30 de junho de 2016

Teoria do Foda-se


Chega a hora de dizer já chega.

Não mais fazer ou deixar de fazer as coisas pelo que os outros dizem, de omitir a si mesma em razão da opinião alheia.

Hora de dizer foda-se para as pequenas pecuinhas da vida.

Não me importa o que os outros fazem, o que os outros dizem, o que os outros querem.

A opinião comum é tão mesquinha e fundada em babaquices que jamais deve merecer crédito.

O que importa - e o que é prioridade - é o que eu quero, e os meus objetivos.

E foda-se o resto.

29 de junho de 2016

Game over



Pra todo fim do jogo existe a possibilidade de se iniciar de novo. Existe a possibilidade de recomeçar com a cautela de não cometer os mesmos erros, e de, com maior argúcia, se desviar melhor dos obstáculos. A perda, a baixa, a recaída, é só um estímulo para jogar - ou para seguir em frente. Não, não é uma falha que me para. Quando se joga pela primeira vez se tem surpresa, fascínio, mas grande vulnerabilidade. Na segunda, e nas próximas, talvez o encanto se dissipe, mas a experiência te compele a desafiar o próprio sistema. Até porque o fim de uma fase ou de todo um enredo, não significa, necessariamente, perda. Mas pode significar, pelo contrário, e é provável, que você está apta a prosseguir, e possivelmente esteja bem mais hábil que antes.

28 de junho de 2016

OCUPADA



Lamento muito, não posso agora. Com licença, preciso ir, tenho compromisso - compromissos demais, compromissos sobre compromissos, de modo que eu tenho que filtrar uns em prol dos outros, como se fosse possível priorizar qualquer coisa nesse mundo em que tudo ferve. Mas, bem, agora é sério: Preciso ir. Me liga mais tarde... 

26 de junho de 2016

Solidão




Me sinto só, 
Mas quem é que nunca se sentiu assim
Procurando um caminho pra seguir, 
Uma direção?

Não, não estou reclamando. Estar só nem sempre, como sugere o termo solidão, indica tristeza, dependência ou insucesso social ou afetivo. É uma necessidade. Um bem que você faz a si mesma e aos outros: abster-se. Deixar acontecer. Marcar presença pela ausência e pelo silêncio. Solidão é autoconhecimento, é liberdade, é amor-próprio. Não quero dizer que devemos ser absolutamente solitários e autossuficientes; não. Mas acho que ao menos uma vez na vida temos que nos permitir estar completamente a sós com a essência do nosso ego. Sozinha você pode refletir, pode se encontrar, pode se perdoar e se permitir outra tentativa, uma busca mais além. Sozinha você encontra paz.

24 de junho de 2016

Postagem inominada



Subitamente, acabam-se as palavras e você se força a dizer alguma coisa, qualquer coisa. Mas não sabe o que dizer. Tem medo; tem milhões de coisas a fazer e na ânsia de começar a fazer, se perde. É uma época complicada, essa em que a gente já consegue visualizar o futuro - ainda que seja uma visão completamente obscura e turva. Tão cruel sermos reféns de nossas escolhas, que nem sempre são inteiramente nossas... 

22 de junho de 2016

Desistir





Precisamos entender que desistir nem sempre é um ato de fraqueza ou covardia. Pode ser apenas mais uma escolha, uma hipótese a se considerar. Admitir que o caminho que se toma talvez não seja o mais apropriado para as suas habilidades; talvez não seja aquilo que realmente lhe faça feliz. Considerar que insistir em algo que não lhe completa pode ser algo ainda pior...
As pessoas podem se horrorizar, podem criticar, mas existem coisas que você tem que fazer para você mesma, por si mesma. Fazer ou deixar de fazer, conquanto não permita que outrem faça as escolhas por você. Permaneça ou saia; mude ou seja o mesmo; desafie-se ou permita-se tolerar; só não permita que alguém tome as rédeas de sua vida. Pois desistir do que lhe foi imposto pode ser a melhor escolha que você já fez.

20 de junho de 2016

Sonhos



I want to say I'll live each day
Until I die.
And know that I had something
In somebody's life.

