28 de novembro de 2010

Cinco minutos

Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

7 de novembro de 2010

Enem 2010 e sua pérolas

Acabou. Fim. O tão comentado ENEM, afinal, não é tudo aquilo que diziam. Na verdade não é nem 10 por cento do que diziam. O exame que eu e mais um punhado de jovensinhos por aí fizemos ontem e hoje estava meio... Sem noção? Não tem termo certo para tal. A provinha sempre recorre ao politicamente correto, o que eu chamo de hipocritamente aceito. Não sei, o cara que elaborou as questões deve ter sérios problemas afetivos; as questões abordavam temas "corretos" como preconceito contra homossexuais e racismo sem que tais fossem necessários para chutar inferir na resposta, sem contar que esse cara devia amar indígenas a ponto de usa-los como enfeite de várias questões. Que decepção, meu primeiro Enem... O porque disso eu não sei, mas eu não vou levar nada como lição e a sociedade só fica mais ridícula depois de uma prova assim. Na boa, na verdade ninguém liga para temas sociais e o Enem só piorou a situação. Segundo o Enem, Tiradentes fez um cover de Jesus, e os tropeiros mudaram o rumo do país com o seu feijão, e é possível tomar vacina contra o despotismo. Deixando de lado as questões: gabarito com erro no enunciado, questões com alternativas repetidas e cheias de impressões digitais (aposto que vazou de novo), tudo isso na prova amarela do primeiro dia que eu tive a sorte de pegar e mais gente reclamou. E o andamento então, ah, revoltante: havia um punhado de regras, que inclusive você se acostuma a elas fazendo simulados, mas na hora H deixam o povo atrasado entrar, usar lápis, borracha, canetinha colorida a gel e com cheiro mesmo que tenham dito que só era permitido o uso de caneta preta transparente, sem contar que tinha gente que levou uma cestinha de lanche e a cada questão comia uma guloseima. Ontem uma guria tinha "esquecido" o celular no bolso, tocou e o fiscal simplesmente recolheu. Ué, não tinham dito que "o candidato seria eliminado"? Na hora eu não dei muita atenção; estava muito ocupada chutando as questões de Química, sem ter muita sorte. Aliás, sorte foi o que me faltou nesses dias. Errei no gabarito, confundi alternativas, pulei exercícios, e hoje eu tentei fazer as questões de Matemática sem chutar, até que o fiscal disse que faltavam vinte minutos e eu tinha ainda trinta exercícios pela frente, e aí não teve jeito. Ó vida frustrada. Pelo menos na redação eu me dei bem, se não for eu mato pessoalmente quem elaborou aquela proposta from hell. Por último, me diga você: o que o Voleibol tem a ver com Linguagens, Códigos e suas Tecnologias?
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