31 de outubro de 2010

Os fungos obscenos

Feliz dia das bruxas. Ou Halloween, se você for estrangeiro. Hoje se comemora uma data não meramente comercial, mas simbólica; alguns povos antigos costumavam tirar um dia, acredita-se que nos solsticios de inverno, para prestar tributos aos seus mortos seguindo suas crenças. Mais tarde surgiu o Cristianismo, que reaproveitou muitos dos costumes pagãos e os moldou conforme a sua época e demanda, criando o nosso dia de Finados; dia das bruxas e Halloween já é algo folclórico, mas também advindo dos mencionados povos antigos (os Celtas em suma). É, pode crer que paganismo não é coisa do demo como você pensa. Mas então da onde vem a associação de medo que essa data trás? Das tradições pagãs? Vejamos: os vampiros, criaturas da mitologia eslava que hoje tem uma imagem deturpada, eram nada mais que zumbis noturnos chupa-sangue, que não amavam, não brilhavam no sol e nem tinham super-poderes; a brutalidade com que as crenças antigas se mostram aos nossos olhos conformistas e sedentários é o que origina o medo - eis minha teoria. Hoje, então, deveria ser o dia em que as pessoas acordam dispostas a enfrentar seus medos, certo? Em termos. Há quem encare e há quem fique roendo unhas.
Os que costumam testar os seus limites ou se destacam ou seguem o exemplo de alguém. Numa época em que a literatura era a melhor forma de entretenimento e o politicamente correto chegava a ser opressivo, Edgar Allan Poe publica as suas melhores histórias. Edgar Allan Poe é um nome que você passa a não esquecer a partir do momento que lê. Utilizando-se de apelo psicológico em seus textos, ele é considerado o pai da literatura de terror e outros gêneros; não só seus escritos são lidos até hoje como também ele influenciou as gerações posteriores de adeptos ao terror e o fantástico, como Howard Phillip Lovecraft, que era fã incontestável de Poe, e o contemporâneo Clive Barker. Mas a influencia não se limita a Literatura; um bom exemplo é a banda estadunidense Iron Maiden e a canção Murders in The Rue Morgue, que é uma referencia a um conto de Poe com o mesmo título (em português, Os Crimes da Rua Morgue).
Talvez você tenha reparado que eu nada citei sobre esse contexto dentro do Brasil. Ao meu ver é lamentável que a maioria dos autores daqui se vendam por pouco fazendo literatura pobre. Digo isso porque eu pouco entendo de cinema, mas eu duvido que a cinematografia local não deixe a desejar. Uma coisa que seria interessante é usar o nosso folclore explorando-o de modo engenhoso - quando eu era criança eu morria de medo da "Cuca", mas se bem explorada pode dar um susto até em um adulto - fica a dica, se você quer ser escritor de terror, senão deixe isso para mim. Eu fico por aqui, mas talvez eu vá votar contra uma bruxa. Ah, antes que eu me esqueça, o título é uma homenagem a Lovecraft; um dia eu estava a ler "À procura de Kadath" e eu me deparei com esse termo, fungos obscenos. O livro é cheio de termos assim, mas eu interrompi a leitura e fiquei uma meia hora imaginando o que seriam fungos obscenos na concepção do autor. A conclusão que eu cheguei é a mesma que você vai chegar...

21 de outubro de 2010

E agora?

O vestibular chegou,
A tensão acirrou
O mundo pressionou
O dia interveio.
E agora, José?
E agora, você?
Que concorre comigo
que olha ao redor
que toma notas
estuda, contesta

Está sem dormir
está sem comer
está sem rascunho
O tempo acabou
O texto acabou
A resposta não veio
o gabarito não veio
e o mundo parou.

E agora, meu Deus?
se você calculasse
se você respirasse
se você lembrasse
a rima do macete
mas você não consegue
Você é burro, José!

Com a cabeça nas mãos
quer encontrar a resposta
não há resposta
pensa em colar...
Colar não consegue
Quer se jogar da ponte
a ponte está longe
quer mais uma chance
outro tem a sua chance
E agora?

A sua antologia
a sua calculadora
a sua biblioteca
a sua tabela periódica
a sua Internet
a sua ignorância
os seus nervos - e agora?

o ENEM melhorou
sem aliviar o peso...
sem estrangular o medo.
morrendo por dentro
como que envenenado
com a própria agonia
Tenta se acalmar
Como, José - COMO?


Nota: Enem é uma b*sta, mas na época eu não sabia.
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