28 de dezembro de 2016

Bom humor


Sabe, essas festas de fim de ano não interessam para mim. São apenas datas que os religiosos comemoram e eu vou no embalo para me juntar à minha família. Ademais, a passagem do ano para mim só conta quando eu efetivamente conto mais um ano de vida - e não pelo calendário tradicional. Mas tudo bem. Em vez de criticar, melhor encarar a vida com mais serenidade. Trocar o rígido senso crítico por uma rara brandura. Austeridade por doçura - parecendo até o título de algum daqueles trágicos romances da Jane Austen. Pois se não podemos mudar o mundo, o que nos resta é tirar sarro dele, divertir-se com a nossa inteligência, não sem um toque de humanismo e sensibilidade. Pois o que eu desejo a todos a quem realmente essas datas de fim de ano importa é isso: o melhor humor do mundo.
E que venha 2017. =D

26 de dezembro de 2016

Verão


Nós aqui no hemisfério Sul não temos como cultura contar a passagem do tempo pela passagem das estações, como o fazem outros países, a despeito de, ironicamente, a passagem das estações ser muito mais visível num país de céu azul e límpido como o Brasil (ao menos ainda é assim; vamos cuidar para que continue nos próximos séculos, combinado?). De qualquer forma, é certo que a passagem das estações influencia diretamente no nosso humor. O verão, por exemplo, dizem que trás o bom humor, tanto por fatores psicológicos como físicos - o clima que permite maior contato com ambientes abertos e a natureza, o que nos trás a sensação de paz e o bom humor, etc. Assim o verão, geralmente época de férias, também é uma época muito produtiva e saudável. Mesmo quando a temperatura gera a níveis alarmantes como acontece em algumas regiões, o nosso humor tende a permanecer estável e alegre. Interessante notar, pois, que a chegada verão é muito próxima da virada do ano. Parece que a natureza vem a nos instigar a termos um humor melhor no próximo ano. Vem a querer que o nosso ânimo de viver ferva assim como fervem os termômetros. Então, aos meus estimados internautas desejo boas festas e que tenhamos um verão incrível. :D

24 de dezembro de 2016

Até faz sentido


Ah, o Português... O problema é que a gente fala a mesma língua e mesmo assim as vezes a gente se desentende. O meu problema é que eu leio mais do que respiro e ainda assim consigo errar muito. Tem um Português que mexe comigo e acho que nesse ponto você sem dúvida me entendeu (não acredito que eu falei isso). Se o Português tivesse tomado outro rumo no passado eu hoje seria outra pessoa. Mas eu fui condenada a esse idioma estranho num país estranho de pessoas estranhas. O Português não é estranho... Mas não o Português que você está pensando, o Português que só eu sei. Tem algum Português que abala as suas estruturas? (Não responda). O meu Português é diferente do seu mas no fundo é igual. Afinal dizem que eles são todos iguais... Eu sei que eu só me perdi no meio de um monte de palavras sem sentido, mas se o canibal tivesse devorado o Português no passado o Português hoje não devoraria nossas carreiras. Termos, aglutinações, expressões, regras, chantagens emocionais... Ãhn? Muita gente frustrada que nem eu odeia dicionários de Português mas lidando com a arte da palavra escrita não pode dispensar. Que tragédia, não? Precisar de um Português... Digo, precisar *do* Português, você entende né? Eu já sonhei em atravessar o oceano e esquecer dele (o Português), mas eu sei que eu atravesso o oceano e é o Português que eu vou encontrar, e aí a tortura começa de novo.

Publicado originalmente em 04/10/2011.

21 de dezembro de 2016

Ateísmo ortodoxo


O ateísmo é tão normal quanto a religião, apontam estudos; desde que nos conhecemos como humanos, para cada pessoa que formulava uma divindade, havia uma pessoa que contestava explicações sem evidências. Por muitos séculos a religião predominou, e predomina ainda, muito embora hoje sejamos livres para sermos ateus - e há quem diga que no futuro não mais existirão religiões. Seja como for, o fato é que o ateísmo cresce a cada dia, propagado principalmente pelas nossas mídias sociais - divulgado como se fosse uma filosofia de vida, uma ideologia política ou até mesmo uma religião - e não uma mera ausência de crença, como pressupõe bem o termo nas suas origens. Ou seja, as pessoas não se contentam em não acreditar, elas precisam ridicularizar as crendices alheias, expondo todos os podres da religião, como se a religião fosse, isoladamente, a resposta de todos os males da humanidade. Eu sou ateia fazem anos, e nunca sofri preconceito como tal - isso porque, não crendo, não existe necessidade de exteriorizar a ausência de crença: não há necessidade de rezar, de ir a templos, de cantar hinos, de fazer penitências. Mas a maioria dos ateus que eu conheço se sentem muito satisfeitos e engajados em expor a ausência de crença e tentar impor-lhe - como os religiosos extremistas fazem com as suas crenças. A adoção do ateísmo se dá sempre através de um processo racional - ou deveria ser; mas ao meu ver nos meios ateus, predominantemente em universidades, são os lugares onde há mais arrogância e intolerância, e menos compaixão. Parece difícil admitir que a religião é história, é cultura, é em si mesma uma filosofia de vida. Que existem crentelhos estúpidos eu admito (e inclusive estes são muitos), mas que existem muitos religiosos que fazem atos de caridade sincera que praticamente nenhum ateu faria, isso existe. Ateus costumam se esconder atrás da ciência que eles mesmos não dominam e ainda não explica tudo. Em questões políticas e principalmente no embate contra a religião, são muito mais conservadores e ortodoxos, e muito mais difíceis de lidar. Triste notar que um processo (que deveria ser natural) de não-crença é relacionado frequentemente com ataques públicos a imagens religiosas e a religiosos em si, e não a pessoas que simplesmente são indiferentes a crendices. Enquanto fazem propagandas públicas estimulando a tolerância religiosa, creio eu que deveria haver campanhas estimulando os ateus mais ortodoxos a serem menos prepotentes, porque a ausência de crença, no final das contas, não os torna melhores do que ninguém. 

Recomendo a leitura do livro "A irreligião do futuro", de Jean-Marie Guyau.

"Ateísmo engraçadinho existe desde a Antiguidade, diz historiador britânico". Folha de São Paulo, 05 de março de 2016. Link aqui

"Redes sociais alavancam movimento ateísta no Brasil". Paloupes, 23 de outubro de 2016. Link aqui

"Ateísmo é tão natural quanto religião". Hypescience, 17 de fevereiro de 2016. Link aqui.

