19 de maio de 2009

O adolescente em sociedade

Eu estava lá no aeroporto, afim de fazer uma viagem, como qualquer outra pessoa no mundo. Era a minha primeira viagem de avião, e eu estava só - o que torna aceitável o fato de eu ter requerido ajuda. Ocorreu que a aeromoça que havia sido solicitada para ajuda olhou-me nos olhos e me perguntou a idade. Eu tinha catorze anos, próxima dos quinze. Então você ainda é criança, ela disse.
- Desculpa aí, , velha.
Não, eu não respondi isso, mas eu bem queria. Apesar dos quase dois metros de altura, eu não daria vinte e três anos para aquela rapariga. Me intriga a maneira como esses caras que têm entre dezoito e vinte e cinco anos se consideram muito adultos simplesmente pelo fato de acabarem de ter ganho a maioridade. Quando eu tinha onze anos, ainda que contrafeita, eu até consentiria, pois naquela época eu ainda brincava no recreio. Mas chegaram os doze - com o mesmo procedimento - os treze, os catorze, os quinze e finalmente os dezesseis. Pode me dizer que vai chegar a minha vez de agir de tal modo, mas eu ouvi de adultos de verdade que a adolescência só termina aos trinta e seis anos.
Houve um tempo em que os teens já eram considerados gente. Não somente para se casar ou tocar o negócio do pai, mas alguns também eram respeitados e fizeram coisas ilustre, como dar aulas em universidades aos dezesseis anos, conquistar nações aos vinte, tornar-se um consagrado escritor antes dos 20 ou se tornar um exemplo a ser seguido por muitos desde os dose anos. Álvares de Azevedo, um escritor da segunda geração romântica no Brasil, seria um ótimo exemplo a ser dado, pois ele viveu somente seus vinte anos e a sua curta vida foi completamente celebre.
Mas hoje em dia as coisas não são mais as mesmas. Eu sei, nós, adolescentes, fazemos parte e de certa forma influenciamos a sociedade, mas eu, com os meus desesseis aninhos assisto a adultos temerem qualquer um que esteja usando gorro, não confiarem em palavra dita por menores, verem os mesmos como indivíduos de fraca opinião e espirito rebelde. Os pais, aqueles que se podem julgar de bons pais, tentam proteger-nos de nós mesmos.
Mas analisando mais clinicamente: a culpa é toda nossa. A maioria dos adolescentes tem de fato um quê de rebeldia e opinião chula. Tendem a ser drásticos - muitos querem se tornar "os fodas" tendo um corpo bombado e calçando um par de nike; fazem loucuras com os corpos e os cabelos (e as vezes com o meio) para ganhar status.
Naquela viagem eu cheguei ao meu destino sem nem me esquentar um tiquinho com a hospedeira de bordo. Não haveria necessidade com relação a isso, de certo modo eu realmente ainda era criança. Eu me lembrei de uma vez anos antes quando eu definitivamente decidi que não queria crescer. Estava eu certa: ser criança foi bom, adolescente, nem tanto, e adulta, nem quero esperar para ver.
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