15 de julho de 2017

Pavio curto (ep. II)

Em vez de raciocinarem, refletirem, ponderarem e se utilizarem das mais plenas capacidades daquele órgão magnífico chamado cérebro, as pessoas agem por emoção e impulso com coisas que nem averiguam direito. Vivemos na era das redes sociais, onde toda mesquinheza humana se exponencializa. Mas viver em sociedade é sinônimo de ter de deparar-se com tais situações o tempo todo, e ter de saber como lidar. Enfim...


2 de junho de 2017

Imaginação



É claro, é óbvio, que eu imagino como é o seu corpo por baixo daquelas roupas largas que você usa.

E não, eu não imagino - e nem quero - um corpo perfeito, tipo aqueles caras horrivelmente bombados que só existem no instagram. Não... Eu imagino - e quero - um corpo que tenha bastante resistência física, entende?

Então eu imagino - sim, eu imagino, porque a imaginação não tem limites, imaginação é liberdade, imaginação é uma especulação de tornar algo em realidade - eu imagino a pele por baixo do tecido. Como serão os seus pelos corporais? São da mesma cor que sua barba e cabelos (que ironicamente não têm a mesma cor?) Será que você tem cicatrizes? Ou tatuagens? Qual será o tamanho... ?

Que você é bem mais alto que eu e que a maioria das pessoas, já sei. Mas seu porte físico é difícil de especular. Quem dirá seus pontos sensíveis.

Eu imagino sem me censurar, mas me contenho. Sei que logo vai chegar a hora em que descobrirei...

31 de maio de 2017

Gelado



Eu não tenho frio, ou será que tenho? Sinceramente não quero saber, o frio é psicológico, ponto! Há muito mais para aproveitar que sentir enregelado no meu próprio corpo, como fazer os vapores pela boca, dar umas voltas ou até mesmo comer um gelado! Porque não?

Eu sou o comandante da minha própria vida e faço o que eu quiser! Sempre com normas para cada altura do ano, até posso num dia de calor tórrido pedir a um quiosque, uma bela chávena de chocolate quente ou andar de chinelos quando anda tudo na rua a querer calor com tanto frio.

Enfim, apeteceu-me comer um gelado. Sim, eu sei que é difícil mas as últimas semanas têm sido completamente deprimentes, quase ninguém na rua, tudo cheio de frio, uma chuva quase neve... vamos fingir que estamos no Verão para parar com este tédio.

Então reparo em duas moças sentadas perto do balcão. São me familiares, mas de onde as conheço? Uma coisa é certa, elas acharam estranho o meu pedido, devem achar que sou um doido varrido! Não, nada disso e mesmo que achassem isso, que me importa a opinião de outros? Ou será que importo? Que se lixe, vou-me sentar com elas!

"Nós já não nos cruzamos em algum lado"?

Elas inicialmente estavam relutantes e queriam o doido fora dali, até que tive uma epifania: elas frequentam a mesma Escola Secundária que eu, só que noutra turma. Tenho-as visto por lá e elas também se lembram por ver por lá e assim uma agradável conversa começou a fluir, conheci melhor as duas melhores amigas que iam muitas vezes àquela padaria, completamente opostas de uma da outra, uma viciada em redes sociais e outra mais tradicional. Mas o tempo passou, a noite veio e tivemos que ir embora, sem antes de pedir o número, claro!

Desde então começamos a sair mais vezes, encontrar pela Escola, mas acima de tudo ir a um sítio qualquer comer um gelado.




A postagem de hoje é mais uma colaboração à la guest post junto com o blogueiro portuga Miguel Oliveira do blog Escritalhada. A primeira parte desse texto, de minha autoria, você confere por lá: https://area-escritalhada.blogspot.com.br/

29 de maio de 2017

Moda




Look at me now!
I feel on top of the world in my fashion!
Looking good and feeling fine

Lady Gaga

Existe um grande dilema por trás dos ditames da moda: vestir-se para se sentir bem ou vestir-se por imposição social - ou, pior ainda, por ambos os motivos?