14 de dezembro de 2016

Não uso papel


]Depois de uma graduação inteira a gente vê quanto papel foi utilizado à toa. Milhares de cópias que nos mandaram imprimir e no fim não foram utilizadas, seja para simples leitura obrigatória, seja para trabalhos, para folhas pautadas, para atividades, transcrição de conteúdo parcial, et cetera. Ademais, durante a vida inteira vi gente jogando fora várias folhas de caderno por um simples erro ao escrever. Isso sem contar as dezenas de agendas que foram compradas mas nunca usadas (ou utilizadas apenas nos dois primeiros meses do ano), as dezenas de post-its que foram utilizadas mais para enfeitar e brincar do que para realmente atingir a sua finalidade, as várias folhas de papel almaço que as pessoas pegam direto da impressora sob o pretexto de ser usada para rasuras e no final não são utilizadas nem 1/3. Para mim chega. Sempre detestei imprimir de qualquer forma, e nos últimos tempos venho transitando de anotações em pequenos papeis para anotações em meio digital, e o mesmo tenho feito para estudar e escrever. Sem tanto papel a gente evita muita bagunça e muita poluição visual. Sem contar que isso é mil vezes mais ecologicamente correto. Menos poluição, menos bagunça, mais espaço. O mesmo eu tento fazer, ao máximo possível, com o plástico - outro ítem altamente descartável que só polui e causa entulho. Pois se dependesse de mim, nunca mais se utilizaria papel.

27 de novembro de 2016

Estrelas


Distante. Como quando eu ouvia de você, observava-te ao longe, e você nem fazia ideia da minha existência. Estamos tão próximos quanto estrelas de galáxias de universos diversos. Eu, humana, trouxa e sentimental, vulnerável e mortal; você, viajando a mil anos-luz, entre a poeira estrelar que segue o impulso das últimas explosões siderais, indiferente e frio. Mas eu vou parar de olhar para o céu. Estou encerrando a sua participação na minha vida, da mesma forma que a Terra já não é um planeta próximo das suas órbitas. Outro planeta, algum satélite, estrela ou universo - já não sei mais onde eu vi de relance o seu último flash, mais rápido que a luz. Acho que está ainda mais distante, mas não quero saber. O céu fechou, a chuva caiu e o meu horizonte se reduziu a um estreito círculo, onde não existe nada que eu não possa ver. E com efeito, você não existe mais.

14 de novembro de 2016

Conversa


Parece uma tortura. Você conhece aquela pessoa, de longe ou com quem você tem um convívio estritamente formal, que você admira ou lhe intriga em algum ponto, e fica se perguntando: "Como ele chegou até ali?", ou "Porque é que ele faz isso?", mas não pode, não tem a oportunidade de perguntar. Não é intromissão. É só vontade de saber mais, de conhecê-lo mais de perto, quem sabe ter uma perspectiva diferente. Essa pessoa parece tão interessante... Mas não dá. A não ser que surja uma oportunidade, em uma roda de conversa, num ambiente fora dali, de (numa chance de 1/1000) alguém tocar nesse assunto, você não vai conseguir descobrir diretamente. E investigar via stalking não é a mesma coisa. Só queria que ele me desse a oportunidade de, olhando-me diretamente, me contar tudo, tudo o que quisesse, e se quiser me ouvir também. Mas isso são coisas que eu especulo enquanto ligo para os meus amigos e eles desligam rapidamente porque tem coisas melhores para fazer. Conversas se limitam a uma troca breve de trivialidades orais. Se encontro uma amiga de longa data não dá para conversar muito, porque ela já tem que ir. E eu me pergunto, então, se essas conversas longas e sinceras não são coisas que a gente perdeu, esquecemos lá na infância. Talvez seja eu a única a querer conversar. Talvez seja ingenuidade minha esperar que alguém sinta o mesmo. Ninguém liga se não estiver precisando de alguma coisa; ninguém se aproxima se não for por interesse - e é por isso que eu não posso me aproximar: porque não tenho um interesse tão direto para mostrar, só tenho a minha curiosidade, a minha admiração ou intriga, e não parece ser suficiente. Da mesma forma, já não espero mais ligações, mensagens ou que me chamem no corredor sem esperar, complacentemente, que a pessoa vá direto ao ponto e diga o que precisa. Melhor ficar na sua e não ser inconveniente, e se desacostumar de esperar das pessoas o que seria perfeitamente humano.

9 de novembro de 2016

Formatura


'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places 
where all the veins meet yeah, 

Não compreendo o real motivo para celebrar. Cinco anos de graduação que não foram lá os melhores da minha vida, a despeito do que reza a lenda sobra a primeira graduação, muito embora tenha sido uma fase de amadurecimento (não obrigatoriamente decorrente da graduação): aprendi a me disciplinar para estudar, aprendi a diferenciar as pessoas que são legais espontaneamente daquelas que são legais por interesse, além de ter quebrado a cara inúmeras vezes. Ademais, não entendo o que comemorar tendo em vista que, como profissional recém ingressante no mercado, não tenho lá grandes perspectivas de lucro e renda - não de início. Mas tudo bem. Estou no caminho certo, dizem. Vou fingir que ignoro o passado recente e o futuro a curto prazo, e vou buscar diversão, como se a minha formatura fosse terminar como em um filme americano, com bebida de qualidade, boa música e ao vivo, bagunça, canapés para equilibrar o alcoolismo, quem sabe até uma orgia ao final com caras gatos. Ah, e a minha música de entrada vai ser a Bittersweet symphony, essa música que parece ter sido escrita numa fase dessas. I'll take you down to the only I've ever been down...

31 de outubro de 2016

Grana$


Ahh, a vida adulta. Nunca quis chegar até aqui. Acordar cedo, trabalhar, perder horas no trânsito, me estressar... Parece um ciclo tão obrigatório quanto o ciclo da vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Parte da vida adulta consiste justamente em cair no mundo e se virar. Somos obrigadas a nos submeter. E eu aqui, como qualquer pessoa, triste por não poder ser exceção a essa sórdida regra, morrendo de vontade de pedir demissão, ansiando por me tornar alguém diferente e fazer fortuna com uma ideia extraordinária. Mas não. Até agora só me provei uma pessoa a mais, sem nada a acrescentar, e, como todo mundo, sonhando lunaticamente com rios de dinheiro.

