incapaz e ele não. É por isso que por vezes é bom tornar-se momentaneamente surda aos urros do mundo. Medo é bom para frear a adrenalina. Como uma pequena dose de whisky é suficiente para incitar nossa coragem, uma pequena dose de medo é suficiente para contar nossa adrenalina. Mas uma dose pequena, ressalto; não se deixe embriagar pelo medo, não deixe-o dominar; apenas lide com ele.

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