28 de abril de 2017

Carta a uma desconhecida

Olá! Tu não me conheces e eu também não.

Estamos envolvidos neste mundo recheado de redes sociais, com amizades virtuais e mensagens instantâneas e pergunto-me se algum dia nos cruzamos na rua com os nossos smartphones em punho alheios a presenças reais e focados em estados merecedores de 'gostos' ou fotos interessantes de conhecidos de conhecidos.

Certamente não, não nos lembramos de tal coisa pois queremos saber o que fulano diz e que parvoíces sicrano fez.

Tanto quanto sei, até podemos ser amigos do Facebook ou seguidores mútuos no Twitter ou no Instagram, aqueles seres que gostam das suas fotografias mas nunca viram mais gordos, magros, feios ou atraentes na vida real. Até pode ser alguém a apropriar-se de imagens de outra pessoa. O melhor é pensar positivo e acreditar que essas pessoas podem ser tuas melhores amigas ou até alguém que te cruzaste numa festa de um amigo de uma amiga, que essa amiga namorou com um rapaz que se dá bem com tal rapariga. Confuso? Sim eu sei mas é assim que possivelmente nos conhecemos por seguirmos um ao outro do nada.

Podemos nunca ter cruzado pessoalmente mas conheço-te, conheço as tuas tendências, conheço  teu círculo de amizades, sei ainda onde vais ocasionalmente, tudo pelas tuas fotografias. És como se fosses alguém do meio raio de amizades.

Ainda vamos a tempo de nos conhecer... posso te dizer um 'oi' ou um 'olá' ? Mas só se responderes. 

Tenho a certeza que nunca o farás, falas com dezenas senão centenas de pessoas por semana mas que importa? Não estaremos na vida de um do outro.

É melhor continuarmos a ser simples desconhecidos.

Quem sou eu? 

Um desconhecido

Beijinhos


Miguel Oliveira - https://area-escritalhada.blogspot.com.br

2 de abril de 2017

Supergirl - 1ª temporada (Resenha)

Essa é a primeira vez que eu faço resenha de uma série de TV ou cinema neste blog - e podem crer que vai ser a única. Eu nunca fui fã de séries; sempre preferi filmes e livros. O que me chamou atenção nessa série em específico, contudo, foram as críticas logo que estreou. Mas antes de adentrar nas críticas, vou apresentar a trama:

A série retrata a vida de Kara, uma jovem de 24 anos que trabalha como assistente da presidente e dona de uma grande empresa de jornalismo - a CatCo - e que, paralelamente, tem uma vida oculta como super heroína, uma vez que ela veio de outro planeta, o que lhe garante superpoderes para salvar as pessoas. Na primeira temporada ela ainda é uma heroína em treinamento, contando com ajuda de seus amigos, sua irmã adotiva e por vezes de terceiros. A série retrata ainda seus casinhos amorosos e conflitos familiares.

O que me pareceu muito empolgante foi a forma com que a série retrata que uma mulher muito empenhada e competente em seu trabalho e ao mesmo tempo uma salvadora da humanidade tem suas inseguranças e medos como qualquer outra pessoa. Como uma mulher (é importante frisar que esse série é gravada sob uma ótica estritamente feminina) ela quer sempre ajudar todo mundo o tempo todo, mas isso nem sempre dá certo.

Mas agora voltando às críticas, é de se notar que a série não está apenas sob uma ótica feminina quanto feminista - mas um feminismo em uma dose nada comedida. Primeiramente, essa série inverte os papéis estereotipados da sociedade: as mulheres que são as líderes, bem sucedidas, milionárias, cegas pelas carreira, e os homens que são sedutores, obedientes, vilões sanguinários e troiçoeiros, etc (estou falando de meros estereótipos, não de que isso seja, ou não, a realidade). Mas se fosse apenas essa inversão, seria algo escusável, já que se trata de uma ficção. Sem embargo, como eu li numa crítica intitulada "How Supergirl’s Feminism Misses the Point", a série, a despeito dessa inversão de papéis, é generosamente recheada de jargões e lugares comuns feministas; em vários episódios aparece alguma mulher falando "ah, você está insinuando que eu não posso fazer isso porque sou mulher" - mas geralmente isso se dá em alguma cena ridícula em que a mulher tem uma situação muito superior à da pessoa que critica, o que não faz sentido nenhum.

No mais, de um modo geral, a série não é bem construída. Os personagens e a ideia central da trama são excelentes, e os atores são bons; mas os episódios não conversam entre si, como se cada episódio fosse uma história isolada. Num episódio a chefe está prestes a demitir Kara, no episódio seguinte é sua melhor amiga, e no seguinte a humilha. Além do mais, justamente por essa visão feminina-feminista a emotividade das personagens é absurda; todo mundo em algum momento abre o coração e conta as mágoas, mesmo os vilões, e todo mundo age impulsivamente "por amor", "pelos amigos", "pela família". Em um episódio, a irmã adotiva de Kara quebra sensíveis protocolos de segurança nacional dos EUA para prender um mero suspeito de por em risco sua família (ou seja, o país pode estar em risco, sua irmã não). Sem contar que tem coisas muito destoantes da realidade, que, mesmo se tratando de ficção (que deve ter um mínimo de coerência com a vida comum) não aconteceria num cotidiano comum (veja que não estou falando da parte estritamente fictícia da trama). Um exemplo é o fato de que a irmã adotiva de Kara literalmente desafora um vilão poderoso e milionário e ele simplesmente abaixa a cabeça, e em outro a própria Kara demonstra vulnerabilidade para um inimigo mortal e ele demonstra complacência. Enfim...

