17 de outubro de 2009

Profs, essa é para vocês

Outubro, nunca tive um outubro como esse. As matrículas já estão abertas pra quem quiser estudar ano que vem. Eu quero estudar ano que vem, só não sei se eu quero que ano que vem seja o último. Não que eu ame a escola, mas na faculdade os professores parecem zumbis, entram e saem, se duvidar nem dizem bom dia ou boa noite, eles fazem o que querem, simplesmente, como se tivessem sozinhos no mundo, nem aí pra nada. Minha mãe disse que "é porque eles são adultos dando aulas para adultos, não para um bando de crianças".
Adultos. Incrível, professores são adultos, não robos que nasceram para dar aula. E tem uns que ainda gostam da profissão, vê se pode. Eu tenho vagas lembranças das "tias" da creche, quando eu era tão minúscula que eu nem conseguia subir uma escada, minhas pernas eram muito curtas. Essas sim deviam gostar da profissão, cuidar de um bando de criancinhas cabeça de vento como eu, que volta e meia caiam e se sujavam, se perdiam, brincavam e misturavam os piolhos, que ficavam berrando na porta pra voltar para casa. Mas logo quando eu já conseguia subir uma escada, eu fui para uma escola de verdade. Não mudou muito, lá tinha tias, hino nacional, outros bebezinhos e lanche. Isso era a escola para mim. Eu lembro o primeiro dia, minha mãe foi comigo, mas no segundo ela só foi até o portão. Eu implorava para voltar pra casa, tentava fugir da escola, corria e corria.
Mas aí lá vem o primário. As então professoras quase morreram para me ensinar as letras e os números que eu sempre esquecia. Eu corria, era maior que as outras crianças e levava vantagem, mas sempre levando sermão. Infância é a melhor fase, você corre, brinca de coisas toscas, leva picada de abelha, se queima no sol, se perde, mata as professoras e monitores de preocupação e não ta nem aí. Mas isso se supera, se eles tiverem paciencia com você, como provavelmente tiveram comigo, me fazendo re-escrever palavras, explicando o erro, ensinando brincadeiras nas quais nós não nos machucaríamos, ensinando coisas como amarrar o cadarço e não se cortar com a tesoura, cantando e ensinando músicas, dando prémios, passeando connosco e etc. A vida foi boa até os dez anos. Mas aí veio uma outra questão: o ensino fundamental. Sinceramente, não via graça nenhuma nos adolescentes, eles eram feios, problemáticos, rebeldes e roqueiros. E eu nem queria crescer...
Mas crescer é inevitável. Quinta série e os professores nos tratavam como "gente". Eles ficavam falando que não tiveram a oportunidade que estávamos desperdiçando, que com a nossa idade eles já trabalhavam e blá blá blá. Eu, por minha vez, achava que eles só estavam fazendo o trabalho deles, não gostava de nenhum e também não respeitava. O secundário foi o oposto do primário, a diferença é que eu ainda não gostava de escola. Quem me conhece hoje não acreditaria, mas eu travei uma guerra contra os professores que me tiravam da sala por mau comportamento, recolhiam de mim celulares, MP3, livros e outras coisas mais, também me faziam limpar carteiras que eu rabisquei, pedir desculpas a colegas que eu ofendi (outra guerra que eu tinha), e reclamavam dos meus atrasos, indisciplina e notas ruins. Veja só, eu me tornei tudo o que eu temia: Com a puberdade não tinha mais o rosto liso, criava problemas, também não aceitava as coisas na boa, e com um desenvolvi um gosto musical não muito aceitável. Preciso dizer mais?
Calma, as coisas mudam. Uma hora eu troquei meu egoísmo por cordialidade, meus Harry Potteres por clássicos e best sellers, arrogância por simpatia, fones de ouvidos por conselhos. Ensino médio. Agora perecia que os meus professores sabiam meu nome. Eles conversam comigo, me emprestam ou recomendam livros, alguns até lêem meus blogs. Ei, profs, essa postagem é pra vocês. Longa jornada escolar essa, para mim falta pouco para terminar, e uma vez na vida eu não quero fugir da escola. Eu ainda me pergunto como vocês podem gostar da profissão, lidando com aborrescentes filhos dos outros. Mas pensando bem, o que teria sido de nós sem vocês? Ei, profs, parabéns, feliz dia dos profs (atrasado), e pensando bem, todo dia, é o seu dia.
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