21 de fevereiro de 2011

Living la vida loca


Há mais ou menos um ano, navegando pelo YouTube, me chamou atenção um vídeo intitulado: "Lady Gaga tentou me matar" (em inglês). Era nada mais que uma paródia que um astro momentâneo fez aos clipes "estranhos" da musa do Pop, ao mesmo tempo que ele fazia uma lista das coisas que lhe davam medo.

Uma coisa é certa: apesar das esquisitisses e extravagancias, Lady Gaga é uma das poucas loiras americanas (se não a única) que canta de verdade. Ela estudou na melhor Universidade de música dos EUA, e é afinadíssima até ao vivo. O fato é que, aceitando as esquisitisses, não só dela como de outros músicos, vem uma boa notícia: a qualidade musical melhora. Nota-se que a tendência é ser excêntrico com formação clássica; não mais retratando coisinhas bonitinhas nas músicas, mas não deixando de mudar o tom "happy" e sempre demonstrando um certo glamour moderado (ou não). É como se fosse unir o útil ao agradável: as letras das músicas atraem os "oprimidos", o look atrai os esnobes, e a música em si atrai aqueles que cansaram de modismo vazio. E o que é ruim nisso tudo é que a medida que a música Pop melhora, o Rock piora - dizem que é a pior época para os rockeiros. Felizmente a retomada clássica também alcança algumas vertentes do rock (que acabam ficando clássicas de mais). No Brasil, com a febre do funk carioca e do sertanejo universitário, eu creio que quem mais chega perto de tal tendência é uma tal de Mallu Magalhães. Pelo que eu percebo, ela tem influência de rock clássico, de música puramente brasileira e claro, ela é esperta o bastante para saber que cantando em inglês ela vende no exterior também.
Fora as citadas, três cantores que fazem jus ao que eu escrevi acima:

Mika (cantor libanês, o da foto)

Camille (cantora francesa)

Emille Autumn (argentina mucho loka)







13 de fevereiro de 2011

Monopólio ideológico

Esses dias ao abrir o Yahoo! eu notei que a página havia sido redirecionada ao Yahoo americano. Pois bem, antes de voltar ao Yahoo! Brasil e ler meu e-mails como eu pretendia, eu resolvi ler as últimas noticias do mundo e notei uma triste similaridade: as matérias nos sites americanos, todas fresquinhas da BBC eram estranhamente escritas com a mesma precisão e estilo que as nossas. De volta aos sites do Brasil: as matérias sobre o mundo são traduzidas e resumidas fielmente das americanas; se você também tem o hábito de tirar as informações da Internet, note que no inicio do artigo eles acrescentam "Reuters", que é o site de onde o Yahoo, o MSN, e Ig e qualquer outro importam as notícias.
Várias vezes me perguntaram se eu não me interesso em cursar Jornalismo. E eu digo que não. Não, porque a dignidade dos jornalistas se resume a notícias nacionais sobre política que ninguém se interessa, então eles tem que maquiar e fazer pirotecnia de modo que o assunto pareça interessante, sem no entanto dizer o que tem que ser dito - eis a verdade. Dois repórteres brasileiros foram banidos no Cairo em custa de "problemas" com a polícia de lá, mas, porque será que repórteres da BBC não tem esses problemas também? Por causa do monopólio que nos é imposto; nós temos que ir de acordo com o que os americanos ditam porque estamos num país "pobre", mas a Inglaterra e outros países escrevem o que eles bem quiserem - e, pode crer, o pensamento crítico europeu diverge muito do americano. Sabia que no acidente com o Boeing da Gol morreram muitos cientistas brasileiros, mas tudo o que nos disseram foi que o sistema aéreo nacional é precário? Sabia que cerca de 30% dos votos nas últimas eleições foram brancos ou nulos, mas só ficamos sabendo das discussões sobre aborto dos candidatos?
Em uma ingênua época da minha vida eu levava a sério esse tal de Jornalismo, e perdia um bom tempo com CNN, Globo News, revista Época, ISTOÉ, A Gazeta do Povo (principal jornal paranaense) e outras coisas mais. Depois eu me desiludi e me limitei a ler José de Alencar e similares, e fiquei tão desatualizada que se me perguntassem qualquer acontecimento recente, fosse de um dia ou um mês antes, eu ficaria boiando. Jornalismo nunca mais. Pensei em Letras, Medicina, História, Psicologia. Descartei todos e tentei Direito. Direito pode ser igualmente desonesto e anti-ético, mas... Pelo menos eu não vou ser responsável pela alienação de muitos. Agora só resta dançar conforme a música.
(Para esclarecer: a Reuters é americana e a BBC britanica, mas a cobertura no Egito foi feita pela BBC e ainda assim apresentada no Yahoo americano. Não sei dizer porque, talvez seja ética jornalística, vai saber)

10 de fevereiro de 2011

O mal do século XXI

depressão (substantivo feminino)
1. Abaixamento de nível.
2. Fig. Enfraquecimento, abatimento, físico ou moral.
3. Achatamento, cavidade pouco profunda.
depressão mental: perturbação mental caracterizada pela ansiedade e pela melancolia.
depressão nervosa: estado patológico de sofrimento psíquico assinalado por um abaixamento do sentimento de valor pessoal, por pessimismo e por uma inapetência face à vida.