The hearts that I have touched
Will be the proof that I leave
That I made a difference
And this world will see:
I was here
(Beyonce - I was here)

Indagando-me mentalmente sobre o porquê de as nossas maiores vontades, as nossas metas de vida serem denominadas "sonhos" eu chego à conclusão de que, quando nós realmente queremos algo, com todas as nossas forças e afincos, nosso cérebro produz uma atividade mental semelhante àquela da atividade onírica, não raro ambas se confundindo. Pois veja que nesse mundo, todo mundo é obrigado a sonhar, a propor à si e à sociedade uma ambição. Causa horror e indignação se, quando lhe perguntam suas metas, se responde que não existem, que se está bem na situação atual e que não há perspectiva de mudança. Vivemos, então, nessa perspectiva - e obrigação - de mudança. E não há que se censurar: nada mais humano do que se deslocar para se encontrar. Mas existe um ponto em que nós, num futuro longínquo ou em breve, buscaremos descanso. Então, porque devemos "sonhar" para nós mesmos? Porque não sonhar para os outros - com os outros? É legal almejar uma carreira, um cargo bem remunerado, mas porque não sonhar com um mundo que respeite mais o meio ambiente, com uma sociedade mais justa, menos corrupta? Já que somos obrigados a buscar o progresso (que é um conceito extremamente relativo), porque não almejar chegar aos 90, 100 anos podendo olhar para a sua vida e dizer: eu dei o melhor de mim para esse mundo que em breve eu deixo? Pode parecer uma posição ingênua, a minha; pode parecer que eu incorporei o Cândido de Voltaire, mas eu me proponho a fazer isso, daqui pra frente, e a convencer outros a assim ser também, e combater veementemente qualquer colocação contrária. Quem vem comigo?

18 de junho de 2016

Brainstorm



Sinceramente, tudo o que é excêntrico, diferente, divergente, ou até mesmo incorreto, de certa forma, me atrai. Nem que sejam coisas pequenas, como pequenas coisas no cotidiano. Pois eu acredito que o nosso cérebro, órgão central tão incrivelmente hábil, precisa, justamente, não do que é igual e em todos efeitos corretos, mas sim do estímulos do que diverge da regra. Nossa maior característica como humanos é a nossa habilidade de contestar. Arguir, acusar, replicar, defender - todo esse jurismo cotidiano pode ser aplicado ali dentro, se nos depararmos com alguma pequena diferença, um detalhe até então despercebido mas que pode agregar muita informação se esmiuçado. Nossa mente é naturalmente estimulada, pelas informações que recebem, assim como nossa pele é naturalmente tratada pelo espontâneo acesso à luz; mas eu acredito que temos que ir além do que vem prontamente. Sem a busca de estímulos o cérebro definha, a mente atrofia. Nossa cabeça tem que ser dinâmica e incandescente, como bem sugere o título dessa postagem: uma tempestade mental.

17 de junho de 2016

Monografia (Episódio IV)


Depois de superado aquela frustração inicial com metodologia e prazos, eu vejo que não tenho nada de que me queixar. Afinal, estou fazendo uma das coisas que mais aprecio na vida e que fiz durante toda a graduação - escrever - e, muito além disso, estou a escrever sobre um tema que eu escolhi e que eu amo - defendendo a minha ideia como se eu estivesse prestes a entrar num ringue e cair na porrada por ela. Sem querer eu acredito que esteja inovando demais para uma simples monografia; mas se no meu primeiro trabalho monográfico eu estou assim ah então eu me sinto encendiar só com a ideia de escrever novamente com tanta paixão ou até mais na segunda graduação, no mestrado e no doutorado, e além. Eu me queixei muito a respeito da forma e da submissão à toda a academicidade, sim; mas agora vou me redimir. Tudo na vida tem as suas formalidades e burocracias; se não fosse uma mínima regulamentação jamais existiria ordem. Eu estou feliz com isso; cumpro a minha missão sem maiores estresses agora. Afinal, eu estou apenas encerrando o primeiro passo de uma longa caminhada...

