29 de abril de 2011

Oh my God!

Dizia Einstein: a tradição é a personalidade dos imbecis. Será? Eu discordo; nem sempre o que rege a tradição será um empecilho no futuro, e tradição também é cultura. O problema é que a moda agora é ser ateu, comunista, acreditando que a Ciência é verdade absoluta, muitas vezes sem nem parar para pensar sobre isso. Eu queria postar uma foto de 2009, que eu tirei da minha irmã num sarau de tradição gauchesca, trajada impecavelmente a rigor. Eu acho que é uma foto mais épica que qualquer uma do casamento de lady Kate, mas eu não tenho nem como descrever. Aliás, a nova princesa deve concordar com Einstein, porque ela queria quebrar algumas das regras de procedimento da cerimônia: não queria usar a coroa, nem entrar de carruagem; não sei se ela fez isso ou cedeu aos costumes, porque eu sinceramente só vi por fotos, e parece que pelo menos a coroa ela encarou. E o vestido dela estava elegante, mas muito sem graça, uma vez que ela tinha todo poder para esbanjar pompa; sou mais a lady Diana... Tá bom, isso não é blog de moda. Mas eu sei que tem bastante gente querendo copiar o vestido da lady, nos blogs que eu sigo - eu não copiaria. E o que eu estava dizendo? Ah, é: a tradição. Existem milhares de mortais na face da Terra que fariam de tudo para entrar no círculo de uma corte tão requintada, ainda que meio utópica, e a princesa afirma em uma entrevista que "prefere seguir as tendências modernas" (doida!). Tudo bem, ela tem esse direito, não? Mas um conselho: mesmo que você não esteja nem aí, guarde bem esse evento, porque eu não duvido que acontece de o próximo príncipe resolver ser gay e bye bye tradition.

Foto: http://bitw.in/uPE

28 de abril de 2011

Loucura

Eu nem sei ao certo como fazer isso, como escrever esse bilhete, mas todos na minha situação o fazem então eu também o farei, ainda que minhas palavras não fiquem claras e ninguém compreenda - ainda que me julguem, que me amaldiçoem por isso; Deus perdoa os loucos. Começou com lapsos de memória, lembranças que eu não tinha, encontrava pessoas que eu nunca tinha visto mas que pareciam estranhamente familiares com seus sorrisos diabólicos. Aos poucos eu fui esquecendo todo o sentimento que um dia eu tive. Fui ficando vazio no peito mas com um vulcão de neve em erupção na minha cabeça. Ainda que eu gritasse, não falava mais alto que as vozes sobrehumanas que me sussurravam aos ouvidos. Ainda que eu parasse, ainda que eu corresse, meus pés me guiariam por um mesmo caminho para o mal... Você não entende, porque isso não aconteceu com você. Se você soubesse... Um dia eu me deitei na minha cama para dormir, e acordei em pé, na escada. Mas eu vestia algo que não eram as roupas de dormir, e... E eu tinha deixado as portas trancadas. Eu procurava alguma coisa, mas o quê? Na verdade tinha alguma coisa procurando por mim, expulsando a minha sanidade. Eu percebi isso quando eu me olhei no espelho e vi aquele mesmo sorriso diabólico na minha figura mas que não era eu, era algo além de mim, que aos poucos me destruía. Você nunca vai entender, mas naquele momento eu vi: era o meu fim. Por isso eu fiz a última coisa sensata que a minha mente obstruída me permitiu, não por mim, mas pelo bem do todos. Encostei a arma na orelha, puxei o gatilho, e por fim perdi a identidade.

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Nota: Não é, de modo algum, apologia ao suicídio, okay? 
Fim da sequência Obssessão, Paranoia, e agora Loucura, desse mês de Abril.

