29 de dezembro de 2011

Vários, Um, ou nem Um


Na infância enfiam na nossa cabeça ideias sobre um Céu e um Inferno e um Deus que pune pelas mínimas coisas, e quando você cresce e as suas próprias ideias falam mais alto você inconscientemente tem medo. Hoje você vê uma dualidade no mundo "intelectual": ateus vs cristãos. Ao contrário do que você pode pensar - principalmente se você for ateu - existe muito cristão inteligente e muito ateu babaca. Não é regra, é claro; aliás, devo admitir que o contrário é muito mais comum. Mas um exemplo desse conflito fica claro nessa época do ano: os dois lados se dizem altamente esclarecidos. De um lado quem é ateu ou não-religioso resolve não fazer nada porque já saiu dessa ilusão cristã e acredita que 25/12 é só mais uma data comercial e não aproveita o fato de que uma vez no ano o mundo dá uma trégua para fazer algo especial do jeito que você é livre para fazer. Por outro lado os cristãos dizem que o natal é aniversário de Jesus e te enxem de mensagens gift no facebook ou e-mails com mensagens super apelativas, no fundo não entendendo bulhufas do "espírito natalino". Eu achei que eu não ia viver o suficiente para ver esse processo de "televização" da internet, mas durante o ano um grupo fica atacando o outro com coisas tão superficiais e ridículas que você percebe que não se trata mais de uma questão de razão ou de fé, mas sim de idiotice pura e falta do que fazer. Se você não toma partido ou está em cima do muro você tem que admitir que nem um dos dois lados está correto: nem as teorias de Darwin e nem o Inferno de Dante. Charles Darwin reducia a espécie humana a meros instintos e seleção natural, e Dante Alighiere descrevia um inferno onde tinha lugar específico para cada insignificante pecado - se você não foi batizado você vai para o inferno. Vamos falar sério: uma pessoa pode escolher qual partido tomar durante a vida, mas ela não vai para o túmulo tendo a verdade comprovada, tampouco vai voltar de lá para contar. Vale lembrar que por baixo da razão e da fé existe um ser humano e que se existir um Deus ou vários deuses ou nada seguindo plenamente a nossa concepção de justiça, o indivíduo humano não vai ser julgado pelo que ele acreditava ou pelas suas ideias, mas sim pelo seu caráter.

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