12 de junho de 2011

Exílio

Olá?

Tem alguém aí?

Há muito tempo eu estou tentando obter algum sinal. E vou continuar tentando. Eu só queria que alguém me tirasse daqui...

Há anos eu não ouço uma voz humana. Todos eles se foram. Meu único companheiro é o mar. O mar e o sol. O sol e a areia. Por quanto tempo mais esse cenário vai ameaçar me engolir?

Cartas nas garrafas, sinais no ar, uma tênue conexão quase perdida eu tento estabelecer. Fico horas mirando o horizonte, todos os dias, penando para que cada dia seja o último dia aqui. Será que ainda há esperança?

Mas será que alguém vai me descobrir, em vida?

Será que no mundo além do que eu enxergo alguém sabe que eu existo?

Eu não sei se eu me perdi ou se me abandonaram. Mas eu fico calculando o tempo com risquinhos nas rochas tentando especular quanto tempo mais eu irei sobreviver...

Tem alguém ouvindo?

Por favor, me salve dessa ilha amaldiçoada, eu estou aos poucos esquecendo as palavras. Eu não consigo sair daqui por conta própria...

Mas será que eu ainda vou sair daqui?

Por favor alguém me responda - é tudo o que eu peço - fale comigo, diga que esse sol e esse sal são somente um pesadelo, fala que tudo acabou e eu estou a salvo...

Fala comigo, alguém, pelo amor de Deus?!

Deus, Você está aí? Fala comigo?

Deus?

Todas as tentativas de comunicação retornam a mim. É como um ciclo inquebrável, uma maldição para quem desafiou a morte depois de um naufrágio...

Tem alguém aí, além de mim?


3 de junho de 2011

Obrigação

É muito provável que nos próximos anos o Brasil - e não só o Brasil, mas também outros países com um nível considerável de desenvolvimento passem a exigir, assim como Israel, o serviço militar feminino obrigatório. Eu não sei como é em Israel, mas no Brasil a mulherada vai ser encarregada de serviços assistenciais e administrativos, enquanto o chumbo mesmo vai ficar com a maior parte dos homens. Eu sei que na realidade para ser um bom soldado, independente do gênero, tem que se ter vocação, mas o serviço militar obrigatório tem as suas vantagens sociais. Por exemplo (não me levem a mal), a muitas moças que vivem em periferias podem surgir oportunidades relevantes na carreira militar ou através dela, principalmente para aquelas que se interessarem pelas áreas de administração e saúde. Eu creio que o principal aspecto do serviço militar para as mulheres que vai ser fiel ao tradicional é a rígida disciplina. E por isso mesmo eu estou dando graças a Deus que agora que eu tenho 18 anos eu não sou obrigada a comparecer no exército. Se eu não tinha disciplina suficiente nem na escola, imagina no serviço militar? Eu até conseguiria me adaptar mas em custa de muito sofrimento. Não que eu seja "rebelde", eu só não me dou bem com prazos e horários, pressão psicológica e pior ainda obrigações. Eu sei que a nossa vida é cheia de obrigações. Já percebeu? Serviço militar obrigatório, voto obrigatório, documentação obrigatória, impostos, e por ai vai. E onde fica a nossa "liberdade"? Isso me faz lembrar daquela frase de Jesus: "Dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Jesus era democrático. Mas se nós cumprimos o dever para com a nação e ainda os deveres religiosos, onde é que fica o nosso individualismo? E isso que eu só mencionei os "deveres do cidadão", mas na sociedade em geral existem milhares de regrinhas tolas que nós (ou eu pelo menos) só seguimos para que não perguntam de que planeta você veio. É. De fato nós temos que nos submeter ao "Controle" para parecer normais. Me pergunto qual é o superpoder dessas pessoas que conseguem seguir as exigências espartanamente. Seguir as normas sociais tem as suas vantagens, mas tudo tem um limite, não é mesmo? Pelo menos eu não consigo ser completa e literalmente normal - se bem que eu consigo manter uma disciplina espartana quando eu quero... O problema é eu querer. De qualquer forma... Ainda sobram as normas técnicas: todo texto tem que ter um final. FIM.
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