29 de dezembro de 2008

Tudo em vão

Como você pôde fazer isso comigo?
Logo eu que tanto te amei, me entreguei
e só a você eu amei.
Me diga, vai, onde eu errei
se tudo que te dei não foi o bastante pra você.

Você falou que me amava,
mas não creio que tudo tenha sido em vão,
que tudo que passou tenha sido apenas uma ilusão.
Não posso mais ficar.
Tenho quer ir,
não da mais para mim.
Tenho que partir.
Me desculpe se o que te dei não foi suficiente para você.

Não me diga que me amou.
Como pode ser assim,
por mais que eu sofra
tenho que partir.
Não posso não posso ficar aqui
perdido nessa dor, preso nessa solidão.

Peço apenas que me deixe ir,
partir com a cabeça erguida.
Um dia você vai encontrar alguém
que vai te fazer sofrer o quanto você me fez,
e eu vou sem olhar pra trás
seguir minha vida e encontrar alguém
que me faça voltar a sorrir outra vez,
que me faça viver...


(Sim, fui eu que escrevi...)

18 de dezembro de 2008

O exame.

Era dia 15 de Dezembro de 2006, eu na sétima série, e tive que voltar a sala de aula para fazer a maldita prova final. A sala que usualmente está inquieta, alegre, cheia de panelinhas naquele dia estava vazia, exceto por mim, o professor e um punhado de outros alunos.
-Eu vou entregar as provas - disse o professor.
Notavelmente, eu era a única aluna, digo, menina, de recuperação. Talvez por que os meninos bagunçaram mais, e as meninas se esforçaram mais. Todas. Exceto a mim, é claro. No ensino fundamental inteiro daquele ano, só se teve noticia de duas garotas em recuperação, eu era uma dessas. Só o fato da média anual não ter sido atingida no quarto bimestre foi um bom motivo de auê, pior ainda sendo uma das únicas alunas irresponsáveis.
-Vocês tem uma hora pra fazer a prova - disse o professor depois de entregar-nos as provas.
Mas o ruim não foram os sermões; o ruim foi saber que todos os meus colegas estavam livres para fazer o que bem quisessem, talvez já estivessem viajando. Eu não iria viajar, mas bem que poderia estar, sei lá, lendo um livro, ouvindo música, jogando vídeo-game, andando de bicicleta, brincando... Eu não podia fazer isso? Não, eu tive de estudar a matéria do ano todo, fazer as provas e ficar em casa.
- Vocês tem meia hora...
Do outro lado da sala, o Bruno, sempre alegre, falando besteirinhas, agora estava mais quieto do que nunca, tive até a impressão de que ele mal se movia. E o professor, bem, parecia mais mal-humorado do que nunca. Naquela hora eu me lembrei do primeiro dia de aula, meses antes, quando no primeiro discurso do ano fomos, os três junto com toda a classe, avisados sobre como o decorrer do ano influenciaria no dia 15 de Dezembro... E lá estávamos nós...
-Mais 10 minutos.
Não precisei esperar 10 minutos, eu já tinha terminado. Antes de entregar a prova eu fiz questão de assinalar o "Boa Sorte" escrito na prova, esperando de fato ter a boa sorte de nunca mais ficar de recuperação.(Que não aconteceu, pelo menos até o fim do ensino fundamental)
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