27 de outubro de 2016

Reforma



Pois bem, admiráveis internautas. Infelizmente eu não tenho o feedback todo expresso em comentários que eu gostaria, mas eu vou propor algumas mudanças aqui nesse espaço virtual, que algumas pessoas já vinham sugerindo ou eu já tinha visto como recomendável em algum lugar ou outro. Já passou da hora, aliás, de repaginar as ideias. Vamos lá:

- Sim, eu vou mudar de layout - assim que eu tiver tempo para isso (o que está difícil ultimamente); mas aceito sugestões nesse ínterim;

- E sim, vou "responder" a todos os comentários e vou visitar os seus vossos respectivos blgs, só não prometo que farei isso imediatamente e nem me comprometo a seguir (e claro, a minha resposta/visita vai ser do mesmo nível que o seu comentário/visita; então se você comentar algo na linha de "oi, legal seu blog, passa lá no meu", a minha resposta será algo como "oi, legal seu blog tb, bjs");

- Não, não pretendo ter um domínio particular do tipo ".com", por mais que eu tenha condições para isso. Sinto que o domínio ".blogspot" é mais amador e é justamente o amadorismo que eu aprecio na blogsfera;

- Quanto a "parcerias", não faço mais isso. Os blogs que eu recomendo aqui na barra da direita são aqueles que eu realmente aprecio e acompanho, sem compromisso com os seus respectivos autores. Posso mudar de ideia futuramente com relação a isso, mas por hora eu não preciso tão urgentemente aumentar o fluxo de visitas.

- Tenho redes sociais e as acesso esporadicamente, mas como eu já disse em alguma postagem anterior, eu evito investir muito tempo nelas. De vez em quando posso até fazer alguma publicidade via instagram/facebook, mas não espere muito fluxo não;

- Faço sim postagens sobre o que me sugerirem, contanto que tenha sugestões; enquanto não tiver vou escrever sobre o que me der na telha e seguirei acreditando que está bom. Tinha até pensado em mudar o estilo de postagem mas por agora não tenho nem ideia de como "mudar" (se é que eu ou qualquer pessoa realmente consegue mudar o seu estilo de escrita).

- Se você tem um blog/site do estilo literário (de resenhas de livros/filmes, de publicações pessoais amadoras ou não, de eventos literários et cetera), deixe um comentário que eu darei especial atenção, pois esse é o tipo de blog que eu mais gosto ♥

Era o que eu tinha para hoje.
Bjs flw vlw tchau.

24 de outubro de 2016

Monografia (Episódio IX)



O prazo está apertando, e o meu orientador não diz nada mais. Eu tenho medo de estar a escrever um milhão de coisas desconexas e sem sentido, na ânsia de fazer um bom trabalho. De início eu senti raiva, depois eu senti satisfação, e em seguida sentia-me cansada; agora, eu sinto medo, um frio na barriga e um calafrio - uma saudável adrenalina. Depois de todo um ano, agora só falta um mês - um mês apenas e parece que eu mal comecei. Um mês e eu enfrento a banca; um mês e acabou. Mas agora mesmo ainda tenho muito a ser feito, então, excuse-me...

16 de outubro de 2016

Cansei de ser sociável

Redes sociais definitivamente não são minha praia. Não me faz bem perder tempo com bobagens sensacionalistas amplamente compartilhadas e nem com misérias das vidas alheias. Tenho muito trabalho a fazer, livros a ler, lugares para ir, muita necessidade de malhar, organizar meus armários, planejar aspectos de um futuro imediato, et cetera. Paulatinamente vou excluindo ou abandonando um a um dos aplicativos, cortando a linha de internet da operadora e me abstendo de usar a internet sem fio. Eu quero viver. Sem mais milhares de fotos do "look" do dia, sem mais fotos dos livros (levava mais tempo tirando fotos do que lendo), sem mais fotos de comidas e bebidas, sem mais propagandas me induzindo a consumir. Sem mais nada disso, obrigada. Mudei a senha do facebook para alguma senha gerada automaticamente, imprimi essa senha em um papel, coloquei numa garrafa e atirei para longe: bye bye baby. E de qualquer forma, eu sempre serei a melhor pessoa que você vai encontrar para conversar: sempre bem disposta, mais intelectualizada do que a média (eu realmente leio e não simplesmente compartilho), sou capaz de olhar nos seus olhos durante a conversa como que o tempo todo e lhe ouvir - se é que isso realmente vai lhe importar.

11 de outubro de 2016

Noite e Dia - Virginia Woolf (Resenha)


Pois bem, respeitáveis internautas. Sempre que eu trago uma resenha, busco dar uma prévia da história, dar a minha própria crítica e fazer as minhas recomendações acerca de que tipo de leitor talvez apreciasse ou não a obra - tudo isso sem, contudo, dar spoilers. Na obra de hoje, contudo, isso vai ficar um pouquinho mais difícil.

Mas não se preocupe, não terá spoilers.

Primeiramente, uma prévia da autora: Virginia Woolf viveu entre 188 e 1941, nasceu na Inglaterra e tinha um pai que apreciava deveras a literatura - o que influenciou fortemente na sua formação, e isso me parece ser um traço biográfico na obra objeto desta resenha. Sua literatura é classificada como modernista, o que me parece correto, visto que ela faz vasta referência, na obra, a grupos de discussão e reforma política; mas por outro lado, em algumas passagens ela segue um estilo de escrita clássico - seguindo a literatura vitoriana, como ela mesma faz referência.

No que concerne à obra, confesso que não atendeu às minhas expectativas, sem, ainda assim, me decepcionar. A começar pelo fato de ser de uma das escritoras mais aclamadas da literatura inglesa (por escritoras, devo frisar, quero dizer entre as mulheres na literatura inglesa), me fez esperar uma obra fantástica - o que não foi o caso. Pode ser pelo fato de não ser uma das obras primas dela, mas, de todo o caso, não me parece o seu melhor trabalho.

Primeiramente, pela técnica ou estilo. A autora se afunda em descrições meticulosas não dos cenários ou das personagens, mas sim das mentes dos personagens. Quero dizer que, a cada vez que a autora chega em uma personagem, vai até as mais recônditas profundezas da alma dessa pessoa, desvendando seus sentimentos, características e ideais; demonstra uma habilidade espetacular, obviamente, mas isso torna a leitura pesada e cansativa.

