30 de março de 2012

O milionário da caverna (re-escrito)

Eu li esse livro quando eu tinha 12 anos, e fiz a primeira resenha aos 15; eu ainda não tinha o hábito da escrita e nota-se que a resenha não era lá das melhores.

A Casa Publicadora Brasileira, que é a editora que trouxe o livro ao Brasil, tem vários biografias de várias pessoas não famosas em diferentes lugares do mundo e em diferentes épocas. Muitas vezes a vida real é muito mais interessante do que qualquer conto de ficção. A editora é voltada para a literatura religiosa, e justamente isso que torna as vidas narradas das pessoas interessantes: o fato de elas defenderem uma fé que muitas vezes contrariava como um todo o meio cultural em que elas viviam.

O caso de Doug B (alguma coisa) era um pouco diferente. Ele vivia num país democrático e "livre" e nada lhe faltava. Inicia a narrativa na mesma idade que eu tinha ao ler, quando ele toma uma decisão: ou ele acabava com a vida dele naquele instante, que por alguma razão não tinha sentido, ou ele vivia a vida intensamente - entenda-se intensamente o modo mais pleno possível, sem responsabilidade, de certa forma seguindo o movimento hippie que teve popularidade na época em que ele foi adolescente (anos 70).

Dos 12 aos 17 anos ele fez as coisas mais irresponsáveis e absurdas que alguém pode imaginar. Esteve entre a vida e a morte, entre a disciplina e o total descaso, entre o luxo e o lixo. O auge foi quando ele e mais uns amigos experimentaram uma droga que surtiu efeitos alucinantes por quatro dias seguidos, e aí a polícia o encontrou e mandou ele ir para a casa de um tio se reabilitar. Os outros que estavam com eles tiveram sequelas graves e um nunca mais foi visto.

Um certo tempo em que ele passou morando numa caverna (por isso o nome do livro), ele se pôs a ler uma bíblia abandonada que ele ali encontrou, e isso foi o que mudou o rumo da vida dele. Nos anos seguintes ele se converteu, saiu da caverna, e basicamente a partir daí acaba a parte irresponsável da vida dele e entre a parte mais difícil, em que ele tem que enfrentar todas as consequências que o estilo de vida anterior lhe trouxe, como a dificuldade em abandonar o vício e lidar com o prejuízo que ele trouxe para a vida de outros.

E por fim, quando tinha seus trinta anos, ele... Não vou contar o final, mas na época em que eu li eu não gostei. Eu queria que ele tivesse morrido - o que seria tecnicamente impossível, porque foi ele mesmo que contou a sua história.

Fizeram já um documentário sobre a vida dessa célebre figura, e o livro em si é meio difícil de encontrar (a menos que você esteja em São Paulo). Literariamente falando, o livro não é muito superior ao comum best seller, mas já basta porque Doug não exerce a profissão de escritor. Se gostou de "A cabana" vai gostar desse livro também.

24 de março de 2012

Desabafo...


São sabe-se lá quantos milhares de pessoas gastando as suas melhores horas do dia fissuradamente conectadas...

Já não existe mais calma, apreciação e perícia.

É tudo cada vez mais rápido, mais curto, mais superficial.
E quanto mais ostensivo mais desprovido de conteúdo.

Então faz o seguinte: vai jogar futebol, tocar violão, passear com o seu cachorro, visitar seus parentes, ler um livro, cortar os pulsos, se drogar, queimar uma casa, assaltar um banco ou o que você quiser, mas não fique 24 horas no facebook. Isso enche o saco.

E não se iluda que a gente não vai revolucionar a sociedade por meio de redes sociais.

(status: off)

17 de março de 2012

De novo

Essa postagem é dedicada a todos aqueles e aquelas que, como eu, dominam a arte de escrever muito e nada dizer.

Dedicada a todos os lugares-comuns, jargões, provérbios chulos, melodramas e expressões de desilusão.

Reticências.

Uma postagem para quem, como eu, tem o dom de cometer um erro e jurar para si que nunca mais vai cometê-lo, e depois reincide, e jura para si mesmo de novo, e mais uma vez reincide, e de novo, e de novo, e de novo, até o infinito...

E chega uma hora em que você não diz: Nunca mais, porque você sabe que você sempre disse isso e nunca se corrige.

Talvez essa seja a minha natureza. Fraca natureza.

Para que insistir?

Eu apanhei demais na escola para não ter aprendido - e aprendi, mas ainda assim eu insisto.

Não vou dizer que não sinto vergonha, melancolia, e de certo modo medo. Não. Eu já passei por isso mais de um milhão de vezes.

100 milhões de vezes.

Que mania de acreditar que no fundo não são todos iguais...

Ponto final.

E lá vou eu de novo...
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