26 de abril de 2011

Memorial de Maria Moura

Eis finalmente um dos melhores livros nacionais que eu já li. Simplicidade das pessoas, vocabulário regionalista, e até mesmo um ar de heroísmo no serão nordestino na época do Brasil Império constroem a trama de "Memorial de Maria Moura", narrado por três personagens principais. Eu gostei do enredo em si; mas em muitos pontos Rachel de Queiroz, a autora, deixou a desejar. Na própria Maria Moura: esquentadinha, sem estratégia, se esconde demais atrás dos "cabras" dela, fala mais do que age, e não é tão "macho" quanto promete ser.  Num capítulo o personagem do padre chega numa vila de descendentes de alemães, no qual ele afirma ser "tudo bruto e primitivo; supersticiosos e pagãos". Descendentes de alemães não são brutos, são frios; e também não somos obrigados a engolir o catolicismo, não é? E a maioria das personagens fêmeas parece ser um bando de diaba. Mas isso é o ponto de vista de quem está bem longe do Nordeste; eu até cheguei a pensar que o romance seria desses que fica batendo na tecla da miséria e desgraça - e me surpreendi. Gostei dos personagens do padre e da prima Marialva; este, apesar de tudo que passa é fiel á sua religião, e a outra que vive um amor bonitinho com o seu noivo de olhos verdes. Também gostei da situação histórica que, o Brasil por ser um país atrazado mesmo em 1850, deu ao romance um ar medieval abrasileirado. Afirmam outros autores que essa foi a principal  obra da escritora. Publicada em 1991, são cerca de 500 páginas que valem a pena ser encaradas, e teve direito até a um filme, em 1994.

18 de abril de 2011

Paranoia

Você já se sentiu exposto? Já sentiu que alguém pode estar investigando a sua vida nas mínimas palavras que você declara na Internet? Estamos te observando. Não, isso é bobagem. Seria o mesmo que dizem que o seu vizinho está querendo saber da sua vida, anotando seus horários e mexendo no seu lixo. Isso seria absurdo. Ou não? Porque alguém iria querer saber da vida do outro? Pois é. Porque as pessoas fofocam, fazem intriguinhas e todas essas maldades? Cuidado. Alguém pode estar te assistindo de camarote e você nem perceber. Pode estar calculando todos os seus passos. Mas se você não quer ser visto, se interne numa caixinha de metal. Ninguém é onisciente, nesse mundo cada um cuida da sua vida. Talvez. Ou então existe algo maior do que Deus, rindo do nosso miserável destino? Os seres humanos são bons, são justos. Na verdade eles são trogloditas egoístas. Não! Não são. Já cansei de me mandarem procurar um psicólogo. Mas porque eu devo pagar alguém para ouvir minhas maluquices? Daqui a pouco eu esqueço tudo. Mas outra hora tudo vem a tona de nova. Não, não, não. Sim... Tudo vai ficar bem, o mundo é lindo. Pensando bem, não é não.

10 de abril de 2011

Até faz sentido

Ah, o Português... O problema é que a gente fala a mesma língua e mesmo assim as vezes a gente se desentende. O meu problema é que eu leio mais do que respiro e ainda assim consigo errar muito. Tem um Português que mexe comigo e acho que nesse ponto você sem dúvida me entendeu (não acredito que eu falei isso). Se o Português tivesse tomado outro rumo no passado eu hoje seria outra pessoa. Mas eu fui condenada a esse idioma estranho num país estranho de pessoas estranhas. O Português não é estranho... Mas não o Português que você está pensando, o Português que só eu sei. Tem algum Português que abala as suas estruturas? (Não responda). O meu Português é diferente do seu mas no fundo é igual. Afinal dizem que eles são todos iguais... Eu sei que eu só me perdi no meio de um monte de palavras sem sentido, mas se o canibal tivesse devorado o Português no passado o Português hoje não devoraria nossas carreiras. Termos, aglutinações, expressões, regras, chantagens emocionais... Ãhn? Muita gente frustrada que nem eu odeia dicionários de Português mas lidando com a arte da palavra escrita não pode dispensar. Que tragédia, não? Precisar de um Português... Digo, precisar *do* Português, você entende né? Eu já sonhei em atravessar o oceano e esquecer dele (o Português), mas eu sei que eu atravesso o oceano e é o Português que eu vou encontrar, e aí a tortura começa de novo.

8 de abril de 2011

Você acredita em Deus?

Quando você recebe essas notícias que chocam a sociedade no meio da tarde, você não pára para pensar? Por certo que não foi a primeira notícia do gênero que você já ouviu. Coincidência é que o massacre de Columbine (1999) também foi no mês de Abril. O massacre-suicídio de ontem, segundo os noticiários, envolvia fanatismo religioso; nas cartas o assassino pedia que "nenhuma pessoa impura tocasse no corpo dele" (ele matou crianças e pediu isso; vai entender). Já no massacre de Columbine, há o boato de que o assassino perguntou a uma das vitimas se ela acreditava em Deus antes de dar o tiro. E ela disse que sim. (É possível também que tal pergunta nunca tenha ocorrido). É um assunto complexo, difícil de entender e chocante. Dá até para escrever um livro a respeito (se já não foi escrito); mas é meio deprimente lidar com assuntos dessa linha.