16 de junho de 2016

Medo


Por mais que eu siga em frente, dê o melhor de mim, eu tenho que admitir esse sentimento. Devo admitir que o temor de falhar, de perder tudo, de não conseguir, é grande. E isso me bloqueia, às vezes. Tira meu sono. Tudo é possível e eu não posso combater as possibilidades adversas. Vou fazer tudo o que me couber, sim, e com esmero, na tênue esperança de que seja o suficiente. Eu me empenho cada segundo do dia, e tento não pensar nisso. Eu já falhei algumas vezes, e eu prefiro pensar que ao menos eu tentei, que é válida a tentativa, o mero dissabor da luta, que a experiência em si também engrandece. É difícil lidar com isso... Ao menos eu sei que não sou a única, por mais que eu esteja sozinha nessa empreitada - somos um exercito, uma legião onde é cada um por si. Até porque, se nós pararmos para pensar, o nosso pior inimigo não é aquele que está ao seu lado pelo simples fato de ser adversário na mesma conquista; ele se torna inimigo quando ele tenta implantar em você o medo, tenta te fazer crer que você é incapaz e ele não. É por isso que por vezes é bom tornar-se momentaneamente surda aos urros do mundo. Medo é bom para frear a adrenalina. Como uma pequena dose de whisky é suficiente para incitar nossa coragem, uma pequena dose de medo é suficiente para contar nossa adrenalina. Mas uma dose pequena, ressalto; não se deixe embriagar pelo medo, não deixe-o dominar; apenas lide com ele.

15 de junho de 2016

Tédio




Não consigo encontrar nada que me agrade. Tudo o que eu faço, por mais que já tenha encontrado, algum dia, alguma satisfação nessa atividade, me frustra; parece que agora eu não encontro satisfação em nada, e quanto mais eu procuro, mais eu me aborreço. A rotina, por mais diversificada que seja, tem se tornado insuportável. As coisas não exigem raciocínio mais; tudo são atividades repetitivas, mecânicas, que não nos trazem estímulos. Meus amigos também andam com aquela cara de comida que passou do tempo de cozimento: dissolvidos pelo excesso, crus pela falta. Meus livros não me convidam mais a lê-los, as músicas não me convencem de que merecem ser ouvidas: é tudo igual. E mesmo se eu apelar a qualquer extremo - sair badalar a noite toda, beber, ou mesmo simplesmente ir viajar - ainda assim vou sentir o quão ridícula é a sensação e quão vazio é o objetivo de eu estar ali. Ah, mundo. Me convença de que você merece a minha existência.

14 de junho de 2016

Nunca mais


Eu sei que sempre dizem para jamais dizer algo tão extremo quanto "nunca", mas vocês hão de convir comigo que tem atitudes tão prejudiciais à nossa existência, costumes tão conturbados, apegos tão maléficos, hábitos ruins que a gente tem que se dar ao trabalho de jogar no precipício.

E essa é a minha vez.

Nunca mais deixar de fazer coisas importantes para agradar alguém.

Nunca mais fingir que tenho opinião diversa só para agradar alguém. 

Jamais ceder a chantagens emocionais.

Nunca mais postergar.

Nunca mais se deixar ficar na zona de conforto.

Jamais - never-ever - se dedicar a alguém a ponto de sacrificar a sua própria autonomia.

Nunca mais fazer ou deixar de fazer algo em virtude de opiniões alheias (fuck you!).

E, de agora em diante: sempre - always and forever - pensar duas vezes antes de falar, ponderar sobre tudo sem, contudo, perder tempo ruminando demais as possibilidades; sempre questionar se o que tem a ser feito é realmente necessário, se é útil; sempre manter a disciplina e organização, e sobretudo, nunca, jamais, perder o foco.

Stay focused and keep going.

12 de junho de 2016

A droga do amor



Existem coisas, na sociedade, que eu não sei se são mentiras reiteradamente contadas para fazer com que um instinto de sobrevivência pareça bonitinho ou então são verdades tão maquiadas que mal e mal conseguimos ver a sua verdadeira essência.

E ao meu ver a maior incógnita da sociedade é esse tão aclamado amor.


Pois eu nunca encontrei quem se dispusesse a amar, amar no sentido cristão-romantista que eu lia em Goethe e Castelo Branco. Ninguém se dispõe a dar um pouco de si (mas exige que o outro se entregue completamente); o amor se resume a sexo e contas a pagar.

Pois tente suprimir, mesmo que apenas inicialmente, o sexo para ver quanto tempo o amor dura.

Eu queria descobrir o que é o amor, juro que queria. Queria chegar ao êxtase afetivo e vir aqui um dia escrever ao mundo virtual o quanto essa postagem está equivocada.

Eu sou humana e me permito essa esperança.

Mas eu devo admitir que, no fundo, eu não me importe tanto. Ao menos não por hora.

Paixão é um sentimento infrutífero (que, ao menos na minha experiência, nunca passou de paixão meramente) e que só trás aborrecimentos. Talvez a única e conclamada exceção à regra do desamor seja o sentimento impretérito que os nossos pais (ou muito dos nossos genitores) cultivam por nós. Afora isso, meus caros conterrâneos humanos, só existem ilusões à la Romeu e Julieta que só fazem nos entediar.