Tudo bem até aí. Pode ser apenas uma questão de estilo explicável pelo fato de ser uma escritora com forte influência de autores clássicos, como Shakespeare e Hathaway (por isso eu não recomendo para quem não esteja acostumado a ler clássicos). Mas o enredo também me pareceu denso e confuso.

Quanto ao enredo, vamos a ele: A trama se passa em torno da vida de Katharine Hilbery, neta de um famoso poeta inglês e filha de um casal que na nossa cultura seria equivalente à classe alta, mas na cultura inglesa do período essa condição social implicava em rijos padrões de comportamento e costumes, de modo que o romance começa justamente com Katherine recebendo pessoas mais velhas em sua casa para o chá das cinco, típico costume inglês. E logo de cara (depois de uma breve digressão psicológica de Katherine) entra em cena Ralph Denham, jovem advogado que trabalhava com o seu pai e que foi convidado para o chá nesse domingo, a quem Katherine insta mostrar as relíquias de seu avô poeta - e é aí que a trama começa.

Digamos que o cerne do romance é basicamente os encontros e desencontros das personagens - alguns com a literatura, como no caso da mãe da Katherine, outros com amores e pessoas, ou, no caso da própria Katherine, por ela mesma, encontro esse que ela teve justamente ao encontrar o amor.

É uma leitura muito bonita, mas não digo que é um livro apto a satisfazer ânsias românticas de quem aprecia histórias de amor. Tem algumas críticas à sociedade da época, mas eu entendo que é melhor não fazer referência a isso para não incidir em um odioso spoiler (o aspecto social em crítica parece ir de encontro diretamente ao cerne da vida da personagem). Algo que me parece digno de destaque, sem embargo, é o fato de que a autora parece apreciar oscilar entre as visões femininas e masculinas de uma situação, sem confrontá-las ou sequer criticá-las. E claro, é uma leitura riquíssima, que eu recomendo principalmente para quem está farto de ser presenteada com best sellers estúpidos e quer levar a sua mente para um novo grau de crítica (daí a dificuldade da leitura).

9 de outubro de 2016

Friendzone



Aquele falso discurso todo moralista, todo religioso de respeito e de ética e todos os nomes que você puder dar para sua hipocrisia - que veio agregado num completo descaso, em desculpas constantes, deixando você pra hora que for conveniente apenas para ele, dizendo que não pode assumir compromisso agora, dizendo-se muito ocupado, preferindo fazer tudo às escondidas. E se você criar expectativas, tudo bem, não é problema dele; pelo menos com sentimentalismo fica mais fácil de ele ter sexo. Beleza, status, grau de formação ou aspecto financeiro não vão importar nada quando ele decidir que você não é mais conveniente e te dispensar como um simples objeto. Precisando ou não, ele vai sempre te empurrar para uma conveniente friendzone.

4 de outubro de 2016

Esquecer



Caminhar na rua sentindo apenas o vento, os aromas estranhos do mundo, a irregularidade do chão - e apenas isso - é tudo o que eu queria. Não sentir mais nada a não ser o que os meus sentidos me fornecem imediatamente. E poder desassociar essas sensações de lembranças de momentos e pessoas - esquecendo, inclusive, o meu próprio humanismo. Queria sentir a liberdade da vida, e não a prisão de uma realidade incompreensível. Longe das pessoas, longe de tudo. Esquecendo da própria distância.

29 de setembro de 2016

Monografia (Episódio VIII)



Queria descobrir como é cursar engenharia, arquitetura, ciências da computação, física ou matemática, ou qualquer dessas graduações em ciências exatas onde a incidência de homens é gigante. Porque sempre que eu vou à biblioteca da faculdade estudar - e nessa fase tem sido mais frequente - me deparo com dezenas desses graduandos aparentemente fazendo trabalhos em grupos, ou estudando, ou discutindo fórmulas estranhas em voz alta e frequentemente brigando feito piazinhos ranhentos. Justamente pela presença em peso do pessoal de exatas eu tenho que dividir uma mesa ou uma sala de estudos com mais um ou dois, e não raro três outros estudantes com os seus respectivos laptops, e os corredores das prateleiras de livros ficam tão circulados quanto pubs, mesmo no acervo de direito. Agora tem um garoto que pelo que eu noto estuda administração aqui na minha frente, provavelmente tão empenhado no trabalho de conclusão quanto eu. Semana passada tive ao meu lado uma estudante de arquitetura, e eu ri-me de como ela tinha pequenos desenhos de plantas de imóveis no seu trabalho, e ela estranhou-se de ver no meu tantos "julgados". Mas bem. Não poderia ser outro o tema dessa postagem; eu não consigo pensar em outra coisa, a não ser, com intervalos, no resultado do Exame de Ordem. Estou cansada, e acho que não conseguiria redigir sobre outra coisa que não a tese que pretendo defender e todo esse cansaço. E se agora me dão licença, meu orientador chegou.

9 de setembro de 2016

Escrevinhar



Tá muito frio aqui. Faz anos, aliás, que não vemos um inverno tão rigoroso - e deprimente, posto que além do frio chove constantemente. Minhas mãos doem. Não sei se é o movimento repetitivo cada vez mais constante ou se é o frio que deixa minhas mãos sensíveis. Realmente não sei. Não as descanso, porém; preciso de trabalho árduo, pois sinto como se a minha redação nunca fosse boa o suficiente. Nunca consigo me expressar com toda a clareza e precisão que gostaria; não encontro os termos que procuro intuitivamente, faço delongas desnecessárias, me perco nas minhas próprias palavras. Parece que eu não chego no ponto. Às vezes eu queria ser outra pessoa, ter um alter ego, só para poder fazer uma revisão crítica de mim mesma; poder enxergar as falhas e omissões que eu não vejo, e ver aquilo que poderia ser melhorado. Minha técnica é imperfeita. Faz frio, as pontas e as juntas dos meus dedos indicadores e médios doem, e eu por vezes me levanto e dou voltas pra ver se consigo encontrar a precisão terminológica, o ponto exato. Faz frio, e eu não me canso de escrevinhar.

7 de setembro de 2016

Monografia (Episódio VII)


Prometo que eu já estou quase acabando com essa série. Talvez só mais umas duas ou três doses de desabafos escrevinhados em forma de nota de rodapé e citações (é terrível você ter que fazer traduções e explicações em notas de rodapé, terrível, simplesmente TERRÍVEL), depois que eu terminar de reescrever uma centena de conceitos complexo em um vocabulário impessoal e objetivo, e depois que eu tirar capítulos e acrescentar outros novos, mas antes de eu começar a ensaiar a minha defesa oral e de começar a fazer a errata. Estou quase lá, prometo...

