28 de julho de 2010

Ambrosia


E finalmente eu tenho na ponta dos dedos o poder de transformar o mundo. Até os deuses me temem! Eu pretendo subir ao mais alto castelo de mármore e destronar o deus dos deuses. Eu posso petrificar o mundo, se eu quiser, e admirar a sua macabra beleza solitário, enquanto o Sol inveja a minha mão. As Moiras se preparam para cortar o fio. O Oráculo amaldiçoa o dia em que ele me apontou como Rei. Sim, eu sou Rei, o Senhor do Ouro, e todo aquele que quiser compartilhar comigo a eterna riqueza sentirá na pele a minha carícia e então irá direto para o Hades. O mais miserável dos homens poderá ser tão precioso quanto o nobre metal. E tudo será meu! A mim pertencerá a eterna glória, as rosas a mim reservarão seu perfume e toda a música será cantada em glória ao meu nome. Pobres dos deuses, cujos poderes decaíram... Eu lhes roubei o controle da Natureza e eles agora nada podem fazer. É a minha perfeição. Não desejo nada mais, consegui tudo que eu queria. Agora eu sou um deus!

Nota: all rights reseved

24 de julho de 2010

Tente novamente...



Já tentei. Já falhei. Não importa. Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor.

16 de julho de 2010

Olho por olho

E por fim ele disse alguma coisa, olhando diretamente nos olhos.
- O que eu estou fazendo agora, não é por traição ou vingança. Simplesmente o destino tem um humor sarcástico e cruzou nossos caminhos. Onde está o seu deus agora? Chame ele, ele não deve ser melhor que você. Adoraria acabar com os dois. Ha, você tem que ver a sua cara. Parece que seus olhos vão lhe saltar da face. Se eles falassem, eles estariam gritando agora. Tudo isso é medo? De mim? Você sempre tão covarde... Seus olhos fazem uma cena deplorável; brilham de desespero e estão quase completamente vermelhos. Se importa se eu os conservar depois, como se conserva um inseto? Não me leve a mal, só quero lembrar de você quando eu precisar rir... Não, os vermes farão melhor proveito. Sinto ter que fazer isso... Na verdade, não sinto não. 
E por fim ele puxou o gatilho. O tiro acertou em cheio a testa da vítima, que estava amarrada numa cadeira e amordaçada; a cadeira tombou em cima de um rastro de sangue e miolos. Mas seus olhos continuaram abertos. Bem abertos. E o assassino continuou com a arma empunhada, como se ela fosse um amuleto. Aqueles olhos já não tinham mais vida. Não mais brilhavam, mas encaravam fixamente o outro, como se o deus invocado estivesse agora usando o cadáver para intimidar. Talvez estivesse paranóico, mas o assassino ficou mais de quinze minutos completamente imóvel, quase tremendo. Com os olhos bem abertos, agora era ele que tinha os olhos brilhando. Mas não o brilho por nós conhecido; um brilho azulado, mortal, como se ele tivesse brincado com a morte e agora ela viesse brincar com ele.

13 de julho de 2010

Viva o Rock

Ouvi dizer que hoje é o dia do rock. Um salve a todos aqueles que fazem a diferença nesse género que se difere e ao mesmo tempo se funde com muitos outros. Um viva aos metaleiros, aos punks, aos góticos, aos indies, até mesmo aos poucos raros emos que seguiram o caminho certo e a todos os outros que definem um estilo. Parabéns aos revolucionários, aos depressivos, aos frustrados, aos românticos, aos inconformados, aos cristãos, aos satânicos, aos ateus - a todos que fazem do rock um estilo de vida,. Um salve dobrado aqueles compositores que fazem e fizeram história, e também aqueles que exibem seu talento no cenário atual. Parabéns adiantado a quem for capaz de subir ao palco e igualar (ou até mesmo superar) os grandes nomes. Parabéns a nós, que obtemos uma ideologia por trás das guitarras, baterias e vozes. Um agradecimento a quem não tiver preconceito contra o rock nosso que vem do céu (ou do inferno, ou da terra mesmo). Essa breve postagem é para vocês, e a vocês, dedico uma música.


5 de julho de 2010

O suicidio do jovem Werther

Existem certas coisas nessa vida que eu creio que só eu encaro. Outro dia, por exemplo, eu acabei encontrando um livro que eu não tenho notícia de nenhum ser vivente que tenha lido, nem mesmo os meus professores de literatura, no entanto, o autor é de nome popular: Goethe. Eu tenho vicio por esses autores estrangeiros cujos nomes eu mal sei pronunciar, mas esse em particular me fascinou. É o drama de Werther, um jovem muito apaixonado que, por não ser correspondido por sua amada, se reclue a ponto de cometer o suicídio. Na época, a obra gerou uma onda de suicídio em massa tanto que chegaram a censurá-la para conter essa onda, tamanha era a profundidade das palavras do autor. Queria eu viver na época do Romantismo e simplesmente "morrer de amores". Hoje em dia, quem ler o livro vai dizer que se trata de um jovem tolo cujo único remédio era mesmo a morte. Mas quem disser isso provavelmente deve ser um(a) fã de "Gossip Girl" que não sabe compor um texto que vá além de superficialidades. Mas o que são a maioria das pessoas senão isso? Werther viveu por amor e morreu por iniciativa própria; obviamente, isso vem a ser trivialidade hoje em dia, pois as pessoas não mais amam e muito menos são corajosas o suficiente para ir dizer um olá ao pai celestial. Sim, estou querendo dizer que, sim, suicídio é um ato de coragem, e, por favor, não seja você um evangélico hipócrita a ponto de querer encontrar uma passagem na bíblia afirmando que suicidas não vão para o céu (se é que existe um), por que, o suposto Deus, se for realmente justo, vai recompensar os que sofreram - pois quem se suicida não virá a cometê-lo por que quebrou a unha, não é mesmo? Se bem que... O suicídio, hoje em dia, deve ser causado, não pelo amor, mas pela falta dele. A solidão é o motivo mais comum, e a Internet parece que só afasta as pessoas e dificulta o relacionamento real. No caso de pessoas assim, porque o suicídio seria "covardia"? Quem não tem ninguém não tem responsabilidade para com ninguém a não ser a si próprio, e, adiantar a morte talvez seja a lamentável solução. Mas sem dúvida, suicídio é covardia quando se trata de alguém cujo cargo exige uma grande responsabilidade: Dizem que Hitler se suicidou (eu, particularmente, duvido), mas caso fosse, esse sim teria sido um covarde exemplar, como Getúlio Vargas (outro que eu duvido). As vezes eu acho que alemães devem ter uma tendência maior ao suicídio; eu mesma sou descendente e conto com alguns casos na família. Sim, também já pensei em suicídio (talvez mais uma das coisas que só eu encare...), mas um dia eu descobri que eu tenho muito a descobrir, então resolvi adiar o prazo final. Até lá, só me resta tremer pelo jovem Werther.
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