10 de setembro de 2011

Sonhos #2

Eis que explodiu a guerra, e eu era peça fundamental para o rumo das batalhas. Estando no meio da espionagem, eu conseguia identificar sotaques estrangeiros até mesmo daqueles que passavam anos e anos aprimorando. Ninguém me superava nesse aspecto; eu poderia dizer até mesmo a região de onde você veio só em ouvir o seu sotaque, e o meu sotaque ninguém, absolutamente ninguém percebia. Muitos espiões pagaram caríssimo por ter cruzado o meu caminho, e os serviços de espionagem do mundo inteiro tinham ódio mortal de mim. Claro que o Estado me protegia, mas houve um período de grande instabilidade em que o país teve que investir todos os seus recursos em ataque nas fronteiras; os prisioneiros de guerra fugiram - muitos deles espiões inimigos - e eu fiquei vulnerável; tive que fugir sem olhar para trás. Eles me queriam viva e eu sei que eu ia me safar, mas bem na hora que todos os espiões do mundo estavam no meu encalço eu acordei. Acredite você ou não, mas isso foi um sonho meu, e o mais louco nisso tudo é que o sonho foi todo em inglês. Já me disseram para filmar os meus sonhos; bem, isso não é impossível - no Japão alguns cientistas afirmam já terem podido filmar sonhos e pensamentos, e prometem desvendar os maiores segredos dos sonhos. É muito interessante, e, sem dúvida um grande progresso, mas parece sinistra a maneira com que eles prometem estudar o sonho com a mesma exatidão com que se estudam os números. Os sonhos muitas vezes foram motivos de inspirações artísticas - grande parte do legado de muitos artistas é inspirado somente em matéria onírica, e até hoje há quem afirme que os sonhos são revelações divinas ou podem prever o futuro. Seja como for, eu acredito que se os japoneses conseguirem sistematizar essa fonte de inspiração com uma dúzia de fórmulas o mundo vai ficar muito sem graça. Eu ainda sou do tipo que vou dormir não para descansar, mas para ver se o sonho mirabolante que eu terei vai superar os meus anteriores, sem me importar mais com os significados dos mesmos. Tenham bons sonhos.


(Imagem: Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar - Salvador Dali)

6 de setembro de 2011

Aos blogueiros



Não sei se isso tem importância, mas para quem não sabe no último dia 31 foi o Dia do Blog. Parece-me que essa data foi criada na "Idade do ouro" dos blogs; no auge, quando não existiam redes sociais tais como temos hoje e qualquer adolescente fazia um blog para encher de fotos e escrever sobre a sua vida. Essa época acabou. Vieram os flogs e os internautas desertaram em massa; depois veio o já extinto Orkut e o resto você sabe, não? No entanto eu penso que não é uma época ruim para os blogueiros. Quando o Google comprou o Blogger ele trouxe várias inovações que facilitaram a nossa vida (em termos, é claro); agora, ao contrário da época dos blogs, você pode ter contas em todas as redes sociais que você quiser, se quiser, sem necessariamente ter que desertar de uma ou outra. Existem mais de 112 milhões de blogs no mundo e sabe-se lá quantos blogs são criados por dia... O seu blog é sobre o que você quiser, também não precisa ser sobre a sua vida (até porque esse é o "gênero" de blog mais chato). Essa liberdade e diversidade da nossa rede de compartilhamento de ideias só desanima pelo fato de que raramente os bloggueiros mantem o blog ativo por mais de seis meses. A maioria dos blogs que eu vejo quer ter mil visitas logo no primeira semana e depois do período critico de três a seis meses de blog desiste com a típica desculpa de "não levo jeito para escrever" ou "não tenho tempo para isso", et cetera. E aí tem dois caminhos: Dá as cartas ou persiste. Parabéns àqueles que persistem; mas que persistem sem "dar um tempo", sem publicar abobrinha para depois se arrepender a apagar; aqueles que realmente são dedicados - ou seja, nem eu mesma me incluo nessa categoria. Eu não sei o que induziu você que está lendo isso a criar o seu blog (porque provalvemente você tem um), mas eu recomendo que tome logo a sua decisão de continuar ou parar para poupar tempo da sua própria vida. Ser blogueiro é... Não sei, defina você. Eu sei que é como um relacionamento ou uma profissão: tem que haver gosto pela coisa, com dedicação. E eu sou grata a todos os bons escritores de blog que colocam cultura e criatividade nessa Internet e aqueles que sabem apreciar. Vida longa aos bloggueiros!

1 de setembro de 2011

Platônico

Platão morreu sem ter noção do significado que nas gerações posteriores seria atribuído ao seu nome. Eu acho que tal conceito alcançou uma dimensão mais avassaladora do que o filósofo poderia imaginar. O ideal, o perfeito, o belo... Você sabe como é isso na prática? Saiba que não é algo que com facilidade você ilustra com palavras. Pensa: você passou a infância sonhando com super-poderes e de repente você descobre que tem a habilidade de ser invisível e isso não é tão maravilhoso como parecia. De repente você descobre o ideal, o perfeito, o belo, mas não pode atingí-lo. Na sua condição de invisível, você pode somente observar com os olhos de um faminto que observa o banquete dos deuses... Você nunca vai alcançá-lo. Nunca. Jamais. Eis o fardo que você terá de carregar. E se você alcançá-lo - não, não tente alcança-lo, desista. Se você alcançá-lo ele não será mais ideal, perfeito, belo, e você descobrirá que o príncipe não é tão encantado como prometia. Ah, que droga.
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