É como se fosse um jantar que, apesar da grande proposta e dos bons ingredientes, não foi bem montado e nem bem servido. A ideia é excelente mas apresentada de uma forma que não faz nenhum sentido. Mas nem tudo está perdido: Pelo que tenho acompanhado as críticas, na segunda temporada os diretores passam a fazer parcerias televisivas e trabalham melhor a trama. É uma pena que eu não vou ver a próxima temporada...


30 de março de 2017

Paixão


Da última vez eu jurei abstinência absoluta pro resto da minha vida. Quis não querer mais saber de ninguém exceto família e amigos. Isso de sentimentos nunca retribuídos, de expectativas, decepções, um desejo que raramente, raríssimamente, chegava a se concretizar em um relacionamento, um jogo que eu perco sem nem sair da primeira fase... Eu quis não querer mais mas... Aí ele aparece. Alto, olhos azuis, lindo; parece um príncipe. E eu sei que você vai me advertir que no começo todos parecem príncipes, mas a minha vontade agora, o meu fogo, é descobrir o quanto esse cara é diferente de todos os outros caras do universo, e sinto que não vou me decepcionar. Poupe os seus conselhos: Vou mergulhar de cabeça de novo, e não me importo com as consequências.

20 de março de 2017

Perder


Ninguém se lembra de você na hora da festa, mas se lembram na hora que as coisas apertam. Sem tanta grana e sem habilidade de mentir tão bem; quem iria se interessar? Não conseguir a vaga pretendida, nem o emprego almejado, nem mesmo ser lembrada pelos seus amigos, a despeito da sua própria insistência, e ter toda a sua reserva financeira pilhada por absurdas tarifas... Essas pequenas perdas são como alfinetes nas veias. Não dá vontade de largar tudo, ir embora e recomeçar tudo, invisível? Queria ao menos ser sociopata; talvez não traria mais sucesso, mas ao menos eu não seria sensível a essas misérias que viram o jogo.

6 de março de 2017

Nobody yes door



Ninguém realmente se importa com a sua opinião. Não querem realmente saber o seu gosto, o que você sente, como você sente, nem se interessam pela sua opinião. 

Não.

Todos chegam aqui por algum robô do google, ou por indicação, ou por algum link perdido, imaginando encontrar aqui, como em qualquer outro blog, coisas coloridas espalhafatosas, postagens da moda cheia de imagens com resenhas acerca de bens ou serviços, livros e filmes e séries e artistas mainstream.

E de qualquer forma, ninguém se interessa pelas suas inúmeras tentativas de popularizar, de repostar coisas da moda, de ser igual a youtube-bloggers.

No, nobody gives a f#ck.

1 de março de 2017

Coisas portuguesas



Aqui estamos de volta para mais um guest post do autor do Escritalhada...

Portugal, o país onde se vive de tradições e fixações que se entranham até ao tutano. É aquele pais onde os seus habitantes (maior parte) só quer ouvir música popular ideal para torturas. A sério, os Americanos podiam aproveitá-las para pôr durante horas nas celas dos inimigos da Segurança Nacional, teriam revelações garantidas. Podem ir ao Youtube.

E o futebol, esse rei das discussões de café às picardias entre colegas de trabalho, aquele desporto que tira umas horas de vida de insanidade e tempo de antena, qual fosse o único desporto à face da Terra. Só se quer saber dos protagonistas, das intrigas pela primeira liga. Cada um quer ter razão em relação à arbitragem, da qual prejudica o seu clube e beneficia os rivais mas o que interessa é que tudo corra de feição. Estamos a falar do país que parou uns dias por ter ganho o Europeu.

Não vamos esquecer da religião, da Católica é melhor, porque parece que não há outra num país completamente tolerante religioso. O que mais interessa é Fátima e as Aparições e claro, lucrar com isso, até porque o mais importante é o lucro do que a fé. É aquele país onde os bispos são tão importantes que podem opinar o que quiserem na TV.

Herdámos dos brasileiros o hábito das novelas, a companhia perfeita para senhoras reformadas à noite para viverem “histórias” enfadonhas de centenas de episódios inusitados.

Há tanto para absorver deste país, mas só viver uns meses e vocês brasileiros não queriam outra coisa além do ar tuga. Somos um povo estranho é certo mas não há nada como este paraíso à beira mar plantado.

Como adoro este país... The Best!!