Uma música "inspirada" no massacre de Columbine:
They didn't love their live so much
As to shrink from death
Inspired in their footsteps
We will march ahead
Don't be shocked that people die
Be surprised you're still alive

7 de abril de 2011

Síndrome de P C Siqueira

Eu me lembro de ter postado vídeos por aqui na empolgação dos primeiros meses de blog. Sabe aquele vídeo que está em alta e todo mundo acha engraçado? Pois é. Eles começam por uma ideia bem original de um humorista amador e de um dia para o outro faz um sucesso imenso. Deve ser o sonho de muita gente que tem entre 13 e 21 anos ter sua meia hora de fama virtual filmada, seja divulgando sua banda, atuando como ator, fazendo embaixadinha, criticando, ou, na maioria dos casos, fazendo um vídeo engraçado. Acho que um segredo para fazer sucesso é morar numa metrópole e ser bem relacionado. Digo isso porque eu percebi que moradores de cidades com menos de 500 mil habitantes não chegam a fama. E se você for ver a maioria das pessoas que fazem isso são do sexo masculino. Eu já conheci muitos e muitos que tiravam um dia de vez em quando para fazer uma filmagem. Vai ver eles não tem medo de se sujar ou se machucar ou falar o que der na telha ou medo do que os outros vão achar. Claro que isso também pode ser feito por escrito na nossa sagrada blogsfera, mas a moda de vlog proporciona mais satisfação, uma vez que quando o sucesso vem ele é explosivo, enquanto um blog precisa de mais tempo. Mas essa satisfação é relativa. Hoje seus vídeos são os mais vistos do YouTube, e amanhã você não é ninguém. (Por acaso alguém lembra de Guilherme Zaiden? Eu lembrei porque eu postei um vídeo dele lá em 2008...).

Um vídeo de um amigo meu e uns outros piá:

6 de abril de 2011

Obsessão

Começou como uma simples ideia, aparentemente brilhante, um projeto, uma plano para o futuro. E lá fui eu. Todos admiraram a minha determinação. Alguns investiram nisso comigo, trocávamos estímulos e comparávamos resultados. Tudo no começo é empolgação, mas nem todos mergulham de cabeça... Muitos desistiram, e ao longo do caminho outros foram desistindo. Isso não é para mim, diziam. Mas eu persisti. Fracos, pensei. Fechei o círculo para me dedicar mais. Comecei a acordar mais cedo e a ir dormir mais tarde. Passava menos tempo em casa ou me trancava no meu quarto. Ás vezes minha irmã me ligava, perguntava se eu não precisava conversar um pouco, talvez isso me fizesse bem. Eu disse que não, que me deixasse em paz, por favor, eu tinha mais o que fazer. E o tempo começou a correr mais rápido. Não tinha mais outra coisa na cabeça. Mal dormia, as vezes nem comia. Não importa, tudo por uma causa justa... Chegaram a me perguntar que tipo de Frankenstein estaria eu criando. Cafeína, calmantes, e nada de luz solar ou ar puro. Quando eu conseguir, sim, quando tudo acabar, eu pensava, eu me preocupo em recuperar a minha saúde - e vai ser em breve. Não me permitia qualquer descanso; todo tempo livre deveria ser aplicado. Não conseguia falar mais sem demonstrar um mínimo de irritação. Minha irmã apareceu na porta do meu quarto, de madrugada, me perguntou se eu não iria dormir. Eu disse a ela para me deixar em paz e fechar a porta, e que não voltasse mais. Mas ela insistiu: Porque você não procura um psiquiatra? Eu me irritei: E porque você não procura um veterinário?! Fechei a porta sem pedir licença e me tranquei. As coisas começavam a dar errado e eu não desistia. Insistia em acreditar naquela doce ilusão a qual eu me entreguei. Vai tudo dar certo, murmurava comigo. Eu negava a verdade que cutucava o meu ombro. Eu já não falava mais com ninguém. Vivia como um fantasma num mundo isolado que eu criara. Lembro de ter visto no espelho uma face pálida de olhos bem abertos. Então, foi esse poltergeist que eu me tornei? Haveria alguém a culpar, a não ser a mim? Eu me deixei enganar por uma utopia e perdi tudo, completamente...
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