Me parece que o vestir-se para sentir-se bem está adstrito ao vestir-se para não sair de casa nu. Porque se o intuito é se sentir bem (o que deve pressupor conforto), ninguém vai se dar ao trabalho de colocar sapatos desconfortáveis por serem bonitos, de por uma roupa justa que exige postura, de colocar acessórios, e por aí vai. É o que os mendigos fazem.

Já o vestir-se por imposição social requer mais cuidado. Nós cuidamos ao nos vestir para não causar má impressão nos locais onde frequentamos, talvez porque nossa classe social e/ou profissão exijam, ou talvez porque nosso gênero e idade também exijam (muito embora isso venha sendo contestado), e não raro nos atentemos mais à vestimenta para atrair o sexo oposto.

E nessa perspectiva a vestimenta quer dizer muito. A origem e o custo da sua roupa (se é de marca, se é de alfaiataria, se é de bom tecido), o significado da sua roupa (uniforme, jaleco, terno e gravata, salto alto), o contexto em que você veste esta ou aquela roupa (trabalho ou balada, por exemplo) querem dizer em que local você se insere nas invisíveis mas quase estanques castas da sociedade moderna.

Mas e quando nos vestimos tanto para nos sentirmos bem quanto para sermos aceitos pela sociedade? Aí acho que podemos ser mais tolerantes. Pois veja: Os homens mais sensatos geralmente não se importam com marcas e sim com a qualidade aparente, então um homem não vai reparar se o seu vestido, apesar de bonito e bem feito, não foi comprado em uma loja de grife como aparenta, mas foi feito por você mesma com a velha máquina de costura da nonna e a partir de um tutorial de internet. Você tem que se vestir bem para o trabalho, é certo, mas ninguém precisa saber que o seu elegante tailleur foi adquirido em lojas de segunda mão e customizado.

Penso, então, que podemos ser mais tolerantes de um modo geral com o vestir-se - tanto de nós mesmos quanto o alheio, exceto quando as circunstâncias obrigam uma roupa específica (afinal, não é razoável esperar que um médico entre na sala de cirurgia vestido que nem um jogador de futebol em campo). Se a roupa da pessoa parece excêntrica, diferente, inesperada ou retrógrada, o ideal seria olhar para a pessoa em si, e ver se ela se sente bem assim. Pois não é, afinal, a felicidade o que motiva todos os discursos?

E encerro essa postagem com mais uma música da Gaga, só para reforçar:

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby

I was born this way

28 de abril de 2017

Carta a uma desconhecida

Olá! Tu não me conheces e eu também não.

Estamos envolvidos neste mundo recheado de redes sociais, com amizades virtuais e mensagens instantâneas e pergunto-me se algum dia nos cruzamos na rua com os nossos smartphones em punho alheios a presenças reais e focados em estados merecedores de 'gostos' ou fotos interessantes de conhecidos de conhecidos.

Certamente não, não nos lembramos de tal coisa pois queremos saber o que fulano diz e que parvoíces sicrano fez.

Tanto quanto sei, até podemos ser amigos do Facebook ou seguidores mútuos no Twitter ou no Instagram, aqueles seres que gostam das suas fotografias mas nunca viram mais gordos, magros, feios ou atraentes na vida real. Até pode ser alguém a apropriar-se de imagens de outra pessoa. O melhor é pensar positivo e acreditar que essas pessoas podem ser tuas melhores amigas ou até alguém que te cruzaste numa festa de um amigo de uma amiga, que essa amiga namorou com um rapaz que se dá bem com tal rapariga. Confuso? Sim eu sei mas é assim que possivelmente nos conhecemos por seguirmos um ao outro do nada.

Podemos nunca ter cruzado pessoalmente mas conheço-te, conheço as tuas tendências, conheço  teu círculo de amizades, sei ainda onde vais ocasionalmente, tudo pelas tuas fotografias. És como se fosses alguém do meio raio de amizades.

Ainda vamos a tempo de nos conhecer... posso te dizer um 'oi' ou um 'olá' ? Mas só se responderes. 

Tenho a certeza que nunca o farás, falas com dezenas senão centenas de pessoas por semana mas que importa? Não estaremos na vida de um do outro.

É melhor continuarmos a ser simples desconhecidos.

