12 de março de 2010

Uma Canção

Eu não sei quem eu sou, não sei onde estou, não me pergunte. Talvez eu seja um átomo nessa atmosfera pesada, ou talvez eu seja o Sol a ouvir, melancólico... De qualquer modo, eu só sei o que eu ouço. E eu ouço um piano, uma harpa, um violoncelo, e três vozes; duas masculinas, e uma feminina. Eles cantam num tom triste, entoam uma situação de puro frenesi destrutivo. Eu preferia poder não ouvir isso. A primeira voz masculina, é mais aguda, constantemente faz coro com a feminina, como se eles se lamuriassem um para o outro. Ambos têm vozes altivas, porém melancólicas. Provavelmente eles sejam rei e rainha, diante de uma guerra prestes a ser perdida. Em alguns momentos eu ouço somente o suposto rei e o piano, ele canta lentamente como que segurando a respiração. E mais uma vez a dama canta junto a ele; eles enfatizam mais a voz, num tom apaixonado, desesperado, como se estivessem observando a morte caminhar direto para eles (ainda bem que eu só ouço). E a terceira voz, também canta lentamente, mas com real calma, como se estivesse falando ao casal, e agora, eu só ouço ele, e os instrumentos em alguns intervalos. Ele canta com uma dignidade.. E o rei canta para ele, agora num tom humilde, se lamenta, pois suas ações o levaram a decadência (essa me é uma língua estranha). O outro homem, que possivelmente é um soldado, ainda com a voz calma, tem a certeza de que mesmo que nunca mais veja a mãe ou a esposa por causa de um erro que não foi seu, mesmo que precise dar todo seu sangue pela sua pátria e tudo que lhe reste seja a sua própria espada, ele crê que certamente os deuses lhe darão um lugar dentre os heróis. Eu queria poder vê-los... As vozes se alteram, os instrumentos cedem bruscamente. O inimigo chegou.

9 de março de 2010

Onde estão nossos "musos"?

Ontem foi dia internacional da mulher. Parabéns para aquelas que merecem, para aquelas que honram o gênero e não ficam na vulgaridade (já elimina-se uns 60 por cento nesse parabéns). Pois bem, não vim aqui hoje, gastar meu precioso tempo de estudos pré-vestibulares para ficar fazendo apelo sexista. O apelo que eu farei é destinado ás minhas colegas de gênero, todas. Moças, onde está a inspiração? Dizem que as mulheres são românticas, sensíveis, mas... Convenhamos, poucas, poucas o são. Não é porque você é chorona que você é sensível, e não é porque você acha tudo "bonitinho, engraçadinho" que você é meiga. Se você é chorona você é fraca e se você acha tudo "inho" você é infantil (desculpe). Vejamos, as mais belas histórias de amor, foram... Escritas por homens. E, direcionando para uma coisa que eu aprecio, a Literatura, eu digo que nunca uma autora chegou a despertar em mim o romantismo. Mas houve Shakespeare, Homero, Lorde Byron... O que eles tem que nós não temos, gurias? Pode vir com esse assunto de que as mulheres não podiam ser escritoras no passado, tudo bem. Mas olhe para as escritoras contemporâneas. Superficial de mais, a maioria escreve não para fazer uma obra original, mas sim para vender (isso vale para autores também). Eu não os culpo, considerando os tempos modernos, tudo hoje em dia é assim. Vamos citar o modelo das mais famosas series: personagem principal desajeitada, que ama um cara "perfeito" na escola onde estuda, e de repente ele começa a olhar para ela. Não é assim? Meg Cabot, Stephanie Mayer, Talita Rebouças, etc. Essa última ainda faz apelo ao "jeitinho brasileiro-vulgar" nas suas publicações. Eu creio que nunca na história desse país se fez algo original. Quando eu estou numa livraria ou biblioteca, eu vou direto para os livros de terror, de ficção científica ou de qualquer outra coisa, de preferencia que tenha mais de 100 anos de publicação. Antes, quando eu me apaixonava ou estava inspirada eu procurava saber se houve alguém tão "louco de amores", como eu. Encontrei, mas nenhuma mulher. Elas não amam também? Elas não tem bom-senso poético? Eu desisti dessa questão faz tempo. Se você for mulher e quiser ser ou é escritora, por tudo que é mais sagrado, considere isso, por favor. Enquanto isso, fico com o bom e velho Edgar Allan Poe.
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