6 de julho de 2009

Sangue, Suor e Porrada II

Aquela manhã foi uma manhã de inverno em que, literal e figuradamente, se fechou o tempo. Entenda melhor: Estava nublado, uma temperatura de aproximadamente 15 graus com um vento fazendo uma sensação térmica de dez. Dando uma olhada no local se notaria que os alunos mais velhos estavam fora das classes; estavam nos corredores, na biblioteca, na fila da cantina, no portão, no pátio, na quadra jogando linha, ou basquete, ou simplesmente quicando, ou sentados observando e conversando, alguns comendo, outros tirando fotos de si mesmos, outros ainda compartilhando fones de ouvidos ou qualquer porcaria moderninha, com pouca liberdade perante a monitoria.
Mas ai aparece uma garota, de cabelos intencionalmente presos para trás, andando determinada com um olhar penetrante nas costas de uma outra. Essa garota chamava-se Tainá Ramos Matias, mais conhecida como "Tái", era aluna do primeiro ano, tinha catorze anos, 1,77, fazia judo e academia, e agora tinha um assunto em mente para ser resolvido imediatamente. A outra garota, estava num lado extremo da quadra, quicando, mas quicando muito mal, machucando aos outros e rindo falsamente. Ela se chamava Camila Hoffmann, conhecida como "Cacá", aluna da oitava série, também tinha seus catorze anos, 1,72, jogava volei e fazia academia, e não tinha nem ideia do que viria a seguir.
E o que veio foi um trovão terrivelmente estrondoso, tão estrondoso que seria capaz de rachar o mundo. De reflexo Cacá se abaixou desequilibrada como se o estrondo tivesse atingido algo acima dela; com as mãos sobre os orelhas e o cabelo no rosto não percebeu quando Tái se aproximou e só a notou quando sentiu seu chute nas costelas, tentou por-se ereta mas levara uma rasteira batendo com a cabeça no chão e retardando os movimentos. A essa altura os monitores se voltaram para a briga. O primeiro tentou afastar as duas e foi ao chão. O segundo tentou segurar uma das duas e foi ao chão. O terceiro nem tentou, com os olhos arregalados falou no interfone e deu as costas apressado em diração a diretoria. E os alunos ficaram livres para formar uma roda em volta das duas tirando fotos, filmando, apostando e sancionando; a principio o ensino fundamental por Cacá e o médio por Tái, mas depois começaram a surgir rumores a respeito do motivo da briga e muitos dos estudantes se reposicionaram.
Quem pôs ordem no local foi o Coordenador, com o reforço de dois professores e três alunos para separar as duas. Tái segurava o cabelo de Cacá com uma mão e com a outra dava socos alternados quando finalmente cedeu. Os alunos deram passagem para as alunas lutadoras, cada uma encaminhada para um lado diferente. O motivo da briga só elas poderiam responder no momento, mas acreditavam os alunos que era uma questão de honra para Tái; pois a adversária espalhara mentiras comprometedoras a seu respeito e durante a desavença ela a intimidava a desmentir tudo. Por fim, o sinal bateu, os alunos voltaram para a classe em meio a murmúrios, e na última aula, quando Tái voltou para a sala, seus colegas se levantaram e aplaudiram, deram tapinhas nas costas e a parabenizaram como se tivesse ganhado uma disputa de boxe, faltando apenas ganhar um buque de rosas.
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