5 de setembro de 2016

ESTE BLOG TEM OITO ANOS!




Sim, senhoras e senhores!

Depois de sobreviver às mais insanas transições da internet;

Depois de passar por diversas fases da vida de uma autora anônima na internet;

Depois de sair do ar e voltar mil e uma vezes;

Depois de ter sido colocado a venda (e ter recebido sedutoras propostas de compra);

Depois de tudo isso, Antes-de-mais-nada completa seu oitavo ano de existência cibernética, graças ao auxílio de todos vocês!

Muito obrigada por tudo!

E, antes de mais nada, avante!

2 de setembro de 2016

Esperança



Só agora eu consegui visualizar a dimensão da dificuldade, e isso me fez estremecer. Eu admito que sou muito orgulhosa, e muito teimosa, e pode ser que eu não tenha feito uma boa escolha; pode ser que eu tenha assumido algo que exige demais de mim e de qualquer outra pessoa comum. Mas nunca é demais acreditar que eu consigo. Ainda que remotamente. Eu sacrifico muita coisa, abro mão de outras, me esforço, me disciplino, faço tudo o que estiver ao meu alcance e vou além. Desistir não é errado, mas assumir precipitadamente uma derrota é tolice. Sinceramente, eu não sei se eu consigo. Mas vou continuar dando o melhor de mim. É acertar ou errar: são essas as possibilidades. Teimosia, coragem, sorte, força, medo, tudo isso é necessário, mas o resultado eu só vejo depois. E que seja o melhor possível, independente do êxito.

28 de agosto de 2016

Estudar



Tem sido difícil, muito difícil conciliar tudo; sinto que a minha cabeça vai explodir. Estou estressada, preocupada, com medo. Estar prestes a me formar - que é exatamente o que eu mais quis por um bom tempo durante a graduação - agora é apavorante. E por vezes tenho dificuldade em me concentrar; quero sair, tomar um café e conversar. Mas não dá. A pessoa que eu queria não está aqui - ou talvez nem exista. Eu só queria uma dose de endorfina, um gole que seja, nessa avalanche de cortisol. Parece que também não dá, por hora. Estou só. O folhear dos livros, o ruído das teclas, o bulício da caneta que escreve e a minha própria respiração tem sido o único som aqui, ecoando e ricocheteando de volta para mim, por vezes bloqueados por alguma fórmula repetida em voz alta. Estudar é um prazer, um deleite, mas chega uma hora que cansa e se torna uma angústia. Não há escolha, contudo: Tenho muito a fazer. É um encargo denso, mas é o que eu sempre quis, afinal. Enquanto eu inconscientemente, e a despeito do meu parco bom-senso, sinto-me desejosa de ter de volta alguém, eu me lembro que eu só tenho a mim mesma, e o que eu construo para mim - como esse meu início de carreira cuja primeira etapa estou prestes a terminar. De nada adianta ruminar as fraquezas; o que me resta é persistir.

20 de agosto de 2016

20 FATOS SOBRE MIM!

20  fatos sobre mim!

Pois bem, pessoas da blogsfera. Como prometido na Postagem n. 200, venho aqui trazer 20 fatos sobre mim, em homenagem à minha ducentésima postagem, a partir de perguntas escolhidas aleatoriamente.

Aqui vai:

1 - Você conhece alguma celebridade?

Celebridade no estilo hollywoodiano não, mas já conheci meia dúzia de pessoas famosas ao menos na minha cidade.

2 - Você canta/toca algum instrumento?

Na infância eu fiz aulas de flauta doce e até me saí mais ou menos, mas a flauta ficou na infância mesmo. Hoje em dia eu só canto no chuveiro.

3 - Qual é o seu chocolate favorito?

Gosto dos chocolates artesanais de Canela e Gramado, especialmente aqueles com amendoim.

4 - Você tem alguma fobia estranha?

Eu tenho medo de trânsito e medo de viajar na estrada.

5 - Pegue o livro que você esta lendo, vire a página 23, o que tem na linha 17:

WTF? Não era para ser perguntas sobre mim? Mas, bem, para ser fiel à aleatoriedade das perguntas (que pelo visto eu peguei de fontes pouco sensatas), aqui vai:

"adoecia, o que aconteceu duas ou três vezes nos últi-"

O livro que eu estou a ler - na verdade eu tenho mania de ler uns quatro ou cinco livros de uma vez, fora os livros de trabalho/estudo, sendo que esse eu escolhi simplesmente por ser o que estava mais à mão - é intitulado "Maigret no Tribunal", de Georges Simenon. A obra não é muito boa, mas posso fazer resenha em postagem futura.

6 - Quanto tempo você demora par ficar pronta de manhã?

De manhã, se eu for seguir a minha rotina ordinária, eu devo demorar uns 15 minutos. Se eu tiver algum evento especial que mereça um look mais aprumado eu devo levar entre 30 a 40 minutos, como qualquer pessoa.

7 - Qual é o som que você odeia? Som que você ama?

Hoje em dia eu tento me manter aberta a novos estilos, evitando fazer julgamentos MAS se tem um estilo que eu simplesmente não consigo engolir é o sertanejo - e olha que eu já tentei! Já fui para baladas sertanejas e não consegui, nem bebendo, nem com boas companhias, nem com muito fingimento entrar "na onda da música".

E quanto às músicas/estilo que eu gosto, bem, vejamos: Eu já fui muito metaleira, mas hoje o que eu tenho apreciado mais é música pop.

8 - Qual a música que sempre faz você se sentir feliz quando ouve?

Difícil dizer. Existem centenas de milhões de músicas que vem nos momentos mais aleatórios da nossa vida - isso sem contar o fato de que algo que pode ser felicidade para mim pode ter um sentido totalmente diferente para as outras pessoas.

Então, já que eu me comprometi a me ater às perguntas, uma música que me satisfaz muito, num sentido similar ao da felicidade, quando eu escuto, é Mater Piece de Jessie J.

9 - A "loucura" traz mais criatividade?

