4 de fevereiro de 2009

Ontem

Mal colocamos os pés na rua e o céu pareceu desabar sobre nossos ombros. Apenas alguns instantes foram suficiente para me molhar até a alma. Eu e minha mãe saímos correndo, ela com aquele jeito de cocota, e eu correndo talvez pra me molhar ainda mais se possível. Sabe, eu não aproveito a chuva dessa maneira desde que eu tinha uns 9 ou 10 anos, e, sinceramente, eu adorei. Como é bom conseguir esquecer completamente do calor em pleno verão!
A gente chegou logo em casa, eu primeiro é claro. E você acha que eu dei o dia por vencido? Se acha, não me conhece, porque eu nem entrei em casa, fui de baixo de chuva mesmo chamar a minha amiga de infância e companheira de aventuras anormais, a Josi, para se molhar comigo. Ela estava até bem aconchegada, assistindo talvez Esqueceram de Mim 1544846, ou então A Lagoa Azul 2485844, ao agradável som do ronco da cunhada. E nem foi preciso eu fazer o convite; foi só eu aparecer na porta que ela já deu risada e foi pra fora com a roupa do corpo.
A gente saiu correndo feito dois demónios no juízo final; Pisamos sem estresse nas poças correntes de água; Usufruímos das gotas vindas directo do céu. Houve um momento em que a Josi deixou o chinelo escapar, a água o levou ladeira abaixo e ela teve que sair correndo e escorregando para evitar que o seu calçado caísse no bueiro e fosse literalmente por água a baixo.
Vários carros passaram por nós, talvez tenham se perguntado quem eram aquelas duas que esqueceram de crescer. Se você acha que um banho de chuva é perda de tempo ou babaquice, você não sabe o que é bom e provavelmente não teve infância. E a Vivi, imagine se ela estivesse lá! Viviane é uma outra amiga minha, que tem 19 anos e segue um estilo de vida louca-consciente - não que ela seja irresponsável, ela somente age fora do comum. E se ela estivesse lá, ela teria, sei lá, rolado no chão, tirado a roupa, mal posso imaginar.
Bem, ela não estava nem perto, mas também nem imagina o que perdeu. Mas como tudo que é bom não dura para sempre, a chuva só durou umas duas horas. E foi o suficiente, não foi?, para salvar o dia e nós mesmas do velho hábito. Ao contrario de um dia de sol, que depois de aproveitado geralmente traz uma desidratação, queimaduras, insolação ou coisas do género, a minha tarde quebra-rotina não trouxe mals resultados. (Pelo menos não até agora, e tomara que não venha uma leptospirose). E eu também não levei nenhum sermão - a não ser uma bronca por ter sujeitado o bebesinho inocente e puro que era a afiliada da minha mãe a pegar leptospirose, pneumonia, dengue ou qualquer outra coisa. Mas nossa, eu no lugar dela iria preferir mil vezes correr esse "risco" de vida do que passar mais um dia em frente a tevê assistindo a sessão da tarde.
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