Quem sou eu? 

Um desconhecido

Beijinhos


Miguel Oliveira - https://area-escritalhada.blogspot.com.br

2 de abril de 2017

Supergirl - 1ª temporada (Resenha)

Essa é a primeira vez que eu faço resenha de uma série de TV ou cinema neste blog - e podem crer que vai ser a única. Eu nunca fui fã de séries; sempre preferi filmes e livros. O que me chamou atenção nessa série em específico, contudo, foram as críticas logo que estreou. Mas antes de adentrar nas críticas, vou apresentar a trama:

A série retrata a vida de Kara, uma jovem de 24 anos que trabalha como assistente da presidente e dona de uma grande empresa de jornalismo - a CatCo - e que, paralelamente, tem uma vida oculta como super heroína, uma vez que ela veio de outro planeta, o que lhe garante superpoderes para salvar as pessoas. Na primeira temporada ela ainda é uma heroína em treinamento, contando com ajuda de seus amigos, sua irmã adotiva e por vezes de terceiros. A série retrata ainda seus casinhos amorosos e conflitos familiares.

O que me pareceu muito empolgante foi a forma com que a série retrata que uma mulher muito empenhada e competente em seu trabalho e ao mesmo tempo uma salvadora da humanidade tem suas inseguranças e medos como qualquer outra pessoa. Como uma mulher (é importante frisar que esse série é gravada sob uma ótica estritamente feminina) ela quer sempre ajudar todo mundo o tempo todo, mas isso nem sempre dá certo.

Mas agora voltando às críticas, é de se notar que a série não está apenas sob uma ótica feminina quanto feminista - mas um feminismo em uma dose nada comedida. Primeiramente, essa série inverte os papéis estereotipados da sociedade: as mulheres que são as líderes, bem sucedidas, milionárias, cegas pelas carreira, e os homens que são sedutores, obedientes, vilões sanguinários e troiçoeiros, etc (estou falando de meros estereótipos, não de que isso seja, ou não, a realidade). Mas se fosse apenas essa inversão, seria algo escusável, já que se trata de uma ficção. Sem embargo, como eu li numa crítica intitulada "How Supergirl’s Feminism Misses the Point", a série, a despeito dessa inversão de papéis, é generosamente recheada de jargões e lugares comuns feministas; em vários episódios aparece alguma mulher falando "ah, você está insinuando que eu não posso fazer isso porque sou mulher" - mas geralmente isso se dá em alguma cena ridícula em que a mulher tem uma situação muito superior à da pessoa que critica, o que não faz sentido nenhum.

No mais, de um modo geral, a série não é bem construída. Os personagens e a ideia central da trama são excelentes, e os atores são bons; mas os episódios não conversam entre si, como se cada episódio fosse uma história isolada. Num episódio a chefe está prestes a demitir Kara, no episódio seguinte é sua melhor amiga, e no seguinte a humilha. Além do mais, justamente por essa visão feminina-feminista a emotividade das personagens é absurda; todo mundo em algum momento abre o coração e conta as mágoas, mesmo os vilões, e todo mundo age impulsivamente "por amor", "pelos amigos", "pela família". Em um episódio, a irmã adotiva de Kara quebra sensíveis protocolos de segurança nacional dos EUA para prender um mero suspeito de por em risco sua família (ou seja, o país pode estar em risco, sua irmã não). Sem contar que tem coisas muito destoantes da realidade, que, mesmo se tratando de ficção (que deve ter um mínimo de coerência com a vida comum) não aconteceria num cotidiano comum (veja que não estou falando da parte estritamente fictícia da trama). Um exemplo é o fato de que a irmã adotiva de Kara literalmente desafora um vilão poderoso e milionário e ele simplesmente abaixa a cabeça, e em outro a própria Kara demonstra vulnerabilidade para um inimigo mortal e ele demonstra complacência. Enfim...

É como se fosse um jantar que, apesar da grande proposta e dos bons ingredientes, não foi bem montado e nem bem servido. A ideia é excelente mas apresentada de uma forma que não faz nenhum sentido. Mas nem tudo está perdido: Pelo que tenho acompanhado as críticas, na segunda temporada os diretores passam a fazer parcerias televisivas e trabalham melhor a trama. É uma pena que eu não vou ver a próxima temporada...