Uma coisa que eu não entendo mas vejo que é cada vez mais comum é o sentimento de inferioridade e conformismo que contamina a população. Como é possível as pessoas se curvarem para serem pisadas? Ficarem passivamente assistindo as coisas acontecerem, simplesmente? Isso eu não chamo de apatia, mas sim de medo. Todos temos problemas, fracassos, dificuldades, falhas, não adianta se fazer de vítima esperando que alguém apareça na sua vida e resolva o que você se julga incapaz de solucionar. Também não adianta tomar como base a vida de uma outra pessoa e ficar na ladainha de: mas ele(a) é inteligente, eu sou burro(a), ele é bonito(a), eu sou feio(a) - porque qualquer um pode ser inteligente ou belo explorando bem suas capacidades físicas e intelectuais, e também porque não se pode afirmar que uma pessoa tem a vida perfeita sem saber como é estar na pele dela.
Vou contar uma história. Quando eu era criança eu tinha medo de altura. Um dia eu atravessei uma ponte olhando para baixo. Fim. Nunca mais tive medo. E eu não tenho medo de avião, como suposto na postagem anterior. Na verdade quem fica com medo é você.
(Me desculpe caso sua vida for maravilhosa, estas palavras não são para você).
Mas se te julgarem mal, não espere que as pessoas te deem valor se você mesmo não o faz.
Psicologia deve ser uma área profissional muito bem remunerada, por lidar frequentemente com pessoas de sentimentos oprimidos e mente fechada. Com todo respeito, eu prefiro passar longe. Pode ser infeccioso.
(Sabia que pode existir um gênio dentro de cada um de nós?)

4 de fevereiro de 2011

O sonho

  (rise up
          rise up
                rise up

                                                       Don't falling down, again)


"Penso, logo existo". A única certeza que se pode ter, me disseram. Mas chega um momento em que  se questiona a veridicidade do ser pensante, e então nada é o que parece. 

(Nevermind)

Pessoas de todos os idiomas e etnias, com parentes, amigos e eletronicos.  Minha cidade, diga-se de passagem, é uma amostra de todas as culturas de todos os lugares do Mundo e do País.

E eu, é claro. Sozinha. Na janela. Ninguém tem medo. Só eu. É constrangedor.

Mais rápido. Fazemos uma curva, aceleramos mais (meu coração para) e deixamos o chão. Eu vejo o mundo lá fora nos abandonar, cada vez mais distante.  O verde, ainda bastante comum, aos poucos fazia o continente parecer um vasto tapete.

(Mais alto)

Vagueamos entre uma nuvem e outra. Essas nuvens do branco mais puro parece que ostentam o busto dos Grandes. Filósofos, escritores, líderes políticos, heróis de épocas remotas. E eu me pergunto se eu estarei ali entre eles, um dia, quando minha vida acabar. É o que eu sempre quis. 

Um sonho tem o tamanho de quem o sonha, me disseram. É o que vamos ver.

O Céu azul, mais azul que o Mar, mais azul que o olho daquele cujo olho é azul - mais azul do que nunca, me fez ver que ele possivelmente era a inspiração terrestre para tudo o que quer que fosse azul. (Estaríamos passando por Céu Azul?)

Mas apesar do belíssimo cenário em verde, branco e azul, um presságio me consome. Fecho os olhos, fico a ouvir. É como ser carregado por um pássaro, mas sem sentir o vento nem o sol direto na pele, e com o detalhe de que parece que os tímpanos querem voltar para o solo sem o resto do corpo.

Manobras, oscilações (medo) e barulho. Mantenho os olhos cerrados numa tentativa inconsciente de divergir o pensamento a respeito daquilo que eu tenho certeza que vai acontecer.

Senhores passageiros, informamos que haverá um atraso dado um período de instabilidade imprevisto.

Imprevisto?

As oscilações ficam cada vez piores, eu me sinto enjoada. Mas não abro os olhos de modo algum.

E pioram.

Parece que o pássaro se transformou num carro de corrida passando numa estrada extremamente esburacada.

Não resisto mais, e abro os olhos. OMFG! Tudo escuro e mais barulhento. Ninguém consegue conservar qualquer espécie de objeto consigo, bagagens de mão caem dos compartimentos superiores.

Máscaras de ar caem dos compartimentos superiores.

Todo mundo, posso dizer, tem medo. Inclusive eu. É apavorante.

Mas afinal minha vida acaba e eu estou ali entre eles.

Senhores passageiros, confessem seus pecados...
...porque nós vamos para o Inferno.

A luz interna acaba, gritos, oscilações violentas, e... O pássaro está caindo, não tem mais controle sobre si.

Caímos mais, e mais e mais...

E eu caio. Em mim. Abro os olhos - para a vigília. Não se preocupe, foi só um sonho. Apenas um simples sonho.

Desde aqueles tempos em que a civilização ainda não era civilização, meu caro leitor, a humanidade especulava como seria sentir a liberdade de cruzar os céus. Voar sempre fora o sonho da humanidade.

Mas não o meu.
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