E honestamente, como eu disse anteriormente, eu sonho com o dia em que eu vou lembrar desse dia tão frio, vou reler essa postagem e me aperceber enganada, quiçá por ter conhecido o outro lado. Me permito essa esperança porque agora eu não vejo nenhuma perspectiva.

10 de junho de 2016

Dia 10


Da mesma forma que muitas pessoas se desgostam ao saber que a segunda-feira está chegando, assim é o meu receio perante o dia 10. Até porque esse dia é uma grande segunda-feira; é a lembrança de que a fase adulta finalmente chegou, e que a independência não é lá tão maravilhosa quanto você sonhou um dia. O seu dinheiro vai embora no mesmo dia em que ele chega, como uma notícia boa que carrega todas as suas partes negativas. Ah, o dia 10... Juros, prazos, correções, vencimentos... Talvez seja um final de semana no mês que vem, daí eu pelo menos não vou me desesperar tanto - não vou deixar de me organizar com as minhas responsabilidades mas pelo menos não vou sentir o baque. Que desespero é a noite anterior, a noite do dia 9, em que a gente mal consegue dormir, com tantas preocupações na cabeça... E que alívio que é chegar ao fim do dia (10), conseguindo se vangloriar de ter feito tudo o que tinha concentrado para o mês naquele dia; ah!, que sensação de missão cumprida!, por mais que sejam coisas rotineiras e burocráticas que ninguém sequer aprecia; depois de enfrentar um dia desses cheio de protocolos, ah, sim, eu me sinto uma heroína.

8 de junho de 2016

RAIVA



Vontade de gritar, de esmurrar e dar um chute.

Percebi que deu drasticamente errado o meu plano; eu percebi que eu fui usada e desmoralizada.

Percebi que todo o meu trabalho foi por água a baixo sem culpa minha e isso é irreversível agora.

Eu tive que aguentar de cabeça baixa - para quê? Para terminar sem nada?

Respiro fundo como manda a boa conduta, mas parece que a cada suspiro a raiva infla cada vez mais.

Queria abrir aquela porta, levantá-los pelo colarinho e por pra fora todos os podres do falso moralismo, da hipocrisia, da bajulação - mas não farei isso, obviamente. Ao menos a errada da história não foi eu.

Engulo seco e sigo meu caminho, sem olhar na cara de ninguém. Eu tentei e dessa vez, tragicamente, eu falhei. Mas tudo bem; ao menos eu aprendi em quem não confiar.

7 de junho de 2016

Eu só queria uma música


Queria encontrar um timbre, um acorde ou ao menos alguma expressão que definisse a minha vontade de ouvir.

Queria uma música que me tirasse daqui. Uma que me fizesse esquecer os tormentos e me lembrar das coisas boas. Uma música que exprimisse exatamente o que eu sinto...

Queria uma melodia que me envolvesse.

E eu estou cansada de canções sem vida, com rima esdrúxula, sem emoção, sem criatividade, sem um convite efetivo para navegar nas ondas acústicas.

Mas as minhas opções são cada vez mais escassas. Difícil encontrar aquela sensação de estupefação, de êxtase, aquela vontade de querer conhecer o compositor. 

Eu só queria uma música que me deixasse feliz.

6 de junho de 2016

Ideias revolucionárias


Quando você tem treze anos você acha que vai mudar o mundo. 

Você acha que é diferente, que ninguém te entende - típico sentimento adolescente. Mas não tarda pra você descobrir que o que é mais comum no mundo é ser diferente e incompreendido - ser diferente é justamente a normalidade, ao ponto de que você precisa compreender, primeiro, como é ser comum para depois querer ser diferente. 

Você queria ser um gênio, mas seu cérebro não é super dotado.

Queria ser artista, mas seus desenhos não tem boa estética nem sequer um padrão inovador.

Quer ser mais inteligente, e se mata de estudar, justamente para chegar no mesmo lugar em que todos chegam.

Talvez com disciplina, assiduidade e esmero você chegue mais longe do que a maioria das pessoas da sua idade e posição social - o que, aliás, é bem provável; você é capaz e sabe disso. Mas riqueza e status social não é tudo o que eu quero...

O ingênuo anseio de mudar o mundo aos poucos se revela um esforço descomunal, maior do que você.

