4 de abril de 2016

Ariel - José Enrique Rodó (Resenha)

Carregada de brilhantes metáforas, a obra - que oscila entre o gênero puramente literário e a escrita científica - conta a história de um professor (Próspero, como era chamado pelos seus alunos, em homenagem a um mago) que, sentado à sua sala, fala aos seus alunos. 
Ele discorre sobre como esses alunos, jovens e cheios de vigor como são, são o futuro da América Latina; são a força propulsora capaz de mudar o presente e o futuro. 
Assim como a personagem Ariel na obra de Shakespeare, "A Tempestade", representa uma criatura alada, superior às brutalidades terrenas, assim acredita o professor que a juventude, com o vigor do início da vida e com a ânsia pelo conhecimento, com o potencial de se renovar a cada geração, é "o processo evolutivo das sociedades". 
Importante ressaltar que fica subentendido que por juventude, entende-se juventude latinoamericana. 
O autor faz parte do movimento literário conhecido no Brasil como modernismo, mas em sua vertente urugaia, que visa valorizar mais o aspecto regional em despeito das ideias estrangeiras, seguindo, ainda, o antigo ideal bolivariano de uma América Latina unificada. Críticos dizem que essa obra é um reflexo de um "pensamento histórico" em transformação, consideradas as circunstâncias.
Com a espessa alusão à juventude, o autor faz um apelo para que os jovens exerçam mais seu lado humano em detrimento do utilitarismo excessivamente racionalista dos norte-americanos.

—Mientras la muchedumbre pasa, yo observo que, aunque ella no mira el cielo, el cielo la mira. Sobre su masa indiferente y oscura, como tierra del surco, algo desciende de lo alto. La vibración de las estrellas se parece al movimiento de unas manos de sembrador.

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