Pergunta interessante! Também não tem muita relação com "fatos sobre mim", mas ao menos eu percebo que já fiz postagens sobre esses temas aqui (Brainstorming, Loucura, Obsessão), mas sim, eu acho que a loucura, entendida como a fuga do óbvio e da estrita normalidade, amplia os limites da nossa mente, nos permitindo ver as coisas que de maneira convencional seria impossível. A loucura como busca da criatividade trás até mais felicidade. Aliás, recomendo fortemente a leitura de "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdã, que li recentemente.

10 - Qual foi a coisa mais louca que você já fez por dinheiro?

Trabalhei muito e economizei. Olha que "loucura".

11 - Qual é a sua rede social favorita?

Não gosto de redes sociais, uso apenas por necessidade de comunicação mesmo. Mas ao meu ver as mais tragáveis, por assim dizer, são o instagram e o twitter.

12 - Três coisas que na sua opinião todo mundo deveria saber.

Parece simples mas a pergunta é complexa. Muito relativo, na verdade, como qualquer pergunta. Mas acho que o essencial para se saber na vida em sociedade, ou mesmo individualmente, é: Respeito, higiene e educação, no sentido amplo.

13 - Quais as vantagens e desvantagens de quando se está solteiro? E de quando se está namorando?

Vantagem de estar namorando? Acho que é ter alguém fixo para tr...

Vantagem de estar solteira? T-O-D-A-S ♥ =D Mas se vocês fizerem questão eu vou listar algumas:

I - Poder conversar com definitivamente quem você quiser sem precisar ficar dando explicações;

II - Fazer o que você quiser, na hora que você quiser, do jeito que você quiser e isso SE você quiser;

III - Conhecer vários pretendentes;

IV - Poder trabalhar mais e estudar mais e guardar mais dinheiro só pra você;

V - E a melhor de todas: Não ter que ficar fazendo a social em casa de famílias alheias, o que inclui a dispensa de se submeter a brincadeirinhas imbecis, neuras de sogras, etiquetas mesquinhas, et cetera et cetera et cetera.

14 - Qual a coisa mais próxima de você que é vermelha?

Novamente não vejo a lógica na pergunta, mas como eu optei por perguntas aleatórias, me sinto obrigada a responder.

A coisa mais próxima de mim que é vermelha é um batom novinho, que eu ainda não usei e veio com milhares de promessas de "efeito glam" e "fundo dourado" que eu espero que seja assim tão eficaz quando eu for para a balada.

15 - Como foi seu último sonho?

HORRÍVEL. Eu sonhei que eu estava em uma competição de corrida em que eu estava perdendo, e na medida em que eu perdia me era tirado o oxigênio.

Nunca foi tão bom acordar.

16 - Qual foi a última mentira que você contou?

"Sinto muito".

17 - Qual foi o último filme que você viu?

"As bicicletas de Belleville", que eu futuramente farei uma resenha aqui neste espaço virtual.

18 - Diga a primeira coisa que vem à mente quando você ouve a palavra "coração":

Músculo estriado cardíaco.

19 - Com o que você não pode sair de casa sem?

Não ficou claro se a pergunta é COM ou SEM, mas, de qualquer forma, não posso sair de casa sem roupa, pois se eu fizer isso eu serei presa.

20 - Qual a sua relação com a última pessoa que te mandou mensagem?

A minha relação com a TIM é saudável, obrigada.

Era o que tinha para hoje, gentes. Agora, para dar continuidade, me conte três fatos sobre você. =D

18 de agosto de 2016

O Criminalista - Vinicius Bittencourt (Resenha)



Pois bem, pessoas da internet. Trago, novamente, uma resenha para agitar esse blog.

O livro de hoje eu recomendaria para todos os aspirantes a juristas com inclinação para a área criminal - principalmente para os homens, porque, não apenas me parece que o autor transmite uma visão eminentemente masculina do mundo (o que não quer dizer sexista) como também demonstra saber separar crua e racionalmente os aspectos afetivos, profissionais e sociais de cada cena - nada mais másculo, ao meu ver.

Por outro lado, eu não recomendaria esse livro para aqueles que não tem uma noção, ainda que breve, do funcionamento do ordenamento jurídico brasileiro, pois não só você pode ficar perdido com o vocabulário específico e por vezes técnico (eis uma infeliz omissão do autor) como também pode ter uma visão muito errada de um profissional criminalista.

Indo para o cerne dessa postagem, preciso tecer algumas considerações sobre a obra. Primeiramente, o enredo é excelente. Ainda mais porque o autor, notadamente, é jurista, não demonstrando grandes aptidões para a literatura comum. Além disso, segue o estilo daqueles tramas policiais americanos, cheios de enigmas e suspenses - mas garanto que mil vezes melhor.

Narra a história de um advogado, veemente estudioso, que constrói sua carreira na estreia de balizantes lacunas na lei, conseguindo, assim, encobrir os crimes mais horrendos e por vezes torná-los impunes.

Se me permitem a crítica, o autor teve sorte quando teceu esse romance. Primeiramente, porque o contexto da publicação original do livro, 1981, é anterior à obrigatoriedade do Exame de Ordem - o que faz toda a diferença, pois o referido Exame filtra os profissionais bons dos ruins, o que supostamente faria diferença para o destaque a mais dos profissionais - assim, o personagem principal, sendo estudioso, se destacou num mundo de profissionais ordinários, não havendo a filtragem da OAB. Além disso, nessa época nós ainda tínhamos uma legislação realmente falha (oriunda de um século de instabilidades e de uma ditadura militar que restringiu muito as atividades legislativas), o acesso ao ensino superior não era tão popularizado e o acesso à justiça era restrito. Em outras palavras, um advogado fodão em 1981 seria um advogado como qualquer outro hoje em dia, pois naquela época eram poucos e hoje são uma legião.

No mais, devo advertir a quem se arriscar a ler que a obra tem aspectos um tanto quanto sensíveis e até mesmo ofensivos à moral vulgar. Junto com outros clássicos jurídicos do tipo "O caso dos exploradores de cavernas", julgo que "O Criminalista" deveria ser de leitura obrigatória nas graduações em direito. Por fim, não recomendo a obra se você espera algo muito rotineiro do mundo jurídico, pois, como eu explanei anteriormente, o enredo se dá numa época muito específica do ordenamento jurídico pátrio.

Nota: 7/10.

17 de agosto de 2016

O Mapa do Tempo - Felix J. Palma (Resenha)



Olá, pessoas da blogsfera. Depois de séculos postando apenas abobrinhas sentimentais, eu volto a trazer uma postagem supostamente útil: Resenha.