3 de junho de 2016

Fim


Já passou da hora de aceitar que acabou e não tem volta, e provavelmente não há esperança de volta.

Chega de fingir que eu me importo, remoer sentimentos que eu não tenho, ostentar uma delicadeza que não é realmente minha.

Chega de lamentar superficialmente o que não era para ser.

Talvez tenha sido incrível mas você não existe mais.

Move on.

2 de junho de 2016

Ambidestria



Preciso ressaltar, antes de começar, antes-de-mais-nada, que eu não sou ambidestra por predisposição natural. Não sei nem se o fato de eu ser destra tem algo a ver com genética; acho que simplesmente quando eu estava sendo alfabetizada, lá num passado remoto da minha vida em que eu me lembro poucas coisas, alguma tia da creche ou a mama fazia com que eu pegasse nos lápis com a mão direita - e aí eu me tornei destra. 

Com pessoas canhotas que eu conheço a história é diferente; em algum momento o canhoto sente que tem melhor precisão com a mão esquerda, e aí, enfrentando a sociedade destra opressora, o canhoto se assume como tal e passa a escrever com a mão esquerda, muitas vezes escrevendo escondido. Pode parecer um exagero, mas tem um fundo de verdade: A maioria das coisas estão predispostas de forma que privilegie o uso da mão direita (o papel higiênico fica do lado direito da privada; o freio de mão e a marcha ficam ao lado direito do volante; a maioria das carteiras na universidade são de destro, e por aí vai), tanto é que em concursos públicos algumas instituições tem a opção "faço uso de assento para canhotos" - como se os canhotos fossem minorias. 

O fato é que realmente os canhotos são menos favorecidos, e eu percebi isso do momento em que eu passei a escrever - ou tentar escrever - com a mão esquerda. No começo não saía nenhuma letra; depois de um tempo eu já conseguia escrever com mais precisão, mais muito devagar e com uma caligrafia horrorosa; e por fim, hoje, a letra já não é tão feia assim - mas a da mão direita é melhor. Mas depois de eu pegar o hábito, percebi que eu comecei a fazer mais coisas com a mão direita: Abrir as portas, comer, escovar os dentes, usar primeiro o pé esquerdo, entre outros. O senso de orientação e equilíbrio também melhorou, até porque eu passei a exercitar os dois lados do cérebro.

Mas outra coisa que eu percebi foi que as pessoas se espantam quando veem alguém escrevendo ou fazendo algo preferencialmente com a mão esquerda. É tipo um resquício de preconceito implícito; as pessoas notam o uso da mão esquerda como se fosse algo errado, como se fosse um problema que a pessoa tem. 

De qualquer forma, é um desafio e tanto mudar a perspectiva, mesmo que seja em pequenos afazeres cotidianos - no meu caso, como eu escrevo muito manualmente o uso da mão esquerda deu um alívio para a mão direita. Se você é destro, eu fortemente recomendo a tentativa; se você é canhoto, eu também recomendo, mas acho que no fundo você já é induzido a usar a mão direita diariamente. E se você já é, naturalmente, ambidestro - o que é raro - então parabéns, você faz parte de um 5% da população mundial que se utiliza, com a mesma precisão, de ambos os lados.

1 de junho de 2016

Eu não mudei



Revendo as minhas postagens antigas, como se este blog fosse uma "cápsula do tempo", eu vejo o quanto de mim foi revelado.

E sobretudo eu vejo o quanto de mim permaneceu inalterado.

As pessoas falam que a gente muda com o tempo, mas ao menos no meu caso não foi bem assim. O que houve foi (desde que eu criei esse blog, lá em 2008) que eu passei por situações novas, me encarreguei de novas responsabilidades e por diversas vezes apenas revelei algo de mim que até então estava intacto, mas cuja existência eu já conhecia, no fundo.

E eu falo de mim, mas no fundo todos somos assim. Ninguém muda a partir de extremos. Crescer, amadurecer, envelhecer não é mudar, é se adaptar, é justamente o nosso poder de adaptação - e não de mudança, porque a mudança faz com que percamos a nossa essência - que norteou a humanidade até os dias de hoje, e que nos guia pelas nossas jornadas.

Os sentimentos que eu relatava em postagens em 2009, 2010, são iguais aos de hoje, e eu poderia facilmente enquadrar um escrito antigo meu na vivência de um dia qualquer. Interessante é não apenas perceber que você não mudou como constatar que, não mudando, você é fiel a si mesma.
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