PS: Não se esqueçam de ver o novo guest post da Ana aqui


24 de fevereiro de 2017

Ambição


Muito embora eu quisesse usar todos os dias, Channel tem um custo. Pois eu espero que a minha ascensão profissional e financeira seja tão grande quanto a minha ambição. Eu queria ser a mulher maravilha, poderosa, rica, no topo do mundo. Comprar o corpo que eu quero. Negociar com deus os meus anos de vida, e até mesmo umas férias no inferno. Atravessar o mundo em minutos. Não ter que me preocupar com mensagens não respondidas. Ah, como eu quero ir para o outro nível...

22 de fevereiro de 2017

Cinco minutos


Eu disse: você tem cinco minutos. Estava farta - você implorava - e eu não sou paciente como um santo. Eu achei que você era só mais um louco. Me enganei. E estava certa. A verdade é que cada louco é único. Não leve a mal, antes louco que apático. Eu disse: cinco minutos - e você teve cada minuto, cada segundo, como se fosse o último da humanidade. Achei graça. "Afinal", eu pensei, "cinco minutos são suficientes para salvar o mundo". No quinto minuto você não cessou, falava da sua vida, me dizia poder contar contigo, dizia querer ajudar. Interrompi: pois bem, quando precisar, afirmei, espere que eu chamo. Eu chamo, e que esteja disponível. Você disse que estaria. E eu achei que não chamaria. Mas onze dias depois, nas suas próprias contas, eu chamei e você não estava. Mais uns três dias, talvez, e você trombou comigo. Você mal parava de falar, e eu só olhava. "O que as pessoas veem de bom em mim?", pensei. Eu não quis me expor. E o mundo ainda que salvo é cheio de imprevistos. Você perguntou muito e eu respondi pouco. Eu me perguntei: "qual é o segredo dessa persistência?" Eu dizia: por favor, não hoje - e você dizia: tudo bem, quando quiser. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Filantropia é uma coisa que eu desconheço, meu caro. Mas é uma coisa que eu gostaria de entender. Eu queria ter um milésimo da paciência que você tem. Eu disse: Tá ocupado? Você disse: cinco minutos... só. Espere.  Eu não sou paciente como um santo. Eu achei que eu teria paciência pelo menos uma vez na vida. Me enganei. E estava certa. A verdade é que louco é aquele que se engana consigo mesmo. Não leve a mal, antes louca que apática. Você disse: só cinco minutos. E cada minuto - para mim - passou como um milhão de anos. E eu vi a ironia em mim mesma. "Afinal", pensei, "em cinco milhões de anos, surge um novo mundo".

(E aposto que você entendeu nada)

20 de fevereiro de 2017

Au revoir


Eu nunca fui fã de cordialidades, quanto pior com despedidas. As pessoas costumam sumir de repente, como que arrebatadas por um raio sem tempo para dizer adeus, e muitas reaparecem tempos depois feito assombrações eletrizadas. Eu não costumo me despedir. Eu costumo é estar subitamente só, com as luzes fracas e artificiais me condenando à solidão. Você teve que desaparecer. Já não é a primeira vez. Não é a primeira vez que alguém some e eu fico a ver navios, a ver aviões, a ver trens e toda sorte de meios de distanciamento. No fundo, bem lá no fundo, eu senti falta das suas ideias ingênuas e radicais e, no começo, eu trocaria qualquer coisa por um dos seus raros momentos de mau humor. Mas tudo bem. Irremediavelmente, eu não devo ser mais parte da sua vida, e nem você da minha. Então, adeus. Amanhã eu também vou ir-me. Vou me mudar para um bairro nobre no inferno, bem longe da Fronteira com o limite humano. Goodbye. Mal posso esperar. Se você voltar, esteja sorrindo, lembre-se de mim e, por favor, não esteja alcoolizado. Perdoa essa minha despedida estranha, mas eu já disse que eu não sou boa nisso. E você vai se confundir, mas saberá que esse texto é para você - ou talvez morra sem perceber. Agora, Deus me perdoe, e você me dê licença, mas eu tenho que ir.

16 de fevereiro de 2017

Coisas que eu jamais diria mas gostaria que tivessem me dito antes


Detesto ter que transmitir ou captar mensagens implicitamente. Fosse por mim eu diria tudo, absolutamente tudo o que gostaria de dizer - e também prefiria que me dissessem o sim ou o não em vez de me deixar sem certezas de como proceder. Mas não dá pra falar tudo. Vivemos em um mundo em que uma palavra é facilmente mal interpretada como expectativa ou ofensa. E por isso eu ajo assim. Por isso eu ignoro as suas mensagens, não olho para você quando você fala, te evito, rejeito os seus mimos, simulo irritação. Odeio ter que agir assim, pois eu sei como é apaixonar-se. Queria eu lhe dizer simplesmente que você não é o tipo de homem que me agrada e pedir para se afastar; mas eu sei que se eu fizer isso você entederá errado e insistirá ainda mais. Tivessem dito algo assim para mim em qualquer das milhões de vezes que eu me iludi eu teria entendido, dado as costas e nunca mais olhado para trás... Mas tudo o que tive foram ditos e não ditos, joguinhos, farsas... Se eu assumo uma atitude ríspida ao menos eu sou sincera. Linguagem corporal e comportamento são coisas difíceis de decifrar... Lamento, mas eu nunca vou poder te dizer.
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