Eu tenho uma convicção, não mais tão segura, de que os autores modernos não são lá os melhores. Nos clássicos nós encontramos enredos coerentes, personagens bem construídos, clímax, alegorias, vocabulários ricos e estilos literários dos mais diversos, enquanto que os autores modernos tendem a escrever qualquer bobagem para vender para leitores com pouco senso crítico - o que torna mais difícil encontrar bons livros.

Mas a obra que é objeto desta resenha é uma das raras exceções - acho que uma das três dentre, sei lá, uns duzentos.

O Mapa do Tempo foi um desses livros que eu, como muita gente, comprei em alguma promoção ou feira literária junto com uns outros dez e deixei ali na minha estante, esquecido por anos, até que, aproximando-se o ilustre ano de 2016, eu me propus como meta ler preferencialmente os meus próprios livros em vez de pegar emprestados de amigos e bibliotecas ou baixar da internet (legalmente ou não, f0d4-s3) - e sim, tenho cumprido muito bem essa missão.

Até que eu, realmente descrente da vida e da literatura, depois de terminar um livro péssimo e decepcionante, peguei aleatoriamente um livro na minha estante. E creiam-me, pessoas, que na minha vida os melhores livros são aqueles que nós pegamos aleatoriamente.

Com O Mapa do Tempo, foi emoção da primeira página até a última. Me fez voltar à adolescência, quando eu virava as madrugadas lendo - coisa que hoje não posso fazer por não dispor de tanto tempo assim. É uma trama que captura você, que lhe hipnotiza e seduz. Teve momentos que eu quis gritar, que meu coração ficava disparado como se eu estivesse vendo pessoalmente as tretas que se passavam no livro. O autor faz milhares de reviravoltas, oscila de um cenário para outro e com muita maestria, engana o leitor, ludibria a gente com cenários que outrora pareciam verídicos como também chega a um ponto em que você simplesmente não pode acreditar que algo vai acontecer - e por fim acontece.

Feito o meu apaixonado testemunho, vamos à trama (sem spoilers):

O livro é dividido em duas partes: a primeira, que gira em torno da vida de Andrew Harrington, um jovem rico e de boa família, e sua amada, Marie Kelly, uma prostituta do subúrbio; e a segunda, que se passa em torno da vida de Claire Haggerty, uma jovem muito a frente do seu tempo que também vive uma história de amor, mas narrar essa história, ainda que superficialmente, seria dar um spoiler maldoso. Ambos vivem na cidade de Londres, no ano de 1888; as tramas não se comunicam diretamente entre si, mas o autor, com uma hábil alfaiataria literária, costura ambas as tramas indiretamente com a presença do escritor H. G. Wells - que, ora é personagem secundário, ora é personagem principal; ora só está ali para dar uma ajudinha, ora se compromete por inteiro.

No quesito qualidade literária, acho que o único ponto fraco foi o começo, bem nas primeiras páginas, ser de uma escrita tão comum que dificilmente iria prender um leitor mais crítico que não estivesse bem determinado (como não era o meu caso). Fora isso, me parece que tem um enredo excelente, ainda que muito pitoresco e incomum (no sentido de fantasioso e até mesmo fantástico), tem excelente construção dos personagens e é bem fiel ao cenário londrino do final do século XVIII, mesmo com um toque de ficção. A criatividade do autor suplanta um 90% de todos os outros autores que eu já tenha lido, mesmo aqueles que eu considere os melhores.

Outro aspecto que me cativou foi que o autor se preocupou em humanizar os personagens, não se adstringindo a um odiável moralismo vazio - falha essa que muitos, mas muitos autores e gente que se diz entender de literatura comete. As personagens, das principais até as figurantes, tem evidenciado os seus aspectos bons ou ruins, e todo o sofrimento e trajeto de vida que fizeram-nas se tornar o que são, aceitos ou rejeitados pela sociedade.

Mas como nem tudo que é bom dura para sempre, o livro tem apenas 470 páginas e eu cheguei à última, feliz porque o livro não apenas supriu mas foi além dos meus anseios, como também deprimida, porque acabou. Dada a alta qualidade literária, eu estou muito propensa a buscar outros livros do autor, ou até mesmo reler esse mesmo livro, coisa que eu nunca fiz. É um livro que eu recomendo para absolutamente todas as pessoas que vierem me pedir sugestão de livros, alertando, contudo, que tem cenas um tanto quanto fortes. Sem dúvida, um dos melhores que eu já li em toda a minha vida.

16 de agosto de 2016

Socializar


Às vezes eu me canso e acabo me rendendo àquele típico descaso do último ano da graduação, de que os professores tanto se queixam. As reclamações e sermões se perdem nos ecos, e eu não capto mais... Sempre me dediquei mas agora é uma questão mais de desgaste psicológico do que de descaso. Porque depois de cinco anos você se cansa e não vê a hora de que chegue aquele rito solene de saída da universidade chamado colação de grau... E, por outro lado, eu sinto falta dos amigos que perderam o interesse em mim. Sinto falta de virar a noite dançando e bebendo e tendo doses de coragem que de outra forma não viriam. Sinto falta dessa sociabilidade tênue mas divertida que, talvez por culpa minha, eu perdi. Nunca fui a pessoa mais carismática e sociável mas ao menos com a graduação eu consegui convencer muito bem, convenci quase a mim mesma, e... E agora parece que eu perdi a prática. Tudo bem. De qualquer forma eu não estou em um bom momento para desviar o foco desse batalhão de requisitos finais (que barra!). Não tenho certeza sobre o que acontece depois de formada. As certezas vão até a colação, como a visão limitada à uma luz artificial numa estrada à noite. Mas tudo bem; é o que me cabe por hora. Em breve eu quero voltar a sair todas as noites, enquanto a companhia e o dinheiro durarem, e enquanto as perspectivas de futuro e de obrigações não forem mais pesadas. Em breve.

15 de agosto de 2016

Teimosia



Conselhos, recomendações, e por vezes ordens não foram feitas para serem obedecidas cegamente. Não quero passar a minha vida seguindo apáticas regras. Não quero ficar me limitando para agradar a outrem. Admito que críticas são duras, sim, mas existe uma grande diferença entre enfrentar e confrontar, e uma crítica não vai alterar as minhas pretensões. Pode apontar meus erros, vai lá. Me critique. Fale o quanto eu sou insubordinada, irreverente, cabeça-dura. Não me importo. Não vim aqui para abaixar a cabeça e tentar agradar. E sim, eu assumo todo o risco, toda a responsabilidade. Digam o que quiser, não poderão dizer que eu vacilei ou fui covarde.