30 de março de 2017

Paixão


Da última vez eu jurei abstinência absoluta pro resto da minha vida. Quis não querer mais saber de ninguém exceto família e amigos. Isso de sentimentos nunca retribuídos, de expectativas, decepções, um desejo que raramente, raríssimamente, chegava a se concretizar em um relacionamento, um jogo que eu perco sem nem sair da primeira fase... Eu quis não querer mais mas... Aí ele aparece. Alto, olhos azuis, lindo; parece um príncipe. E eu sei que você vai me advertir que no começo todos parecem príncipes, mas a minha vontade agora, o meu fogo, é descobrir o quanto esse cara é diferente de todos os outros caras do universo, e sinto que não vou me decepcionar. Poupe os seus conselhos: Vou mergulhar de cabeça de novo, e não me importo com as consequências.

20 de março de 2017

Perder


Ninguém se lembra de você na hora da festa, mas se lembram na hora que as coisas apertam. Sem tanta grana e sem habilidade de mentir tão bem; quem iria se interessar? Não conseguir a vaga pretendida, nem o emprego almejado, nem mesmo ser lembrada pelos seus amigos, a despeito da sua própria insistência, e ter toda a sua reserva financeira pilhada por absurdas tarifas... Essas pequenas perdas são como alfinetes nas veias. Não dá vontade de largar tudo, ir embora e recomeçar tudo, invisível? Queria ao menos ser sociopata; talvez não traria mais sucesso, mas ao menos eu não seria sensível a essas misérias que viram o jogo.

6 de março de 2017

Nobody yes door



Ninguém realmente se importa com a sua opinião. Não querem realmente saber o seu gosto, o que você sente, como você sente, nem se interessam pela sua opinião. 

Não.

Todos chegam aqui por algum robô do google, ou por indicação, ou por algum link perdido, imaginando encontrar aqui, como em qualquer outro blog, coisas coloridas espalhafatosas, postagens da moda cheia de imagens com resenhas acerca de bens ou serviços, livros e filmes e séries e artistas mainstream.

E de qualquer forma, ninguém se interessa pelas suas inúmeras tentativas de popularizar, de repostar coisas da moda, de ser igual a youtube-bloggers.

No, nobody gives a f#ck.

1 de março de 2017

Coisas portuguesas



Aqui estamos de volta para mais um guest post do autor do Escritalhada...

Portugal, o país onde se vive de tradições e fixações que se entranham até ao tutano. É aquele pais onde os seus habitantes (maior parte) só quer ouvir música popular ideal para torturas. A sério, os Americanos podiam aproveitá-las para pôr durante horas nas celas dos inimigos da Segurança Nacional, teriam revelações garantidas. Podem ir ao Youtube.

E o futebol, esse rei das discussões de café às picardias entre colegas de trabalho, aquele desporto que tira umas horas de vida de insanidade e tempo de antena, qual fosse o único desporto à face da Terra. Só se quer saber dos protagonistas, das intrigas pela primeira liga. Cada um quer ter razão em relação à arbitragem, da qual prejudica o seu clube e beneficia os rivais mas o que interessa é que tudo corra de feição. Estamos a falar do país que parou uns dias por ter ganho o Europeu.

Não vamos esquecer da religião, da Católica é melhor, porque parece que não há outra num país completamente tolerante religioso. O que mais interessa é Fátima e as Aparições e claro, lucrar com isso, até porque o mais importante é o lucro do que a fé. É aquele país onde os bispos são tão importantes que podem opinar o que quiserem na TV.

Herdámos dos brasileiros o hábito das novelas, a companhia perfeita para senhoras reformadas à noite para viverem “histórias” enfadonhas de centenas de episódios inusitados.

Há tanto para absorver deste país, mas só viver uns meses e vocês brasileiros não queriam outra coisa além do ar tuga. Somos um povo estranho é certo mas não há nada como este paraíso à beira mar plantado.

Como adoro este país... The Best!!


PS: Não se esqueçam de ver o novo guest post da Ana aqui


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...