12 de maio de 2016

Thais - Anatole France (Resenha)


Thais

Obra de 1890, de um autor pouco ou nada conhecido no Brasil (tanto que eu desconfio que seja difícil de encontrar um exemplar do livro hoje em dia), é um romance deveras deleitante, com um tom satírico e bem humorado (e no qual eu percebi uma certa dose de ironia e crítica à religião).

Trata-se da história de um monge e de uma moça, personagem principal que dá o nome à obra, no período da Alta Idade Média, no norte da África. Thais, jovem e bonita, desfruta de tudo o quanto a vida e a sua beleza podem oferecer; riqueza, fama, homens, arte. O monge, por sua vez, vive uma vida de castidade e preces no deserto até o momento em que, perturbado por pequenos demônios, decide deixar o monastério e ir para a cidade, em busca de Thais.

Esse é o transcurso central da obra; a partir desse momento, o autor desenha um percusso literário tão genial que eu não acho digno de antecipar aqui na resenha. Mas eu reforço: O enredo é muito bem construído, com certa dose de crítica e sátira (que ao meu ver é incomum para a época - 1890), e é de uma leitura gostosa, muito embora tenha um vocabulário um tanto quanto rústico.

De um modo geral eu posso dizer que o autor redige a trama com doses de entranhamento filosófico e um toque de sátira sem perder um estilo artístico e literário mais refinado. De maneira objetiva, também retrata muito bem o cristianismo imaturo, ainda nos seus primeiros séculos de existência (aproximadamente em 300 d. C.), na África medieval. Altamente recomendado se você aprecia romances históricos.

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