12 de agosto de 2016

Vaidade



Homens podem ser escolhidos como cartas em um leque de baralho quando você sabe usar a estética em seu favor (e talvez a recíproca seja verdadeira). Mas eu ainda não cheguei a esse ponto - não por aparência mas por um resquício de senso moral que me compele a respeitar as pessoas em sua essência. E quanto à minha própria essência, eu tento exteriorizá-la da melhor forma possível, tanto é que às vezes eu me sinto obcecada por manter, sempre, a melhor aparência possível e impecável, ainda que de maneira simples. A natureza me foi muito favorável, o que me permite dispensar, ao menos por hora, toda a química e tratamento estético que outros se utilizam com frequência, mas de qualquer forma eu não dispenso meus cuidados, dos mais fundamentais à saúde, como alimentação balanceada e exercícios físicos, aos mais triviais, como roupas, unhas, maquiagem, acessórios. Beleza não é uma imposição, não é uma opressão. Beleza é status, é saúde, é poder. Mesmo se você já tiver mais idade: beleza é vaidade, e vaidade é amor-próprio, e amor-próprio é equilíbrio, é segurança. Acho que até os homens deveriam apostar mais na aparência, até porque para eles é tão mais simples. Vaidade é o conhecimento da medida de si, exteriormente e interiormente, e a valorização de si mesma é tudo.

11 de agosto de 2016

Fôlego



Me sinto cansada, super atarefada, confusa e só, e parece que o tempo nunca basta. É que nem nadar. Você utiliza todos os seus músculos e toda a sua força em exíguo tempo, e você sente como se seu pulmão chegasse a arder. E se você parar para recuperar o fôlego você é considerada fraca. Mas eu respiro fundo - eu sou humana, e ninguém teria chegado longe se não tivesse começado devagar, com o coração disparado e sentindo como se todo o oxigênio do mundo não bastasse, com os olhos vermelhos e se esforçando apenas para manter o rosto fora d'água. Eu respiro fundo enquanto eu posso, porque logo eu mergulho de novo e lá eu vou empregar todo o meu vigor de novo.

6 de agosto de 2016

Monografia (Episódio VI)



Não sei se eu estou sempre cansada por hábito ou se eu simplesmente tenho dormido pouco. Minhas mãos - ambas - doem de tanto escrever, de tanto grifar, sublinhar, digitar quase ininterruptamente por horas a fio, desenhar esquematicamente ideias, folhear freneticamente páginas de uma penca de dúzias de textos que eu, agora, já quase decorei as páginas e citações. Minha mesa virou uma profusão de livros completos ou cópias de capítulos, impressões de artigos, leis e julgados avulsos decorados com minúsculas observações, caderninhos e agendas de anotações, dezenas de conjuntos de post-its com formatos e tamanhos diversificados, kits de marcadores florescentes e canetas hidrográficas coloridas, clipes, grampeador, tesoura, cola, borracha, lápis, fita adesiva, canetas-gel metálicas, meu próprio laptop amiúde auxiliado por um tablet (por mais que eu resista muito em me deixar auxiliar por dispositivos eletrônicos que só fazem me distrair) - enfim... Uma verdadeira visão de uma oficina no ápice de sua produtividade. O resultado ainda vai demorar. Ainda vai levar tempo e demandar muito empenho. Mas tudo bem: toda boa obra se faz em etapas; todo bom resultado observa um processo sadio. Por hora, mãos à obra.

4 de agosto de 2016

Decepção



Que desânimo. Acho que eu me empolgo demais. E espero demais das pessoas. Crio muitas expectativas, sentimentalizo demais. De onde foi que eu tirei a ideia de que meus sentimentos seriam correspondidos na mesma medida, meus esforços seriam todos reconhecidos e retribuídos, que todos seriam sinceros como eu busco ser? Dou o melhor de mim, e nunca é suficiente. Mas não, não vou me submeter a estupidezes e imbecilidades egoísticas de gente que não sabe enxergar sentimentos que não os próprios. Não vou explicar duas vezes, não vou ligar, não vou chamar para sair. A menos que seja alguém que você realmente ame (veja-se que amor não é carência ou necessidade de sexo), ninguém vale a pena o investimento - a não ser você mesma. É. Dê o melhor de si para alcançar os seus sonhos, e não para agradar quem lhe é indiferente. Pois se alguém faz pouco caso de si, também não deve ser incluído no seu universo. Relações humanas, por mais simples que sejam, são sempre uma empreitada arriscada. Reserve-se. Preserve-se. E, sobretudo, ame-se.

2 de agosto de 2016

Mania de ecologia



Eu fico cada vez mais horrorizada com o desgaste a níveis alarmantes dos recursos naturais. E nessa minha estupefação eu busco, a todo custo, salvar o planeta com minhas pequenas neuras ecológicas - tipo cronometrar o tempo do banho, se possível reutilizando a água; reutilizar e reciclar o mínimo pedaço de papel, evitando o consumo inconsciente. Já inventei métodos de utilização improvisada de energia solar para cozinhar e aquecer ambientes; dou preferência a produtos nacionais (porque eles seguem, geralmente, métodos de fabricação mais ecologicamente correto que a maioria dos outros países), e sou uma declarada amante dos animais. Não sei que diferença faz essa minha obstinação individual, em uma escala global. Mas eu propago as minhas ideias, falo para todo mundo a importância de evitar o desperdício e quiçá o consumo. Quem sabe se mais pessoas começarem a tomar esses pequenas atitudes em prol do meio ambiente teremos um futuro menos cinza. Eu sei, eu sei; o problema não está apenas no desperdício e no lixo produzido pelas pessoas como também, e principalmente, nas posturas das grandes indústrias em países que estão pouco se lixando para isso. E aí, para combatê-los, eu sei, o caminho é mais árduo. São centenas de convenções e tratados internacionais sobre meio ambiente muitas vezes descumpridos, e aqueles que lutam pela causa verde ficam ostentando bandeiras como trouxas. Mas se não fizermos nada, se não começarmos das nossas pequenas economias de recursos diárias, nada jamais será feito. Vamos lá, basta acreditar. Pode parecer ingenuidade, mas no fundo eu acredito (e me esforço nesse sentido, até porque não é só eu) que nós podemos evitar catástrofes futuras. Come on.
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